Foto-ouvinte: Estão desnorteados, em São Paulo

 

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Por Luis F. Gallo
Ouvinte-internauta

“Situação inédita em nossa cidade,os dilúvios diários tem deixado também os patos e cisnes do parque Ibirapuera ‘desnorteados’. Me deparei com eles logo após uma tormenta dessas sob a Rosa dos Ventos, como que se procurando um rumo, um caminho. Estão ali se perguntando, o que fizeram por aqui ? Pra onde a gente vai ? Esse lugar tá muito louco ! Que medo … Serão só eles, com essas dúvidas?”

Kassab atende indústria e veta proibição de saco plástico

 

RIo Tietê do álbum digital no Flickr de Samuel Chiovitti

RIo Tietê do álbum digital no Flickr de Samuel Chiovitti

Ouça o debate sobre o uso das sacolas plásticas, no CBN SP

Reportagem publicada no Valor, edição de sexta-feira, dia 5 de fevereiro:

Em meio aos problemas das enchentes – que têm o excesso de lixo como uma de suas principais causas -, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), vetou projeto de lei de dois vereadores da base aliada que previa a proibição do uso de sacolas plásticas no comércio da capital paulista. De acordo com a proposta dos parlamentares Gilson Barreto e Claudinho de Souza (PSDB), a legislação obrigaria empresas a substituir os tradicionais sacos plásticos por embalagens reutilizáveis ou “confeccionadas com materiais de fontes renováveis ou recicláveis”.

Preservação ambiental e redução do volume de resíduos gerados na cidade eram os principais argumentos da matéria barrada por Kassab. Recentemente, prefeituras de Sorocaba, Osasco, Jundiaí e Guarulhos decretaram o fim da utilização das sacolinhas plásticas sob a mesma justificativa. Nessas cidades, está em andamento o processo de conscientização das empresas e consumidores para a substituição das sacolinhas por embalagens de papel ou feitas de material biodegradável ou reciclável.

Coincidentemente, uma das razões para o veto de Kassab ao projeto de lei nº 577, que tramitava na Câmara Municipal desde 2007, foi a questão ambiental. “A questão relativa ao uso de embalagens confeccionadas com materiais oriundos de fontes renováveis necessita de estudos mais aprofundados”, diz o texto.

“Não há garantia de que a substituição proposta pela mensagem resulte em prevenção, controle da poluição ambiental e proteção da qualidade do meio ambiente, uma vez que mesmo os materiais biodegradáveis geram resíduos tóxicos”, afirma também o prefeito em seu veto.

O Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida), apoiado pela indústria plástica brasileira, informou ontem que o prefeito também seguiu suas recomendações para vetar a proposta dos vereadores. De olho nos interesses econômicos do setor, a entidade tem brigado na Justiça contra leis que proíbem as sacolinhas em outras cidades. “Enfatizamos a importância econômica e social das sacolas plásticas, que são apontadas por 71% da população como o meio mais adequado de se carregar as compras e embalar o lixo doméstico”, diz nota da Plastivida.

Leia mais informações, no Valor Econômico

A previsão no tempo do Avatar

Avatar

 

Por Rosana Jatobá

Na fila do cinema, a moça do tempo ouve a costumeira pergunta:
– Quando vai parar de chover em São Paulo? Não aguento mais a mesma previsão de temporais!

A porta-voz das desgraças climáticas trata de alentar o telespectador indignado:
– As primeiras semanas de fevereiro serão menos chuvosas…Uma massa de ar seco vai afastar as áreas de instabilidade.

A consulta informal se transforma num tratado meteorológico quando o entusiasmado telespectador cobra uma resposta sobre os motivos do tempo maluco:
– Você disse ontem no Jornal Nacional que a culpa é do El Niño e do aquecimento das águas do Atlântico Sul, né?

– Pois é. A cada três, quatro anos, o El Niño reaparece e altera a circulação dos ventos, deixando a chuva mais intensa e volumosa no centro-sul do país. Já o aquecimento de até 3 graus da parte sul do Oceano Atlântico, é um fenômeno mais recente e associado aos gases de efeito estufa… mas se houvesse uma política de prevenção e combate às enchentes, São Paulo venceria a guerra contra São Pedro….

A conversa é encerrada quando a moça do tempo recebe uns óculos próprios para enxergar uma animação em 3d.

Avatar é o nome do filme. A mais nova superprodução de James Cameron.

Em minutos , todos estão imersos num mundo fantasioso de imagens reais. É o planeta Pandora, onde vivem os Na’vi, seres altíssimos e magros, de cor azul, cara e agilidade de gato , criaturas selvagens, que estabelecem conexões profundas com a natureza, como se fossem células de um organismo vivo, em que todos fazem parte do meio ambiente.

Os Na’vi têm nos cabelos uma espécie de cabo eletrônico e quando o plugam aos animais, conseguem comandá-los por meio de ondas cerebrais e voar livremente pelos céus de Pandora . Cada bicho é reverenciado com uma prece quando precisa morrer para suprir as necessidades do grupo. Pandora é a quimera, a utopia dos ambientalistas. A Gaia definida por James Lovelock como o éden.

A moça do tempo volta pra casa fazendo uma associação entre o filme e o imaginário coletivo da humanidade. A raça predadora , que historicamente explora os recursos naturais e desvirtua a própria função no seu habitat , agora se vê diante da urgência: a derradeira oportunidade de rever radicalmente os rumos de sua vida no planeta.

Entre um paralelo e outro, a moça do tempo sonha com uma previsão em que natureza e tecnologia possam encontrar um ponto de equilíbrio harmonioso. Quisera esquecer a crise da água, a camada de ozônio, a poluição do ar pelas emissões de veículos e industrias, o lixo despejado nos rios e mares, a desertificação e os eventos severos caracterizados por tempestades e ventos intensos. Quisera falar do paraíso perdido, do sonho dourado de Pandora, a terra prometida de onde “emana leite e mel “para todos..

Mas as notícias teimam em reproduzir o caos.

Eis que se renovam as esperanças . No dia seguinte descubro que Avatar é o maior sucesso de bilheteria da história do cinema, entre outros superlativos. A mente visionária e quântica do autor de Avatar pode ser a semente de um novo tempo, em que os seres humanos consigam se reinventar para garantir sua pacífica sobrevivência na Casa em que habitam.


Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta-feira escreverá sobre sustentabilidade porque conhecimento e inteligência sempre serão bem-vindos ao Blog do Mílton Jung. Sinta-se em casa, Rosana.

Foto-ouvinte: Mais um dia de São Paulo

 

São Paulo enfrenta um de seus piores momentos. Todo dia o morador sai de casa com a incerteza da volta. Não sabe se o metrô vai parar; se o ônibus estará esperando por ele; se o carro não vai se afogar no primeiro túnel que surgir. Sabe que vai chover e torce para que isto ocorra do outro lado da cidade, distante de onde se encontra. As nuvens ficam escuras no céu e o medo toma conta de quem vive na capital. São minutos, horas de chuva que despenca sobre a cidade se dó, punindo nossos abusos e a maneira como resolvemos explorar o ambiente urbano. Após o drama que ganha destaque na capa do jornal, no noticiário do rádio e nas imagens da televisão, que mobiliza os internautas nas redes sociais e ganha espaço privilegiado nos portais de internet, surge uma imagem surpreendente. Um arco-íris a anunciar que um novo dia surgirá. Um sol que começa a infernizar a vida do paulistano logo cedo, anunciando que logo mais tudo aquilo que atormentou o cidadão pode voltar.

Com a colaboração de repórteres da rádio CBN e ouvintes-internautas, todos estes momentos estão registrados em imagens que integram o álbum digital do CBN SP. Assista, comente e participe enviando mais imagens da nossa cidade.

Olhar de Pétria: Entulho, sem saída

 

Entulho no Pacaembu - Sem saída, por Pétria Chaves

Entulho cresce na esquina da avenida Pacaembu com a rua Francisco Estácio Fortes em um ponto tradicional da cidade. O tradicional aqui se refere ao local de despejo, pois todos os dias aparece alguém por ali jogando fora restos de sua vida. A Pétria Chaves passou por lá e registrou o problema que explica em parte o que assistimos na cidade neste período de chuvas.

Sugestão: vamos incluir no roteiro turístico de São Paulo estes pontos tradicionais de entulho (pontos viciados, como chama a prefeitura).

São Paulo, ouça Cláudio Abramo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Trânsito parado na no Cebolão SP (Foto Pétria Chaves)

“Um grande jornal se conhece nos grandes momentos” foi a frase lembrada domingo por Clóvis Rossi, dita por Cláudio Abramo expoente do jornalismo do “Estado de São Paulo” e da “Folha de São Paulo”. É assim em todas as organizações. Mas, para isso é preciso entender que se está diante de um grande momento, que exige ampla colaboração. Técnica, Social, Econômica, da Comunicação, dos Habitantes e Política.

E, é agora que se necessita cobrar de cada uma dessas áreas o que não foi feito, o que foi mal feito e o que terá que ser feito.

A Técnica deixa muito a desejar enquanto soluções de ampliação das marginais são propostas e executadas. Estão colocando 2bilhões de reais. E, esqueceram da demanda reprimida. O ideal será considerar um movimento de reconstrução, como se faz após catástrofes, com equipes técnicas especializadas em emergências, com grupos de especialistas. Um órgão de SOS imediato.

A Social é uma das mais graves, pois permite a favelização em áreas de risco e/ou de mananciais.

A Econômica é não colocar capital em obras como o Túnel da Marta ou as pistas da Marginal.

A Comunicação governamental com publicidade das Administrações Públicas precisa ser reduzida ou eliminada. A Comunicação por parte da mídia é pouco contundente tendo em vista a situação do caos que vivemos. É bem verdade que a continuidade de fatos graves pode banalizá-los. É hora da mídia se apoiar em conhecimentos técnicos para poder arguir os políticos. Além disso, nos espaços abertos para as campanhas, os jornalistas precisariam evitar que se descambe por aspectos pessoais. É necessário ter mais informação para fazer perguntas técnicas.

Os Habitantes moradores precisam cuidar muito mais do seu espaço. As calçadas de SP estão ficando impermeáveis, os lixos não tem o cuidado necessário, os bueiros recebem todo o tipo de dejetos. Os moradores organizados, Movimento Defenda São Paulo, Movimento Nossa São Paulo, tem realizado ações efetivas e eficientes, mas agora é hora de dar um grito de alerta. Os habitantes empresários, por exemplo, fábricas poluentes e construtoras dispostas a vender a alma ao demônio e, às vezes não entregar, precisam ser controlados. Os empresários de prestação de serviços, poderiam seguir o exemplo de Ricardo Semler, com horários alternativos e escritórios descentralizados, uma estratégia que pode aumentar a produtividade. À classe média em particular uma frase de Gilberto Dimenstein, em entrevista à Folha de São Paulo sobre o pedágio urbano: “Eu colocaria amanhã. Limita os carros na rua e arruma dinheiro para o transporte público. Cedo ou tarde será preciso brigar com a classe média” .

A Política é a mais difícil, embora com processo idêntico, ou seja, o interesse individual e eleitoreiro muitas vezes predomina. Entretanto, agora é preciso deixar de agir burocraticamente e administrar vaidades e soberba. Clóvis Rossi opina: “Nesses grandes momentos, tristes, mas grandes, não é exatamente o comportamento que se espera de quem se supõe que vai disputar uma eleição presidencial esgrimindo o bordão de gerente – e competente”.

Será que todos em São Paulo não percebem que emergência não é apenas para bombardeios, terremotos, furacões? Cidade alagada é também uma catástrofe. SOCORRO!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung.

Termina hoje prazo para pagar inspeção veicular

 

Quem ainda não fez a inspeção veicular de 2009 tem só até hoje para pagar a tarifa de R$ 56,44. Isto porque para agendar o serviço no prazo estendido pela prefeitura, 30 de janeiro, você precisar aguardar a liberação no sistema que ocorre apenas 72 horas após o pagamento.

Após este período, o dono do carro deve ligar (11) 3545-6868 ou entrar no site da Controlar (www.controlar.com.br) e agendar a inspeção. Se não o fizer haverá bloqueio do licenciamento e estará sujeito à multa de R$ 550,00.

O secretário do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge também falou ao CBN SP sobre a inspeção veicular e apelou à consciência cidadã

São obrigados a fazer a inspeção 2009 os veículos cadastrados na cidade de São Paulo fabricados entre 2003 e 2008, além de todas as motos e caminhões, independente do ano de fabricação.

Parque, árvore e calçada verde contra enchentes

 

A entrega de 100 parques até 2012 é uma das ações da prefeitura com o objetivo de reduzir o impacto das fortes chuvas, segundo o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge. Destes, 60 estariam concluídos aumentando 9 mil m2 a área de parques na cidade, em cinco anos.

Ouça o que o secretário do Verde e Meio Ambiente falou sobre os parques lineares

Na entrevista ao CBN SP, Eduardo Jorge listou uma série de outras ações que considera importantes para combater as enchentes: obrigação de obras terem maior área de permeabilidade, construção de calçadas verdes e arborização.

Neste trecho da entrevista, Eduardo Jorge explica estas ações contra enchente.

Cidade combate enchente como há 40 anos, diz engenheiro

 

Com parâmetros da década de 70, a cidade não conseguirá combater as enchentes que tendem a aumentar nos próximos anos, segundo opinião do engenheiro especializado em hidráulica fluvial Roberto Watanabe, entrevistado pelo CBN SP. Ele lembra que os dados que são usados para implantação do sistema de drenagem na capital são ultrapassados, sendo necessário um estudo mais amplo para que São Paulo se prepare para as mudanças climáticas.

Watanabe entende que a abertura dos córregos – que historicamente foram encobertos por ruas, avenidas e casas – seria fundamental para melhorar a captação das águas de chuva, mas não enxerga na construção dos parques lineares uma solução para este problema. Ele defende a remoção de famílias das áres de risco e margens de córregos “mesmo que seja necessário o uso de força”.

Ouça a entrevista do engenheiro Roberto Watanabe

Menino do Grajaú, a culpa não é da bananeira

 

Casas construídas em condições precárias nos barrancos desabam e matam famílias inteiras. Nesta quinta-feira, apenas um garoto de seis anos sobreviveu e logo saberá que a mãe, o pai e a irmã de nove anos foram soterrados no barraco em que viviam no Jardim Grajaú, extremo sul de São Paulo. Bem perto dali, quatro casas haviam sido interditadas pelo risco que havia de uma tragédia. A do garoto não tinha recebido aviso prévio mas veio a baixo assim mesmo.

Outra lição que o menino terá, em breve, é jamais plantar bananeira no terreno em que mora, pois este espécie de árvore só nasce em local com muita umidade e se estiver no morro é por que o lençol freático está ralo, aumentando o risco de escorregamento.

Ouça a explicação do coronel Luiz Massao Kita, da Defesa Civil do Estado de São Paulo, sobre o efeito das bananeiras

Antes, porém, que alguém ensine ao garoto recém-orfão de que a causa da tragédia foram as bananas que ele tanto gostava de pegar no pé, que saiba os motivos que levaram a família dele para o barranco. Que entenda a responsabilidade daqueles que tem o poder para definir políticas de habitação popular; daqueles que permitiram que a família dele fosse explorada e ocupasse áreas de risco; daqueles que deixaram de investir o dinheiro dos impostos em ações de combate as enchentes para fazer propaganda de si mesmo.

O menino sobrevivente do Grajau ainda tem muito a aprender, em São Paulo.