Nem pizza nem inocência, apenas a justiça

 

Uma das 14 mensagens sobre a cassação do prefeito Gilberto Kassab (DEM) enviadas pelo Twitter desde que soube pelo JT da decisão do juiz da 1a. zona eleitoral de São Paulo, na noite de sábado, foi a antecipação de uma frase que muitos de nós iremos dizer assim que a justiça der efeito suspensivo em favor dele:

Twitter Kassab

Alguns seguidores do Twitter entenderam que eu estava antecipando uma crítica minha à (in)justiça brasileira, quando na realidade apenas reproduzia o pensamento de boa parte da população incomodada com a impunidade. Há no ar um desejo de vingança, sem dúvida. Estamos todos cansados de vermos muito pouco sendo feito em benefício do cidadão – e não falo de Kassab, especificamente. Os políticos brasileiros estão em dívida com a sociedade. Gastam muito e gastam mal – com as exceções de praxe.

A notícia da cassação levou alguns internautas a enviarem mensagens comemorando a decisão que se tornará oficial na terça-feira. Reflexo do índice de popularidade de Kassab que está em queda (e vai despencar com esta decisão da justiça) e do tamanho da indignação da população com a política que se faz no Brasil. A permanência do prefeito no cargo é dada como certa ao menos até o julgamento pelo Tribunal Regional Eleitoral e assim que sair o efeito suspensivo os mesmos que festejaram vão reclamar do sabor amargo da pizza.

De outro lado, correrão à mídia os defensores de Kassab para alardear que a liminar é a demonstração de que o prefeito nada deve e as contas da campanha estão de acordo com a legislação. Apontarão o dedo torto para aqueles que acreditaram no afastamento do prefeito ou dele tiravam proveito político. Dirão bobagem como já o fez o líder do DEM na Câmara dos Deputados Ronaldo Caiado – que liderou das mais retrógradas e reacionárias entidades ruralistas do País, a UDR – ao afirmar que Kassab sofre perseguição política e a cassação é coisa do PT. Se lesse um só jornal antes de dar entrevista saberia que há cinco vereadores do PT prestes a serem cassados na mesma denúncia, em São Paulo.

Que fique claro – e já escrevi sobre isto na madrugada de domingo – a liminar que também beneficiou os primeiros 16 vereadores cassados da Câmara Municipal não é prova de inocência. São etapas a serem cumpridas do processo judicial, recursos permitidos por lei como forma de impedir prejuízos irreparáveis aos denunciados em caso de inocência.

O efeito suspensivo será apenas mais uma etapa a ser cumprida do processo judicial; não é pizza nem perdão. Que sejam breve os integrantes do Tribunal Regional Eleitoral para que o cidadão não tenha mais motivos para desacreditar na justiça e na democracia.

Ouça o que disse Gilberto Kassab sobre a cassação dele em entrevista à rádio CBN

Kassab cassado e a espada de Dâmocles

 

adoteDâmocles era amigo do rei. E sentia inveja dele. Foi convidado a sentar no trono pelo próprio e sobre este pendia uma espada segura por um fio de crina de cavalo. Foi a maneira de Dionísio, tirano que havia se apoderado de Siracusa, em 405 a.C, ensiná-lo de que o poder é algo tão precário que pode ser perdido a qualquer momento.

A decisão de cassar o mandato do prefeito Gilberto Kassab (DEM), de São Paulo, por recebimento de doações consideradas ilegais na campanha de 2008, é provável, terá apenas o poder de colocar sobre a cabeça do administrador a espada de Dâmocles. A repercussão é negativa, o prefeito terá de dar explicações nos próximos dias, ouvirá críticas daqui e de acolá – menos da Câmara Municipal, onde a maioria dos partidos também responde pela mesma acusação -, mas dificilmente deixará o cargo. Não nos próximos meses, com certeza.

Assim que a decisão for publicada no Diário Oficial e Kassab for notificado terá três dias para recorrer. Como ocorreu com os 16 vereadores que foram cassados na primeira leva de denúncias, ainda no ano passado, ele também obterá liminar e permanecerá na função até que os recursos sejam julgados. No entanto, a partir de agora terá sobre si o risco de perder a “cabeça” não por uma espada mas por decisão da Justiça Eleitoral. E isto é sempre constrangedor, além de fragilizar a imagem de um político que tem sofrido constantes críticas por problemas que a cidade enfrenta.

O que a Justiça Eleitoral de São Paulo está fazendo ao apontar o dedo para as doações de campanha feitas pela Associação Imobiliária Brasileira e empreiteiras como Camargo Corrêa e OAS, acionistas de concessionárias de serviços públicos, é chamar atenção para um tema muito pouco discutido no Brasil, apesar de sempre criticado.

As campanhas eleitorais precisam ser financiadas. Seja por dinheiro público seja por privado. No Brasil, se decidiu que as empresas podem fazer doação a partidos e candidatos, desde que registrado em seus balanços e na prestação de contas na justiça eleitoral. No entanto, quem doa sempre recebe o olhar desconfiado do cidadão, mesmo que, tanto doar quanto receber esta doação, sejam atos legais, desde que registrados e atendendo o que está na lei.

O juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloísio Sérgio Resende Silveira, entendeu que Kassab e Alda Marco Antonio, sua vice, assim como 16 parlamentares, não agiram dentro da lei. Há mais 13 que também estão na mira dele. Em defesa dos acusados, há decisões anteriores que inocentaram a participação na campanha de associações como a AIB e de empreiteiras acionistas de concessionárias de serviço público.

A espada de Dâmocles, porém, foi pendurada.

Leia aqui a reportagem completa do Jornal da Tarde que antecipou a decisão da Justiça Eleitoral de São Paulo e cita outros nomes envolvidos na acusação

Leia aqui o texto “Veradores & Construtoras” escrito em novembro de 2008 por Carlos Magno Gibrail sobre a cassação dos parlamentares paulistano e a doação para as campanhas eleitorais

A cidade de Kassab está no caminho certo

 

“Estamos no caminho certo”. Faça chuva ou faça temporal, o discurso do prefeito Gilberto Kassab (DEM) não muda. Nesta manhã, quando o sol ainda raiava sobre os paulistanos, ele foi entrevistado no CBN São Paulo, após a assessoria de comunicação dele ter sugerido a conversa para que esclarecesse os pontos polêmicos sobre a mudança no horário de funcionamento das feiras livres de São Paulo. Confesso que logo imaginei que Kassab iria anunciar um recuo na decisão, pois havia ouvido reclamações de feirantes e consumidores no fim de semana. Ao contrário, reafirmou que está correto na medida adotada e a população apenas precisava se acostumar a uma mudança de hábito.

Quanto às reclamações prefeito ? Não teria havido. Foram os repórteres que não entenderam a “sugestão” de uma senhora que trabalha em feira livre e ele respeita muito. “Lembro até o nome dela”.

Se o tema é feira livre, se é sujeira na rua, se é buraco no asfalto, não importa. A resposta é sempre a mesma.
Capa Época SP fevereiroParece estar convicto de que todas as medidas foram tomadas e o drama das famílias encharcadas que aparecem na televisão no fim da tarde é coisa de outro mundo – assim como as reclamações registradas pelos repórteres. Aliás, esta é outra estratégia do prefeito, repetida à exaustão na entrevista ao CBN SP: avaliar o trabalho da imprensa. Esta reportagem não está precisa, “mas eu respeito muito”. Aquela outra confundiu os números, “mas eu respeito muito”. E tem a terceira que Kassab também respeita muito e destaca para mostrar a exatidão das políticas que está implantando, apesar de todos os problemas provocados nas gestões anteriores, lógico.

Foi o que fez ao comentar a reportagem da Folha de São Paulo, publicada semana passada, sobre a coleta seletiva do lixo. A pauta era clara: as empresas Loga e Ecourbis não estariam cumprindo o serviço previsto em contrato, moradores chegaram a dizer que o caminhão não passava na rua há algumas semanas. Para o prefeito, a reportagem era o sinal de que o serviço de coleta seletiva estava melhor na gestão dele. “Não entendi, prefeito”, falei de bate-pronto. Ele me explicou, afinal “me respeita muito”. E prometeu enviar os números (talvez assim, eu consiga entender melhor).

A entrevista completa você acompanha no portal da rádio CBN que agora tem uma página que fala apenas de São Paulo. Clique neste link, ouça a opinião do prefeito e dê sua opinião.

Este comportamento do prefeito Gilberto Kassab diante dos problemas da cidade foi destaque na reportagem de capa da revista Época São Paulo com a manchete “Uma cidade que só Kassab não enxerga”. Cercado por números negativos, incluindo os de sua popularidade em queda, o prefeito aparece sorrindo em fotos feitas na época da eleição, em 2008.

A caçamba da discórdia

 

Na caçamba

Estadão e prefeitura discutem há dois dias sobre infração de trânsito gravíssima cometida por Gilberto Kassab (DEM) ao andar, ao lado do Secretário Municipal dos Transportes (e dos Serviços), Alexandre de Moraes, sobre a caçamba de uma picape, em visita no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo. A assessoria do prefeito inventou até uma “autorização especial” que Kassab teria recebido da autoridade de trânsito (no caso, Moraes) para se comportar daquela maneira.

Gilberto Travesso do blog Notinhas de São Miguel, contra-atacou e reproduziu foto na qual repórteres fotográficos e cinegrafistas andavam sobre a caçamba de outra picape para registrar imagens de Kassab na mesma visita.

Faz de conta que o assunto é importante. O fato é que nos dois casos, se houve alguma irregularidade de trânsito, a multa vai para a Defesa Civil, proprietária das picapes usadas pelas equipes do prefeito e dos jornalistas.

Pesquisa vai confirmar queda de satisfação com Kassab

 

A nova pesquisa que vai avaliar a opinião do público sobre o trabalho do prefeito Gilberto Kassab (DEM) reforçará a ideia de que há crescente insatisfação do paulistano com a administração municipal, neste momento. O estudo encomendado pelo Movimento Nossa São Paulo ao IBOPE tem metodologia diferente mas tende a confirmar a piora da avaliação constatada pelo Instituto Datafolha, no fim do ano.

Desde o segundo semestre de 2009, Kassab tem enfrentado dificuldades diante da opinião pública com a crise do lixo, recuo na merenda escolar, aumento do IPTU, passagem de ônibus mais cara, fim da devolução da taxa da inspeção veicular e, finalmente, as chuvas. Na pesquisa do Nossa São Paulo, porém, será possível perceber que o descontentamento não se resume a estas áreas, pois a avaliação é bem mais abrangente e mostra, por exemplo, a demora no atendimento da população nas unidades de saúde.

Entre trancos e barrancos, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem tentado se safar da enxurrada de críticas que recebe da população principalmente com as constantes enchentes e demais transtornos provocados pelas chuvas de verão. Teve maior exposição na mídia nas últimas semanas, com entrevistas programadas em emissoras de rádio. Mesmo sem solução imediata para a maior encrenca que tem no seu caminho neste instante, o alagamento nos Jardins da zona leste (Romano, Pantanal etc), foi ao local umas nove vezes. Ação que não foi suficiente para acalmar os ânimos da população que corre o risco de perder suas casas – mesmo porque em algumas das visitas ainda errou na mão. Ou no pé, pois se negou a colocá-lo na lama.

A pesquisa do Nossa São Paulo se repete pelo terceiro ano e, nesta edição, a principal novidade será a apresentação do grau de satisfação da população sobre os indicadores de bem-estar definidos em consulta pública, no ano passado. A crítica não ficará explícita apenas em relação ao prefeito, pois outras instituições serão avaliadas, como a Câmara de Vereadores. As informações foram coletadas entre os dias 2 e 16 de dezembro (portanto, antes da pesquisa Datafolha). O resultado oficial será divulgado dia 19 de janeiro, em comemoração ao aniversário da cidade.

Portal da limpeza corre risco de virar factóide

 

Entulho na avenida Pacaembu (Foto: Eros Della Bernardina)

Acompanhar a qualidade da varrição das ruas pela internet, monitorando o trabalho dos garis através de fotografias, é a última do prefeito Gilberto Kassab (DEM). A ideia surgiu em reunião com as empresas prestadoras de serviço, sexta-feira passada, e tem de estar no ar semana que vem. Até a tarde desta terça-feira ninguém sabia explicar ao certo como funcionará o site.

O risco é que o Portal da Limpeza – nome sugerido por Gilberto Dimenstein – tenha o mesmo destino da página eletrônica que seria colocada no ar com a relação completa do valor do novo IPTU-2010 “na semana seguinte”, conforme promessa feita pelo secretário municipal de Finanças Walter Rodrigues, no dia dois de dezembro (ouça aqui), no CBN São Paulo. Na entrevista, ele disse que era uma ordem do prefeito. Os boletos de cobrança estão para chegar na casa dos paulistanos e o site não saiu.

Mesmo sem ainda ter em mãos o endereço do site que “vai acabar com as bocas de lobo entupidas na cidade”, o ouvinte-internauta Eros Della Bernardina pôs mãos à obra: fotografou boca de lobo completamente encoberta por entulho que está acumulado na avenida Pacaembu diante da sede do Memorial da América Latina, zona oeste da capital. Material que. aliás, não é responsabilidade das empresas de varrição.

A propósito: até esta terça-feira, a Limpurb – que coordena a limpeza pública na cidade – também não sabia informar as regras da lei que exige das empresas hora certa para recolher o lixo.

Na política, promessas não cumpridas tem nome: factóide.

Não basta governar, tem de parecer e comparecer

 

Kassab no Aliás

Sempre atento ao que sua área de marketing e comunicação indicam, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) errou feio na administração da crise provocada pela enxurrada das últimas semanas. Demorou para reagir no dia do temporal que parou a cidade a ponto de ter aceitado participar de evento de lançamento do torneio internacional de futebol feminino, enquanto milhares de paulistanos eram reféns da falta de estrutura da cidade. Ao falar, já quase ao meio-dia quando boa parte dos moradores havia perdido a terça-feira, tentou negar o que as imagens escandalosamente mostravam na televisão: a cidade vivia um caos.

Dias depois, novo tropeço de comunicação. Abandonou o Jardim Pantanal a sua própria sorte e ao ser cobrado pela sua ausência justificou que havia visitado a área três vezes. De helicóptero. Pior é que olhando lá de cima, avaliou errado ao sugerir uma impossível estratégia de sugar a água que teve de ser cancelada um dia após sugerida.

“Economista e engenheiro, Kassab reagiu de acordo com os parâmetros dessas profissões e com a mentalidade de sua classe social. Ao fazê-lo, expôs o abismo que não raro separa o poder e o povo”

A opinião é do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP José de Souza Martins publicada em artigo no caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, deste domingo.

Martins também compara o comportamento de Kassab com o do presidente Lula que disse querer “tirar o povo da merda”, durante evento em São Luis do Maranhão, tendo sido ovacionado apesar de se valer de expressão pouco apropriada para o discurso do maior mandante do País .

“Kassab se revelou mau ator porque seguiu à risca o roteiro de seu desempenho como prefeito, pois não compreendeu em tempo que o cenário havia sido mudado, dominado agora pelas apreensões e emoções do desastre. Nem sempre os governantes entendem com a rapidez necessária a pauta cambiante do poder para falar e agir de conformidade com a conduta que o momento pede e a única que pode ter sentido naquela circunstância. Lula, por seu lado, revelou-se bom ator, ainda que incorreto na expressão que usou, justamente porque violou o roteiro prescrito para quem governa”.

O prefeito de São Paulo cometeu o mesmo erro de sua antecessora Marta Suplicy (PT) que no último ano de governo, em 2004, estava de férias em Paris, enquanto a cidade encarava mais um dia de enchente. Uma falha de comportamento inexplicável para a administradora que antes era elogiada por suas aparições nos cenários de crise: incêndio em favela, bairro alagado ou deslizamentos de terra.

Apenas para continuarmos em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) também foi cobrado pelo sumiço no combate a crise no Jardim Pantanal atingido pelas águas do Tietê e pela ineficiência da Sabesp. Tinha a desculpa de que estava na Conferência do Clima, em Compenhangen, Dinamarca. Não devemos nos esquecer, porém, que em seu primeiro mês de governo também pecou pela ausência durante o acidente que matou sete pessoas no Metrô, em Pinheiros. Demorou mais de 24 horas para deixar o Palácio dos Bandeirantes e descer até o local da tragédia ali pertinho.

PSDB perde espaço no governo Kassab

 

Apesar de ter aumentado o número de secretarias municipais de 21 para 28, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem tirado cada vez mais espaço do PSDB na administração. Manuelito Magalhães está fora da Secretaria Municipal de Planejamento, após desenvolver trabalhos importantes como a construção do Plano de Metas (Agenda 2012), no qual a prefeitura é obrigada a estabelecer indicadores a serem atendidos nos quatros anos de governo.

Com a saída dele, restam ao partido apenas três funções importantes: secretaria de Educação com Alexandre Schneider; de Saúde, com Januário Montone; de Esportes, com Walter Feldmann. Além deles, o vereador José Police Neto do PSDB mantém o cargo de líder do governo na Câmara Municipal.

Andrea Matarazzo, outro tucano de carteirinha, deixou o comando das subprefeituras, depois de ter sua participação esvaziada na cúpula do governo, no meio deste ano. O mesmo processo enfrentou nos últimos meses, Manuelito Magalhães que ainda sofreu desgaste na elaboração do Orçamento para 2009 e da Agenda 2012. Durante este trabalho, encontrou resistência de colegas de governo que temiam se comprometer com metas sob o risco de expor sua incapacidade administrativa.

Feldmann deixará a prefeitura, também, mas no início do ano que vem para concorrer a deputado federal, a pedido do governador José Serra (PSDB). Neste caso, é a expectativa do partido, será substituído por outro nome tucano. O vereador Gilberto Natalini está cotado para a pasta do Esporte.

Apesar do esvaziamento de poder do PSDB, os vereadores do partido continuam a apoiar as iniciativas do prefeito Kassab, mesmo nos projetos mais polêmicos e antipopulares, como o do aumento do IPTU, nesta quarta-feira.

Em lugar de Manuelito assume Rubens Chamma que estava na Emurb.

“Não é bode, não”, diz secretário sobre IPTU

 

bodeA política brasileira está cheia de bode na sala. Mas o projeto de lei que aumentava o IPTU em até 60% não era um deles. É o que insiste dizer o secretário de Finanças de São paulo Walter Rodrigues, apesar de ter demonstrado durante entrevista no CBN SP, de que a aprovação da proposta negociada na Câmara com reajustes menores (mas nem por isso pequenos) em nada prejudica os planos para 2010. Ou seja, já estavam dentro do previsto.

O que o bode tem a ver com isso ? Ele é personagem de uma velha história que se passa na casa da família com problemas financeiros, sem emprego e sem comida. Um dia, o pai aparece com um bode na sala. Ninguém entende nada até porque os problemas aumentam. O bode fede, incomoda a todo mundo, torna a vida insuportável. Em seguida, o pai tira o bode da casa e todos acreditam que as coisas ficaram melhores, apesar de nenhum dos velhos problemas terem sido resolvidos.

Depois de tentar majorar o IPTU em índices absurdos, o prefeito aceitou reduzir para até 30% nos imóveis residenciais e 45% os comerciais. O peso do reajuste ainda assim será grande, mas a ideia que a prefeitura passa é que foi boazinha com todos e aceitou recuar – ou fazer uma “mudança estratégica”, como prefere o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Mas vamos ao que disse o secretáario:

Ouça a entrevista do secretário Walter Rodrigues, ao CBN SP

Audiência pública influenciará decisão sobre IPTU

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adoteA pressão contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e os vereadores da base governista tem crescido desde que o projeto que aumenta o IPTU em até 60% foi aprovado em primeira votação. A expectativa é que haja forte mobilização na audiência pública marcada para hoje, às 15 horas, na Câmara Municipal de São Paulo.

Os principais movimentos sociais da capital paulista devem estar presentes para apresentar sugestões ao projeto de lei da Planta Genérica de Valores e cobrar as mudanças que alguns vereadores governistas tem prometido nos bastidores. A discussão será a base para as mexidas que possam ser feitas até a votação em segundo turno que deve se realizar na quarta-feira, dia 2.

Na tentativa de reduzir o impacto do aumento proposto pelo prefeito Kassab, vereadores do PSDB admitem parcelar o repasse do reajuste, que, originalmente, é de 40% para os imóveis residenciais e de 60% para os comerciais. O índice é o limite máximo que o valor do IPTU pode aumentar, em 2010. A intenção agora é diminuir este índice no primeiro ano. E cobrar o restante da conta depois que a eleição presidencial passar.

Aliás, se tem algo que não se pode condenar o prefeito Gilberto Kassab neste episódio é que ele tenha tomado uma medida eleitoreira.

Ouça a entrevista da presidente da Samoorc Célia Marcondes sobre a importância da participação na audiência pública

PS: Everton Zanella, que adotou o vereador Floriano Pesaro (PSDB), lembra por e-mail que é de se lamentar o fato de a Câmara Municipal de São Paulo não transmitir nem tornar disponível na internet as sessões das audiências públicas e debates no plenário.