Canto da Cátia: Olheiros para os Ecopontos, também

 

ecoponto

Fiscais disfarçados de morador de rua foram usados pelas subprefeituras da Casa Verde e Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo, para flagrar depósito ilegal de entulho em locais públicos. O resultado de dois dias de ação foi a prisão de seis pessoas e o susto naqueles que agem de forma criminosa, conforme ressaltou o subprefeito Walter Abrahão Filho, da Casa Verde, que conversou com o CBN SP. No mesmo programa, ouvi da Cátia Toffoletto o relato de irregularidades e descaso em ecopontos mantidos pela prefeitura de São Paulo, locais que deveriam servir para o depósito deste material. No entanto, estes ambientes tem se transformado em “lixões” ao ar livre. Talvez esteja na hora de colocar “olheiros” também para verificar porque os administradores municipais não controlam o acesso aos ecopontos.

Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto sobre o descaso nos ecopontos

Ouça a entrevista com o subprefeito da Casa Verde sobre a operação de combate ao lixo clandestino

Canto da Cátia: Sala de aula

 

Volta às aulas no JD Helena

A caminho da escola, os alunos do CEU Três Pontes tem à disposição um rico material pedagógico. Lama, móveis destruídos e imóveis alagados alertam para os riscos ambientais que a ação do homem gera. Ensinam que nossa forma de consumo, a maneira como exploramos a terra ou mesmo a falta de respeito das autoridades com populações mais pobres deixam suas marcas no ambiente urbano. Da geografia à história, da ciência à biologia, boa parte das matérias que estudam na sala de aula tem capítulos relacionados ao cenário fotografado pela Cátia Toffoletto, na rua Capachós, onde fica o CEU.


Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto sobre a volta às aulas nos bairros atingidos pelas enchentes, na zona leste de São Paulo

Pode parecer irônico, mas a prefeitura teve de construir uma ponte para que os alunos consigam entrar no CEU Três Pontes.

Diesel de cana de açúçar já move motores de ônibus

 

A produção do novo combustível está em fase de teste, é mais simples que de outros biodiesel e o motor reduz em até 9% a poluição no ar.

Motor com diesel de cana de açucar em teste

Por Adamo Bazani

Quem pensa que cana de açúcar só abastece veículos com etanol está enganado. Da cana também pode ser feito diesel para caminhões e ônibus, mais barato que o derivado de petróleo e com vantagens ecológicas.

Quer outra boa notícia ? O que era apenas estudo, passou para a fase de testes. Em parceria com a Amyris Brasil, a Mercedes Benz já testou o biocombustível da cana de açúcar em motor para ônibus. A Amyris é subsidiária da americana Amyris Biotechnologies, especializada em produtos renováveis, que testa tecnologias próprias para a fabricação de combustíveis com maior benefício ambiental para transportes público. Foram investidos no projeto brasileiro mais de 100 milhões de dólares.

A obtenção do biocombustível para os ônibus a partir da cana de açúcar é mais simples e barata do que em relação a outras matérias primas, está escrito nos estudos apresentados. A produção é semelhante a do etanol. Mas no processo de fermentação da cana, através da introdução de levedura geneticamente alterada, é possível obter óleo do caldo da cana. Este óleo, derivado do processo de fermentação com a levedura, é submetido a tratamento químico, criando estrutura molecular de hidrocarbonetos, que é semelhante a do derivado do petróleo. Assim, é possível aproveitar toda a cana de açúcar, tanto para o álcool (etanol) como para o diesel.

Essa estrutura molecular é a farneceno, que possui 12 átomos de carbono, com as características do diesel, mas sem misturas agressivas à saúde e ao meio ambiente, como com o enxofre. A fumaça emitida é renovável, ou seja, é absorvida pela vegetação no processo de fotossíntese.

É possível produzir o diesel da cana nas mesmas usinas em que há produção de açúcar ou álcool, basta mudar a levedura usada na fermentação.

Os testes até agora, segundo a Mercedes Benz, foram satisfatórios. Num tanque de ônibus foram colocados 90% de diesel comercial comum (S 50) e 10% do diesel da cana de açúcar. A proporção do combustível limpo parece ser pequena, mas a montadora explica que foi o suficiente para reduzir em até 9% das emissões de materiais particulados na atmosfera.

Ainda de acordo com a Mercedes Benz, o desempenho dos motores com o diesel da cana é exatamente o mesmo dos abastecidos somente com o diesel comum. Não foram detectadas quaisquer diferenças de desempenho quando os dois tipos de abastecimento foram comparados.

A vantagem é que qualquer motor a diesel pode receber o combustível novo, sem a alteração das características de fábrica ou mudanças na frota. Além disso, os custos totais de abastecimento da frota são reduzidos com a mistura.

A intenção agora é ampliar os estudos para aumentar a proporção do diesel de cana de açúcar na mistura e reduzir ainda mais os custos com combustível e os índices de poluição.

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve às terças no Blog do Mílton Jung, sempre com a expectativa de andar em ônibus menos poluentes.

Debate sobre o uso da sacolinha plástica

 

Proibir o uso das sacolas plásticas não é solução, é preciso mudar a forma de consumo. Este é o resumo da conversa que tivemos com a consultora ambiental Patrícia Blauth, da Menos Lixo, e Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos. Ambos concordaram com o veto do prefeito Gilberto Kassab (DEM) ao projeto de lei aprovado na Câmara Municipal de São Paulo que obrigaria empresas a substituir os sacos plásticos por embalagens reutilizáveis ou confeccionadas com materiais de fontes renováveis ou recicláveis.

Francisco de Assis Esmeraldo que representa o instituto criado para defender os interesses dos fabricantes de plástico disse que a prefeitura deveria investir em campanhas para promover a mudança de hábito do cidadão. Enquanto isso, Patrícia Blauth defende a ideia de que o comércio torne explícito o custo destes sacos plásticos cobrando do consumidor ou oferecendo desconto a quem abrir mão do seu uso.


Acompanhe aqui o debate sobre as sacolas plásticas que foi ao ar no CBN SP

Propus o debate pelo Twitter com base na notícia publicada no jornal Valor Econômico e reproduzida no Blog com o título “Kassab atende indústria e veta proibição de saco plástico”. Alguns dos comentários que chegaram:

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Foto-ouvinte: Estão desnorteados, em São Paulo

 

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Por Luis F. Gallo
Ouvinte-internauta

“Situação inédita em nossa cidade,os dilúvios diários tem deixado também os patos e cisnes do parque Ibirapuera ‘desnorteados’. Me deparei com eles logo após uma tormenta dessas sob a Rosa dos Ventos, como que se procurando um rumo, um caminho. Estão ali se perguntando, o que fizeram por aqui ? Pra onde a gente vai ? Esse lugar tá muito louco ! Que medo … Serão só eles, com essas dúvidas?”

Kassab atende indústria e veta proibição de saco plástico

 

RIo Tietê do álbum digital no Flickr de Samuel Chiovitti

RIo Tietê do álbum digital no Flickr de Samuel Chiovitti

Ouça o debate sobre o uso das sacolas plásticas, no CBN SP

Reportagem publicada no Valor, edição de sexta-feira, dia 5 de fevereiro:

Em meio aos problemas das enchentes – que têm o excesso de lixo como uma de suas principais causas -, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), vetou projeto de lei de dois vereadores da base aliada que previa a proibição do uso de sacolas plásticas no comércio da capital paulista. De acordo com a proposta dos parlamentares Gilson Barreto e Claudinho de Souza (PSDB), a legislação obrigaria empresas a substituir os tradicionais sacos plásticos por embalagens reutilizáveis ou “confeccionadas com materiais de fontes renováveis ou recicláveis”.

Preservação ambiental e redução do volume de resíduos gerados na cidade eram os principais argumentos da matéria barrada por Kassab. Recentemente, prefeituras de Sorocaba, Osasco, Jundiaí e Guarulhos decretaram o fim da utilização das sacolinhas plásticas sob a mesma justificativa. Nessas cidades, está em andamento o processo de conscientização das empresas e consumidores para a substituição das sacolinhas por embalagens de papel ou feitas de material biodegradável ou reciclável.

Coincidentemente, uma das razões para o veto de Kassab ao projeto de lei nº 577, que tramitava na Câmara Municipal desde 2007, foi a questão ambiental. “A questão relativa ao uso de embalagens confeccionadas com materiais oriundos de fontes renováveis necessita de estudos mais aprofundados”, diz o texto.

“Não há garantia de que a substituição proposta pela mensagem resulte em prevenção, controle da poluição ambiental e proteção da qualidade do meio ambiente, uma vez que mesmo os materiais biodegradáveis geram resíduos tóxicos”, afirma também o prefeito em seu veto.

O Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida), apoiado pela indústria plástica brasileira, informou ontem que o prefeito também seguiu suas recomendações para vetar a proposta dos vereadores. De olho nos interesses econômicos do setor, a entidade tem brigado na Justiça contra leis que proíbem as sacolinhas em outras cidades. “Enfatizamos a importância econômica e social das sacolas plásticas, que são apontadas por 71% da população como o meio mais adequado de se carregar as compras e embalar o lixo doméstico”, diz nota da Plastivida.

Leia mais informações, no Valor Econômico

A previsão no tempo do Avatar

Avatar

 

Por Rosana Jatobá

Na fila do cinema, a moça do tempo ouve a costumeira pergunta:
– Quando vai parar de chover em São Paulo? Não aguento mais a mesma previsão de temporais!

A porta-voz das desgraças climáticas trata de alentar o telespectador indignado:
– As primeiras semanas de fevereiro serão menos chuvosas…Uma massa de ar seco vai afastar as áreas de instabilidade.

A consulta informal se transforma num tratado meteorológico quando o entusiasmado telespectador cobra uma resposta sobre os motivos do tempo maluco:
– Você disse ontem no Jornal Nacional que a culpa é do El Niño e do aquecimento das águas do Atlântico Sul, né?

– Pois é. A cada três, quatro anos, o El Niño reaparece e altera a circulação dos ventos, deixando a chuva mais intensa e volumosa no centro-sul do país. Já o aquecimento de até 3 graus da parte sul do Oceano Atlântico, é um fenômeno mais recente e associado aos gases de efeito estufa… mas se houvesse uma política de prevenção e combate às enchentes, São Paulo venceria a guerra contra São Pedro….

A conversa é encerrada quando a moça do tempo recebe uns óculos próprios para enxergar uma animação em 3d.

Avatar é o nome do filme. A mais nova superprodução de James Cameron.

Em minutos , todos estão imersos num mundo fantasioso de imagens reais. É o planeta Pandora, onde vivem os Na’vi, seres altíssimos e magros, de cor azul, cara e agilidade de gato , criaturas selvagens, que estabelecem conexões profundas com a natureza, como se fossem células de um organismo vivo, em que todos fazem parte do meio ambiente.

Os Na’vi têm nos cabelos uma espécie de cabo eletrônico e quando o plugam aos animais, conseguem comandá-los por meio de ondas cerebrais e voar livremente pelos céus de Pandora . Cada bicho é reverenciado com uma prece quando precisa morrer para suprir as necessidades do grupo. Pandora é a quimera, a utopia dos ambientalistas. A Gaia definida por James Lovelock como o éden.

A moça do tempo volta pra casa fazendo uma associação entre o filme e o imaginário coletivo da humanidade. A raça predadora , que historicamente explora os recursos naturais e desvirtua a própria função no seu habitat , agora se vê diante da urgência: a derradeira oportunidade de rever radicalmente os rumos de sua vida no planeta.

Entre um paralelo e outro, a moça do tempo sonha com uma previsão em que natureza e tecnologia possam encontrar um ponto de equilíbrio harmonioso. Quisera esquecer a crise da água, a camada de ozônio, a poluição do ar pelas emissões de veículos e industrias, o lixo despejado nos rios e mares, a desertificação e os eventos severos caracterizados por tempestades e ventos intensos. Quisera falar do paraíso perdido, do sonho dourado de Pandora, a terra prometida de onde “emana leite e mel “para todos..

Mas as notícias teimam em reproduzir o caos.

Eis que se renovam as esperanças . No dia seguinte descubro que Avatar é o maior sucesso de bilheteria da história do cinema, entre outros superlativos. A mente visionária e quântica do autor de Avatar pode ser a semente de um novo tempo, em que os seres humanos consigam se reinventar para garantir sua pacífica sobrevivência na Casa em que habitam.


Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta-feira escreverá sobre sustentabilidade porque conhecimento e inteligência sempre serão bem-vindos ao Blog do Mílton Jung. Sinta-se em casa, Rosana.

Foto-ouvinte: Mais um dia de São Paulo

 

São Paulo enfrenta um de seus piores momentos. Todo dia o morador sai de casa com a incerteza da volta. Não sabe se o metrô vai parar; se o ônibus estará esperando por ele; se o carro não vai se afogar no primeiro túnel que surgir. Sabe que vai chover e torce para que isto ocorra do outro lado da cidade, distante de onde se encontra. As nuvens ficam escuras no céu e o medo toma conta de quem vive na capital. São minutos, horas de chuva que despenca sobre a cidade se dó, punindo nossos abusos e a maneira como resolvemos explorar o ambiente urbano. Após o drama que ganha destaque na capa do jornal, no noticiário do rádio e nas imagens da televisão, que mobiliza os internautas nas redes sociais e ganha espaço privilegiado nos portais de internet, surge uma imagem surpreendente. Um arco-íris a anunciar que um novo dia surgirá. Um sol que começa a infernizar a vida do paulistano logo cedo, anunciando que logo mais tudo aquilo que atormentou o cidadão pode voltar.

Com a colaboração de repórteres da rádio CBN e ouvintes-internautas, todos estes momentos estão registrados em imagens que integram o álbum digital do CBN SP. Assista, comente e participe enviando mais imagens da nossa cidade.

Olhar de Pétria: Entulho, sem saída

 

Entulho no Pacaembu - Sem saída, por Pétria Chaves

Entulho cresce na esquina da avenida Pacaembu com a rua Francisco Estácio Fortes em um ponto tradicional da cidade. O tradicional aqui se refere ao local de despejo, pois todos os dias aparece alguém por ali jogando fora restos de sua vida. A Pétria Chaves passou por lá e registrou o problema que explica em parte o que assistimos na cidade neste período de chuvas.

Sugestão: vamos incluir no roteiro turístico de São Paulo estes pontos tradicionais de entulho (pontos viciados, como chama a prefeitura).

São Paulo, ouça Cláudio Abramo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Trânsito parado na no Cebolão SP (Foto Pétria Chaves)

“Um grande jornal se conhece nos grandes momentos” foi a frase lembrada domingo por Clóvis Rossi, dita por Cláudio Abramo expoente do jornalismo do “Estado de São Paulo” e da “Folha de São Paulo”. É assim em todas as organizações. Mas, para isso é preciso entender que se está diante de um grande momento, que exige ampla colaboração. Técnica, Social, Econômica, da Comunicação, dos Habitantes e Política.

E, é agora que se necessita cobrar de cada uma dessas áreas o que não foi feito, o que foi mal feito e o que terá que ser feito.

A Técnica deixa muito a desejar enquanto soluções de ampliação das marginais são propostas e executadas. Estão colocando 2bilhões de reais. E, esqueceram da demanda reprimida. O ideal será considerar um movimento de reconstrução, como se faz após catástrofes, com equipes técnicas especializadas em emergências, com grupos de especialistas. Um órgão de SOS imediato.

A Social é uma das mais graves, pois permite a favelização em áreas de risco e/ou de mananciais.

A Econômica é não colocar capital em obras como o Túnel da Marta ou as pistas da Marginal.

A Comunicação governamental com publicidade das Administrações Públicas precisa ser reduzida ou eliminada. A Comunicação por parte da mídia é pouco contundente tendo em vista a situação do caos que vivemos. É bem verdade que a continuidade de fatos graves pode banalizá-los. É hora da mídia se apoiar em conhecimentos técnicos para poder arguir os políticos. Além disso, nos espaços abertos para as campanhas, os jornalistas precisariam evitar que se descambe por aspectos pessoais. É necessário ter mais informação para fazer perguntas técnicas.

Os Habitantes moradores precisam cuidar muito mais do seu espaço. As calçadas de SP estão ficando impermeáveis, os lixos não tem o cuidado necessário, os bueiros recebem todo o tipo de dejetos. Os moradores organizados, Movimento Defenda São Paulo, Movimento Nossa São Paulo, tem realizado ações efetivas e eficientes, mas agora é hora de dar um grito de alerta. Os habitantes empresários, por exemplo, fábricas poluentes e construtoras dispostas a vender a alma ao demônio e, às vezes não entregar, precisam ser controlados. Os empresários de prestação de serviços, poderiam seguir o exemplo de Ricardo Semler, com horários alternativos e escritórios descentralizados, uma estratégia que pode aumentar a produtividade. À classe média em particular uma frase de Gilberto Dimenstein, em entrevista à Folha de São Paulo sobre o pedágio urbano: “Eu colocaria amanhã. Limita os carros na rua e arruma dinheiro para o transporte público. Cedo ou tarde será preciso brigar com a classe média” .

A Política é a mais difícil, embora com processo idêntico, ou seja, o interesse individual e eleitoreiro muitas vezes predomina. Entretanto, agora é preciso deixar de agir burocraticamente e administrar vaidades e soberba. Clóvis Rossi opina: “Nesses grandes momentos, tristes, mas grandes, não é exatamente o comportamento que se espera de quem se supõe que vai disputar uma eleição presidencial esgrimindo o bordão de gerente – e competente”.

Será que todos em São Paulo não percebem que emergência não é apenas para bombardeios, terremotos, furacões? Cidade alagada é também uma catástrofe. SOCORRO!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung.