Luxo é o privilégio de viver novas experiências

 

Ricardo Ojeda Marins é novo colaborador do Blog do Mílton Jung e escreverá às sextas-feiras sobre o mercado de luxo. Administrador de empresas pela FMU-SP, Ricardo tem MBA em Marketing pela PUC-SP e, atualmente, cursa o MBA em Gestão do Luxo na FAAP. É, também, autor do Blog Infinite Luxury. Seja bem-vindo, Ricardo; e você, caro e raro leitor, faça bom proveito do conhecimento deste novo colega:

Luxo é tema fascinante que ganha relevância no cenário brasileiro e mundial. Para muitos, o termo ainda está associado à ostentação, riqueza, consumismo, glamour e, até mesmo, futilidade. O luxo, no entanto, vem sendo desmistificado, é objeto de estudo em diversos países, e os números mostram que deve ser visto como um segmento de negócios como tantos outros, com suas especificidades, é lógico.

 

Durante séculos foram muitos os significados para definir o que é luxo. Está ligado à magnificência, conforto, suntuosidade e demais conceitos que demonstrem exclusividade. Na antiguidade, o luxo era ostentado mediante as riquezas materiais de uma classe alta da sociedade, principalmente pelos reis. Era um luxo material, de posses de bens e prova de alto reconhecimento social. Atrelado à ostentação e ao excesso, no passado, hoje o luxo mostra-se evoluído e com um consumo emocional: é tratado não apenas no sentido de possuir bens ou produtos; passa a ser visto como a era do ser; um luxo subjetivo, no qual o consumidor busca, sem dúvida, o raro ou exclusivo, mas, principalmente, qualidade de vida, sensações e experiências, como o prazer de utilizar um bem ou um serviço, sem, necessariamente, ter o intuito de ostentação. Antes, o produto em si era alvo de desejo; hoje, a experiência que esse produto proporciona ao cliente tornou-se o diferencial. O luxo deslocou-se para o subjetivo universo do consumidor, repleto de sentimentos, necessidades e valores que envolvem especialmente o aprimoramento sociológico das pessoas.

 

Um exemplo interessante é o turismo de luxo. O hóspede desses hotéis não quer torneiras de ouro ou lustres e decoração requintados. Para ele, o luxo está nas experiências de bem-estar que o lugar oferece: spa, jantar romântico em praia privativa, gastronomia especial, a história do próprio hotel e, principalmente, o sentimento de ser único ao receber tratamento personalizado, conforme suas necessidades e desejos específicos.

 

No varejo de luxo não é diferente. Clientes preferenciais de marcas de prestígio recebem privilégios como acesso às coleções antes de seu lançamento oficial, atendimento privativo e vivenciam experiências incríveis no ponto de venda.

 

Além de buscar qualidade de vida e bem estar, o consumidor, atualmente, está envolvido em questões como responsabilidade social, preocupa-se com o meio ambiente e se interessa pela origem do produto que vai comprar. O desafio está lançado para as empresas que, além de oferecem produtos que agucem o desejo de seus consumidores e tenham valores sustentáveis em sua cadeia social e ambiental, devem estar preparadas não apenas para atendê-los, mas entendê-los, surpreendê-los e encantá-los.

 

Maquiagem, um luxo acessível

 

Por Dora Estevam

 

 

Uma das coisas que a mulher mais gosta é maquiagem. Fazer maquiagem sozinha, então, melhor ainda. Truques e toques, quem não quer saber? Existem milhares de vídeos na internet ensinado os passos para se fazer uma boa maquiagem. Em se tratando de produtos, vários, dos caros aos mais baratos, todos são irressistíveis. Em termos de funcionalidade, produtos que nem imaginamos, existem, e, hoje, estão disponíveis nas melhores casa do ramo.

 

Exemplos ?

 

Esfoliante para os lábios. Você passa o esfoliante, limpa e depois hidrata, deixando os lábios prontos para receber o batom.

 

Primer para os olhos: serve para fixar a maquiagem dos olhos.

 

Tem o primer da pele, também: prepara a pele para receber a base e os produtos.

 

O curvex: espalha os cílios para receber o rímel.

 

Aprendi tudo isso em um workshop com a talentosa maquiadora Bel Lücher, do salão de Marcos Proença e do Beauty Bar des Jardins, ambos em São Paulo. E aproveito para mostrar uma listinha básica de produtos que ela passou, os quais você precisa ter na sua necessaire. Em seguida, logo abaixo. um vídeo com os detalhes da palestra. Vamos lá!?

 

Para fazer sua própria maquiagem é preciso:

 

Para a pele:
– Limpeza com tônico ou demaquilante sem álcool e sem óleo (dica da Bel: com algodão macio)
– Base com filtro solar
– Primer (olhos e pele) – preparador de pele para receber o make – concentrar na zona T do rosto.

 

Para os olhos:

 

– Kit de sombras (escolha de acordo com a programação)
– Rímel (a prova d’agua ou sem)
– Curvex (para quem já sabe usar)
– Pincéis para depositar e esfumar

 

Blush e batom (as cores ficam a seu critério)

 

Opcional: cílios postiços se você tem vontade; é bem legal a ideia.

 

 

Básico do básico. Fácil não acham? Eu mesma já arrisquei alguns traços, vejam as minhas caras e bocas nestas fotos:

 

 

Use as referências da moda pra montar a sua caixinha de produtos favoritos, vejam estas fotos de desfiles, elas inspiram na hora da produção:

 

 

Estas referências são boas até mesmo para você saber que pode, sim, ser feita uma maquiagem em casa e ficar bonita. Como diz a Bel, errou, limpa, faz de novo. Se você gosta de determinada maquiagem tente fazer momentos antes de sair para não se afobar (eu fico meio afobada com as novidades). Nos olhos, por exemplo, a dica é sempre ir depositando a sombra aos poucos, principalmente no caso do esfumado preto. Não carregue de uma vez a sombra escura, vá fazendo ao poucos até chegar na cor ideal. A dica da pele também foi muito boa: ela faz uma preparação inicial, depois faz o olho, limpa o excesso com cotonetes e demaquilantes e só aí termina com uma boa base e corretivos. Tem também o iluminador que serve para dar um toque especial no canto lateral dos olhos, mas isso se for complicado deixa pra lá.

 

É isso, caso apareça alguma dúvida me avise, escreva aqui nos comentários e a Bel Lücher irá responder com o maior carinho.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Os números e as oportunidades, faça bom proveito

 

Por Abigail Costa

 

Nos últimos dias, por conta de alguns estudos, tenho me debruçado sobre números. O objetivo a ser atingido? Traçar expectativas para os próximos  anos no cenário econômico mundial. Pelo que diz meu professor e doutor no assunto Tharcisio  Bierrenbach nosso Brasil terá céu de brigadeiro … tudo azul … visão panorâmica de 180 graus. Sem falar nos outros com o vento soprando a favor como Rússia, China e Índia. Mas, aqui, não vou cruzar o oceano.  Vou ficar no nosso “mundinho”. Só ele dá pano pra manga! São números expressivos, que, sério, se dissessem isto lá atrás eu duvidaria. Agora, não tem como não acreditar. Estamos vivendo este momento.

 

Pesquisa de consultorias nacionais e internacionais apontam que até 2020 os brasileiros vão gastar R$ 1,3 trilhão  (sempre que escrevo um número assim fico imaginando a quantidade de zeros ou qualquer coisa que me desse a dimensão exata,  assim de forma enfileirada). Este cenário vai elevar o país para a condição de quinto maior do mundo. Imagine nós consumindo mais macarrão do que os italianos? Deixaremos os alemães de copos vazios, pois o consumo de cerveja por aqui será três vezes maior do que lá. Vamos comer, beber mais e melhor. E, também, vamos nos irritar muito mais no trânsito. Seremos o terceiro maior mercado de carros do mundo (quantos deles estarão assim de forma enfileirada, como os zeros do trilhão, no meu caminho, é melhor nem pensar). Outro setor que tem motivos para escancarar um sorriso é o mercado de cosméticos. O valor das vendas dos produtos para os cabelos só na cidade de São Paulo vai crescer o dobro do que na França. E os números seguem soprando a nosso favor de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Principalmente no Nordeste.

 

Então, é sentar e esperar pelo próximos anos? Não, não é bem assim. Quem quiser fazer parte dessa turma, vai precisar arregaçar as mangas, ter criatividade e ser diferente para se destacar no mercado. Ouvi semana passada frase da diretora de Recursos Humanos de multinacional do setor químico que me chamou a atenção: “a empresa não escolhe mais seus funcionários, hoje eles escolhem a empresa”. Mesmo assim, me contou ela, na companhia em que trabalha, há meses, 350 vagas estão a espera de candidatos. Falta é mão de obra especializada.

 

Como os números acima falam de previsão para daqui cinco, oito, dez anos, sinal de que ainda dá tempo de fazer parte desse time.

 

Aproveite a oportunidade!

 

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung aos domingos.

Organizada e sem pijama

 

Por Abigail Costa

 

Quando não tem ninguém para mandar em você, dizer “faça isso”, “seu prazo de entrega é até às quatro da tarde”… Se por perto não tem um chato desses (às vezes necessário) é bom começar a se movimentar e organizar seu tempo.

 

A questão aqui não é deixar as gavetas arrumadas, cada peça no seu lugar, cabides alinhados seguindo das cores fortes para as neutras. O começo da organização é pelo tempo, principalmente se para chegar no seu local de trabalho  você não precisa mais de carro, se livrou do trânsito e do chefe! Alguns podem dizer:

 

– Maravilha!
– Agora sou dono do próprio nariz!
– Faço as minhas tarefas a hora que quiser…

 

Esse “a hora que quiser” tanto pode ser um luxo quanto um perigo!!!

 

Li artigo que me chamou atenção e acendeu a luz da consciência!

 

Flexibilidade de horários e liberdade para escolher onde e como trabalhar… Uma pesquisa da American Community Survey apontou que entre os anos de 2005 e 2009, nos Estados Unidos, cresceu 61% o número de pessoas que trabalham fora do escritório – em casa, ou onde quiserem, usando a internet. E mais, em 2016, um em cada cinco americanos estará trabalhando fora de uma empresa.

 

Quando terminei de ler o trabalho da jornalista e estudiosa do comportamento feminino Cynthia de Almeida pensei: será que ela me viu trabalhando em casa? Alguém contou que fico de pijama muito além do que deveria? Que por não receber ordens entrego meus trabalhos quando quero? E que depois vem uma insegurança pelo tempo mal administrado?

 

Pra começar, já escolhi meu canto de trabalho. É preciso dar o primeiro passo. Agora, é perder uma mania deliciosa. O pijama, a camisola, tudo é muito gostoso mas na hora de dormir. Para ficar em casa, eu não preciso de salto alto. Mas de pijama, também não!

 

Comecei hoje.

 

Abigail Costa é jornalista, faz MBA de Gestão de Luxo na FAAP e escreveu para o Blog do Mílton Jung, neste domingo, ainda de pijama

Dá prazer de ver !

 

Por Abigail Costa

 

A gente trabalha porque precisa, mas se tiver prazer ajuda muito.

 

Às vezes, o sujeito nem chegou ao trabalho. E já está de cara fechada. No trânsito mesmo. Dá uma olhada para o motorista ao lado e você, certamente, verá alguém assim. Isso se este alguém não estiver atrás do seu carro dando luz alta para pedir passagem.

 

Essa é só uma introdução para falar que tem gente que encara o trabalho não como obrigação. O dinheiro, claro, é bem-vindo, mas é possível conjugar o verbo labutar numa boa. É sério! Conheço gente assim.

 

Val é personal trainer, acorda por volta das cinco da manhã, às seis está na academia ou no condomínio para dar aula. Além de deixar o aluno fisicamente em forma, Val funciona como terapeuta, daqueles bons! Dois anos de convivência e nunca vi esse cara de mal com a vida. Ele simplesmente gosta do que faz!

 

É muito bom quando encontro alguém que encara o trabalho como merecimento, um luxo.

 

Por vezes a TV me faz companhia, e nesses anos como jornalista aprendi a diferenciar o profissional que apenas está interpretando daquele que se coloca diante da câmera por prazer. Foi o que me chamou a atenção no programa “Encontro com Fátima Bernardes”. Na maioria das vezes estou de costas para a imagem, ocupada com outras coisas. Mas ouço. E o que escuto tem leveza, prazer na palavras.

 

Imagine terminar seu trabalho dando risadas !? Sabendo que amanhã tem mais !? E que aquilo que é bom hoje, pode ficar melhor ainda.

 

Abigail Costa é jornalista, faz MBA de gestão de luxo e escreve no Blog do Mílton Jung

Um luxo que atende pelo nome de João Braga

 

Por Abigail Costa

 

João Braga

 

Era o meu primeiro dia de aula no curso de Gestão do Luxo, na Faap.
Este é o professor de História da Moda. Assim João Braga me foi apresentado.
Suas primeiras palavras: desliguem seus iPads, iPhones; minha aula é diferente. É GLS – giz, lousa e saliva.

 

Logo pensei, ele é diferente!
Com o tempo percebi que João Braga era mais do que isso.
Ele é o luxo em pessoa.
Tem cultura invejável sobre o assunto, e sabe como ninguém passá-la a diante.

 

João é um contador de história, e a faz com maestria.
Lembro-me de sair de suas aulas, terças-feiras, mais pesada, carregada de conhecimento.
Com ele o assunto ganha ainda mais importância.

 

Por meio da história da moda, João demonstra as suas linhas de desenvolvimento, bem como as interações existentes entre a sociedade, a arte, a história e sua multidisciplinaridade. Relaciona os fatos da vida social, econômicos, cultural e política, associando visualidades ao fazer correlação dos acontecimentos com as silhuetas representativas de cada período.

 

As palavras acima são de Vera Lima, museóloga e pesquisadora, que escreve na apresentação do livro “História da Moda – uma narrativa”, publicado por João Braga. Ele ainda lançou Reflexões sobre moda, em quatro volumes – deliciosamente devorados em poucos horas!

 

Aqui não quero apenas dizer que ele é estilista e professor de História da Moda, História da Arte, História da Joalheria, Estética e Cultura de Moda da FAAP, Faculdade Santa Marcelina, IBModa e Casa do Saber. Quero espalhar que João Braga é uma dessas pessoas que passam pela vida da gente como um furacão, cheias de novidades!

 

Tive a oportunidade de fazer um curso de Arte e Moda, guiado por ele, em Paris, recentemente. João já levou centenas de interessados à capital Francesa. Uma cidade que conhece como a palma de sua mão. Ter a sua companhia pelos museus, ateliês de alta costura, restaurantes, passear pelos Jardins de Monet… é uma volta à história. Conheci uma Paris diferente, que se fez única ao lado dele.

 

Simples nas palavras, mestre no conhecimento.
João Braga é uma joia que guardo com muito carinho na lista dos meus luxos pessoais.

 

Termino com uma de suas frases preferidas: “e assim as coisa vão acontecendo…”
Depois de conhecer João Braga as coisas sempre acontecem…. Para melhor!

 


Abigail Costa é jornalista, faz MBA de Gestão de Luxo e escreve no Blog do Mílton Jung

Enviado via iPad

Recomeçar é um luxo

 

Por Abigail Costa

 

Eu queria ter na vida
Simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca
De varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer

 

E segue em frente o poeta dizendo que a busca pela felicidade é um luxo.
E é sobre esse assunto que eu vou comentar de vez em sempre: luxo.

 

De bate-pronto, o que é luxo pra você?
Alguém poderia responder, um jato particular.
Férias no Butão!
Um champanhe aberto em restaurante francês.
Uma semana numa ilha deserta.
Um fim de semana com os meus filhos e o telefone desligado.
Preparar um jantar para meu marido e dizer coisas que em anos não tive tempo de falar.

 

O luxo vai do que o dinheiro pode comprar ao imaterial.
A fé. O carinho. O tempo….
Aprendi dias atrás que o tempo é o luxo imaterial mais cobiçado, hoje em dia.

 

Sempre tive a ideia que quanto mais trabalho, mais produção; mais produção, mais dinheiro; mais dinheiro, mais felicidade?

 

Lembra daquela propaganda do Estadão na qual os amigos subiam numa baita montanha e ao chegar no topo gritavam: -Uhu!!!!! Uhu!!!!!! Depois de assistí-la, sempre me questionava: E agora? A cena parava lá em cima, mas o ponto de interrogação ficava aqui comigo. Eles querem o quê?

 

O que eu não sabia era que o topo era o luxo, naquele momento.
O ápice da felicidade era chegar lá. O resto era recomeço.
Recomeçar é um luxo.

 


Abigail Costa é jornalista e recomeçou a escrever no Blog do Mílton Jung

DASLU: o lado oculto na morte de Eliana Tranchesi

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, designa o tempo atual como Modernidade Líquida, constatando que “A mudança é a nossa única permanência. E a incerteza é a nossa única certeza”. O falecimento de Eliana Tranchesi confirma de certo modo a assertiva de Bauman. Houve mudança até no trato do pós-morte de Tranchesi ao se distanciar da tradição de se falar apenas o lado bom, mesmo que este tenha sido excepcional. Da dedicação plena à DASLU e à família, que se confundiu ao longo de sua existência, Eliana deixou um acervo invejável ao setor de Moda na área de divulgação. Ao mesmo tempo em que foi pioneira no estabelecimento do foco no “estilo de vida”. Aqui talvez a origem maior do sucesso e ao mesmo tempo da repugnância ao luxo exalado pelo seu negócio, por parte de uma grande maioria. A imprensa e também o público em geral. Afinal de contas seu segmento de mercado sempre foi o do luxo e, num país com grandes desníveis de renda e de cultura, a percepção da emoção e da provocação pode estar num mesmo quarteirão.

 

Ao definir prioritariamente o seu negócio pelo “life style” elegendo a classe mais sofisticada como o seu mercado, foi ao encontro das marcas mais expressivas do mundo. E conseguiu respeito e admiração profissionais, trazendo ao Brasil todo o espectro da Moda de luxo, introduzindo a alta qualidade, que serviu de inspiração às mais expressivas marcas nacionais. No exterior era reconhecida e cortejada pela quantidade e qualidade de produtos que operava. Em nosso país foi seguida nas principais cidades com réplicas de sua operação paulistana. Na loja em São Paulo exibia um atendimento adequado ao público alvo, ao mesmo tempo em que propiciava à sua equipe, de copeiras às Dasluzetes, carinho especial na melhor relação empregador e empregado.

 

Chegou ao ápice quando conseguiu reunir todos os departamentos em um prédio de 17mil metros quadrados, totalmente planejado para atender de forma especial os seus clientes especiais. A tal ponto que detalhes e mais detalhes, como que para confirmar a expressão norte americana, de que “Retail is detail” eram as vedetes da Vila Daslu. Não havia corredores com o intuito de levar o visitante a todos os espaços e evitar também a visita de curiosos. Eram mais de 300 marcas internacionais e marcas nacionais das mais importantes, além de uma coleção DASLU com produtos feitos aqui e preços mais acessíveis. No setor feminino não entravam homens. Em compensação o público masculino se servia de mimos como café italiano, uísque 18 anos, prosecco italiano, etc. Esta megaloja que também vendia automóveis especiais, imóveis de luxo, eletrônicos de vanguarda, helicópteros, não durou 40 dias. Mas esta é a parte da história que todos já sabem.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

O universo particular do luxo

 

Por Dora Estevam

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Neste domingo, São Paulo, Jardins – Oscar Freire, Haddock Lobo, Bela Cintra e Sarandi, o quadrilátero mais chique da cidade -, será cenário do maior evento de luxo aberto ao público, do País. Os visitantes, estimam perto de 10 mil pessoas, vão receber tratamento VIP e passar momentos valiosos ao lado de pessoas que se encantam com a riquíssima variedade de lojas da região.

O cenário mais apropriado recria nestas ruas um típico e charmoso passeio pelos palácios franceses. É a quarta edição do evento no qual o público terá acesso às novidades da moda, da arte, da cultura e entretenimento – da gastronomia, também, esta não poderia faltar, são 23 restaurantes. Quem recebe a todos é a marca de champanhe Promenade Chandon, que estará presente nas 34 lojas que participam da festa e terão sua vitrines “vestidas” especialmente para o momento.

Pensando em luxo e falando nele, lembrei-me de uma entrevista que li na revista Poder, nº28, com o CEO da Louis Vuitton, Monsieur Carcelle. Ele recebeu a Poder e conversou 15 minutos sobre a marca. Entre uma pergunta e outra, o repórter quis saber qual a importância do mercado de luxo, já que a Marca Vuitton é das mais valiosas neste mundo diferenciado. É um império de 449 lojas próprias. Faz ideia? Bem, Monsieur respondeu: “Luxo para nós é traduzido por ‘treat yourself’ ” – ou seja, mime-se. Mimar-se mesmo em tempos de crise, resume o CEO.

Deve ser por isso que quando estamos chateadas saímos correndo às compras.

Vamos ao dicionário verificar o que significa luxo. Está no Aurélio:

“Luxo, vida que se leva com grandes despesas supérfluas e o gosto do conforto excessivo e do prazer. Bem ou prazer custoso.”

Vamos à prática: você acha que bom gosto e personalidade no vestir são artigos ou comportamento de luxo? Você acha que ter uma parede repleta de livros do chão até o teto é luxo? Como você vê o luxo?

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Este é o estúdio do estilista Karl Lagerfel em Paris, repleta de livros em todas as paredes, fotografado por Todd Selby.

É claro que se a pessoa estiver só olhando pra baixo a visão será sempre de pobreza, de miséria, de lamúrias, de gente derrotada que se se encosta nas outras. Pra estas o luxo é um absurdo, é um desperdício de dinheiro. Mas não dá para negar que o luxo existe e tem muitas, milhares de pessoas que são luxuosas, que gastam mesmo, sem dó. E com elegância.

Vai me dizer que nunca cobiçou um belo carro projetado no melhor estilo, da melhor marca, provocativo e eficiente. Ah, tá ! Então, que tal uma viagem inesquecível, sem erros. Com a bagagem toda recheada com os melhores produtos de beleza, estilo e conforto do mundo. E as joias, os relógios: impossível nunca ter desejado um sequer.

Uns dirão: o luxo não sustenta a alma, ninguém vive dele … este lugar-comum todo. Pois eu digo: você só conhece a pessoa quando ela tem dinheiro.

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Veja a modelo Gisele Bundchen, saiu do Sul do País, com uma mão na frente e outra atrás, não tinha grana para comer, morar, a família era bastante humilde, com maneiras bem simplórias, lá da roça, e, no entanto, hoje nada no dinheiro – por, favor, no sentido figurado. Acaba de construir uma casa na Califórnia para morar com o marido e filho no valor de US$41 milhões. Imagina tudo isso. É puro luxo.

É a tendência natural de quem ganha dinheiro. Bem entendido, de quem ganha muito dinheiro. E se ganha e na bagagem leva muita cultura, ai então o luxo não tem limite.

Exemplos aqui no Brasil é o que não faltam. A começar ou comparar jogadores de futebol, cantoras e cantores populares. Assim que se tornaram celebridades, o consumo aumentou, de compras que vão desde mansões até jatos particulares. Sim, é preciso um alerta: do luxo pro brega é um erro só.

E antes que alguém critique: não estou me referindo a cafonices ou a deslumbramentos. Lembra-se do significado de luxo?

Queridos e queridas, se vocês não tiverem um compromisso neste domingo (das 17h30 às 20h30) – e estiverem aqui por São Paulo – vão até os Jardins, tomem uma taça de Chandon e tenham uma aventura com classe. Eu sei que no fundo, no fundo você é um cliente exigente e faz questão da pura sofisticação.

Dora Estevam é jornalista é escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Grátis para todos, luxo para poucos

Por Carlos Magno Gibrail

Comabte à piratariaÉ o futuro. Pelo menos é o que Chris Anderson – editor da revista “Wired”, ganhador do prêmio “General Excellence” em 2005, quando foi “Editor do Ano” pela revista “Advertising Age”, e autor de “A cauda longa” e “Free o futuro dos preços” – prevê.

E não é tarefa difícil, pois basta um pouco mais de atenção ao nosso redor para identificarmos que empresas gigantes como Google, You Tube e Financial Times oferecem produtos grátis e mesmo assim são bilionárias. Talvez até por isso mesmo.

A degustação de produtos é o princípio básico, que evoluiu para amostras grátis de parte de produtos e serviços, em quantidade ou qualidade incompleta, ficando a seqüência para ser financiada por quem comprá-los.

Antes disso, no início do século passado a gelatina Jell-O de Frank Woodward e a lâmina de barbear de King Gillette, apenas se implantaram depois da distribuição gratuita e maciça de livro de receitas, e de acoplar ao aparelho de barbear brindes a um preço muito baixo.

Mas, isto é passado, neste início de século XXI o grátis está centrado na redução de custos e na vantagem da divulgação em massa de marca e produto. Um transistor custava, em 1961, US$ 10, hoje US$ 0,000015. Se esta proporção tivesse atingido Gillette, provavelmente ele teria que vender espuma de barba acompanhada do aparelho e da gilete grátis.

Custos baixos geram abundância, que por sua vez acarretam escassez. É uma das leis da Economia. Herbert Simon em 1971, no início da Era da Informação observou que informação em grande quantidade implicaria na carência da atenção. Quanto aos produtos, para uma grande quantidade teremos uma comoditização generalizada, acarretando preços baixos ou aquém da linha de seus custos. A água de marca, o café Premium em contraponto ao grátis servido nas empresas, são bons exemplos citados por Anderson.

www.flickr.comphotosmathieustruckE, aqui há espaço propício para lembrar Abraham Maslow que em 1943 apresentou a genial pirâmide das necessidades humanas. Preenchidas as básicas surgem novas e cada vez mais sofisticadas e intangíveis. O que corrobora o raciocínio de que a abundância e facilidade de consumo criam a perspectiva do surgimento de produtos e serviços “Top”.

Chris Anderson na “Wired” usa o que chama de modelo “freemium”. Foi o que explicou ao jornalista Sérgio Dávila, de Washington para a Folha em agosto de 2009: “O que está na www.wired.com é de graça, faturamos um pouco com a publicidade on-line, e isso levanta assinaturas para a revista, que é o nosso “Premium”. A revista é mais que palavras, é um pacote visual, com fotos, arte e um conceito de edição. De graça você não tem o pacote”. Enquanto que o seu “Free o futuro dos preços” ficou inicialmente na internet disponível para leitura e cópia, agora está no “audiobook”. Quem quiser ouve o livro todo, ou entra no site www.elsevier.com.br e lê o prólogo e o primeiro capítulo.

Sobre a pirataria, um grande mal para a economia, Chris alerta que são os piratas os primeiros a usar a distribuição gratuita. No caso brasileiro demonstrou conhecimento ao afirmar que nem toda a pirataria é real, citando o “tecnobrega”, onde os autores autorizam os camelôs para reprodução e venda de CDs sem pagamento.

No vestuário a pirataria complica mais, principalmente quando a qualidade não é grosseira. Dipa di Pietro, ex-diretor de produto da Nike e atual Diretor de Branding do GEP (Cori, Luigi Bertolli, M) nos informou que credita a visível atuação de camelôs e ruas especializadas à legislação brasileira. Branda na concepção e falha na execução. Uma pena, pois de sua experiência internacional de Nike sabe que um bom policiamento em faccionistas e pontos clássicos de distribuição levam a uma vitória sobre os piratas.

Niger RomaRestaria apenas o flanco dos consumidores, que podem até levar produtos similares, mas o luxo não irá junto. Talvez com o “Premium”, se tiver agregado ao que Manoel Alves Lima, CEO da FAL Falzone & Alves Lima, chamou de mimos e gentilezas, ao interpretar os especialistas da 99ª NRF National Retail Federation, realizada em New York no mês de janeiro e exposto em seminário na terça passada em São Paulo.

O novo paradigma do Luxo foi o tema que Alves Lima presenciou com Stephen Sadove, CEO da Saks. Este ponderou que seus consumidores buscam a exclusividade no produto e no ponto de venda, onde apenas estão disponíveis produtos que guardam valor e transferem prestígio sob marcas ícones em suas especialidades.

Para Lima, que traduz o clássico “Retail is detail” como “UMPC”, Um Muito de Pequenas Coisas, chega a este novo Luxo. É uma loja de roupas baratas disponibilizando um estilista famoso gratuitamente para ajudar as compras individuais. É um banheiro de Supermercado impecavelmente limpo com flores frescas. É uma loja de aparelhos que se dispõe entregar e instalar a compra recente, imediatamente na residência do comprador.

Hoje, temos exemplos em quantidade de produtos e serviços grátis, começando pelo rádio, datado de 1920, passando pela TV, pela internet, pelos e-mails, pelos cartões de crédito, pelas passagens aéreas. E essa relação não terá fim. O luxo virá também, mas não de todos nem para todos. Como fornecedor ou consumidor é bom ficarmos atentos. Vale a pena. Poderá ser um luxo!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung oferecendo-nos seu conhecimento e experiência de graça. Não é um luxo !