Parque do Caxingui: devastação não desanima o cidadão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As árvores que ocupavam o espaço destinado à obra dos edifícios da Cury construtora já não existem mais. Tratores e serras elétricas se incumbiram eficientemente da tarefa de devastar mais um pedaço de natureza da cidade.
O cidadão que não esmoreceu ante a ameaça de destruição, agora de posse da realidade da destruição efetivada, marcou posição na quarta-feira, da semana passada, e nesta segunda-feira com manifestações públicas. Ao mesmo tempo acionou o Ministério Público Estadual e recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

 

Daí a Promotora de Justiça Teresa de Almeida Prado Franceschi e da Analista da Promotoria I Natalia Rosa Pelicciari ajuizaram ação civil pública contra o Munícipio de São Paulo, Monterey Incorporadora SPE Limitada e Guaira Materiais de Construção e Administração Ltda. Com o objetivo de apurar os danos causados em meio ambiente protegido. E,impedir que a devastação continue em outras partes da área.

 

De outro lado, a causa acolheu o reforço do vereador Gilberto Natalini do PV, e ex-secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente da atual Administração. Natalini, quando secretário, procurou cassar a licença do empreendimento, mas a municipalidade julgou que não tinha direito legal para tanto. Natalini em agosto saiu da equipe de João Doria por suspeitar de compensações ambientais efetivadas de forma irregular.

 

Gilberto Natalini mantendo o apoio à causa entrou com Ação Popular, com pedido de liminar.

 

A expectativa é que as liminares encaminhadas possam ter a mesma eficiência e rapidez que os tratores e moto serras tiveram ao derrubar árvores e destruir nascentes.

 

A esperança é que se possa recuperar através de novo plantio a exuberância da mata perdida.

 

A dúvida é que se o dito popular “A justiça tarda, mas não falha” ainda vale no combalido Brasil de hoje.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

Conte Sua História de São Paulo:

 

Por Neivia Justa
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Era 1984 e eu passava férias na cidade de São Paulo, pela primeira vez, na casa de amigos dos meus pais. O Brasil fervilhava com o comício das Diretas Já na Praça da Sé.  Fiquei fascinada pelo astral e o mundo de possibilidade da terra da garoa.

 

Foi nessa época que também caí de amores pelos sabores do Almanara, o friozinho e os morangos de Atibaia, e a maestria do Fagundes encenando Morte Acidental de um Anarquista.

 

Política, comida, diversão e arte.

 

Tive a certeza de que São Paulo era o meu lugar no mundo, apesar da inexistência de qualquer vínculo ou passado que nos unisse. Não nasci aqui. Meus amigos de infância, adolescência e faculdade não são daqui. Sou do Nordeste, do Ceará, de Fortaleza, Santa Quitéria, João Pessoa, Natal, Recife, Garanhuns, Maceió.  Minhas lembranças dessa fase têm cheiro e sabor de maresia, dunas de areia branca, sol, brisa, cores fortes, música, alegria e uma família gigante.

 

São Paulo foi a minha escolha de vida adulta. Minha alma paulistana falou mais alto que qualquer raiz. Aqui eu construi minha carreira e minha família.  Sou completamente apaixonada por essa cidade, onde tudo é possível.

 

Um extrato do mundo. Uma megalópole que nunca me intimidou. Ao contrário, me desafia e me seduz um pouco mais a cada dia. Há quase 24 anos. Apesar dos pesares. Do cinza. Do céu sem estrelas. Do trânsito caótico. Da violência urbana.

 

Adoro a diversidade cultural, intelectual, religiosa, gastronômica, espiritual, sensorial, profissional que a cidade oferece. Sempre me emociono com a beleza das árvores, do pôr do sol e das noites de lua cheia que vejo e vivo por aqui.

 

Morro de orgulho das minhas filhas paulistanas.

 

Neivia Justa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br. A narração é de Mílton Jung e a sonorização de Cláudio Antonio.

São Paulo, 62 anos depois

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Assistindo às agressivas manifestações de repúdio ao Prefeito e ao Governador do Estado, na celebração do aniversário da Cidade, no mesmo local em que, há 62 anos, foi inaugurada a Catedral de São Paulo, comemorando também o aniversário da capital paulista, a comparação entre as épocas é inevitável, principalmente para quem vivenciou o passado.

 

E parece-me que São Paulo retrocedeu.

 

Em 25 de janeiro de 1954, com 12 anos, há sete chegado de Paraty, assumi a cidadania paulistana. Nos primeiros minutos do dia os sinos começaram a repicar, em seguida as sirenes das fábricas juntaram-se ao som que anunciava os 400 anos da aniversariante.

 

Participei do desfile cívico militar, no Vale do Anhangabaú, pelo Liceu Coração de Jesus, onde se deu a queima de fogos e a chuva de prata. O povo de São Paulo estava nas ruas. Em festa!

 

São Paulo começava a assumir a liderança econômica do país.

 

“Foi o ano da vanglória e do ufanismo paulistano” disse Roberto Pompeu de Toledo. “São Paulo se vingava em alto estilo dos muitos anos de atraso e ostracismo no panorama das cidades brasileiras”.

 

Durante todo aquele ano, houve eventos e inaugurações relacionados com o Quarto Centenário: Grande Prêmio em Interlagos, Companhia de Balé especial para a data, inauguração do Parque Ibiraquera, projetado por Oscar Niemayer, Feira Internacional da Indústria.

 

São Paulo destoava do todo. O país passava por grandes problemas políticos. O presidente Getúlio Vargas era acossado por Carlos Lacerda com graves denúncias de corrupção.

 

Se hoje no âmbito nacional a situação não é diferente, no municipal e estadual estamos diante de crise econômica, administrativa e de segurança ímpar.

 

É incompreensível, por exemplo, que depois de tantos flagrantes fotográficos e cinematográficos não se puna ninguém entre o Black Blocs. Ao mesmo tempo, a população não pode continuar a ser vitima de um punhado de adolescentes. E, é claro, a responsabilidade é das autoridades, que se não agirem rapidamente e a contento, estarão sujeitas a garrafas pet onde aparecerem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Luxo pode ser para poucos, mas honestidade é para todos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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“O jeitinho brasileiro” é um dos principais slogans que acompanham o Brasil. Pode ser interpretado de várias formas: boas e ruins, claro. Se por um lado, o brasileiro tem garra e luta por seus objetivos – o que é incontestável -, infelizmente, essa expressão também nos remete a algo que ocorre comumente por aqui: “dar um jeito” carrega consigo a ideia de burlar leis, furar filas, encontrar atalhos, ser favorecido, ter atendimento privilegiado em prejuízo a outros cidadãos.

 

Observando os protestos realizados no último domingo, 15 de março, bem como as manifestações que marcaram 2013 – e, diziam, ironicamente, terem se iniciado pelos famosos 20 centavos na passagem do ônibus -, noto que as pessoas tem comportamentos contraditórios, algumas chegam a assustar tamanho o desconhecimento. É fundamental que nosso povo seja politizado (quem sabe um dia) e lute por seus direitos, mas é lamentável ver que se cobre do governo o que muitos de nós não exercemos: a honestidade. Pouco adianta pedir mudanças no comportamento das autoridades, se no dia a dia agimos com desonestidade. Um dinheiro para o guarda de trânsito nos livrar da punição, propina para liberar a carteira de habilitação cancelada por excesso de multas, estacionar em vagas para pessoas com deficiência, gorjeta para agilizar o atendimento na delegacia ou repartições públicas são apenas alguns exemplos de atos ilegais que ocorrem no cotidiano.

 

O problema é que para desenvolvermos uma consciência cidadã é preciso muita educação. E com o governo que temos atualmente, inclua-se nesta crítica todos os que vieram antes, investir nesta área não é prioridade. Por isso, difícil ter alguma previsão de que um dia nos tornaremos politizados. Também acho incrível a quantidade enorme de brasileiros que postam artigos em seus perfis nas redes sociais muitas vezes sem saber exatamente o que estão falando ou sem conhecer nossa história. Deixo claro que sou a favor dos protestos e, obviamente, não estou satisfeito com a situação atual do país e da forma como vem sendo governado (ou seria, roubado?). Porém, penso que devemos fazer nossa parte, mudar essa mentalidade de querer levar vantagem em tudo. Não apenas pregar e cobrar honestidade, mas agir com honestidade, ensinar às próximas gerações de que este valor não é um luxo, coisa para poucos. É uma obrigação de todos!

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Manifestações, invasões e depredações legais?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Ontem em SP foram realizadas desocupações na Líbero Badaró e na Consolação. Antes de ontem, foi a vez do Portal do Morumbi. Em todas, os invasores reclamaram da falta de aviso para a ação judicial que foi executada.

 

No Rio, na semana passada foram libertados os manifestantes e depredadores nos movimentos contra a COPA. E, Sininho e Camila, líderes do movimento denunciaram respectivamente, através da imprensa, as autoridades de elaborar um processo de acusação com “abobrinhas e histórias surrealistas”, e de plantar “provas”.

 

Situações estas, que se não fossem prejudiciais à civilidade, estariam contribuindo à comicidade. MTST de Boulos e LPM de Lima invadem propriedade alheia sem pedir licença e querem ser avisados em dia e hora para sair. Sininho e Camila querem destruir o sistema vigente, anarquistas por convicção, mas exigem o sistema para que sejam respeitadas.

 

O MTST colocou barracas sem ninguém dentro. Apenas para fazer número. Os que estavam agindo foram protestar contra a TIM. Só depois perceberam que sinalizavam a propriedade e uso de celulares e se recolheram.

 

A LPM teve o seu líder, Ricardo Luciano Lima salvo de linchamento pela PM de seus próprios correligionários, que o acusaram de estelionato, segundo matéria da CBN. A FIP Frente Independente Popular e a OATL Organização Anarquia Terra e Liberdade, são lideradas por Sininho e Camila. Ambas negam a liderança. A cineasta Elisa Quadros, incitou a por fogo na Câmara Municipal. “Entretanto a sua mãe, a psicóloga Rosoleta de Quadros, disse: “Criaram um personagem, a Sininho, para demonizar os movimentos”“.

 

Camila é a Dra. Camila Jourdan, Coordenadora do Pós Graduação da UERJ de Filosofia, e propõe a anarquia. Inclusive ao movimento que pertence. Ao mesmo tempo se intitula porta voz do povo injustiçado pelo sistema atual.

 

Diante de tanta perplexidade, simplicidade seria o melhor caminho. Uma pergunta: Quem financia esta gente toda? Uma ação: Requisitar e analisar todas as imagens disponíveis.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Protestando contra os protestos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Segunda-feira, no momento em que o Jornal Nacional publicava o editorial sobre a morte cerebral do cinegrafista Santiago Andrade e a Band o homenageava, as demais emissoras, comovidas, externavam pesares e revoltas, ao mesmo tempo em que mostravam no centro do Rio, no mesmo local, a mesma violência que gerou a barbárie então condenada. Sinal evidente de que nada mudou e nada mudará, a não ser que surjam competência e moral novas para romper a anarquia implantada.

 

Nada contra as manifestações, entretanto quando se evidencia que não se consegue neutralizar a ação de bandidos que usam máscaras e armas nem mesmo as suas origens, é hora de pensar seriamente. O ministro do STF Marco Aurélio Mello, em entrevista à Veja, diz que a culpa é da sociedade, pois é ela quem vota. Segundo ele ao invés de ir para a rua o povo deveria ir para a urna, embora reconheça que há ajustes a fazer. O financiamento das eleições permitindo a doação de empresas, a compostura dos debates políticos focando em ataques pessoais enquanto os reais problemas não são analisados, são alguns itens que precisarão ser ajustados. Eis aí um caminho que poderá ser aperfeiçoado com o voto não obrigatório, que deverá tirar parte dos eleitores que não entendem e/ou não gostam de política. Sistema, aliás, que é usado na maioria dos países mais civilizados do mundo.

 

Para iniciar e completar a receita civilizatória se deveria exigir do Poder Legislativo uma postura mínima de convivência no trabalho que lhes compete, em forma e conteúdo. Obrigando deputados e senadores, a sentar em suas cadeiras, na metáfora e na realidade, e educadamente prestar atenção aos oradores. A semelhança das imagens entre as sessões do Congresso e as manifestações de rua é evidente. Todos de pé, em grupos, uns gritando outros assistindo. Alguns mais afastados mexendo em eletrônicos. Ninguém atento ao principal.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Rolezinho é “legal”, mas pode ser ilegal

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As manifestações de adolescentes em Shopping Centers, iniciadas na periferia de São Paulo e recentemente chegadas à zona central, dependendo do observador, podem ser legais ou ilegais. Esta dualidade pode ser testada na Folha de ontem quando, no mesmo jornal, dois articulistas se posicionaram de forma diversa.
Mauro R. Penteado, professor de Direito Comercial da USP, baseado na Constituição Federal, afirma que os rolezinhos atentam contra os direitos coletivos e também ao direito garantido à propriedade e à iniciativa privadas. Além de registrar que há espaços públicos outros que podem servir a estes jovens.

 

Pedro Abramovay, diretor da Open Society Foundations, ONG fundada por George Soros, cujo lema é trabalhar na construção de tolerantes e vibrantes democracias, diz que a liminar que proibiu o rolezinho no Shopping JK assegura o direito à segregação. Afirma ainda que o juiz que decidiu ouviu apenas a parte do Shopping, e os jovens tem o direito de reivindicar espaços melhores.

 

A Prefeitura de São Paulo através de Haddad se antecipou e sinalizou simpatia pelo movimento dos jovens, indicando que não quer complicações maiores.

 

Como é de se esperar, a opinião pública é fragmentada, tal e qual as elites que a representam como vimos acima, pois interpretam os fatos de acordo com os conceitos ou interesses enraizados. É difícil eliminar o juízo de valor pré existente.

 

Entretanto, se houver competência dos Shoppings e do Poder Público acredito que a solução venha imediatamente. Assim como acredito no velho e bom chavão de que o direito de cada um vai até o limite do direito do outro. É bom lembrar que os Shoppings representam o grande capital, mas dentro dele também há pequenos empreendedores que sobrevivem do trabalho diário.

 

Particularmente, espero que os rolezinhos tenham efetivamente a pureza que a turma do social está acreditando, e em breve o varejo paulista que já passa por um momento desafiante, possa voltar à normalidade.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

O rabugento e o Black Bloc

 

Por Milton Ferretti Jung

 

É possível que eu,com o passar dos anos, tenha me tornado um velho rabugento. Afinal,no dia 29 do mês que termina exatamente no dia em que esta coluna está sendo postada pelo meu filho,no blog que ele comanda,completei 78 primaveras,se é que aniversário de idosos faça jus a esse eufemismo. Por que estou fazendo a confissão sobre possível rabugice que se lê na primeira frase do meu texto? Explico:há coisas e loisas ocorrendo nas principais cidades brasileiras que não consigo suportar. Vou citar,para início de conversa,as mais preocupantes,isto é,os movimentos sociais que foram deturpados das mais diversas e assustadoras maneiras.

 

Quando, bem intencionadamente começaram,tenho certeza de que tiveram apoio da maioria. Bastava que fossem divulgados na internet, para serem vistos com bons olhos. Aos poucos,porém,a infiltração de maus elementos foi alterando o propósito dos jovens idealistas que estiveram na sua origem. O que se tem visto em matéria de imagens terríveis mostradas na internet,na mídia impressa e televisiva,forçosamente estão deixando todas as pessoas de bem preocupadíssimas e se perguntando como isso irá terminar.

 

Não existe metrópole em nossa terra que não venha vivendo maus momentos diante daquilo que testemunhamos com frequência inimaginável. Lembro aqui apenas dois exemplos dos desmandos cometidos pelo tal de Black Bloc e quejandos:o protesto,em São Paulo,chamado de Ato do Movimento Passe Livre,em meio ao qual um coronel da Polícia Militar foi agredido por manifestantes (?) e ainda teve a sua pistola e o radiocomunicador roubados. Em outro,mais apavorante,no mínimo dois caminhões foram incendiados e dois ônibus acabaram queimados na rodovia Fernão Dias,esse em protesto feito por moradores da Vila Medeiros pela morte de um adolescente,baleado por um PM.Eu poderia citar,também,o vandalismo que vem acontecendo na casa do prefeito de Porto Alegre,José Fortunatti. Sua residência tem sido pichada e apedrejada. Os seus vizinhos são igualmente prejudicados.

 

As Polícias Militares – é o que se nota em várias cidades – talvez por já terem sofrido críticas,em muito incidentes não reagem com o rigor que se faria necessário,tanto para evitar a ação dos vândalos quanto dos ladrões oportunistas que se aproveitam da destruição de estabelecimentos comerciais para roubá-los descaradamente.

 

Em um dos editorias do dia 29 de outubro,no jornal gaúcho Zero Hora,lê-se esta frase com a qual concordo:”Os depredadores já passaram do vandalismo à tentativa de assassinato e isso sociedade alguma pode aprovar. Será que apenas eu,agora um ano mais velho,não tenho carradas de razão para estar rabugento?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Assembleia de SP é cega, surda e cara

 

Texto originalmente escrito para o Blog Adote São Paulo

 

A revelação de que os deputados estaduais de São Paulo aumentaram em R$ 4,3 milhões os gastos anuais da Assembleia Legislativa com a criação de gratificação de desempenho a ser paga aos funcionários dos seus gabinetes soa como provocação, um mês após assistirmos às maiores manifestações de rua do País. O valor equivale ao custo do auxílio-paletó e auxílio-moradia, benefícios que eram pagos aos parlamentares e foram cortados após ação do Ministério Público Estadual. O primeiro era pago duas vezes ao ano, no mesmo valor dos vencimentos mensais dos deputados, transformando-se em 14º e 15º salários, e o segundo, no valor de R$ 2.850, era pago mensalmente para cobrir gastos com aluguel na cidade, mesmo àqueles que moravam na capital e Região Metropolitana. Neste caso, a Assembleia rapidamente criou o auxílio-hospedagem, com o mesmo valor anterior, mas apenas para os que residem fora da Grande São Paulo.

 

Por falar em agilidade dos deputados, a mesma não se percebeu em ações para responder às reclamações das ruas. Na Casa, nenhuma medida foi aprovada até agora no sentindo de atender as demandas que surgiram durante os protestos, em São Paulo. Mas para isso os deputados têm uma explicação: com a revogação do aumento das passagens de trens e metrô, decidida pelo Governo do Estado, nada mais havia a fazer, dizem eles (qual parte do “não é só pelos R$0,20″ que eles não entenderam?). Além disso, justificou o presidente da Assembleia, deputado Samuel Moreira (PSDB): “por conta de uma legislação concentradora de poderes ao Executivo, as assembleias ficam engessadas em sua capacidade de legislar”.

 

Como parece que a Assembleia e seus 94 deputados são cegos e surdos às manifestações, faço aqui algumas sugestões que estão ao alcance da Casa, por mais que digam estar “engessados” pela legislação. Vamos começar por reduzir os gastos dos gabinetes, diminuir o número de funcionários e cargos comissionados, em lugar de criar gratificações. Também devem aumentar a fiscalização dos atos do Governo do Estado e investigar denúncias de irregularidades importantes, em vez de criarem CPIs irrelevantes. Precisam tornar mais transparentes as ações adotadas na Casa e abrir as portas para a participação popular, em lugar de tapar olhos e ouvidos para o que diz o cidadão.

 

A propósito, sem ação, a Assembleia além de cega e surda, também se torna cara.