A Avalanche Tricolor está de volta

 

Juventude 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi (Caxias do Sul)

 

 

Faz algumas semanas tenho ensaiado retomar a Avalanche Tricolor, esta coluna que escrevo desde 2007, iniciada praticamente junto com o Blog, com a intenção de revelar meus sentimentos pelo Grêmio, time pelo qual sou torcedor confesso. Pela primeira vez desde que comecei essa maratona, que às vezes me leva a dormir de madrugada para publicá-la após a partida, compromisso que assumi comigo mesmo mas que tendo a cumprir cada vez menos, deixei de falar dos primeiros jogos da temporada. Inicialmente, porque estava retornando das férias no dia em que o Grêmio estreava no Campeonato Gaúcho, depois por falta de motivação provocada não apenas pelo uso do time Sub-20. Estava pouco entusiasmado com as mudanças restritas no elenco, a ausência de contratações que gerassem alvoroço no noticiário e, me desculpe, pelo técnico sem experiência para um ano de Libertadores e no qual não teremos muita paciência para esperar a conquista de um título, nesta ou em qualquer das competições que disputarmos.

 

Inesperadamente se iniciou uma campanha para mudar meu ânimo. Colegas do esporte da CBN disseram que Enderson Moreira poderia se transformar em revelação no comando gremista, assim como foram Felipão, Tite e Mano Menezes. Meu pai, que vocês costumam ler às quintas-feiras aqui no Blog, fim de semana passado, ao vivo, por algum tempo, se esforçou para me convencer de que o elenco era bom, havia mudanças sutis mas importantes, como a troca de Alex Telles por Wendell na lateral esquerda, uma garotada talentosa da base que poderia compor o time, a volta de Marcelo ‘Gremista’ Grohe para o gol, a manutenção de Rhodolfo no papel de Xerife, além dos velhos nomes que, segundo ele, deveriam voltar a jogar à altura de seu talento, tais como Zé Roberto, Kleber e Barcos. A conspiração pela volta da Avalanche ganhou o reforço de dois colegas de profissão, gremistas como eu: Sílvio Bressan, que vive em São Paulo, também, descreveu-me, por telefone, o Grêmio pós-goleada contra o Aimoré, na Arena, como um time taticamente melhor do que no ano passado e com capacidade de conquistas na temporada; e o Bruno Zanette, que mora em Foz do Iguaçu, no Paraná, dos raros e caros leitores deste Blog, pelo Twitter, me cobrou a coluna nesta semana.

 

Atender aos pedidos e se entusiasmar com as palavras dos amigos não foi difícil para um cara sempre disposto a acreditar que ‘agora-vai’, por isso preparei-me neste domingo para assistir ao primeiro jogo do Grêmio na temporada. Meu primeiro jogo, claro, pois nosso time já havia disputado quatro partidas pelo Gauchão, apelido que está bem longe de dar a verdadeira dimensão do campeonato estadual no Rio Grande do Sul. Havíamos vencido duas, empatado uma e perdido uma, campanha suficiente para nos colocar na liderança do Grupo B e bastante razoável se levarmos em conta que o time principal tinha jogado apenas uma partida até agora. Ver a troca de passe claudicante, a falta de criatividade do meio campo e de presença dos jogadores de ataque, além de levar um gol do adversário antes do primeiro quarto de jogo, confesso, abalaram meu otimismo. Parecia estar revendo as partidas do ano passado e sem a esperança de que a mística de Renato Gaúcho mudaria alguma coisa, já que nem ele estava no banco. Dois meninos, porém, me fizeram sorrir novamente e enxergar nosso desempenho com parcimônia: Jean Deretti, que mudou o ritmo do meio de campo e passou a acionar o time pelo lado direito, já que até então só se descia pela esquerda; e Wendell com belíssima jogada que deu início ao gol marcado por ele e contou com a participação importante do próprio Deretti (o pai tinha razão, Wendell é bom de bola).

 

Eu sou assim mesmo. Não preciso de muito para acreditar na nossa capacidade e encontrar aspectos positivos que possam nos levar às conquistas desejadas. Tenho sempre a tendência de acreditar que a força de nossa história será suficiente para nos levar à frente e superar fragilidades. Por isso, preparem-se, pois estou pronto para acompanhar a temporada, certo de que este ano teremos muito a comemorar e disposto a escrever novas Avalanches mesmo que isso sacrifique algumas horas de sono.

 

PS: tem certas coisas que parece jamais vão mudar, por exemplo, os idiotas de plantão que vão para os estádios expor suas frustrações e cometem atos de imbecilidade como os de hoje quando duas bombas foram arremessadas contra o goleiro do Juventude. Precisamos nos livrar dessa gente que além de gerar violência e pôr em risco a saúde física dos demais torcedores, atletas e profissionais que estão no estádio, podem prejudicar o Grêmio.

A meia-entrada dos jovens e a perícia meia-boca

 

Por Milton Ferretti Jung

A SANÇÃO SELA UM PACTO COM A JUVENTUDE BRASILEIRA

Foi o que afirmou a presidente Dilma ao sancionar o Estatuto da Juventude na última segunda-feira. É o primeiro resultado positivo das manifestações dos jovens brasileiros em praticamente todo o Brasil. Tanto isso é verdade que um projeto esquecido há nove anos, repentinamente, acabou sancionado. Pergunto-me por que foi necessário que os moços e moças saíssem às ruas para que fosse atendida uma de suas reivindicações.

 

Embora as novas normas, entre elas a que prevê que 40% dos ingressos deverão ser reservados para meia-entrada, o que beneficiará 51 milhões de pessoas com idades entre 15 e 29 anos, só entrarão em vigor em 2014, trata-se de uma vitória incontestável da mocidade brasileira, conquistada contra o pouco caso demonstrado pelos políticos no que diz respeito a aprovação de projetos de grande interesse popular.

 

Os efeitos do Estatuto da Juventude sobre os preços dos ingressos de quem terá de pagar entrada inteira já começa, porém, a ameaçar essa parcela de público com aumentos por força dos descontos. Será que os “idosos” terão de pagar o pato? Não é de se duvidar. Aliás, quem paga todas as bolsas disso e daquilo existentes em nosso país são mesmo as pessoas com mais de 30 anos. Creio que seria demasiado, no entanto, que fosse aprovada a meia-tarifa no transporte interestadual. Afinal, o projeto previa subsídio governamental, sem repasse às empresas.

 

Permitam-me, sem estranhar, que trate ainda de um episódio vivido por uma senhora de 88 anos, residente em Caxias do Sul, cidade onde nasci. Dona Odete Hoffman confessou ter matado um bandido, que havia invadido o apartamento no qual morava sozinha, alvejando-o com três três tiros disparados por um revólver Smith & Wesson, calibre 32. Ela foi acordada pelo invasor e reagiu em legítima defesa. O caso aconteceu no dia 9 de junho de 2012. Mais de uma perícia foi efetuada e até agora a polícia não decidiu se foi mesmo Dona Odete a autora do homicídio. Tivesse ela sido vítima do ladrão e não o contrário, esse já estaria em liberdade condicional. Que baita incompetência pericial!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: vamos ao que interessa

 

Juventude 1 (5) x (4) 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi (Caxias do Sul)

 

 

Dia 1º de maio, 19h30, Arena, Porto Alegre.

 

Está lá, marcado na minha agenda com destaque e em azul. Esta é a decisão que nos interessa. Este é o jogo da temporada. Santa Fé, o inimigo a ser abatido. Um time argentino, com certeza. Uma decisão sul-americana, sem dúvida. Nada que fizemos (ou deixamos de fazer) até aqui é mais importante do que este compromisso em pleno feriado do Dia do Trabalho. Uma decisão de 180 minutos ou um pouco mais que tem de ser resolvida nos primeiros 90, se não quisermos estender nosso sofrimento. Apesar de que tudo que fizermos nesta primeira hora e meia de futebol, por melhor que seja, terá de ser ratificado na hora e meia seguinte, diante da torcida adversária. Por isso, reunir nossa força e história neste desafio inicial é fundamental para nosso destino em busca da marca maior, o  Tri da Libertadores. Temos de nos desvencilhar de todos os entraves que surgem nesta caminhada. Craques lesionados, guerreiros debilitados e lutadores em recuperação têm de se unir, contar com o apoio incondicional da torcida. As trapalhadas técnicas, os erros gerenciais, as carências estratégicas e percalços como a decisão de pênaltis na noite deste sábado têm de ser deixados para trás.

 

Temos de ser fortes e capazes de superarmos nossas deficiências e para tanto contamos com nossa história de imortalidade. E se você me provocar pelo mau resultado de hoje, perdeu seu tempo. Tudo que aconteceu em Caxias do Sul é ensinamento, é motivo de reflexão, é a penitência que temos de pagar pela grande conquista que sonhamos.

 

É isso que penso, é nisso que creio (principalmente depois de uma garrafa do malbec argentino Lindaflor La Violeta 2008 – mesmo porquê só bebendo para aceitar um chute como o do André Santos e a falta de criatividade para chutar a gol)

Avalanche Tricolor: Barcos, o Carnaval e um sonho

 

Juventude 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi/Caxias (RS)

 

 

Carnaval não é a minha praia. Curti muito até tempos atrás, pulava de baile em baile, em uma época na qual os clubes abriam suas portas para diversão. Hoje, parece que a maioria prefere não se arriscar com a baixa adesão dos sócios. Fui ousado nos festejos de Momo, me fantasiei, desfilei duas vezes no Sambódromo do Rio, sambei desajeitado, se é que aqueles passinhos ridículos tinham alguma coisa a ver com samba. Agora, estou fora de jogo, nem mesmo os desfiles na televisão me fazem ficar acordado até tarde. Prefiro descansar, ficar com os meninos, passear um pouco, quem sabe pedalar se não chover. Nesse feriado, tirei tempo para acelerar a leitura. Estou com a biografia de Mick Jagger em mãos, ou seja, enquanto o bum-bum-pa-ti-cum-dun-pru-cu-rum-dum soa lá fora, vou de rock and roll aqui dentro. Nem mesmo o futebol costuma me animar nestes dias. Aliás, quando me divertia no Carnaval, os campeonatos entravam em recesso. Atualmente, com o calendário mais apertado que alpargata de gordo, como dizem na minha terra natal, mexem no horário para que as partidas encaixem em um só dia e não respeitam sequer os clássicos, que ficam perdidos no noticiário carnavalesco.

 

Espanta-me pouco que quase não se percebeu a derrota gremista com um misto de time B – havia a gurizada da base e alguns reservas da equipe principal em campo -, pela Taça Piratini, no sábado de Carnaval. O placar impôs dificuldade extra para se classificar à fase final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho, pois o Grêmio precisará vencer nas últimas rodadas e contar com uma combinação de resultados que se não é impossível, é difícil. Se tiver que ser assim, que seja, pois, fora desta primeira parte do Estadual, teríamos dedicação total às quatro primeiras rodadas da Libertadores que, afinal, é o que nos interessa. Tanto é verdade que a notícia mais importante do futebol neste Carnaval não veio de dentro dos gramados. Refiro-me à contratação relâmpago de Barcos que chega para ser mais um Imortal Tricolor.

 

Vamos combinar o seguinte. Nem esta é a maior contratação que o Grêmio fez em sei lá quanto anos, como escrito por um cronista gaúcho deslumbrado, nem o Palmeiras passou a perna na gente, como escreveu um paulista despeitado. Barcos é finalizador – alguns preferem chamá-lo de matador. Algo que tem feito falta ao Grêmio, desde a saída de Jonas, há dois anos. Não será, porém, o salvador da Pátria Tricolor. Para isso, temos uma história e um elenco que está bem construído, haja vista os últimos reforços. É o conjunto da obra que nos permite sonhar com o tri da Libertadores. E esta é, para mim, a melhor notícia do Carnaval: conquistamos o direito de sonhar.

Avalanche Tricolor: Tá na história

 

Juventude 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental


Foi a décima-quinta vitória consecutiva na temporada, marca jamais alcançada por nenhum outro time que vestiu a camisa do Grêmio. O Imortal 2010 faz sua própria história sob a desconfiança dos adversários e mesmo de muitos torcedores que ainda temem a próxima partida – seja esta qual for. É talvez este olhar receoso que desafia os jogadores tricolores e os fazem superar as expectativas, a registrarem ao fim deste feriado de Páscoa a melhor campanha do futebol brasileiro com 88% de aproveitamento.

A quem lembrar que boa parte destes jogos foi válida pelo Campeonato Gaúcho, bom não esquecer que mesmo equipes respeitadas pela crítica não foram capazes de alcançar esta sequência vitoriosa em temporadas anteriores. Não custa citar que o “Queridinho da Crônica” enfrentando os mesmos adversários não somou 15 vitórias em toda a competição. Classificou-se na bacia das almas para esta próxima fase, na qual o Grêmio chega como líder absoluto.

O Grêmio tem decidido suas partidas nos primeiros 15 minutos, foi assim nas quatro últimas. Jonas, mesmo sozinho no ataque, é o goleador do ano (13 gols) e merece todos nossos aplausos. Não vejo hora dele se reencontrar com Borges, fora há mais de um mês por lesão.

Douglas, o 10, é o Tcheco com mais saúde. Forte para dividir, mais ainda para manter a bola em seus pés. É capaz de encontrar companheiros em lugares que a televisão não mostra (tudo bem que os diretores de TV, no PPV, não têm se esmerado muito no corte das imagens). Tem um passe preciso e lança com açúcar e afeto como fez no primeiro gol.

É preciso, porém, que se abra um parágrafo nesta Avalanche para destacar um jogador que tem sido fundamental nesta campanha. Experiente, firme e talentoso, o zagueiro Rodrigo, que chegou neste ano, joga com pinta de quem logo se transformará em “Cherifão do Tricolor”. A presença dele no time fechou espaços que permitiam o assédio constante dos adversários, no início do ano (lembra quantas vezes tivemos de virar o placar ?). Hoje foi forte quando preciso, tranquilo na medida certa e ainda se deu ao luxo de despachar uma bola da nossa área, aos 40 e tantos minutos do segundo tempo, de calcanhar (só não precisa exagerar, prefiro bem mais uns carrinhos de vez em quando).

Jonas, Douglas e Rodrigo ainda precisam fazer mais, muito mais, para merecerem o título de Imortal, necessitam confirmar este título Gaúcho, seguir em frente na Copa do Brasil, abrir caminho na Libertadores e azarar os “Queridinhos da Crônica˜. Mas já podem dizer por aí que após mais esta vitória, a décima-quinta seguida, entraram para a história. E eu me orgulho disto.

Em tempo: Recebo informação de Arigatô que a marca de 15 vitórias consecutivas é sul-americana. Confira no Blog Imortal Tricolor.

Sobre a vida e as mãos

 

http://www.flickr.com/photos/imaginarios/

Christian Jung
Blog MacFuca

Olhando pela janela e assistindo ao movimento das pessoas circulando pelas praças. Ver uma família passeando de mãos dadas me trouxe mais uma vez reflexões sobre momentos bons e maus desta nossa vida. Na verdade, a vida não existe sem esses dois momentos. De qualquer forma tenho esse jeito emotivo alegre ou depressivo interpretativo com as coisas que me cercam. Como esta união familiar pelo contato da “Mão”.

Desde o momento que nascemos, que sentimos a claridade bater em nossos olhos, somos socorridos e recebidos pelas “mãos” de alguém, no caso um especialista (geralmente), que nos acolhe com as “mãos” de quem estudou o suficiente para estar ali pronto para nos agarrar firme.

Logo em seguida vem as “mãos” da Mãe e com elas sentimos a segurança que pro resto de nossas vidas nunca iremos esquecer.
E assim por diante uma série de “mãos” vão se seguindo e em cada fase elas se apresentam de uma forma, ainda que nunca deixem de ter o mesmo sentido para nossas vidas.

Quando crianças a mesma “mão” que acaricia, corta o bife, serve o leite com achocolatado, segura a bicicleta até que ela se equilibre no meio de nossas pernas. A “mão” que agarra firme e, as vezes, bate para ensinar. (Dizem que bater é errado, mas não me arrependo de algumas chineladas estilo bumerangue da minha mãe. Aquela chinelada que arremessada no corredor pega o sujeito lá na curva da escada. Na minha casa tinha esse corredor e a escada. Eu era um especialista em fazer a curva sem a chinelada! As vezes pegava!) Enfim, a “mão” que sustenta a nossa infância até que nos tornemos capazes de comprar o pão na padaria e, claro, devolver o troco.

Já na adolescência a “mão” que compreende a explosão hormonal. Essa que absorve os critérios da inteligência de achar que os pais nasceram ontem e que são incapazes de se tornarem “modernos“. A “mão” que pune mas não com o intuito de agredir ou de diminuir, mas a “mão” que prepara para um futuro independente onde tornará as nossas “mãos” capazes de ajudar a quem estiver mais perto. E assim vamos criando corpo, nos achando e firmando pensamentos e atitudes, criando a nossa própria história.

Ainda assim a “mão” de alguém se faz presente. Vem a fase adulta e com ela a gama de alegrias de “mãos” que se somam em nossa história como também as tristezas daquelas “mãos” que não estão mais ali.

Vem o casamento, os filhos, e aí temos as pequeninas “mãos” se esticando para crescer no nosso colo por mais baixos que possamos ser. Como é o meu caso, 1 e 60 e poucos não é lá um grande colo, mas como Pai me sinto grandão. De qualquer forma somos doutores de mãos fortes e agregadoras, reflexo das mãos que até então nos acolheram.

De mais a mais a velha “mãozinha” não deixa de aparecer. Aquela “mão” amiga na hora de empurrar o carro quando embestou de não pegar, pra trocar o pneu bem na hora da chuva, pra juntar as frutas que caíram da sacola na saída do supermercado, pra pagar uma conta. Enfim, “mãos” que estão sempre presentes em todas as horas no dia a dia.

Quando se vê…

(agora me lembrei do poema de Mário Quintana)

O Tempo!

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê já é sexta-feira…
Quando se vê já é natal…
Quando se vê já terminou o ano…
Quando se vê já se passaram 50 anos!
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Agora, é tarde de mais para ser reprovado,
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente, e iria jogando pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Seguraria o amor que esta na minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Voltando ao meu texto…

Quando se vê, nos damos conta que envelhecemos e o corpo cansado, muitas vezes desgastado por alguma doença que insiste em se instalar, nos traz a impressão que não existirão “mãos” suficientes para suprir toda a nossa fraqueza que se espalha sem pedir licença.
Porém, mesmo assim por mais capazes que pensemos que possamos ser, contamos com a nossa história para que as “mãos” se estendam.

Diretamente ligada a nossa vida,  milhares delas surgem. Reflexo do carisma, do respeito, do caráter, da compreensão, da satisfação de momentos juntos e do sorriso sempre acolhedor que aprendemos a valorizar, rostos que se tornaram felizes pela alegria que lhes ensinamos em viver.

E nos sentimos humilhados, deprimidos, fracos perante as “mãos” que nos vem acolher. Talvez por que seja muito difícil para o ser humano entender que, quem um dia criou e cuidou, nesse momento precise ser cuidado.

Mas as “mãos” estarão sempre ali para nos dar conforto.

E por mais que o nosso jeito paternal nos habite, elas se estenderão, com certeza,  firmes para nos sustentar, até que nosso espírito se sinta livre para voar e desta forma ter condições de esticar a “mão” para este Ser maior que nos criou e nunca deixou de nos observar.

Christian Jung é mestre de cerimônia, autor do Blog MacFuca – onde este texto foi publicado, originalmente – e já me deu muitas mãos na vida.

Imagem do álbum digital no Flickr de Daniel Pádua

Conversa de manicure

 

Por Abigail Costa

Estava na manicure. Falamos do dia em que São Paulo travou por conta da chuva. Do marido que teve de andar duas horas a pé de volta pra casa. De uma possível gravidez (dela).

A família continuou na “roda” da conversa, mas o rumo do casal já não era o mesmo.

Separação. É, cada um para um lado. Não dá mais. Tchau.

Enquanto lixava a unha, o assunto ia sendo desenrolado.

– É assim, sem mais nem menos. Cinco, 10 anos de casamento. Meu amor, querida, minha vida. Aí ele chegou em casa e disse que não dá mais.
– Sem mais nem menos? Não teve briga? Ela não torrava o cartão de crédito dele ?
– Nada. A coitada até economizava. No super, ia com a calculadora nas mãos. No jantar, tinha sempre uma receita do cozinheiro bonitão da tv. Vai ver o marido, ou ex, ficou enciumado!

A frase não serviu pra descontrair.
Mas de fato, o que houve ?

-Encontrou outra.
-Mais bonita?
-Não! Mais nova. Ai que medo!

Rapidamente desenhei a história. Filhos, jantar sempre quentinho, conversas sobre o trabalho, fins de semana em família.

Por que o cara desistiu de tudo ? Só porque o outra era nova ?

Esse passar da idade para a mulher é realmente preocupante, No caso de algumas, pra evitar as rugas decidem pelo fim. Pela morte antecipada.

Peraí. Calma! Nem lá, nem cá.

Pense comigo. Você vem aproveitando tudo o que os 20, os 30, os ‘enta’ te trazem de bom e nem tão bom assim.

A gente não fica eternamente no primário, não é?
A gente não fica eternamente jovem, concorda?
Já é difícil enfrentar tudo, agora só falta pensar que “ele” vai te trocar por uma mais nova.

A manicure pensou no que eu disse. Pra ficar mais fácil resolvi fechar a conversa com um tom de auto-ajuda.

-Se isso te acontecer, você ficou com a melhor parte.
-Como assim ?
-Você teve a juventude dele!

Ela fez uma cara de…. então tá.

Pelo sim, pelo não, marquei com a minha dermatologista, estou interessada em novos cremes!

Hã, sobre uma eventual dor de cabeça, indisposição noturna, você me entende….. Nunca tive!

E não sei por que a conversa ganhou um outro rumo.


Abigail Costa é jornalista, escreve no Blog do Mílton Jung às quintas-feiras, e motra em seus textos como é possível amadurecer sem deixar de ser jovem.

O tempo passa diferente para algumas pessoas

Por Abigail Costa

Você já se pegou olhando para alguém que não via há algum tempo; olhando e pensando com aquele ponto de exclamação:

– Nossa,  como está envelhecida !

As rugas acentuadas, a pele que já não tem mais aquela rigidez, os fios grisalhos sem disfarce.  “Coisas” dessa tal lei da gravidade.  Isso é o que  os olhos podem enxergar.

Me disse um amigo outro dia:

– O tempo passa diferente para algumas pessoas.

Concordo:  por dentro e por fora.

Uns envelhecem mais rápido; uma dose a menos de vaidade, cá entre nós, também contribui para acelerar o processo,

Um processo absolutamente  compreensível. Nascemos, crescemos, envelhecemos e por fim…. deixa pra lá.

O que a visão não alcança só os mais observadores percebem. Os amigos. E como tem gente que insiste em envelhecer por dentro, quando a insistência deveria ser ao contrário.

É difícil, mas com um pouco de boa vontade dá para mudar aos pouquinhos, como dose de remédio. Se tomar de acordo com a prescrição a tendência é melhorar.

Deixe para trás certas manias. Lá dentro não se permita ser chamada de menina ou de tia.

Onde poucos conseguem chegar,  permita-se ser jovem todos os dias.  O jovem arrisca, erra, perdoa, começa tudo de novo.

Enquanto o controle das rugas para o rejuvenecimento interior não chega, vamos ajudar.

O tempo pode ser um aliado, ou não.  E para andar de braços dados com ele, a escolha é nossa.

Dá para começar hoje.

Abigail Costa é jornalista e as quintas-feiras, aqui no blog,  mostra que sabe como poucas controlar o seu tempo, no corpo e na alma.

Trote universitário: quando perdemos nossos filhos?

Por Ricardo Gomes Filho
Ouvinte-internauta do CBN SP

Universitários novatos submetidos à humilhação de serem amarrados, embriagados e forçados a se espojar em uma mistura composta por lama, esterco e restos de animais em decomposição. Este foi o valor cobrado por estudantes veteranos a jovens recém-matriculados, durante o trote, ocorrido em algumas universidades do interior de São Paulo. A brincadeira, antes um ato de integração entre os cursando e os recém-matriculados, há muito deixou de ser uma pregação de peças engraçada, inócua, sadia para se transformar numa catarse daquilo de pior que habita o ser humano: o desrespeito ao próximo, à vida do seu igual, à própria família e de outrem. Sem defesa e com os sonhos mutilados pela violência em bando os novatos tiveram de aceitar o preço imposto pelos cursando.

A pergunta que mais ecoa entre operários, donas de casa, empresários, o próprio alunado e professorado é: o que poderia explicar tanta violência no ambiente acadêmico – um lugar que deveria ser centro de cultura, inteligência e reflexão?

Talvez a própria má-formação humana, ética e de caráter desses jovens. O psicólogo Içami Tiba já descreveu em livros, palestras e entrevistas que nós, pais e mães, estamos cada vez mais à mercê de nossos filhos porque abandonamos a conversa do dia-a-dia, olho no olho. A falta de tempo e o mundo mercantilista nos roubaram o interesse pelo envolvimento e desenvolvimento das crianças e jovens. Por isso, somos presas fáceis das chantagens emocionais e da rebeldia precoce dos nossos rebentos. Em vez da educação, do limite (equilíbrio entre direitos e deveres), do respeito ao próximo, trazemos “oferendas” aos nossos deuses, os filhos.

Pagamos o comportamento e o cumprimento daquilo que é obrigação dessas crianças e jovens, com prêmios que variam de acordo com o tempo. Dos  bonecos do Falcon e da Barbie, passamos por Lango, Transformers, até chegarmos aos “irados” vídeo games de última geração – sem esquecermos das vistas grossas para as intermináveis horas em lojas de jogos em rede (lan houses). Tudo isso salpicado com longas e entediantes horas em frente à tevê e, agora, aos sites de relacionamentos da internet, sozinhos em seus bunkers (quartos). Mas acredite, o problema não está nos bonecos. Nem na tevê. Nem nos games. Nem nas salas da internet. Está no distanciamento dos pais em relação a seus filhos.

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