Rolezinho é “legal”, mas pode ser ilegal

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As manifestações de adolescentes em Shopping Centers, iniciadas na periferia de São Paulo e recentemente chegadas à zona central, dependendo do observador, podem ser legais ou ilegais. Esta dualidade pode ser testada na Folha de ontem quando, no mesmo jornal, dois articulistas se posicionaram de forma diversa.
Mauro R. Penteado, professor de Direito Comercial da USP, baseado na Constituição Federal, afirma que os rolezinhos atentam contra os direitos coletivos e também ao direito garantido à propriedade e à iniciativa privadas. Além de registrar que há espaços públicos outros que podem servir a estes jovens.

 

Pedro Abramovay, diretor da Open Society Foundations, ONG fundada por George Soros, cujo lema é trabalhar na construção de tolerantes e vibrantes democracias, diz que a liminar que proibiu o rolezinho no Shopping JK assegura o direito à segregação. Afirma ainda que o juiz que decidiu ouviu apenas a parte do Shopping, e os jovens tem o direito de reivindicar espaços melhores.

 

A Prefeitura de São Paulo através de Haddad se antecipou e sinalizou simpatia pelo movimento dos jovens, indicando que não quer complicações maiores.

 

Como é de se esperar, a opinião pública é fragmentada, tal e qual as elites que a representam como vimos acima, pois interpretam os fatos de acordo com os conceitos ou interesses enraizados. É difícil eliminar o juízo de valor pré existente.

 

Entretanto, se houver competência dos Shoppings e do Poder Público acredito que a solução venha imediatamente. Assim como acredito no velho e bom chavão de que o direito de cada um vai até o limite do direito do outro. É bom lembrar que os Shoppings representam o grande capital, mas dentro dele também há pequenos empreendedores que sobrevivem do trabalho diário.

 

Particularmente, espero que os rolezinhos tenham efetivamente a pureza que a turma do social está acreditando, e em breve o varejo paulista que já passa por um momento desafiante, possa voltar à normalidade.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

8 comentários sobre “Rolezinho é “legal”, mas pode ser ilegal

  1. Carlos

    Normal ver uma turminha de jovens adolescentes passeando em shoppings, dando risadas, curtindo suas lanchonetes e lojas preferidas sem molestar os outros frequentadores, sem perturbar a paz e o sossego publico.
    Baderna é anarquia, terrorismo!

  2. Acredito que a população está carente de ambientes onde possam se encontrar para travar relações de todos os tipos, venho notando isso desde as manifestações de junho, em que muitos dos jovens com quem convivo passaram a considerar os encontros para as passeatas como oportunidade de curtir a turma, um baseado, ou seja, maquiado de protesto, o agrupamento “gratuito” de pessoas da mesma idade pode proporcionar diversão, paquera, chance de colocar meus bichos prá fora, etc.. até mesmo protestar tá valendo.
    A respeito do rolezinho, além da falta de respeito pelo espaço do outro e da noção de limite, endêmica na sociedade de um modo geral, vejo tbm esta oportunidade de estar com a galera num lugar legal…

    Não faz sentido que estejam se manifestando contra o mundo capitalista… não, eles sofrem como eu e outros 95 % da sociedade, carentes num monte de possibilidades de consumo e que, nem por isso, sente-se no direito de invadir o espaço alheio para protestar, para causar.

    Roupa? Comida? Diversão? Quem disse que só tem em shopping? Não, não é essa a motivação desses garotos.
    Acho que foi só a idéia de alguém que não tinha a exata noção do que estava propondo, quando nasceu este “movimento” tipo: Vamos usar a mídia para marcarmos um HP num shopping (house party, festinhas comuns para a galera de 15 anos).

    Se isso tudo, servir para que as autoridades criem espaços culturais e esportivos para que os grupos possam conviver e, paquerar, brincar, lutar (pondo os bichos prá fora) ficarei muito feliz… mas duvido, infelizmente.

  3. Armando Italo, fato estranho é a ausência de propósito, de reivindicação.
    Fato comum é a mídia dar espaço para a espetacularização de alguns manifestantes, como a Folha de ontem estampando foto de primeira página de um dos pretensos líderes.

  4. Adina, as manifestações estudantis normalmente são feitas para reivindicações sérias.
    Estes jovens até agora não especificaram propostas consistentes. Alguns tentam interpretar como solicitação de espaços, mas uma análise mais detida em algumas declarações dos primeiros movimentos não levam a nada muito concreto.

  5. Bom dia Carlos,

    a reação de um integrante de associação representativa dos shoppings, em entrevista na ultima segunda-feira à CBN, diz muito a respeito de como a coisa pública e privada é vista e tratada nas duas esferas. A reação deles acredito ser esperada, a do poder público não. O que mais me interessa nessa história toda é que vai ficando muito claro que medo não traz segurança, talvez devêssemos tornar ao bom e velho respeito para tê-la de volta. Acho também que ainda dá tempo.
    Abraço.

  6. Concordo sobre a força dos estudantes e suas manifestações pois participei e assisti a muitas com propósitos claro (Diretas já, impeachtment do Collor, etc…)porém, lendo outras notícias continuo achando que o início destes rolezinhos deu-se a partir da necessidade de um local com entrada grátis, para que uma galera pudesse se encontrar, veja esta matéria… http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1397831-rolezinhos-surgiram-com-jovens-da-periferia-e-seus-fas.shtml
    … o que derivou daí, invasão de funkeiros protestando pela proibição de bailes funk, acredito que seja caso da falta de educação e limite presentes na sociedade, infelizmente.
    Sempre voltaremos ao mesmo ponto, falta de educação do povo e de preparo dos governantes.

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