Aumento no preço do álcool faz mal à saúde

 

Tem muita gente reclamando do preço do álcool que subiu consideravelmente no último mês. Os usineiros falam em quebra de safra provocado pelas chuvas. Quem entende do assunto, diz que é especulação. Os produtores de cana estariam preferindo vender açucar no exterior a oferecer álcool aos carros brasileiros.

Hoje, conversamos com o professor e físico José Goldenberg que sugeriu intervenção do governo federal para segurar o preço do álcool, pois teme que o programa de incentivo ao uso do combustível mais limpo sofra forte revés. Além do impacto na economia, a substituição do etanol pela gasolina vai gerar prejuízos ambientais.

“Quando o Governo Federal reduziu de 23 para 21% a mistura de etanol na gasolina, os relógios de medição do ar em São Paulo passaram a registrar, em pouco tempo, piora na qualidade”, explicou o ex-secretário do Meio Ambiente.

Ouça a entrevista do professor José Goldenberg no CBN SP

Aos motoristas de carro flex a sugestão é que antes de se assustar com o aumento no preço do álcool façam a seguinte conta: se o litro do álcool custar até 70% do preço da gasolina, fique no álcool. Outro custo que deve ser avaliado é o ambiental.

O poder transformador do cidadão

 

Foto de Ullysses Martins Moreira Neto - 1o Concuso de Fotos de Árvores SP

Há muito tempo se defende no CBN São Paulo a ideia de que está nos centros urbanos a solução para frear o aquecimento global. Mudanças de hábitos que começam com escolhas simples como a embalagem do produto que você vai comprar ou o modelo de transporte que pretende usar para chegar ao trabalho. Não há como deixar o carro na garagem, pois é baixa a qualidade do transporte público ? Então acelere menos, mantenha o motor bem regulado, queime combustível mais limpo ou troque aquele “beberrão” por algo mais econômico.

Assim como está nas mãos do cidadão o poder de comprar de um fabricante mais verde, também está o de escolher um político comprometido com o combate as mudanças climáticas. Ou de pressionar seu representante a votar em projetos de lei que beneficiem o meio ambiente.

Este poder transformador do cidadão esteve ausente em boa parte das discussões na Conferência do Clima em Copenhague, na Dinamarca, de acordo com a avaliação do diretor-presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar que conversou com o CBN São Paulo. A instituição que incentiva o consumo consciente está convencida de que não haverá sustentabilidade sem uma mudança no estilo de vida das sociedades.

Ouça a entrevista de Helio Mattar do Instituto Akatu, ao CBN SP, e mude seus hábitos

“A esperança se foi”, diz Greenpeace na COP-15

 

Imediatamente após a fala dos presidentes Lula e Barack Obama na Conferência do Clima, conversamos com o diretor da campanha Amazônia do Greenpeace Paulo Adário que definiu assim a percepção dele sobre as posições apresentadas oficialmente: “a esperança se foi”.

Adário se referia principalmente ao discurso do presidente americano de quem esperava alguma proposta mais arrojada no combate ao aquecimento global. Para o representante do Greenpeace Obama foi arrogante, enquanto Lula foi generoso.

Ouça a entrevista de Paulo Adário, do Greenpeace

No CBN SP, conversamos também com a Miriam Leitão, comentarista da CBN na Dinamarca, que entende que o o encontro se encerrará com avanços no combate ao aquecimento global, citando principalmente em relação a ajuda para conservação das florestas, e resumiu assim seu olhar sobre os resultados da COP-15: “teremos o acordo possível para os líderes políticos mas muito aquém do desejado pelos cientistas”.

Moradoras usam máscara contra mau cheiro

 

Moradoras tampam rosto contra mau cheiro do Pinheiros

Os vizinhos do rio Pinheiros já sabem que quando o verão chega o mau cheiro aumenta. E, por isso, tentam reduzir o impacto provocado pela poluição se protegendo com máscaras. O alerta foi feito por uma ouvinte-internauta Maria Helena Tessitori que mora na Vila Lisboa, zona sul da capital. A Cátia Toffoletto foi até lá para ver como ela e as demais donas de casa se viram com esta situação:

Ouça a repórter da Cátia Toffoletto que conversou com as moradores da região

Um capítulo da história do alagado Jardim Pantanal

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Recorte do Jornal da Tarde 14.06.2007

Foi a ouvinte-internauta Eloiza Silveira quem me chamou atenção e enviou por e-mail trecho da reportagem que denuncia parte da ocupação do Jardim Pantanal, extremo leste de São Paulo, que está em baixo d’água desde a enchente da semana passada. O texto foi publicado no Jornal da Tarde de 14 de junho de 2007, portanto há mais de dois anos e meio:

Moradores ganham R$ 20 dos caçambeiros que despejam toneladas de entulho, depois espalham os resíduos e demarcam lotes de 120 m2 para vender

NAIANA OSCAR, naiana.oscar@grupoestado.com.br

Enquanto o Estado calcula ter de investir mais R$ 3 milhões em obras para melhorias no Rio Tietê, um crime ambiental, às margens do rio, pode causar danos irreversíveis à Cidade. Diariamente, caçambas despejam entulho na várzea do Tietê, desde o Jardim Romano até o limite com Itaquaquecetuba, Zona Leste.

Segundo moradores, por dia, cerca de 50 caminhões , com capacidade média de 4 toneladas, despejam entulho na região, que em 1998 foi decretada Área de Proteção Ambiental (APA). E não é de agora que isso acontece. Duas lagoas já foram completamente aterradas e sobre elas hoje há uma ocupação irregular.

Três homens se disseram responsáveis pelo aterramento do local. Eles ganham R$ 20 dos caçambeiros para receber o entulho, depois espalham os resíduos e demarcam lotes de 120 m² para vender. Cada um custa R$ 1 mil. “Alguém tem de organizar os lotes”, disse o líder do grupo, Izaías Xavier, 46 anos. A expectativa deles é de que até o final do ano toda a lagoa esteja aterrada.

Para os moradores da área invadida, as caçambas são um benefício para a comunidade. “As enchentes acabaram, os pernilongos e as cobras também. Do jeito que o terreno era antigamente, a gente não podia construir”, disse Cícero, 41 anos, morador do local há 20.

A reportagem do JT flagrou, ontem pela manhã, a chegada de uma caçamba onde antes era a Lagoa do Porto. O motorista descarregou a terra e deixou o local em menos de 10 minutos. Questionado sobre a legalidade do seu ato, disse que era autorizado pelos moradores.

Uma região entre o Jardim Helena e o Jardim Pantanal, em São Miguel Paulista, também está sendo aterrada. Na área, que também pertence ao Estado, seria construído um parque ecológico. Mas os moradores falam até em abrir estradas depois que o aterro for concluído.

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Tem que enxugar a água porque o Tietê está no limite

 

Reflexo da Cidade (Pétria Chaves)

Reflexo do que é São Paulo em imagem da repórter Pétria Chaves/CBN

 

A chuva foi muito forte – dizem o técnicos que despencou 100 mm de água -, mas a cidade já encarou com menos prejuízos temporais bem mais intensos, nos quais o número de pontos alagados ficou longe dos 98 registrados nesta terça (08.12). É o que mostra levantamento feito pelo UOL com base em dados oficiais (leia aqui).

Os mais de R$ 1,7 bilhão investidos que rebaixaram a calha do Tietê para permitir que a vazão do rio chegasse a 1.188 m3 por segundo de vazão não são mais suficientes para a quantidade de água despejada nele. Ou seja, o rio está mais raso do que deveria, pois a manutenção não é suficiente para a quantidade de resíduos que se acumula na calha do Tietê.

Para o professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica Mário Thadeu Leme de Barros entrevistado no CBN SP a saída está em aumentar a capacidade de São Paulo “enxugar” a água da chuva. Uma das opções é investir nos parques lineares que preservariam as encostas dos córregos e riachos que desaguam no Tietê e reduziriam o volume de água despejado no rio.

Dos 23 previstos para serem entregues até 2012, segundo o Plano de Metas da Prefeitura, apenas um está concluído, no Jardim Esther, região do Butantã. Oito deveriam estar prontos neste mês de dezembro.

Haveria outras possibilidades como impedir a ocupação sem limite e sem ordem que se realiza historicamente na capital paulista, mas para tanto é preciso coragem política e restrição de privilégios. Hoje, São Paulo paga um preço muito alto pela falta de planejamento e o que a cidade sofreu nesta terça é reflexo de uma série de erros urbanísticos, muito mais do que o excesso de chuvas.

Nesta entrevista nós falamos também sobre a falha que ocorreu no bombeamento das águas do rio Pinheiros que tornou a situação do Tietê ainda mais crítica.

Ouça a entrevista do professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e sanitária da Escola Politécnica Mário Thadeu Leme de Barros

Nesta quarta, também conversamos com um economista para entender o tamanho do prejuízo calculado pela cidade em virtude dos transtornos provocados pelas enchentes.

Ouça a entrevista de Heron do Carmo, professor da FEA-USP, sobre o Custo São Paulo