Rasgando o Véu da Ilusão: cuidado com o que você vai descobrir

Tive o privilégio de ser convidado para escrever o texto de apresentação do livro “Rasgando o Véu da Ilusão – ensaio sobre coragem, liberdade e autenticidade”, das psicólogas Abigail Costa, Aline Machado e Vanessa Maichin.

O livro já está à venda pela editora Dialética e o lançamento oficial, com presença das três autoras, será neste sábado, dia 14 de dezembro, às 16 horas, no Restaurante Bar Alfândega,
na rua República do Iraque, 1347, Campo Belo, São Paulo, SP. Confirme sua presença aqui.

Apresentação de Rasgando o Véu da Ilusão

Mílton Jung

Há livros que não apenas lemos, mas que parecem nos ler de volta. “Rasgando o Véu da Ilusão – ensaio sobre coragem, liberdade e autenticidade” é um desses. Quando comecei a leitura dos textos originais de Abigail Costa, Aline Machado e Vanessa Maichin, não imaginava que, ao final, seria mais do que um leitor passivo, mas alguém profundamente tocado, como se, página após página, tivesse rasgado alguns dos véus que me acompanhavam há anos, me levando a descobrir a alma e o coração, no sentido de despir-me das sombras que os ocultavam.

A cada capítulo, fui confrontado com as ilusões que construí ao longo da vida para me proteger das incertezas que, ironicamente, ainda me assombram. As autoras, com uma coragem que admiro e invejo, se revelam em suas fraquezas e, de maneira quase cirúrgica, mostram como essas ilusões nos moldam, nos limitam e nos prendem a uma ideia de perfeição que, muitas vezes, é um fardo. Quisera eu ter a coragem delas para assumir todas as minhas fragilidades.

Foi desconcertante, quase constrangedor, ser confrontado por verdades que me surpreenderam, mesmo sendo eu íntimo de uma das autoras. Sim, caro leitor e cara leitora, devo confessar: sou casado há mais de 30 anos com Abigail. Não poderia omitir essa informação. Revelo isso porque acredito que essa transparência permitirá que você, ao ler esta apresentação, desenvolva um olhar crítico mais apurado, consciente do viés pessoal que pode colorir minhas palavras.

Em diversas passagens, me peguei relendo os trechos onde a finitude e a vulnerabilidade são tratadas com tanta franqueza. Era como se Abigail, Aline e Vanessa, com suas diferentes vozes, estivessem ali, do meu lado, me dizendo: “Sim, é difícil, mas é preciso encarar isso, sem filtros, sem ilusões.” Nesse olhar sincero, encontrei ressonâncias com minhas próprias batalhas. Não é fácil aceitar que o perfeccionismo, tantas vezes visto como virtude, pode ser, na verdade, um véu que nos separa da vida como ela realmente é – imperfeita, sim, mas também autêntica e rica em possibilidades.

Como se as provocações das autoras não fossem suficientes, ainda deparei com o prefácio de Alexandre Cabral. Ah, o prefácio… De uma profundidade que não permite passagens rápidas, que obriga o leitor a parar, pensar e questionar. Foi então que percebi que o que deveria ser um simples prefácio havia se transformado em algo muito maior – não apenas uma introdução, mas uma parte essencial dessa jornada literária.

Essa transformação do prefácio em algo tão significativo é uma prova do poder da palavra quando usada com propósito e sensibilidade. Não é apenas uma abertura; é um convite a uma reflexão que transcende o texto introdutório comum. Ao final, percebemos que o prefácio de Alexandre Cabral não é só um prólogo, mas um verdadeiro pórtico, imponente e necessário, que nos conduz ao coração das questões levantadas no livro.

Ao concluir a leitura, percebi que “Rasgando o Véu da Ilusão” não é apenas um livro sobre coragem, liberdade e autenticidade. É uma jornada, daquelas que começam na primeira página e continuam muito depois de fecharmos o livro. Uma jornada que nos convida a ser protagonistas de nossas vidas, a enfrentar as incertezas, a deixar para trás a ilusão de controle e a abraçar, de uma vez por todas, a beleza da imperfeição.

Prepare-se para ser provocado, questionado e, quem sabe, transformado. Boa leitura!

O desafio de preservar a escrita de qualidade diante da tentação da IA

Imagem criada por DALL-E, via OpenAI.

Nesta semana, enquanto revisava arquivos guardados na memória do meu computador, deparei com dois textos que, apesar de publicados em momentos bastante distintos, dialogam de maneira surpreendente com o contexto atual em que vivemos. O primeiro, um artigo de Umberto Eco, publicado no jornal *La Nación*, da Argentina, em 1991. O segundo, um texto recente de Ruy Castro, que li na “Folha de São Paulo”, de 2023. Ambos os textos me levaram a refletir sobre um tema que tem estado cada vez mais presente em nossas discussões: a importância de exercitarmos a qualidade da escrita diante da ascensão da inteligência artificial.

No artigo de Umberto Eco, o filósofo, escritor e semiólogo italiano refletia sobre o temor que os sábios da Antiguidade tinham em relação à invenção da escrita e, posteriormente, dos livros. Eles acreditavam que esse novo instrumento poderia alterar o comportamento humano, limitando a capacidade de memória e de pensamento crítico. É curioso perceber que, mesmo tantos séculos depois, esses medos ainda ressoam, agora em um novo contexto. A inteligência artificial, com sua capacidade de gerar textos e ideias de forma quase automática, nos faz questionar: será que as máquinas poderão limitar ou até substituir a criatividade humana?

Já Ruy Castro, jornalista e escritor brasileiro, em seu texto mais recente, faz uma análise crítica e bem-humorada sobre o conceito de “escrever bem”. Para ele, ninguém realmente “escreve bem” de primeira. Escrever é, na verdade, um exercício de reescrita. É no processo de revisar, cortar excessos, eliminar palavras ou frases desnecessárias e clarificar a mensagem que reside o segredo de um bom texto. Castro nos lembra que a escrita é um ato de reflexão, que exige tempo, paciência e, acima de tudo, autocrítica.

Ao comparar essas duas leituras, fico impressionado com a atualidade das preocupações de Umberto Eco e a pertinência das observações de Ruy Castro. Eco nos alerta para o risco de confiarmos demais nas tecnologias que, embora úteis, podem nos afastar do processo criativo essencial para a produção do conhecimento humano. Por outro lado, Castro nos mostra que a boa escrita não é fruto de genialidade espontânea, mas de um trabalho árduo de refinamento e aprimoramento contínuo.

Nesse cenário, a inteligência artificial surge como uma ferramenta poderosa, capaz de produzir textos com uma velocidade e precisão impressionantes. No entanto, há uma preocupação legítima de que essa facilidade possa nos levar a perder a profundidade e a qualidade que caracterizam a escrita humana. Quando deixamos as máquinas fazerem o trabalho por nós, corremos o risco de nos distanciarmos do processo criativo, que envolve não só a reflexão e a dúvida, mas também a reescrita e, muitas vezes, a frustração de não alcançar imediatamente o resultado desejado.

Eco nos lembra que os livros prolongam a vida ao preservar a memória e o conhecimento. Mas esses livros foram escritos por mãos humanas, imbuídas de sentimentos, pensamentos e experiências únicas. A inteligência artificial, por mais sofisticada que seja, ainda não consegue capturar essa dimensão humana. Ela pode imitar estilos, reproduzir padrões, mas não substitui a alma que se revela em cada frase cuidadosamente escolhida, em cada ideia que emerge do conflito entre o que queremos dizer e o que conseguimos expressar.

Portanto, ao nos depararmos com o avanço da inteligência artificial, torna-se mais importante do que nunca exercitarmos a qualidade da nossa escrita. Devemos encarar a IA não como uma substituta, mas como uma ferramenta que pode nos ajudar a alcançar novos patamares de criatividade, desde que sejamos nós, seres humanos, a guiar o processo. A escrita é uma das formas mais íntimas de expressão do ser humano, não apenas para comunicar ideias, mas também para transmitir emoções, experiências e, em última análise, nossa própria humanidade.

Exercitar a escrita frente a ascensão da inteligência artificial é reafirmar nosso compromisso com o que nos torna únicos. É garantir que, mesmo em um mundo dominado por máquinas, a essência do que significa ser humano – com toda a sua complexidade e profundidade – continue a ser preservada, celebrada e transmitida às futuras gerações.

Assim, a lição de Ruy Castro se torna ainda mais relevante: reescrever é essencial. É preciso ter a coragem de revisar o que as máquinas produzem, de refinar e humanizar, garantindo que a palavra escrita continue sendo uma extensão do pensamento e da alma humana, e não apenas um conjunto de algoritmos friamente calculados. Porque, no fim, é a nossa capacidade de criar, refletir e expressar que define a verdadeira qualidade da escrita – e isso, nenhuma máquina pode substituir. 

Humanidade e medicina: uma jornada literária em ‘Homem Médico’ de Fernando Nobre

A literatura e a medicina sempre renderam excelentes leituras. Desde Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “O Alienista”, até Joaquim Manuel de Macedo, médico não-praticante que escreveu “A Moreninha”, onde um dos protagonistas é estudante de medicina e a personagem principal sofre de uma doença rara.

A relação entre esses dois temas vai muito além. Em tempos mais modernos, fui marcado pela escrita de Drauzio Varella em “Estação Carandiru”. A história não-ficcional é intensa e a escrita é primordial. Um texto enxuto e rico, que sempre considerei jornalismo literário, mesmo com a medicina sendo a especialidade do autor.

Há alguns anos, aproveitei as férias para ler “Quando Nietzsche Chorou”, de Irvin D. Yalom, autor de “Mentiras no Divã”. Yalom, psiquiatra, esteve comigo nesta viagem, também, mas nas mãos da minha mulher. Foi ela  que já havia me apresentado “O Homem que Confundiu Sua Mulher com um Chapéu”, do neurologista e químico Oliver Sacks.

Essas leituras sempre me intrigaram pela qualidade dos textos e pela impressionante pesquisa dos autores, especialmente aqueles que se aventuraram pelo romance. Costurar vivências com histórias ficcionais e elaborar um enredo onde sintomas, diagnósticos, doenças e curas surgem em meio à construção de personagens exige um talento extraordinário.

Diante disso, coragem foi a primeira virtude que vi no trabalho do Dr. Fernando Nobre, que lançou recentemente “Homem Médico” (Editora Novo Século). O livro não é autobiográfico, mas certamente encontraremos passagens inspiradas em suas experiências. Só ele pode revelar o que viveu, soube ou criou no cotidiano de Reinaldo, o protagonista, um médico dedicado à profissão desde a juventude, que enfrenta situações de poder e privilégio capazes de influenciar as atitudes humanas. Reinaldo encara dilemas, mesmo com sentimentos puros como o amor, lembrando-se sempre da lição da aula inaugural da medicina:

— “Não poderão orientar os bons hábitos sem que os tenham. Dizerem sobre os males dos vícios se os praticarem. Serem indulgentes se não o forem. Pregarem a resiliência se não forem tolerantes e aceitarem os males que a vida lhe imporá”, disse o orador.

Quem conhece Dr. Fernando sabe de suas reflexões sobre a medicina e seus profissionais; já ouviram dele a necessidade de ver o paciente além do diagnóstico; e compartilham sua crítica àqueles que não enxergam a pessoa além da doença. Seus pacientes também sabem disso, na prática. Ainda assim não temos indícios suficientes que revelem onde está o Fernando, o criador, na figura de Reinaldo, a criatura.

Além de coragem, o romance de Fernando Nobre revela outras virtudes como prudência, ao refletir sobre as decisões éticas e morais dos médicos; justiça, ao promover a ideia de uma medicina igualitária e inclusiva; e empatia, ao humanizar a prática médica e incentivar uma conexão genuína com os pacientes. 

A relação de Fernando Nobre com os livros rendeu-lhe o Prêmio Jabuti, na categoria Ciências de Saúde, em 2006, com “Tratado de Cardiologia”, em que o conhecimento técnico da profissão era o foco. Já “Homem Médico” é mais um exemplo de como a interseção entre literatura e medicina pode render um livro de qualidade e virtudes.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: lições de branding dos tempos em que o freezer causava polêmica

“Parece que hoje nós estamos descobrindo a pólvora”

Jaime Troiano

Os desejos e necessidades dos consumidores estão longe de ser uma descoberta moderna. No”Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, da CBN, Jaime Troiano e Cecília Russo destacam um livro que, apesar de publicado há mais de seis décadas, traz lições valiosas e atuais sobre o comportamento do consumidor e a construção de marcas: ”The Hidden Persuaders” (1957), do autor americano Vance Packard.

O livro faz uma crítica como as empresas americanas da época utilizavam as necessidades latentes dos consumidores para moldar suas estratégias de marketing e branding. Jaime Troiano comenta que o texto de Packard tem uma clara intenção crítica sobre o que é o capitalismo e o consumo nos Estados Unidos: ”o autor mostra como são as formas de operar com desejos latentes dos consumidores para construir estratégias de marca”.

Para Jaime, a leitura de “The Hidden Persuaders” contraria todas essas tendências de achar que somente agora, com as novas tecnologias, tais como a engenharia digital e a inteligência artificial, fomos capazes de grandes revelações sobre o comportamento do consumidor e as formas de persuadi-lo.

Um bom exemplo de como esse conhecimento já era explorado,  na época do lançamento do freezer, muita gente criticava o equipamento por achar que havia pouco alimento para guardar e seria uma decisão economicamente irracional pelo custo do produto e do consumo de eletricidade. Análises profundas de psicólogos mostraram, porém, o quanto a época pós-guerra ainda era de incertezas, em geral e o freezer representava a certeza de que haveria sempre comida na casa, representava segurança, menos para a proteção dos alimentos em si e muito mais pelo sentimento de segurança para a família. 

“Não era um benefício funcional que contava mas um apelo profundamente emocional que estava em jogo”, destaca Jaime

Outro estudo da década de 1950, lembrado no “Sua Marca”, investigou por que as mulheres mudavam constantemente de produtos de limpeza sem demonstrarem lealdade. Jaime conta que a mudança de paradigma aconteceu quando as marcas começaram a valorizar não apenas a funcionalidade dos produtos, mas a autoestima das consumidoras.

Cecília, por sua vez, traz o exemplo dos automóveis, discutindo como a escolha de um carro está profundamente ligada ao senso de poder e autoestima do proprietário, um conceito que muitos consumidores podem não admitir conscientemente: “… não se diz isso explicitamente para o proprietário na comunicação da marca. O que se diz? O que um instituto de pesquisa descobriu na época é que você precisava dar para o proprietário um argumento de como o carro tem uma margem extra de segurança diante de emergências”.

A Marca do Sua Marca

A redescoberta de princípios antigos que ainda governam as estratégias de branding é o destaque do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Apesar de os avanços tecnológicos e das novas ferramentas de marketing, as motivações humanas básicas continuam a influenciar profundamente as decisões dos consumidores. A lição deixada é que, olhar para o passado pode oferecer ideias valiosas para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Mundo Corporativo: Marcus Teles revela estratégias da Livraria Leitura para prosperar em tempos de crise

Nos bastidores do Mundo Corporativo, foto de Pricisla Gubiotti

“A austeridade e a independência financeira são nossas maiores fortalezas.”

Marcus Teles, Livraria Leitura

Com a concorrência acirrada de gigantes do e-commerce e as crises econômicas que desafiaram o mercado nos últimos anos, manter uma rede de livrarias no Brasil parece uma tarefa gigantesca. E é mesmo. No entanto, a Livraria Leitura além de sobreviver, também prosperou nesse cenário desafiador. Este é o tema central da entrevista de Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura, no programa Mundo Corporativo.

Marcus Teles compartilhou as estratégias que levaram a Livraria Leitura a se tornar a maior rede de livrarias do país. “Nós crescemos mais nas crises,” afirmou Teles, explicando que a empresa sempre optou por operar com capital próprio e sem dívidas. Essa abordagem permitiu que a Livraria Leitura enfrentasse turbulências econômicas com mais resiliência do que muitos concorrentes.

Concorrência e Adaptação

Uma das grandes lições de Teles é sobre como enfrentar a concorrência de grandes multinacionais. “Aquelas que quiseram brigar no preço e vender mais barato do que uma multinacional foram por um caminho de confronto difícil de vencer,” ressaltou. Ele destacou que a Livraria Leitura sempre priorizou a experiência do cliente e a formação de uma equipe bem treinada, capaz de oferecer recomendações personalizadas e atendimento de alta qualidade.

Para Teles, a chave do sucesso está na capacidade de adaptação e na austeridade. “Se a loja deu prejuízo no segundo ano, muitas vezes chegamos ao dono do imóvel ou ao shopping e negociamos uma redução de aluguel. Se isso não acontece, a loja é fechada,” contou ele, mostrando a firmeza nas decisões que ajudam a manter a saúde financeira da empresa.

O Crescimento da Leitura no Brasil

Teles trouxe uma perspectiva otimista sobre o hábito de leitura no Brasil, especialmente entre os jovens. “Nós esperávamos que, com a digitalização, os jovens fossem menos adeptos ao livro impresso. Na verdade, foi o contrário: eles leem muito hoje,” disse ele. A popularidade de séries e a influência de plataformas como o TikTok têm contribuído para esse crescimento.

Outro ponto destacado foi a importância das livrarias físicas. “A livraria é um contato de convivência,” explicou Teles. Ele acredita que, apesar do crescimento das vendas online, as livrarias oferecem uma experiência única que atrai leitores interessados em novidades e em um ambiente propício à descoberta de novos títulos.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

O segredo da mudança cultural: histórias

Manoel Amorim, Jay B. Barney e Carlos Júlio

Quando o tema é cultura organizacional relacionada com desempenho empresarial, a maioria dos thinkers e practioners busca sugerir a cultura organizacional “ideal” – ultimamente, tem sido a cultura que favorece a inovação, por exemplo. Mas o que nos interessa é diferente: queremos falar de como se faz uma mudança cultural. Culturas são normalmente desenvolvidas e mantidas por meio das histórias que os funcionários de uma empresa contam sobre o que significa trabalhar em determinada empresa. Assim, partimos da hipótese de que, se você quiser mudar a cultura de uma empresa, precisará contar novas histórias. Então fomos conferir o que acontece na vida real, com várias histórias de empresas {o quadro abaixo lista algumas}.

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Pesquisamos mais de 150 histórias derivadas de entrevistas com mais de 50 líderes de empresas de grande e médio porte e identificamos seis atributos das histórias que os CEOs constroem que os tornam mais propensos a ser bem-sucedidos na mudança da cultura de uma organização:

  1. As ações que constroem essas histórias são autênticas.
  2. Tais histórias são “estreladas” pelo líder.
  3. As ações que constroem essas histórias sinalizam ruptura com o passado e um caminho claro para o futuro.
  4. Essas histórias apelam para “corações e mentes” dos funcionários.
  5. As ações que constroem essas histórias costumam ser teatrais.
  6. Tais histórias são contadas e recontadas em toda a organização.

Também identificamos como ocorre o processo de mudança. Primeiro, é preciso entender que, durante a construção das histórias, a organização parece que “descongela”. Aí emerge a primeira história, do líder, e funcionários vão construindo e trocando outras histórias de mudança cultural.

À medida que essa nova cultura começa a amadurecer e tomar forma, o líder empresarial pode ajustar outros aspectos da empresa para reforçar e solidificar a nova cultura na empresa (mudando o mix de funcionários, a forma como os funcionários são avaliados e remunerados, o modo de treinamento etc.). Em seguida, uma nova cultura é “recongelada”.

Leia o artigo completo publicado na MIT Sloan Management Review Brasil nº 15.

Manoel Amorim e Carlos Júlio foram CEOs de várias empresas e são empresários e membros de conselhos de administração. Jay B. Barney é professor de gestão estratégica da University of Utah, EUA. Os três são autores do livro O Segredo da Mudança de Cultura (Saraiva Educação) que será lançado, nesta quarta-feira, dia 15 de maio, às 19h, na Livraria da Vila, na Alameda Lorena, 1501, em São Paulo.

Por falar em jornalismo de rádio, livros e carreira

“O reconhecido jornalista Mílton Jung, âncora do Jornal da CBN e do Mundo Corporativo, ambos da rádio CBN, é um dos profissionais que amam o que fazem e, naturalmente, vem se destacando em meio a tantos outros. Além disso, sua paixão e sua entrega pelo Jornalismo, fizeram ele aprender tanto que passou a palestrar sobre Comunicação e Liderança para que os profissionais das empresas se tornem melhores, mais produtivos e mais felizes no ambiente de trabalho”

Assim, Analice Nicolau inicia entrevista na qual tive a oportunidade de falar da minha carreira e de projetos que realizo, além do rádio. Agradeço a ela e seu colega de coluna, Rafael Gmeiner, pela oportunidade que me ofereceram.

Leia aqui a reportagem completa publicada na coluna da Analice no Jornal de Brasília

Fernando Nobre lança o livro “Homem Médico” que une coração, ciência e conhecimento.

Dr. Fernando Nobre, cardiologista e mestre na arte da comunicação, é a personificação do médico que todos almejamos ter. Convicto de que o conhecimento quando compartilhado pode salvar vidas, ele excede o papel tradicional do médico ao esclarecer e educar, fazendo da linguagem um instrumento de cura. Seu talento para transmitir informações de saúde de maneira compreensível tem o poder de prevenir doenças e de transformar o cenário médico como um todo. É o que chamo de médico comunicador!

No consultório, Nobre transforma complexidades médicas em diálogos claros, fortalecendo o vínculo entre médico e paciente e aumentando significativamente a eficácia do tratamento. Na CBN Ribeirão Preto, onde apresenta o quadro CBN Saúde, sua voz ganha novas dimensões e se espraia pelos diversos rincões alcançados pelas ondas do rádio. Nos livros, usa de sua escrita qualificada para traduzir a complexidade da medicina em palavras que encantam e informam. Foi um dos editores do “Tratado de Cardiologia SOCESP”, que ganhou o mais prestigiado prêmio de literatura do Brasil: o Jabuti, na categoria “melhor livro de ciências da saúde”, em 2006.

Agora, com “Homem Médico” (Novo Século), Dr. Nobre se aventura ainda mais profundo no tecido da existência humana. Mais do que um relato, o livro é uma odisseia que celebra a resiliência, a empatia e os valores éticos que formam a espinha dorsal da medicina. Acompanhamos a jornada de Dr. Reinaldo, um médico cuja vida e prática são um espelho da própria alma da medicina – cheia de desafios, mas também repleta de triunfos silenciosos.

A escolha de Dr. Reinaldo de tratar pessoas e não doenças ressoa com um apelo por uma medicina mais compassiva, que vê cada paciente como um universo único de necessidades e histórias. Através da narrativa de Fernando Nobre, somos convidados a entender que a medicina é tanto uma arte quanto uma ciência – um equilíbrio delicado que poucos conseguem sustentar com tanta graça.

Dr Fernando Nobre, seu personagem Dr Reinaldo e o livro esperam você na Livraria da Vila, do Shopping Eldorado, nesta quinta-feira (dia 21 de março), a partir das 18h30.

Mundo Corporativo: Rebeca Toyama, da ACI, diz que líder sustentável preserva a saúde da empresa e dos colaboradores

Rebeca Toyama em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Pricila Gubiotti

“Para ser sustentável, você tem que construir uma carreira saudável.”

Rebeca Toyama, empresária

A necessidade de lideranças sustentáveis e carreiras saudáveis nunca foi tão evidente, considerando que estamos em um mundo onde o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal se torna cada vez mais desafiador. Esta foi a tônica da conversa com Rebeca Toyama, fundadora da ACI – Academia de Competência Integrativa e autora do livro “Carreira Saudável: a realização de se tornar um líder sustentável”, no programa Mundo Corporativo da CBN. A especialista trouxe à tona uma reflexão profunda sobre como as lideranças podem cultivar um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo, sem perder de vista o bem-estar e a autenticidade.

Cuidado para não ser um líder carrasco

“O líder tem que estar bem consigo mesmo para transbordar sustentabilidade e gerar resultados”

Rebeca destacou a importância de uma liderança que se preocupa não apenas com os resultados empresariais, mas também com o bem-estar da equipe e o próprio equilíbrio. Ela argumenta que muitos líderes acabam se esquecendo de si mesmos no processo, tornando-se “líderes carrascos” que prejudicam tanto a si quanto aos que os cercam.

A empresária ressaltou a necessidade de desmistificar a ideia de que sustentabilidade se refere apenas à consciência ambiental, apontando que “ninguém doente ou cansado vai conseguir pensar na equipe ou no meio ambiente”. Para ela, a sustentabilidade deve partir de dentro, baseada em autenticidade e bem-estar.

O desafio das carreiras saudáveis

A CEO da ACI chamou atenção para os alarmantes indicadores de burnout e suicídio, tanto dentro quanto fora do ambiente corporativo, evidenciando a urgência de repensar a carreira como uma fonte de bem-estar e não de estresse. 

“A carreira tem que ser saudável, senão os resultados não vão valer a pena”, enfatizou”

Para Rebeca é necessário mudar as práticas corporativas, onde o foco excessivo em produtividade muitas vezes esquece o elemento humano essencial para qualquer processo.

Rebeca Toyama, com sua visão inovadora e humanizada, trouxe luz a um tema crítico na atualidade corporativa, reforçando a necessidade de uma liderança que valorize o equilíbrio e a saúde não apenas da organização, mas também das pessoas que a compõem. A busca por uma carreira saudável e uma liderança sustentável emerge não apenas como um diferencial competitivo, mas como um imperativo para o bem-estar coletivo no mundo corporativo.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quintas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e também fica disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Avalanche Tricolor: entre o tedioso jogo e a glória literária

Grêmio 1×1 São Luiz

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Na iminência de mais uma Avalanche Tricolor, me vi diante de um dilema peculiar: dedicar minha atenção ao Grêmio que se desdobrava na televisão ou ao que repousava, imortalizado, sobre a mesa do meu escritório. O jogo mal-jogado, nesta tarde de sábado de Carnaval, fez inclinar minha balança de forma inesperada., infelizmente. Preferia ter tido uma escolha mais acirrada, daquelas que surgem sob o signo da incerteza, que exigem reflexão e, muitas vezes, nos proporcionam soluções criativas. 

A falta de criatividade no campo e o tedioso futebol de um time que parecia derreter no calor de 34 graus de Porto Alegre, desfez qualquer hesitação: o Grêmio eternizado em minha mesa revela-se superior. É um Grêmio de glórias, repleto de conquistas, batalhador e vencedor! Um time que supera limites, transcende a lógica e faz história. É um Grêmio que sofre! Em alguns momentos também é sofrível. Mas que, mesmo assim, merece a devoção de seus torcedores fervorosos e eloquentes.

Na minha mesa estão dois livros que merecem ser lidos pelos gremistas de todos os rincões. Os não-gremistas podem se atrever também, pois estarão diante de capítulos importantes da história do futebol brasileiro. Talvez fiquem com inveja, especialmente se tiverem oportunidade de ler “120 anos de glória”, livro comemorativo escrito por Léo Gerchmann. Um convite à reflexão sobre futebol, arte e Brasil se apresenta em “Onde o Grêmio estiver”, de João Campos Lima.

Minha sugestão é que você os compre agora, os dois. Desfrute da boa escrita de meus colegas de profissão e de torcida: Léo e João são jornalistas e gremistas apaixonados. Refletem essas duas baitas qualidades nos textos que me encantam neste feriado de Carnaval. Uma delícia de leitura que suaviza a amargura de um jogo tão insípido quanto o presenciado.

Em “120 anos de glória”, coube a Léo Gerchmann esbanjar o talento de um camisa 10, essencialmente ausente nos gramados atuais, para tecer de forma épica a história do Grêmio, tendo os 40 anos do título mundial como inspiração. O caminho que escolheu para nos entregar essa obra literária, ao escrever de forma não linear e entrelaçando fatos e paixões, é daqueles que só os craques da caneta são capazes. Faz um livro-arte com ilustrações de momentos incríveis e outros pouco conhecidos, imagens antigas e históricas, e textos que nos ajudam a explicar o amor que temos pelo clube. Léo transcende as quatro linhas utilizando esta chance singular para reiterar seu maior engajamento em favor do Grêmio: a confirmação da pluralidade do Clube de Todos. Uma luta que hoje se expressou na camisa 0 de Villasanti, em alusão à campanha “Zero Assédio”, focada na prevenção da violência contra as mulheres.

Em “Onde o Grêmio estiver”, João Campos Lima vestiu a camisa 5, que representa a coragem, a garra, o futebol sem medo, capaz de superar qualquer adversidade, protagonizado por Vitor Hugo, China, Dinho e Luis Carlos Goiano. Destemido, aceitou o desafio imposto por amigos de WhatsApp e arquibancada e se transformou em cronista do Grêmio na série B. Não a da Batalha dos Aflitos, que ele assistiu na casa de um vizinho quando era guri de calças curtas. A de 2022, sem graça nem glamour. De jogos duros de roer, time limitado, técnicos trocados e futebol claudicante. Tarefa árdua esta assumida pelo autor. Ao fim e ao cabo, sua audácia nos premiou com textos que, ao lado do desempenho do Grêmio em campo e nos bastidores, costuram fatos que marcaram o cotidiano de todos os brasileiros, destaques da arte e da cultura, e, sim, um paralelo muito bem traçado com a histórica jornada de 2005. Inclusive com coincidências que não reproduzo aqui para atiçar sua curiosidade.

Num e noutro livro, encontraremos as diversas nuances do nosso Grêmio, algumas históricas e outras apenas passageiras. Todas escritas com paixão, apuro e criatividade — qualidades que estiveram ausentes do Grêmio que se apresentou na minha televisão, neste sábado.