Avalanche Tricolor: durma-se com um time desses

 

Newell’s Old Boys 1 x 1 Grêmio
Libertadores – Marcelo Bielsa (ARG)

 

 

Meu desafio pessoal de me manter acordado até o início da madrugada para levantar logo em seguida e trabalhar, você, caro e raro leitor deste Blog, já conhece bem. É uma escolha que faço em nome de paixão que tenho. Convenhamos, sofrimento encarado com prazer. Tem gente em casa que torce o nariz, me olha com cara feia, pois não entende como sou capaz de me sacrificar “apenas” por um jogo de futebol.

 

É preciso entender que não estamos falando de futebol. Falamos do Grêmio. De um Grêmio Gigante que nunca se entrega. Imortal como prova sua história. Que tem jogado com talento, força e coragem. Time que não se amedronta diante das dificuldades nem se abate com a injustiça de um revés. Que tem um técnico que já incorporou a alma tricolor e mostrou isto claramente ao sacar um lateral para escalar um atacante. Que não teme perder, pois está consciente da sua capacidade de vencer. Que acredita até o último minuto, até o último cruzamento, até o último cabeceio, até o último jogador, até o último suor. Até Barcos deixar a área para cruzar na cabeça de Rhodolfo, zagueiro que deixou a sua área para se aventurar na do adversário.

 


Um Grêmio que acredita até o último sonho, que é o de conquistar a Libertadores.

 

Bons sonhos, boa noite!

Avalanche Tricolor: líder, invicto e muito com o que se orgulhar

 

Grêmio 0 x 0 Newell’s Old Boys
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

A partida recém havia se iniciado e os meninos aqui em casa começavam a arrumar o material e a roupa para a aula de amanhã cedo. Melhor deixar tudo pronto agora à noite em vez de ter de procurar as coisas em meio ao sono e correria da manhã. Eles iriam dormir com certeza antes de saber o placar final, pois têm mais responsabilidade que o pai, que apesar de acordar ainda de madrugada para trabalhar é incapaz de ir para cama antes do último apito do árbitro. O adversário era difícil e a disputa equilibrada, sem direito a falhar. Impossível prever o resultado. Isto não intimidou o mais velho na escolha do “uniforme” escolar. Separou a camisa azul com a frase “Grêmio Manda” no peito, que será vestida na sexta-feira independentemente do que acontecesse na noite desta quinta-feira. Senti uma ponta de orgulho na escolha feita por ele, pois apesar de ter nascido aqui em São Paulo demonstra ter incorporado o espírito Imortal. É isso que sempre se espera de um gremista, que acredite no seu time e nas suas cores, aconteça o que acontecer.

 

Amanhã quando chegar na escola, o mais velho saberá pelo mais novo – que resistiu até o fim ao meu lado – que o Grêmio empatou a partida e fez um belo segundo tempo depois ter se apresentado de forma indiferente no primeiro. Meu ídolo particular, Pará, teve até chance de se consagrar ao explodir a bola no travessão no momento em que o Grêmio, claramente, dominava o adversário. Dudu levantou a torcida e levou o time junto tornando cada jogada de ataque um lance de perigo. Alan Ruiz também entrou bem e ajudou na mudança de comportamento da equipe. Maxi Rodriguez – o nosso -, como sempre, se esforçou muito. E Barcos esteve próximo de marcar seu primeiro gol nesta Libertadores.

 

Terminamos o primeiro turno líder da chave considerada mais complicada da competição e com três pontos de vantagem em relação ao segundo colocado. Teremos dois jogos fora de casa na sequência, o primeiro deles contra este mesmo adversário. E encerraremos a fase de grupos diante de nossa torcida novamente. Ou seja, a classificação está encaminhada, mesmo ainda tendo muita estrada pela frente.

 

Posso dormir tranquilo e orgulhoso. Do meu time, e dos meus meninos.

Avalanche Tricolor: Dá-lhe, Luan! Dá-lhe, Grêmio!

 

Grêmio 3 x 0 Nacional COL
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Escrever não consigo, mas compartilhar com você minha alegria, é tudo que eu quero nesta noite. Quando estiver em condições, volto e deixo minhas impressões. Se é que você não sabe no que estou sonhando agora. Por enquanto, fica o nosso grito: DÁ-LHE, GRÊMIO!

 

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(Publicado quarta-feira, 10h39)

 

Depois de dormir extasiado com o futebol jogado ontem à noite, como se percebe no parágrafo publicado logo após a partida, já quase à meia-noite, nesta quarta-feira acordei feliz, sem dúvida, mas com uma ponta de preocupação. A caminho da CBN, ouvi o comentário do Juca Kfouri, no Momento do Esporte, no qual meu colega jornalista  fazia rasgados elogios a Luan. Lembrou de conversa que teve, recentemente, com o presidente Fábio Koff, que comparou Luan com Ronaldinho Gaúcho. Juca está entusiasmado com nosso atacante (preferem chamá-lo de meio-atacante, mas, convenhamos, ele é atacante por inteiro), assim como estamos todos nós que o assistimos vestindo a camisa do Grêmio no início desta temporada já no Campeonato Gaúcho. Agora há pouco, antes de começar a escrever este texto, também vi pela internet que o comentarista Wianey Carlet traça paralelo entre Luan e Garrincha devido a tranquilidade com que nosso jogador encara qualquer desafio. É capaz de disputar jogo pelo time principal da mesma forma que se estivesse na equipe de base; entra em campo para enfrentar adversários do interior gaúcho ou da Libertadores mantendo o mesmo comportamento atrevido e elegante de jogar. Ontem à noite, aliás,  durante a transmissão do jogo pela Fox, um dos repórteres já havia informado que os torcedores apelidaram o menino de Luanel Messi, uma brincadeira com o nome dele e do craque argentino. Entendo tudo isso.

 

Com tantas críticas favoráveis, onde mora o perigo? Por que acordar com a tal ponta de preocupação? É que apesar de Luan merecer todos os elogios feitos até agora, prefiro que, por enquanto, ele seja visto apenas como Luan, um garoto de 20 anos que jogava futebol de salão, foi descoberto por um grande clube brasileiro, ganhou a posição de titular, a confiança do técnico e a admiração da torcida. Estamos cansados de ver protótipos de craques surgirem nos mais diferentes clubes do País, e no próprio Grêmio. A maioria se perde pelos caminhos tortuosos do futebol, vai parar em clubes do exterior sem expressão e tem seu nome e futebol esquecidos.Neste momento, o melhor que podemos fazer é deixar Luan jogar sua bola, fazer gols, colocar os companheiros em condições de marcar os seus, driblar os adversários, passar de calcanhar e com talento. Sem taxá-lo ou compará-lo, apenas respeitá-lo como ele.

 

Dito isso, peço permissão para minha tietagem: que baita jogador este Luan! E dá-lhe, Grêmio!

Avalanche Tricolor: a cara do Grêmio na Libertadores

 

Nacional 0 x 1 Grêmio
Libertadores – Montevidéu (URU)

 

 

Já passava da meia-noite quando o Grêmio garantiu a vitória na estreia da Copa Libertadores, contrariando parte das previsões, apesar da estatística ser totalmente favorável a nós. Uma vitória merecida, mesmo com os riscos que corremos, especialmente nos minutos finais do jogo quando o Nacional nos empurrou contra o gol. E foi quase de dentro do gol que Edinho tirou uma bola, Marcelo Grohe defendeu outra e nos safamos do que seria um empate injusto. O Grêmio foi maduro a começar pelo jogo jogado por seus jovens, que tiveram liberdade para criar, enquanto os “veteranos” lhe davam segurança. Acima de tudo, foi equilibrado, pois se soube usar da técnica para trocar passes e se movimentar com rapidez com a bola de pé em pé, quando o adversário tentava jogar, marcava sobre pressão e com precisão (exceção a alguns lances nos quais poderíamos ter nos adiantado e evitado os riscos de gol).

 

Apesar do adiantado da hora, e talvez pela excitação provocada pelo sofrimento e pela vitória, esperei para ouvir o que diriam os jogadores gremistas ao fim da partida. Gostei do equilíbrio das falas, semelhante ao que tivemos dentro do campo. E, principalmente, sorri ao ouvir Zé Roberto, um dos nomes que têm sido contestados neste início de temporada, que depois de um desabafo aos descrentes decretou: “esta é a cara do Grêmio”. Sempre racional, Zé foi ao ponto certo, pois o que assistimos no fim da noite dessa quinta-feira foi o Grêmio do jeito que gostamos de torcer.

 

Na estreia do Grupo da Morte, mostramos quem é o Imortal.

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na Libertadores!

 

Grêmio 1 x 0 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio está na Libertadores!

 

Os que conhecem nossa história sabemos que se há um lugar onde nos sentimos em casa é na Libertadores. Nascemos no Rio Grande mas fomos forjados para lutar na América do Sul. Sonhamos com essa conquista, mais do que o Brasileiro, muito mais do que o Gaúcho. Mas para sonharmos é preciso estar lá. E Renato conseguiu mais uma vez. Um caminho aberto à força e muita dedicação, como ele costumava fazer diante das defesas mais duras que enfrentou quando jogador. Muitos preferem lembrá-lo como um atacante de técnica, mas, não tenha duvida, só foi capaz de romper as barreiras que se formavam entre ele e o gol devido a coragem e a explosão de seus músculos. Com o peito empurrava os zagueiros para dentro de sua própria área. Com os braços abria espaço entre os marcadores. E, claro, completava a jogada com o talento de suas pernas. A cabeça, esta nunca foi o seu forte. Mas mesmo esse aparente desequilíbrio emocional parecia conspirar em favor do seu futebol. Foi com um chutão, de costas para o campo, marcado por dois adversários e espremido na linha lateral, não esqueço jamais, que Renato jogou a bola para César Maluco completar de cabeça o gol que nos deu o título da Libertadores, em 1983. Ali não havia técnica, era pura força e determinação.

 

No comando do Grêmio, Renato fez o que pode para nos levar à Copa Libertadores. Assumiu um grupo de aparente qualidade técnica, mas pouco determinado em campo, resultado do trabalho egoísta do treinador que o antecedeu. Testou diferentes formações, jogou com dois e três zagueiros dependendo da partida, colocou três volantes quando entendeu necessário, arriscou com três atacantes quase toda a competição, tirou gente consagrada e querida pela torcida, não teve vergonha de ouvir o grito das arquibancadas e mudar novamente quando percebeu seu erro. Mesmo diante das críticas de que o time rendia abaixo de seu potencial, manteve-o entre os quatro melhores do campeonato em boa parte da disputa. Jamais esteve ameaçado pelo rebaixamento ou pela falta de competição. Sabia que os gols eram escassos, que a defesa não tinha chance de errar, que alguns de seus titulares eram limitados, que seu goleador poderia ser útil na defesa e seus zagueiros poderiam salvar a lavoura. Sabia também que a torcida iria reclamar. Foi corajoso, às vezes teimoso. Arriscou sua história no clube em busca de um objetivo, mesmo que tivesse de abdicar de craques e do bom futebol. Sempre acreditou que poderíamos estar com uma das vagas da Libertadores mesmo quando as vitórias deixaram de aparecer com a mesma frequência.

 

Com uma rodada de antecedência, Renato e seus comandados levaram o Grêmio onde o Grêmio sempre sonhou estar. E por mais esse feito, obrigado, Renato!

Avalanche Tricolor: Grêmio vence e comemora 30 anos da Libertadores

 

Grêmio 2 x 0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Fluminense

 

Há 30 anos estava no velho Estádio Olímpico, que deve ser tombado nos próximos meses, já sem voz e suado de emoção, comemorando a primeira conquista da Libertadores. Era uma quinta-feira à noite, fria como eram as noites de inverno no Rio Grande do Sul, naquela época. Atualmente, a meteorologia sempre nos prega algumas peças com calor fora de época, apesar de que a última semana fez vingar a tradição. Naquele 28 de junho, nenhum frio, porém, levaria mais cedo para casa os 80 mil gremistas que foram ao Monumental, pois acabávamos de ser testemunha de uma conquista inédita para o futebol gaúcho alcançada por jogadores forjados à posição de heróis a cada batalha vencida na temporada sul-americana. Confesso que, ao contrário do primeiro título que festejei como torcedor gremista, o Gaúcho de 1977, não consigo lembrar bem de onde assisti àquela final. Poderia estar nas cadeiras cativas, que ficavam no anel superior do estádio, ou na cabine de transmissão da TV Guaíba, ao lado de meu pai que narrava a final contra o Penãrol. Certo era minha satisfação em ter participado de um momento histórico relembrado nessa tarde de domingo em um novo estádio, a Arena do Grêmio.

 

Gremio x Fluminense

 

Tarcísio, Baidek, Paulo Roberto, Mazaropi e Valdir Espinosa foram alguns dos ídolos, campeões de 1983, que enxerguei na homenagem feita antes da partida contra o Fluminense, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro. Sempre que os vejo me emociono pela alegria que ofereceram a todos os torcedores. Daquele tempo, além das lembranças, ficamos com o legado de uma história que nos concedeu a imortalidade. E com Renato Portaluppi, nosso ponteiro direito, fundamental pelo talento e valentia na vitória final (o que se repetiria meses depois no Mundial), agora travestido de treinador. Quis o destino que ele estivesse no comando do Grêmio na partida em que comemoraríamos os 30 anos da primeira Libertadores. Entramos em campo com a camisa tricolor e o calção branco, como em 1983, mas, apesar da importância da data, REnato sabia que o cenário desse domingo era bastante diferente daquele que comemoramos o título sul-americano, e não apenas por estarmos em outro estádio. Por isso, respeitosamente, apenas cumprimentou seus velhos colegas, deixou a festa para os torcedores na arquibancada e foi trabalhar.

 

O Grêmio, com a responsabilidade de seu técnico, trabalhou sério, marcou com valentia, despachou bola quando necessário, trocou passe quando possível e driblou como alternativa. Ainda houve algumas trapalhadas e jogadas arriscadas, nada que compromete-se. Assisti ao jogo, como de costume, na minha casa aqui em São Paulo, pela televisão. Não gritei a ponto de perder a voz nem fiz escorrer gotas de suor como em 1983, mas, guardadas as devidas proporções, também saí deste jogo satisfeito. Em especial com o desempenho do paraguaio Riveros que fez sua estreia. Apareceu bem na frente, marcou o gol que abriu o placar e mostrou que tem lugar certo na equipe.

 


As imagens deste post são do site do Gremio. Ao clicar nelas você visitará a página do clube no Flickr

Libertadores: o Brasil acuado e manipulado

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O episódio do Corinthians no Pacaembu, há uma semana, quando dois gols foram anulados e uma penalidade máxima não foi marcada, já foi vivenciado por outros clubes brasileiros. E, se não bastasse o corriqueiro do evento, este fato de má-arbitragem é tão mais grave quanto a solução fácil do recurso eletrônico não ser adotada justamente para manter o poder amador dos árbitros e seus dirigentes.

 

Entretanto, ocorrências mais contundentes e que, certamente, comprovam uma situação de inferioridade no âmbito latino americano de nosso país têm acontecido. Como o regulamento proibindo times de mesma nacionalidade avançar às semifinais, criado depois de seguidas finais brasileiras – uma afronta ao esporte e diretamente ao Brasil, país mais poderoso do continente. Quer em termos de economia, de democracia e, principalmente, de futebol. O absurdo desta questão é que ao normatizar esta inovação, a Conmebol, entidade que congrega as 10 federações do futebol da América do Sul, não recebeu nenhum contra da CBF nem dos maiores times brasileiros.

 

Nesta mesma linha, os jogos acima da altitude de 2.000 metros ainda continuam. De vez em quando algum time tem reclamado e ameaçado não jogar, mas nada foi feito em conjunto, com a força evidente de camisas fortes e unidas de clubes brasileiros.

 

Mais recentemente, a Fox, empresa mexicana que dispõe dos direitos de transmissão, exigiu a inclusão de equipes mexicanas. Elas participam, mas não se classificam ao Mundial de Clubes, porque pertencem a América do Norte. Se forem campeãs, é o segundo colocado que vai ao Mundial.

 

A Conmebol manipula deixando de punir ou punindo em excesso, privilegiando os “amigos”. A Fox manipula incluindo times do país de seu dono e impondo o calendário que lhe fique melhor. Resta saber o que a Bridgestone, o novo patrocinador irá impor. E vamos todos aceitar. Vamos mesmo?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: Desistir, jamais!

 

Santa Fé 1 x 0 Grêmio
Libertadores – Bogotá (Colômbia)

 

Santa Fe x Gremio

 

Somos Imortais não porque jamais perdemos, mas porque jamais desistimos.

 

(…e nada mais digo por enquanto frente ao adiantado da hora, mas voltarei a este espaço ainda nessa sexta-feira)

 

Estou de volta (editado às 11h15 de 17/05):

 

Ao escrever logo após o jogo, chuto a razão para as cucuias (que imagino seja um lugar bem distante), desabafo minhas emoções e desprezo a lógica do futebol. Prefiro assim pois teclar como pulsa o coração me faz sofrer menos e me impede de enxergar as fragilidades de um clube que quero Imortal. O adiantado da hora e a necessidade de dormir o mínimo possível para me colocar em condições de pensar às notícias do dia, me impediram de dizer o que pensava logo após o apito final da partida na Colômbia que nos desclassificou da Libertadores.

 

Somente agora, noite mal dormida e dia já praticamente trabalhado, é que sento diante do computador para escrever o que penso do desempenho do tricolor nesta edição da Libertadores. Talvez este distanciamento me tenha feito entender um pouco mais a sensação que me acompanhou durante todo o jogo de ontem à noite e em parte da competição. Não havia a confiança quase deslumbrada de sempre, mesmo nos melhores momentos do jogo e ciente do bom elenco de jogadores que tínhamos à disposição. As escapadas em direção ao gol adversário não me iludiam, nem mesmo a aparente tranquilidade no toque de bola de nossos jogadores. Cheguei a pensar que era apenas forma de controlar meu nervosismo: não acreditar no possível para não se frustrar no revés. Mas isto não é coisa de gremista, pensava comigo mesmo.

 

Foi a boa crônica do jogo, intitulada “Os Miseráveis”, escrita por Maurício Brum, no site Impedimento.org, que me ajudou a traduzir o sentimento e desconforto com o time. Não com os jogadores em si, apesar de alguns terem provado que não merecem vestir a camisa do Grêmio. Desconforto com a alma de um time, que desapareceu em meio a estratégias mirabolantes e palavras rebuscadas. Que acabou com a raça que sempre nos diferenciou sem sequer dar vazão para o talento que existe em muitos dos que estão na equipe. Raça e categoria estiveram juntas apenas em uns poucos instantes desta temporada; raridade como no jogo do Fluminense, no Maracanã, por exemplo.

 

A mudança de postura se fará necessária para que os desafios de 2013 não sejam desperdiçados como foram todos os que enfrentamos na Era Luxemburgo, a começar pela Copa Sul-Americana do ano passado, na qual assistimos à virada histórica do Millionários, nas quartas-de-final, e às perdas do vice-campeonato Brasileiro e da vaga direta à Libertadores ao aceitar um empate no jogo final do Olímpico. E para que esta mudança ocorra, em vez de aplicarmos a política da terra arrasada, dispensando aleatoriamente nomes que não renderam o que podiam até aqui, é preciso identificar, antes, quem sugou nosso ímpeto, quem consumiu nossa alma.

 

E você, caro e raro leitor deste Blog, sempre acostumado a me ver ufanista mesmo nos piores momentos, não pense que estou incrédulo. Estou apenas com os pés no chão e pedindo que recuperem a saga do Imortal Tricolor, este que é Imortal não por jamais perder, mas por jamais desistir.

 

Eu não desisto: Grêmio, sempre!

Avalanche Tricolor: lutamos, sofremos e vencemos

 

Grêmio 2 x 1 Independiente (COL)
Libertadores – Arena

Lutamos, acertamos, erramos, sofremos e vencemos. Com a mesma precisão com que distribuiu passes, driblou adversários e despachou bolas que rondavam nossa área, Souza descreveu a vitória que nos deixa com vantagem na disputa pela vaga às quartas-de-final da Liberadores. Um resultado que ganhou dimensão diante das circunstâncias da partida, quando mais uma vez tivemos um jogador expulso (aliás, mais uma vez o mesmo) e, agora, contra o único time invicto na competição e com a segunda melhor campanha até aqui.

 

O gol de Vargas, de cabeça, premiou o atacante que, apesar da pouca estatura, se agiganta diante dos marcadores. Fez isto especialmente na partida desta noite quando teve uma de suas melhores apresentações desde que chegou à Porto Alegre.

 

O gol de Fernando, de fora da área, consagra a história deste volante que talvez seja, hoje, o jogador que mais bem simboliza a saga gremista. Foi dele que saiu, em entrevista ao fim do jogo, a fórmula para superarmos nossas carências: cada um deve jogar 10% a mais para substituir a ausência do colega expulso. Ele, com certeza, jogou muito mais do que isso e se transformou no herói da partida.

 

Para um clube que forjou sua vida nas conquistas históricas e construiu a imagem de Imortal, não podemos esquecer que, nesta noite, tínhamos, ao lado do campo, o estigma de um vencedor: o técnico interino Roger.

 

Que venha a próxima batalha!

Avalanche Tricolor: vamos ao que interessa

 

Juventude 1 (5) x (4) 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi (Caxias do Sul)

 

 

Dia 1º de maio, 19h30, Arena, Porto Alegre.

 

Está lá, marcado na minha agenda com destaque e em azul. Esta é a decisão que nos interessa. Este é o jogo da temporada. Santa Fé, o inimigo a ser abatido. Um time argentino, com certeza. Uma decisão sul-americana, sem dúvida. Nada que fizemos (ou deixamos de fazer) até aqui é mais importante do que este compromisso em pleno feriado do Dia do Trabalho. Uma decisão de 180 minutos ou um pouco mais que tem de ser resolvida nos primeiros 90, se não quisermos estender nosso sofrimento. Apesar de que tudo que fizermos nesta primeira hora e meia de futebol, por melhor que seja, terá de ser ratificado na hora e meia seguinte, diante da torcida adversária. Por isso, reunir nossa força e história neste desafio inicial é fundamental para nosso destino em busca da marca maior, o  Tri da Libertadores. Temos de nos desvencilhar de todos os entraves que surgem nesta caminhada. Craques lesionados, guerreiros debilitados e lutadores em recuperação têm de se unir, contar com o apoio incondicional da torcida. As trapalhadas técnicas, os erros gerenciais, as carências estratégicas e percalços como a decisão de pênaltis na noite deste sábado têm de ser deixados para trás.

 

Temos de ser fortes e capazes de superarmos nossas deficiências e para tanto contamos com nossa história de imortalidade. E se você me provocar pelo mau resultado de hoje, perdeu seu tempo. Tudo que aconteceu em Caxias do Sul é ensinamento, é motivo de reflexão, é a penitência que temos de pagar pela grande conquista que sonhamos.

 

É isso que penso, é nisso que creio (principalmente depois de uma garrafa do malbec argentino Lindaflor La Violeta 2008 – mesmo porquê só bebendo para aceitar um chute como o do André Santos e a falta de criatividade para chutar a gol)