São Paulo está a cara de Kassab

 

Por Carlos Magno Gibrail

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… e Kassab é a cara de Maluf versão 2011.

A um ano das eleições, a cidade de São Paulo está com 140 mil crianças sem creche, uma das promessas de Kassab quando se reelegeu. E o grande patrocinador de Kassab foi o setor imobiliário.
Nada mais natural, portanto, que tivesse partido de atividade tão cara ao alcaide paulistano a sugestão de uma negociação de creches em troca de áreas públicas. O Secovi, sindicato da área de construção e comercialização de imóveis, cujos milhões ajudaram Kassab a se eleger, sugeriu que as empresas da área recebessem propriedades públicas por terceirização, alienação ou venda em contra partida à construção de creches.

É uma estratégia eleitoreira, pois não haverá tempo nem vontade para cumprir a promessa, mas os primeiros sinais serão emitidos e, talvez, suficientes para os debates políticos onde serão feitas as cobranças.

Enquanto Kassab não se constrange de assumir a corretagem da cidade, entregando a Pompeia e a Chucri Zaidan à especulação imobiliária, Alckmin se exime da promessa do verde nas obras da Marginal Tietê, tão exaltadas por Serra.

Aliás, Kassab, Alckmin e Serra, perderam a grande chance de honrar o espírito empreendedor e privativista da história da terra bandeirante onde nasceram e estão tendo que assimilar a secundária posição nesta COPA 14.

Deveriam protagonizá-la, honrando a palavra de manter o foco na iniciativa privada, ao invés de apresentarem ridículas fórmulas provando que isenção e obras provisórias com dinheiro público não são gastos do governo.

Ficaram sem o exemplo à nação, mas não ficaram com o Sorteio nem com a Copa das Confederações, não ficarão com o Centro de Imprensa e quem sabe terão que se contentar em dar vultoso dinheiro público para ficar com a partida de Abertura. Isto não é São Paulo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, à quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

A foto deste post é da galeria de Leo Caobelli, no Flickr

Quando Kassab aposentar o helicóptero

 

Na revista Piauí que causou tanto espanto pelas afirmações do todo-poderoso da CBF Ricardo Teixeira, a reportagem de capa é dedicada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (“O Político apolítico”). O texto é assinado pelo jornalista Plínio Fraga e tem passagens bem interessantes sobre a carreira e o cotidiano do Grande Líder do PDS – perdão, PSD. Algumas hilárias e próprias de repórter observador. Uma das que me chamaram atenção e me divertiram não se refere ao prefeito, mas a um vereador que foi visto em conversa com ele, Dalto Silvano, ex-PSDB e futuro Sabe-Se-Lá-O-Quê:

“Camisa fora do jeans, cabelos longos e encaracolados, Silvano nem precisava dizer que seu ídolo é o cantor Roberto Carlos: está na cara”

A reportagem completa você lê na Piauí (não está disponível no site). Mas reproduzo aqui o parágrafo final que reflete bem o quanto distante São Paulo ainda está das grandes metrópoles mundiais e da ideia que o próprio Kassab pretende transmitir ao mundo de que vivemos em um ambiente urbano desenvolvido e sustentável. Fraga fala do encontro dos prefeitos das maiores cidades mundiais que ocorreu mês passado, na capital paulista:

“Depois do almoço, (Kassab) seguiu para Vila Euclides, embarcou de helicóptero e voltou a São Paulo. Durante o encontro dos quarenta prefeitos, Bloomberg (NY) disse que vai trabalhar de metrô. A vice-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, falou que prefere ir de bicicleta”

Quando Kassab ou seus sucessores passarem a ter o transporte público e a bicicleta como boas, seguras e confiáveis opções para o deslocamento na cidade teremos, sim, alcançado o estágio de cidade avançada e criativa como a propaganda oficial tenta nos convencer.

São Paulo não pode pagar a conta da Copa 2014

 

Texto escrito para o Blog Adote SP

Estádio do Corinthians

Semana que vem começam as obras do estádio do Corinthians, única alternativa paulistana para a abertura da Copa do Mundo de 2014. Ao menos esta é a última promessa feita pelo presidente do clube Andrés Sanchez. Bem verdade que ele já havia anunciado o início dos trabalhos para abril – aquele, do Dia da Mentira (coincidência ?) – depois maio e, agora, junho.

Desta vez tem o aval da prefeitura que autorizou o uso da área em Itaquera, na zona leste, a título precário.

Calma lá ! O precário do título nada tem a ver com as condições pelas quais foi feito o acerto entre o Corinthians e a Odebrechet, empreiteira que vai tocar as obras. De acordo com o site JusBrasil, “título precário” é o modo de conceder, usar ou gozar alguma coisa por mero favor ou permissão, sem constituir um direito.

O documento publicado em Diário Oficial diz que o terreno somente poderá ser usado para a construção do estádio e prevê a conclusão para dezembro de 2013, daqui a dois anos e sete meses, período que o Corinthians terá para barganhar com a construtora ou passar o chapéu entre parceiros e arrecadar R$ 1.070.000.000,00. Para você não se perder nos zeros: R$ 1,07 bilhão – é quanto vale o estádio da Copa.

A persistirem os sintomas, São Paulo terá o estádio mais caro do Mundial 2014. E isto não deve ser motivo de orgulho, principalmente se soubermos que parte deste dinheiro virá dos nossos impostos. Gilberto Kassab, o são-paulino mais amado de Andrés Sanchez, já garantiu R$ 300 milhões em Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento. CID é um mecanismo pouco usado até hoje para incentivar investimentos na cidade oferecendo em troca abatimento de impostos e tributos.

O prefeito nega que isto seja dinheiro dos cofres da prefeitura para o estádio do Corinthians. Através do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Cintra, defende que o CID é uma isenção sobre impostos e tributos que não seriam arrecadados se a obra não fosse feita.

Mesmo com este repasse fiscal no “ponto futuro”(apenas para manter-me no jargão futebolístico), o Corinthians ainda precisará de mais dinheiro para fechar a conta. E para piorar as coisas para o clube, a tentativa de levantar a grana no Palácio dos Bandeirantes ainda não deu resultado.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin insiste em não colocar um só tostão nas obras do estádio do Corinthians. Tem sido pressionado mais do que deveria, mesmo assim resiste aos pedidos que chegam a casa dos R$ 370 milhões. E não é resistente porque torce para o Santos. É porque tem ao seu lado boa parte do torcedor paulista. Pesquisa encomendada pelo Governo mostra que 70% das pessoas entrevistadas são contra o uso de dinheiro público no estádio, mesmo que isso signifique não ser sede da abertura da Copa.

Mantenha na retranca, Governador, pois mesmo sem este recurso, São Paulo já é a cidade que mais dinheiro público investirá nas obras de infraestrutura para a Copa, conforme números levantados pelo Tribunal de Contas da União e publicados pela Folha, nesta semana:

1- A conta da cidade subiu de R$ 3,41 bilhões para R$ 5,49 bilhões, entre maio de 2010 e fevereiro de 2011. O crescimento é de 61%

2- O gasto na organização da Copa em São Paulo é R$ 2 bilhões mais alto do que o do Rio, que está em segundo lugar no ranking”.

3 – Dos gastos, R$ 5,4 bilhões são do setor público e R$ 90 milhões, da iniciativa privada

Ao caro contribuinte resta usar das ferramentas que tem em mãos para proteger seu dinheirinho. Pressionar o poder público, cobrar transparência nas contas e, se for o caso, denunciar irregularidades aos órgãos competentes.

Comece por pedir explicações ao prefeito Gilberto Kassab, mande um e-mail para o gabinete dele (gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br). Mostre sua opinião ao governador Geraldo Alckmin, no Fale Conosco do Palácio dos Bandeirantes. Reclame ao Ministério Público Federal (pfdc@pgr.mpf.gov.br). E não esqueça de cobrar do seu vereador, na Câmara Municipal, é obrigação dele fiscalizar como o dinheiro da cidade está sendo gasto.

Plano de Metas nacional precisa do apoio de deputados

 

Uma audiência pública será o próximo passo para convencer deputados federais a levarem em frente a proposta que obrigará prefeitos, governadores e presidentes a apresentarem seu programa de metas assim que forem eleitos. Para que esteja valendo já na próxima eleição, em 2012, é importante que a lei seja aprovada o mais rapidamente possível, de preferência até setembro deste ano.

Se você quiser saber qual a importância do programa de metas, pergunte ao prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo. Ele é o primeiro administrador público a atuar sob esta exigência e está respondendo por não ter demonstrado, até aqui, capacidade de atender as 223 metas propostas pela sua própria administração, que vão desde zerar o número de crianças sem creches até a construção de três hospitais

Aliás, tem respondido mal. Em lugar de justificar os atrasos nas etapas previstas, prefere atacar a Rede Nossa São Paulo que idealizou o programa de metas, aprovado depois pela Câmara Municipal com o apoio, inclusive, dos partidos que apoiam seu governo. Disse que o monitoramento das metas, possível de ser feito por qualquer cidadão no site Agenda 2012, está sendo desleal e irresponsável.

O que haveria de desleal e irresponsável ao se constatar que os três hospitais prometidos para esta gestão ainda não saíram da etapa de planejamento, se a informação é fonecida pelo próprio poder público?

De volta ao plano nacional. Para que a Proposta de Emenda Constitucional comece a andar na Câmara dos Deputados são necessárias 171 assinaturas de parlamentares, objetivo que deve ser alcançado ainda nesta semana.

A audiência pública está marcada para o dia 8 de junho, na Câmara federal, boa oportunidade para se conhecer um pouco mais sobre a ideia que pode mudar a forma de os governantes definirem suas promessas de campanha e propostas de governo.

Você pode ajudar na coleta de assinaturas, enviando um e-mail para seu deputado federal e pedindo que ele apóie o Plano de Metas Nacional.

Saiba mais no post “Plano de Metas de São Paulo será copiado no Brasil

Câmera do cidadão grava racha do PSDB

Quem diria ! O olho eletrônico do cidadão detonou a maior crise já enfrentada pelo PSDB, em São Paulo.

Foi a câmera que leva à internet as imagens da reunião das comissões permanentes da Câmara Municipal de São Paulo que gravou o encontro do diretório municipal do partido no qual foram feitas críticas duras aos vereadores.

Estas câmeras foram resultado de pedido de ONGs, como Voto Consciente, e de proposta da rede Adote um Vereador para que os encontros nas comissões pudessem ser assistidos por todos os cidadãos.

O encontro do diretório tucano na Câmara foi comandado por Julio Semeghinni, presidente municipal do partido e secretário de Geraldo Alckmin. Restrito a alguns convidados, o conteúdo estava sendo gravado pelo sistema interno do legislativo e caiu nas mãos do presidente da Casa, José Police Neto (PSDB ou melhor ex-PSDB).

Ele e os demais tucanos incomodados com a interferência da ala Alquimista do PSDB, ouviram expressões que beirava a humilhação e os deixaram indignados.

Entre as frases, partidários de Alckmin atacaram os vereadores que apoiaram a candidatura de Gilberto Kassab na eleição de 2008. “Eles têm de ser tratados a peixeira”, teria dito um dos participantes. A reação agressiva é reflexo ainda da eleição municipal passada quando parte da bancada municipal apoio Kassab – então no DEM – em detrimento de Geraldo Alckmin – desde sempre no PSDB.

Após assistirem ao vídeo, os sete vereadores kassabistas entenderam que não havia outra saída. Na tarde dessa segunda-feira, anunciaram a debandada do partido, esfacelando uma das principais forças políticas do Estado na maior cidade do País.

Deixaram o PSDB os vereadores José Police Neto, que preside a Câmara Municipal, Dalton Silvano, Juscelino Gadelha, Adolfo Quintas, Souza Santos, Gilberto Natalini e Ricardo Teixeira. Um ou dois podem recuar – aposta-se em Souza Santos e Adolfo Quintas -, a maioria porém vai migrar ou para o PSD de Kassab ou procurar um outro canto para disputar a reeleição ano que vem.

Um dos vereadores mais abatidos com a crise no PSDB é José Police Neto. No partido desde os tempos de Mário Covas, recentemente enfrentou processo desgastante para chegar à presidência da Câmara, encarando o poder do Centrão. Quando imaginava dar início a novo momento no legislativo obriga-se a liderar um dos instantes mais críticos na vida dos tucanos.

O destino dele ainda não está certo, apesar do assédio de Kassab para que se filie ao novo-velho PSD. Poderia até mesmo ser o candidato a prefeitura de São Paulo com o apoio da máquina municipal – o que não é pouca coisa. Police tem ao menos três meses para ver qual o melhor caminho.

Por falar em sucessão municipal, há quem veja o impasse de agora como o empurrão definitivo para que José Serra (PSDB) saia candidato pelo partido, por mais que negue (ele sempre nega). Ele seria a única salvação para os tucanos depois do racha municipal.

Diante de tudo isso, o PT assiste na plateia à espera dos movimentos do PSD de Kassab, em especial, um partido que nasce disposto a qualquer tipo de negociação, com Deus e o Diabo – estejam eles onde estiverem.

O prefeito, por sua vez, sorri sozinho. Ampliará seu apoio na Câmara, mesmo que o PT bata pé dizendo que fará oposição a ele. O ex-Centrão já está com Kassab, o PC do B está com Kassab, os ex- PSDB, também. Enquanto o que restou do PSDB não sabe o que fará direito.

De céu e sol aprisionados

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De aprisionados” na voz e sonorizado pela autora

Senhor Prefeito,

é com o respeito de quem não tem a mínima ideia de como se administra uma cidade inteira, particularmente uma cidade como São Paulo, que venho tomar do seu tempo uns minutos para fazer uma pergunta que tem perturbado muita gente.

Preciso saber como é que o senhor faz para decidir se um prédio pode ser erguido numa região, ou se não pode. Toda edificação precisa da permissão dos administradores da cidade, certo? Seja ela uma padaria, banca de jornal, casa, edifício ou condomínio.

Pois bem, na verdade, quero saber quais são os critérios que determinam autorização ou rejeição ao pedido de construção. Essa é a minha pergunta, mas sinto que devo dar ao senhor ao menos um motivo pelo qual a estou fazendo.

Em 2001 escolhi o bairro onde moro desde então, e vou lhe dizer quais foram os meus critérios: a área tinha muito verde, poucos prédios, casas, três boas padarias e três acessos de entrada e de saída para outros bairros da cidade. Ando de carro, não uso o transporte público, portanto, era muito importante me certificar de que eu poderia me deslocar com relativa facilidade. Nessa época, ainda não tínhamos a ponte estaiada.

Dois anos depois, uma ciranda de prédios começou a cercar o meu, os outros, e as casas. Altos e truculentos. Famintos, engoliram famílias que também escolheram este bairro pelas vias dos critérios delas. Outros dois anos se passaram e os prédios continuaram a se multiplicar, feito praga, sem planejamento, uns se metendo na frente dos outros, sem o mínimo respeito, como fazem os humanos. Temos hoje, em vez de três, seis excelentes padarias, mas onde era possível sentar, no final de semana para um café da manhã relaxado, na companhia de um bom jornal ou de amigos, a gente enfrenta fila.

Mais quatro anos se passaram e hoje é quase impossível circular dentro do bairro. Tem fila para sair da garagem e entrar na outra fila nervosa que desde o nascer do sol serpenteia desordenada, regendo um coro desafinado de buzina. Olho em volta e o que vejo? Vejo muitos outros prédios em construção. Bate estaca daqui, bate estaca de lá; é a paisagem e a melodia que nos restam. Lembrando que esses prédios engolirão mais e mais famílias que vão trazer seus carros e esperam entrar e sair da região, como quem já está aqui.

Sei que esse desconforto não é privilégio deste bairro, mas se o senhor disser quais são os ditos critérios – que imagino envolvam o número de habitantes da região, as artérias que bombeiam gente que vai e que vem, capacidade de esgoto, transporte público, água, gás – a gente pode tentar se conformar, se for isso o que o senhor espera de nós. Se o senhor, mexendo na papelada, encontrar desmandos nas pastas, que tal acabar com eles e se transformar no nosso prefeito-herói?

Vou parando por aqui para não tomar o seu tempo. Há que administrar, eu sei. Agradeço por sua atenção ao meu relato e aguardo, ansiosa, pela resposta.

Atenciosamente,

Maria Lucia Solla

PS: Moro na Vila Andrade, também chamada de Panamby, Jardim Sul ou Morumbi.

Maria Lucia Solla é terapueta, professora de língua estrangeira, promove curso de comunicação e expressão e, aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Clique aqui e veja álbum sobre ocupação do bairro por prédios

Filha de JK desmente Kassab

 

DEM INTERNETA tentativa do prefeito Gilberto Kassab e seu novo partido, o PSD, de explorarem a imagem do ex-presidente Juscelino Kubitschek e se apoderarem do nome dele na internet com o domínio http://www.jk.org.br foi abortada no primeiro minuto de jogo. Depois da neta, Anna, ter lembrado que a memória de JK é patrimônio dos brasileiros, foi a vez da filha, Maria Estela, vir a público para acusar Kassab de ser mentiroso.

O domínio de JK aparece em uma lista de registros na internet feitos por Gilberto Kassab na qual aparecem o nome do novo partido e de duas outras agremiações com a qual teve ligação, o PFL e o DEM (de onde está saindo). Confira cliclando na imagem ao lado.

Maria Estela Kubitschek Lopes negou que Kassab tenha conversado com ela conforme afirmou aos jornalistas que o procuraram. Leia a nota completa:

Li, com absoluta surpresa, a declaração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de que teria conversado comigo sobre a utilização do nome JK como marca de fundação veiculada à sua nova agremiação partidária

Não é verdade. O prefeito jamais tratou desse assunto comigo. Se o tivesse feito, eu teria tido a oportunidade de manifestar a minha discordância com o uso do nome e da memória do Presidente Juscelino para fins partidários e pessoais.

A memória de JK é patrimônio dos brasileiros, está associada às grandes causas nacionais e não pode ser usada para fins menores da política.

Espero que o prefeito volte atrás na sua iniciativa, o que pouparia a família do Presidente Juscelino de iniciar uma ação judicial com objetivo de preservar a sua memória impedindo a utilização do seu nome por partidos e pessoas cujas trajetórias políticas não guardam qualquer afinidade com a vida e os ideais de JK.

PSD – Partido Social Democrático – era o partido de Juscelino até o regime militar extinguir todas as agremiações e impor o bipartidarismo. Do ponto de vista publicitário, ter vinculação com JK seria importante para Kassab e novos correligionários. Mas pelo visto vão ter de buscar ícones em outra freguesia.

Kassab a caminho do PMDB

 

Foi quase no fim de uma entrevista com a repórter Marcela Guimarães. Ela questionava o prefeito Gilberto Kassab (DEM) sobre o futuro político dele. Tira o corpo daqui, escapa por ali, Kassab tentava de todas as maneiras negar especulações de que ele deixará o partido.

Apesar da experiência com as palavras, não resistiu e acabou admitindo encontro com o presidente do PMDB e vice-presidente eleito da República, Michel Temer. “Na vida pública, você conversa com todos”, desconversou.

A entrevista com o prefeito está aqui para você ouvir

Certamente a conversa com Temer não foi sobre investimentos do futuro Governo Federal na cidade de São Paulo. A saída do DEM e o sonho de Kassab ser candidato ao Governo do Estado, em 2014, são assuntos dos bastidores políticos desde antes da última eleição.

“Ele não se sente confortável em um partido com o perfil cada vez mais conservador”, explicou o consultor político Gaudêncio Torquato, em entrevista ao CBN São Paulo, que vê no prefeito paulistano “um dos principais articuladores políticos deste país”.

Aqui você ouve a entrevista com Gaudêncio Torquato

Kassab no PMDB seria bom para ele e para o partido que tomou uma surra em São Paulo, está com apenas um deputado eleito na Câmara e quatro na Assembleia. O prefeito teria espaço para lançar-se candidato ao Governo, turbinado pelas inúmeras obras que pretende entregar até o fim de seu mandato em 2012, em oposição a Geraldo Alckmin, do PSDB.

Mas Alckmin nem assumiu o governo ainda e já se discute a sucessão dele ? Não podemos esquecer que político está sempre olhando para o futuro.

A lei da fidelidade partidária atrapalha a troca de partido. Nada que alguém com habilidade não seja capaz de contornar. Alegar incompatibilidade ideológica com o DEM que estaria caminhando ainda mais para a direita seria uma forma de Kassab escapar de qualquer quarentena imposta pela legislação.

Uma discordância interna também viria a calhar. E a disputa para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo poderia colaborar com as intenções do prefeito. Há uma briga entre PSDB e DEM pelo comando da casa, a partir de janeiro. E o prefeito está ao lado dos tucanos.

Kassab não esconde seu apoio a candidatura do vereador José Police Neto do PSDB. Tem, inclusive, ligado para parlamentares e pedido o voto para o tucano que, afinal, é o líder do governo dele. Milton Leite que é do DEM teria o apoio da cúpula do partido na iniciativa de se transformar em presidente da Câmara de São Paulo. Uma linha de choque entre o prefeito e o comando do partido poderia ser bem-vinda nesta altura da disputa.

Morador usa charge virtual para protestar contra Kassab

 

Por mais que se esforce, Lourivaldo Delfino, morador em São Mateus, na zona leste, não consegue convencer a prefeitura a fazer a obra de canalização do Riacho dos Machados, no Jardim Tietê. Incomodado com o silêncio dos vereadores paulistanos, usou de sua habilidade no computador para dar voz aos 55 parlamentares e levá-los – nem que seja virtualmente – a reclamar do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Na charge eletrônica, os vereadores cobram a obra em um trecho de 400 metros que estariam prejudicando a vida de 130 mil moradores da região. Em seguida, aparece o prefeito dizendo aquilo que o Lourivaldo e vizinhos sonham ouvir um dia: a obra está sendo feita. O morador lamenta apenas que o fato só foi possível porque ele próprio dublou os vereadores e o prefeito. Pois se depender deles …

Escolhi um dos vídeos para reproduzir neste post, mas se você visitar a página Tietê News (http://www.tietenews.kit.net/n35.htm) terá acesso a todo trabalho realizado por Lourivaldo Delfino que há algum tempo briga pela liberação de verba e início das ações no riacho que, se nada for feito, voltará ao noticiário assim que as chuvas de verão despencarem sobre nossa cabeça

São Paulo é refém dos perueiros

 

A prorrogação dos contratos dos 6 mil perueiros até 2013, decidida pelo prefeito Gilberto Kassab, demonstra que a cidade ainda é refém das cooperativas que transportam mais de meio milhão de passageiros, por mês. Toda vez que a administração municipal pensa em reorganizar o sistema de transporte coletivo é pressionada por grupos que exploram, econômica e politicamente, os proprietários de vans.

A nova licitação que deveria ser realizada neste ano mudaria parte da estrutura de transporte de passageiros seja por ônibus seja por vans. Atualmente, linhas se sobrepõem, há excessos de veículos atendendo alguns corredores e carência em outras regiões. Empresas de ônibus e cooperativas não rodam em parceria, são adversários a disputar o mesmo segmento, na maioria das vezes de forma predatória que prejudica diretamente o passageiro.

Haveria necessidade, por exemplo, de se tirar as vans dos corredores e faixas exclusivas de ônibus e colocá-las a trabalhar como alimentadoras deste sistema, além de restringir o acesso às regiões mais centrais. Isto, porém, mexeria com o faturamento das cooperativas que exploram os cooperados/motoristas.

O doutor em Planejamento de Transportes e Logística pela Universidade de Illinois Paulo Resende disse, em entrevista ao CBN São Paulo, que as cooperativas faturam com a indisciplina que impera no setor. Ele reclamou que a cidade não tem uma gestão integrada de transporte nem plano de mobilidade estabelecido.

Ouça a entrevista com o professor Paulo Resende, ao CBN SP

O CBN São Paulo tentou conversar com o novo secretário municipal dos Transportes Marcelo Cardinale mas a assessoria dele disse que “não tinha agenda” para a entrevista. Cardinale assumiu recentemente a pasta em substituição a Alexandre de Moraes, que era citado como supersecretário de Kassab, pois acumulava vários cargos na administração municipal, e teria sido demitido porque insistiu na ideia de abrir a licitação para a contratação de perueiros.

O jornal o Estado de São Paulo trouxe boas reportagens sobre o tema na sua edição de hoje que ajudam a entender a dificuldade do prefeito Gilberto Kassab em enfrentar o segmento.

Clique no link a seguir para ler um desses textos

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