Avalanche Tricolor: Libertadores é assim

 

Junior Barranquilla 2 x 1 Grêmio
Libertadores – Barranquilla (Colômbia)

Luta-se contra o adversário e o árbitro, explora-se o talento, faz-se gol, leva-se injustiça pra casa. Nem sempre saíremos vencedores de campo, mas esta é apenas uma das muitas batalhas que teremos no caminho do Tri. O que jamais aceitaremos é a derrota sem garra nem gana. E isto não faltou a quem teve de encarar um estádio sem infraestrutura, desrespeito do adversário, 50 mil torcedores e um árbitro esquisito, para dizer o mínimo.

E alguém imaginou que pudesse ser diferente ? Enganam-se os que acreditam que Libertadores são estes jogos tranquilos, de time oponente batendo palma para o visitante e jogo desqualificado.

Temos uma meta e do que aconteceu na noite/madrugada ficaram apenas aprendizados, nenhuma decepção. Porque nós sabemos que esta caminhada jamais será fácil para quem pretende ser o campeão.

Avalanche Tricolor: Começou a loucura

 

Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero
Libertadores – Olímpico Monumental


Foi estonteante a apresentação do Grêmio nesta noite de Libertadores. Jogadas em alta velocidade, bola trocada com rapidez para o companheiro mais próximo e lançada com precisão para um mais bem colocado do outro lado do campo. A variedade de movimentos também sufocou o adversário que fechava pela direita e era atacado pela esquerda. Quando corria para a esquerda, sofria na direita. Nem mesmo o juiz resistiu ao sufoco imposto pela equipe de Renato.

Nosso técnico voltou a surpreender. Nem tanto pela coragem de colocar apenas um volante – bem verdade que era o volante, Fábio Rochemback – e arriscar com três jogadores de meio-campo talentosos, mas pela criatividade de construir a equipe desta forma. Com o velocista Lúcio a aparecer de surpresa em meio a defesa inimiga e com a conhecida categoria de Douglas, Renato fez do “maldito” Carlos Alberto homem-chave no seu esquema.

O novo talento dá sinais de que entendeu o compromisso assumido no momento em que aceitou o convite para vestir a camisa do Imortal (e que bela camisa, chegava a brilhar na tela da televisão). Com a bola no pé repete o que todos já sabíamos, tem qualidade, entende a partida taticamente e orienta companheiros em campo. Quando a bola está com o adversário, não mede esforços para roubá-la ou impedir seu avanço – é a novidade.

Contida a ansiedade do início de Libertadores, o Grêmio-2011 começa a forjar uma ótima equipe, a partir de um elenco que permite variações na maneira de se apresentar – sem nunca perder duas de suas principais características: talento e pegada.

Soma-se a isto uma torcida maravilhosa que levou quase 36 mil pessoas ao Olímpico Monumental e sou obrigado a encerrar repetindo aquilo que esteve na garganta de todos os gremistas na noite desta quinta-feira: Soy Loco Por TRI América !

Avalanche Tricolor: Agora é pra valer

 

Nova Hamburgo 2 x 0 Grêmio
Gaúcho – Olímpico

Novo Hamburgo é cidade bem cuidada (ao menos era na época em que morei em Porto Alegre), próxima da capital e interessante para quem gosta de calçados. Hoje, estava em festa devido ao centenário do time da casa. Mesmo com todo o respeito que tenho pela cidade colonizada por alemães, dou-me o direito de escrever esta Avalanche de olho no futuro.

Antes que você, desavisado, me acuse de estar sendo prepotente ao não dar bola pro jogo desta tarde, entenda o seguinte: o Grêmio com uma rodada de antecedência havia conquistado tudo que era preciso até aqui neste primeiro turno de campeonato. Líder, isolado e distante de todos os demais adversários – inclusive aquele que você um dia já ouviu falar – entrou em campo para cumprir tabela, literalmente.

Tudo bem, havia uma atração em especial: a estreia de Carlos Alberto que vestiu seu número preferido, o 19, e mostrou que tem personalidade suficiente para ajudar o time no maior dos nossos desafios nesta temporada, a Libertadores. Precisa apenas ser mais bem apresentado aos seus companheiros, coisa que os próximos treinos serão suficientes. O vigor com que voltou para roubar bolas, confesso, me surpreendeu, porque o jogo distribuído com precisão e a forma como leva a jogada já conhecíamos.

Carlos Alberto se unirá a um elenco em formação que ainda precisa de alguns ajustes neste início de temporada, mas que está consciente da importância que damos a competição que se inicia, efetivamente. Até então, havíamos apenas entrado em campo para provar que merecíamos o lugar conquistado no Brasileiro 2010; e o fizemos muito bem contra o Liverpool do Uruguai, como conversamos em Avalanches anteriores.

Na quinta-feira, o Olímpico Monumental será cenário de nosso primeiro passo em busca do terceiro título da Libertadores quando teremos como adversário o Oriente Petrolero, da Bolívia. Ninguém espere um jogo e tanto na estreia. Como falei, ajustes ainda são necessários: dar confiança à defesa, acertar a ala esquerda, calibrar o passe no meio de campo e afinar a conclusão no ataque. Até mesmo o elenco precisa ser fechado.

Nada disso – absolutamente, nada disso – será suficiente para tirar do time que entrar em campo, seja quais forem os escolhidos de Renato, uma marca inconfundível do futebol gremista: a nossa gana pela vitória.

Confira e me cobre: cada bola será disputada como se fosse a última, toda dividida como se fosse vida ou morte e nenhuma jogada estará perdida sem que antes sangue e suor escorram pela nossa nova camisa tricolor.

Porque é assim que forjamos a história do Imortal. E assim será a partir desta quinta-feira, na Libertadores.

Avalanche Tricolor:Pachecão,Rochemback e a conquista

 

Grêmio 3 x 1 Liverpool
Libertadores – Olímpico Monumental


O destino havia nos oferecido oportunidade rara e difícil. Disputar uma decisão ainda no início da temporada, quando as pernas não estão devidamente equilibradas, e os companheiros de equipe tentam se entrosar, entender onde cada um deve estar no momento em que a bola é passada ou o contra-ataque surge.

Alguns jogadores mal haviam sido apresentados à torcida e aos próprios colegas, mas vestiam a mesma camisa, o mesmo Manto Tricolor, capaz de unir e transformar atletas em campo. Foi o que aconteceu com Vinícius Pacheco sacado do banco de reservas quando o Grêmio estava em desvantagem no primeiro tempo e a ameaça de se despedir precocemente do sonho de toda sua torcida estava no ar. Uma incógnita para a maioria dos gremistas.

A presença dele naquela altura, em movimento apropriado do técnico Renato Gaúcho, foi fundamental e mostrou que para ser grande é preciso coragem. Muitos esperariam o intervalo para a troca, mas nosso treinador foi acostumado a driblar o lugar comum do futebol. E com este lance, permitiu que Vinicius se apresenta-se à América do Sul: “Prazer, Pachecão !”

Incomum também é saudar atletas que surgem como coadjuvante no espetáculo dos gols. Seria simples lembrar de mais um marcado com a cabeça e as lágrimas de André Lima ou os dois definitivos de Vinícius Pacheco. Mas um jogador merece citação especial: o capitão Fábio Rochemback. Nesta noite esteve na origem de todas as jogadas que resultaram em gols. No primeira, o cruzamento certeiro; no segundo, o passe preciso; no terceiro, a cobrança de escanteio.

Foi grande no desarme das jogadas, nos carrinhos precisos e no olhar duro para intimidar na marcação, também. Deu exemplo àqueles acostumados a subestimar o adversário, que se imaginam maior e mais importante do que todos; e acreditam que a vitória será alcançada sem luta e seriedade.

Rochemback tem, a partir de agora, a tarefa hercúlea de liderar o Grêmio até o título da Libertadores, e ele se sacrifica com talento para tal.

A caminhada para o Tri será intensa mas pelo início vitorioso desta temporada temos muitos motivos para desconfiar de que o Imortal Tricolor está prestes a aprontar mais uma façanha no futebol sul-americano.

A primeira conquistamos nesta noite. Que venha a próxima.

Avalanche Tricolor: Cheiro de Libertadores

 

Liverpool 2 x 2 Grêmio
Libertadores – Centenário, Montevidéu

Lúcio na primeira decisão da temporada (Foto: Gremio.Net)

De baixo das arquibancadas do estádio do Nacional em Montevidéu o cheiro do puchero dominava o ambiente. Era bem simples o restaurante no qual a delegação do Grêmio havia sido recebida pelos adversários. E foi nele que fui apresentado ao panelão com um caldo capaz de levantar defunto. Lá dentro, acompanham o grão de bico tudo aquilo que nós costumamos servir em uma feijoada – menos o feijão.

Dado o impacto que a comida uruguaia teve no meu estômago e o estrago que fez no meu preparo físico até hoje desconfio que a mistura levava algo mais do que os condimentos previstos na receita do chef.

Era fins dos anos de 1970 quando sofri esta primeira experiência em uma competição no exterior. Naquela época ainda arriscava alguns pontapés nas canelas de ponteiros atrevidos vestindo o número 6 às costas da camisa tricolor. Mesmo o torneio sendo entre equipes infantis, o cheiro da rivalidade entre Grêmio e Nacional estava no ar.

Quando assisti ao Grêmio entrar no Centenário na noite desta quarta-feira, aquele azedo voltou à minha garganta. O estádio era outro, mas o país era o mesmo e a rivalidade idem, apesar do adversário ter pouca tradição no futebol sul-americano, ter sido batizado com nome de time inglês e vestir camisa inspirada em um italiano.

O cheiro se espalhou quando a transmissão da televisão cortou a imagem do jogo para mostrar torcedores incitando uma batalha nas arquibancadas. Soube após a partida que policiais teriam agredido alguns gremistas. Nunca se saberá qual foi a ordem dos fatores.

O gramado ruim, a sola da chuteira acima da linha da bola, a dividida ríspida, a troca de tabefes e safanões não deixavam dúvida de que aquele não seria um jogo qualquer. Os gols atrapalhados confirmaram a tese.

O sofrimento nos cruzamento na área, o vacilo dos zagueiros, o passe mal feito no meio de campo e as arrancadas sem destino dos atacantes davam um sabor estranho para esta primeira decisão do ano.

Não dava para esperar muito mais. Alguns novos nomes apareceram na camisa branca do Grêmio, gente que mal havia sido apresentada para nós torcedores.

No apito final, o empate em dois gols foi um alívio e deu ampla vantagem ao Grêmio que decide tudo em casa, diante de sua torcida e no Olímpico Monumental. Estádio que além de churrasco tem cheiro de Libertadores.

Avalanche Tricolor: Em busca de um sonho

 

Universidade 0 x 1 Grêmio
Gaúcho – Canoas

Viçosa faz de penâlti (foto: Gremio.net)

Desumano. Foi a expressão usada pelo ex-volante do Grêmio Lucas para definir a maratona de jogos enfrentada pelo time logo no início da temporada. Ele fez o comentário em entrevista ao jornal Correio do Povo, deste domingo. Na reportagem, depositou confiança na competência do presidente Paulo Odone: “com certeza ele vai levar o Grêmio de novo a títulos”, afirmou o jogador que atua pelo Liverpool (ING), mesmo nome da equipe com quem vamos disputar a pré-Libertadores, na próxima quarta-feira, dia 26, no Uruguai.

Sim, após quatro jogos em uma semana, todos pelo ‘emocionante’ Campeonato Gaúcho, o Grêmio decide vaga para a competição que mais interessa nesta temporada. Em pouco mais de dez dias de treinamento, sem tempo para piscar, pensar e respirar, o time de Renato Gaúcho estará sob a tensão de uma disputa que será vida ou morte – mata-mata como chamam no futebol.

Um dia antes de viajar para a primeira partida da decisão, Renato e seus jogadores foram obrigados a atuar em um gramado de pouca qualidade e contra uma equipe que por mais mérito que tenha quase nada representa para o futebol brasileiro. Com todo o respeito ao Universidade de Canoas, um time que não tem torcedores nem identidade está longe de ser um clube de futebol. Talvez seja apenas um negócio no futebol.

As divididas com o adversário (e houve muitas), o carrinho por trás (também aconteceu) e a bola disputada com veemência (faz parte deste jogo) eram sempre uma jogada de alto risco. Qualquer descuido e um goleiro com o talento de Vitor, um volante com a presteza de Adílson ou um atacante com a ansiedade de Diego Clementino poderiam nos faltar quando mais necessitaríamos.

Aparentemente, todos saíram inteiros de dentro do campo e com uma vitória importante para o time respirar com folga em relação a seus adversários no campeonato. O coração ficou na boca o tempo todo, não pelas emoções que o futebol costuma proporcionar, mas pelos perigos que rondavam músculos, canelas e tornozelos de nosso time.

O físico ainda não está preparado para esta final de pré-Libertadores, a mente tem de estar. E na mala a certeza de que não se mede a decisão pelo adversário, mas pelo o que esta pode nos proporcionar. Sendo assim, começa amanhã, a viagem em busca de um sonho: o tri da Libertadores.

Avalanche Tricolor: Meninos, eu vi, juro que vi

 

Grêmio 3 (5) x 1 (3) Goiás
Sulamericana – Avellaneda (ARG)

Menino, eu vi, eu juro que vi Vítor de braços abertos fazendo milagres em defesas impossíveis.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Paulão despachando a bola para as arquibancadas sempre que o perigo esteve próximo.

Meninos, eu vi, eu juro que vi nossos alas correndo, aloprados, ao fundo do campo deixando tontos os marcadores adversários.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Rochemback, Rafael Marques, Adílson e todos os nossos marcadores comendo a bola com a ponta da chuteira.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Douglas com maestria entregar a bola aos seus companheiros como se a eles desse uma joia rara.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Andre Lima atrapalhado colocando a bola para as redes e Jonas fazendo a única coisa que é capaz de fazer em campo: muitos gols.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Renato gesticulando ao lado do campo, gritando frases inaudíveis na inútil tentativa de organizar o caos.

Mas eu vi muito mais do que isso, juro que vi, na noite e madrugada de futebol jogado na argentina Avellaneda, em estádio com emblemático nome Libertadores da América.

Estavam lá nas arquibancadas Lara, Arce, Ancheta, Airton, Calvet, Everaldo, Dinho, Gessi, Ronaldinho, Iura, André Catimba, Alcindo, Juarez, Tarciso … e tantos outros que se misturavam aos milhares de torcedores que empurravam os azuis à conquista de uma vaga na Libertadores.

O Grêmio foi grande, desta vez travestido de Independiente. Assim como o foi em tantos outros momentos mágicos do futebol mundial em que nossos espírito foi incorporado por times nem sempre com jogo qualificado, mas com desafios inacreditáveis

Uma emoção familiar nos lances de Renato

 

A presença de Renato Gaúcho no comando técnico do Grêmio já me trouxe ao menos uma alegria. Em reportagem publicada no site ClicRBS, foram destacados vídeos de cinco momentos da carreira dele como jogador. No primeiro da lista, nem tanto pelos lances que nos deram a primeira Libertadores da América, em 1983, mas, principalmente, pela narração dos gols, uma emoção particular. O locutor é Milton Ferretti Jung, pai deste que lhe escreve. Sem nenhuma modéstia, uma aula para locutores esportivos.

Avalanche Tricolor: Democracia e futebol

Moro na borda do Morumbi, bairro que nesta quarta-feira viveu uma noite especial.

Desde o fim da tarde – fria como tem sido todas desta semana – havia uma agitação saudável pelas principais avenidas, que causava um murmurinho capaz de alcançar as ruas mais calmas da região. Havia muito congestionamento, também, de onde se podia perceber uma mistura de ilusão e confiança que tomava conta dos militantes que seguiam para a sede da TV Bandeirantes; e dos muitos torcedores que caminhavam para o estádio.

Democracia e futebol dominavam o ambiente. E assim que os dois jogos se iniciaram o esforço de cada partido e equipe para conquistar a vitória se evidenciava. Alguns dissimulados, outros nervosos. Gente que batia acima da canela, pessoas que tiravam de letra. O do estádio me parecia mais instigante do que o do estúdio, apesar de que este não deixou de ser esclarecedor.

Houve vacilos, como a bola que teimou em escapar das mãos do goleiro, como os dados estatísticos usados de maneira incorreta. Houve grandes lances, como a pergunta capciosa respondida de forma assertiva, como o chute de lado de pé que quase enganou o adversário, mas que gerou uma bela defesa.

De casa, ouvi a torcida se lamuriar quando o atacante perdeu a chance de gol e se vangloriar na hora do gol. Era uma barulho mais sincero do que aquele que vazava do estúdio onde assessores – os pagos e os partidários – tentavam demonstrar entusiasmo e intimidar o adversário (convenhamos, o futebol também tem disso).

No paralelo dos dois embates, destacaram-se até mesmo as lágrimas ao final. Ou tentativas de lágrimas, no caso dos políticos.

Tentar assistir a estes espetáculos ao mesmo tempo – com duas televisões ligadas a minha frente – talvez tenha prejudicado minha avaliação. Mas não me impediu de ver que tanto os candidatos no debate como os jogadores na decisão lutavam pelos objetivos que haviam traçado no início da disputa, suaram a camisa (ou o tailleur) para defender seus ideais, não deixaram seus torcedores/eleitores envergonhados.

No futebol, o vencedor ficou bem claro; na política ainda tem muito jogo pela frente, apesar de o nome dos favoritos serem bastantes conhecidos.

Foi uma noite especial esta no Morumbi – já não posso dizer o mesmo daquela que vi, mais cedo, também pela televisão, no Serra Dourada, onde meu time do coração empatou em 1 a 1 com o Goiás, pela Copa Sul-Americana.

Avalanche Tricolor: Desistir, jamais !

Grêmio 2 x 2 Cruzeiro
Libertadores – Olímpico Monumental


Ridgefield é uma pequena e rica cidade do estado americano de Connecticut. Futebol aqui é coisa de mulher. Das outras vezes em que vim para cá descansar vi muitas meninas batendo um bolão. Exceção feita aos brasileiros que vivem na cidade mais próxima, Danbury, poucas são as referências ao futebol do Brasil. Não chega a ser assunto em mesa de bar nem mesmo na primeira página do jornal do dia seguinte. O lugar ideal para escrever esta coluna, talvez.

Em volta da casa em que estou, há um interminável bosque e o barulho lá fora é da chuva que marca o início do verão no nordeste americano. Assisti ao jogo na tela de meu computador o que provoca uma situação curiosa. Apesar de começar uma hora antes – devido ao fuso horário – acontece para mim quase um minuto depois – é a demora provocada pela transmissão digital. Não muda nada no que vai acontecer em campo, mas nos tira a pretensão de que somos capaz de influenciar o destino da partida com nossa torcida.

Torcida ? Como senti falta de estar ao lado dela nesta noite de quinta-feira. Assim como estive há dois anos, na final da Libertadores. A imagem daqueles alucinados na arquibancada era inebriante. Vê-los cantando e pulando, e cantando e acreditando mesmo quando o maior dos crentes não teria mais motivo para tal é contagiante.

Em um momento qualquer daquela partida, mesmo com todas as desvantagens a nos incomodar, ela não nos dava motivo para esmorecer. Havia dois gols contra nós; havia atacantes nossos a perder gols – e como os perderam em toda esta temporada -; houve carência de talento em alguns setores – e digo isso porque nossa paixão não nos cega -; tivemos até mesmo o prejuízo provocado pela expulsão de um dos nossos; mas, nada, absolutamente nada, mudou a obsessão daqueles torcedores.

E somente aqueles que acreditam na Imortalidade são capazes de fazer o que a torcida gremista fez no estádio Olímpico. Aos que nunca entenderão o significado deste sentimento, uma só explicação: “Não somos Imortais porque nunca perdemos, o somos porque jamais desistimos”.

Começa a caminhada de volta para a Libertadores !

Aos adversários

Que o Cruzeiro esteja a altura do futebol brasileiro na final da Libertadores, afinal é o nosso Capitão América que está no seu comando. Sorte, Adílson !