Nem 8 nem 80!

 

Por Julio Tannus

 

Há alguns anos, um amigo meu nascido e crescido em São Paulo recebeu uma herança. Cansado das contravenções impunes e da pesada carga tributária sem retorno, tomou nas mãos o globo terrestre e passou a meditar sobre qual país seria ideal para morar. A Suíça foi o escolhido. Passou então a morar em um condomínio de luxo e comprou um belíssimo automóvel.

 

Após alguns dias no novo domicílio, ao entrar em seu apartamento, toca o interfone e uma voz pede que compareça a entrada do condomínio. Dá de cara com um policial, que com uma fita métrica nas mãos mostra que seu carro foi estacionado alguns centímetros além da guia, e, portanto ele, o policial, iria autuá-lo por desrespeito a lei.

 

Passado algum tempo, após multas e mais multas, chega ao condomínio bastante irritado e dá um tapa em uma planta. Ao entrar em seu apartamento o zelador lhe informa que acaba de multá-lo por agressão a vegetação. Foi a gota d´agua! Arruma as malas e retorna a São Paulo.

 

Outro dia desses, ao recordar esse episódio, passei a observar com mais atenção o comportamento de nós paulistanos.

 

No trânsito: motoristas falando ao telefone celular enquanto dirigem. Carros parados em fila dupla com pisca alerta ligado em vias de mão dupla, e, portanto, impedindo a passagem de veículos indo na mesma direção. Carros fazendo conversão sem acionar o pisca-pisca. Pedestres que atravessam fora da faixa. Carros que não respeitam pedestres. Motociclistas aos montes vindo em ambos os lados dos automóveis em alta velocidade, sem qualquer regulamentação, etc…

 

Trânsito em São Paulo

 

No Metrô: ninguém ou quase ninguém obedece aos avisos

 

 

Nas escadas rolantes: apesar dos avisos, nenhum deles é seguido pela maioría dos usuários

 

 

E assim por diante…

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Monotrilho: silêncio nos trilhos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Domingo, 11hs. Cinco horas antes de Guarani e Santos, defronte ao estádio do Morumbi, o silêncio do poder executivo de São Paulo, diante das reprovações ao Projeto, foi condenado pelo grupo de moradores que protestavam. Contra o Monotrilho e quanto à manipulação das audiências públicas. O movimento se estendeu até às 13hs defronte ao Palácio dos Bandeirantes, quando o grupo residual com 800 pessoas composto de adultos e crianças classe média e classe média alta se dispersou.

 

De Maluf à Alckmin foi um avanço, afinal com Maluf não houve discussão, estávamos na “Revolução”. Apenas a homenagem ao Presidente Costa e Silva, que virou Minhocão. Convenhamos, valia um protesto e tanto.

 

Rosa Richter, coordenadora do movimento que reúne varias entidades representativas dos moradores da região, que se caracteriza por possuí-las em quantidade, aponta uma série de insatisfações no contato Governo do Estado e contribuintes. O traçado inadequado ora passando por áreas residenciais adensadas, ora por reservas ambientais, ora desrespeitando as Z1. A menor capacidade do monotrilho em relação ao trem subterrâneo. O silêncio do Metrô e do Governador diante dos argumentos apresentados.

 

Julia Titz de Rezende, presidente do Conseg Morumbi, ressalta a manipulação do governo com as audiências públicas. Realizadas obrigatoriamente para cumprir a lei, elas são desrespeitadas, pois as decisões vitoriosas não são cumpridas. Nos contatos diretos, como na reunião com o governador Geraldo Alckmin, o silêncio foi quebrado com a justificativa de que não havia mais nada para fazer, pois o antecessor, Goldman já tinha assinado. Como se Goldman não tivesse sido sucessor de Serra, que PSDB também, quase demoliu o Minhocão em sua passagem pela Prefeitura.

 

E da ausência de argumentos passa-se agora para a fuga dos debates pela imprensa. A TV Gazeta mais uma vez está convocando governo e moradores para debater o Monotrilho, devido ao não comparecimento do governo às chamadas anteriores.

 

Dentre tantos questionamentos, focados nas comparações entre metrô aéreo e subterrâneo contidos inclusive no volante distribuído (leia abaixo) é pertinente ressaltar a possibilidade de lobby do poder econômico nacional e internacional. Construtoras, incorporadoras e demais agentes têm comparecido em situações políticas. Por que não estariam presentes agora?

 

 

Leia mais sobre o assunto no artigo “O Minhocão do Morumbi”


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Monotrilho será novo Minhocão, mas tudo muito “moderno”

 

Vista do Minhocão

 

Compradores de apartamentos surpreendidos, donos de casas assustados e proprietários de comércios desapontados foi o que o início das obras do Monotrilho da Linha 17-Ouro, do Metrô, na zona Sul de São Paulo, provocou, como se constata em reportagem de domingo, no caderno Cotidiano, da Folha de São Paulo. Com o título “Monotrilho deve gerar efeito ‘minhocão’ na vizinhança” não há dúvidas sobre o que o repórter Eduardo Geraque tenta chamar atenção. Quem conhece o centro de São Paulo e a degradação que o Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão, provocou na região sabe bem o risco que se corre. Êpa, pera aí ! Na nota que o Metrô enviou para o jornalista, lê-se explicações tranquilizadoras. A começar pela tecnologia que vai ser usada no monotrilho, moderna, com trens silenciosos e sistema de escurecimento dos vidros dos vagões – assim, o morador do terceiro andar, não deve ter medo de ser visto saindo do banheiro de toalha -pensei eu, imediatamente. Mais adiante, no texto, um morador, também usando o “moderno” como consolo, diz que ouviu falar que será feito até um bulevar por isso vê com bons olhos a obra. Os nóias que tomam às margens do riacho da Avenida Roberto Marinho – e não aparecem na reportagem – devem estar batendo palmas, também. Ganharão, até 2014, excelente área de diversão, segura e protegida das intempéries para o livre consumo de drogas. Terão direito a abrigo e espaço privilegiado para dormirem, encostados nas pilastras da construção, como já acontece no Minhocão original que, quem diria, se transformou em fonte inspiradora de engenheiros do Metrô paulista. Mas, claro, bem mais moderno.

Foto-ouvinte: Do começo ao fim de expediente, o céu em São Paulo

 

O vermelho dominou o céu de São Paulo no amanhecer desta terça-feira e quando seguia para o metrô Barra Funda, na zona oeste, Massao Uehara se encantou com esta imagem.

 

Começa o dia em São Paulo

 

No fim do expediente, após forte chuva na capital, nosso colega de estúdio Thiago Barbosa encontrou o céu amarelo no horizonte, nesta foto tirada do alto da Vila Mariana, zona sul da capital.

 

Fim do expediente

Foto-ouvinte: caminhão cai em buraco do Metrô

 

Por Devanir Amâncio

 

Caminhão cai em buraco do Metrô

 

Por volta das 12h20 desta segunda-feira(27) um caminhão VUC fica preso em um bueiro sem tampa da Sabesp ,na esquina da rua São Francisco com a rua José Bonifácio – no calçadão do Metrô Anhangabaú, centro de São Paulo. O dono do caminhão de placa de São Bernardo do Campo – Aritano Alves Machado – com as mãos na cabeça pediu socorro à CET. O bueiro de mais de dez metros desemboca no Córrego das Almas, no Vale do Anhangabaú. Segundo os moradores , o problema do bueiro transbordar e ficar sem a tampa no local é recorrente.

Um mau sinal para as bicicletas

 

Ciclovia na Radial Leste

No mesmo dia em que publico post entusiasmado com a apresentação da primeira ciclorrota organizada pela CET na cidade de São Paulo (“Um bom sinal para as bicicletas”), leio no Diário do São Paulo sobre o precário estado da ciclofaixa ciclovia na Radial Leste. Os ciclistas que a utilizam reclamam de rachaduras, falta de pintura, acúmulo de lixo entre outros problemas em seus poucos mais de 12 quilômetros de extensão. As mesmas dificuldades já haviam sido apontadas neste blog pelo ouvinte-internauta Samuel Oliveira, a partir de imagem feita por ele, em 25 de abril do ano passado (foto acima).

A ciclofaixa ciclovia foi construída pelo Metrô de São Paulo e liga a estação Corinthians-Itaquera a do Tatuapé. Este, aliás, é outro problema apontado pelos especialistas no tema. Como não segue até o centro da cidade, destino da maioria dos ciclistas da região, a faixa na Radial acaba subutilizada. O Metrô – foi o que disse ao jornal – vai começar obras de manutenção no dia 25 próximo.


Para ler a reportagem do Diário de São Paulo clique aqui


Morte de ciclista em BH

Pior mesmo foi em Belo Horizonte, onde mais um ciclista foi morto no trânsito, desta vez atropelado por um motoristas que estava bêbado, conforme conta o jornal O Estado de Minas. Rubens Vieira tinha 53 anos e pedalava no domingo pela Via Expressa, Bairro Camargos, Região Nordeste da capital mineira. Temunhas informaram à polícia que o motorista, Rogério Valério de Jesus, não parou de acelerar o carro mesmo após atingir o ciclista e percorreu com a vítima em cima do capô por mais de dez metros. Ele não tinha condições sequer de assoprar no bafômetro. A imagem acima foi publicada na edição eletrônica do Estado de Minas.


Leia a reportagem completa  sobre a morte do ciclista aqui

Quando Kassab aposentar o helicóptero

 

Na revista Piauí que causou tanto espanto pelas afirmações do todo-poderoso da CBF Ricardo Teixeira, a reportagem de capa é dedicada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (“O Político apolítico”). O texto é assinado pelo jornalista Plínio Fraga e tem passagens bem interessantes sobre a carreira e o cotidiano do Grande Líder do PDS – perdão, PSD. Algumas hilárias e próprias de repórter observador. Uma das que me chamaram atenção e me divertiram não se refere ao prefeito, mas a um vereador que foi visto em conversa com ele, Dalto Silvano, ex-PSDB e futuro Sabe-Se-Lá-O-Quê:

“Camisa fora do jeans, cabelos longos e encaracolados, Silvano nem precisava dizer que seu ídolo é o cantor Roberto Carlos: está na cara”

A reportagem completa você lê na Piauí (não está disponível no site). Mas reproduzo aqui o parágrafo final que reflete bem o quanto distante São Paulo ainda está das grandes metrópoles mundiais e da ideia que o próprio Kassab pretende transmitir ao mundo de que vivemos em um ambiente urbano desenvolvido e sustentável. Fraga fala do encontro dos prefeitos das maiores cidades mundiais que ocorreu mês passado, na capital paulista:

“Depois do almoço, (Kassab) seguiu para Vila Euclides, embarcou de helicóptero e voltou a São Paulo. Durante o encontro dos quarenta prefeitos, Bloomberg (NY) disse que vai trabalhar de metrô. A vice-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, falou que prefere ir de bicicleta”

Quando Kassab ou seus sucessores passarem a ter o transporte público e a bicicleta como boas, seguras e confiáveis opções para o deslocamento na cidade teremos, sim, alcançado o estágio de cidade avançada e criativa como a propaganda oficial tenta nos convencer.

Painel pelos Direitos Humanos, no metrô da Luz

Com cerca de 22 metros quadrados, este painel instalado na estação de metrô da Luz, centro de São Paulo, leva a assinatura da franco-belga Françoise Schein. Com a parceria de jovens, ela chama atenção para os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos dando seguimento a projeto que desenvolve há mais de dez anos. Lisboa, Paria e Bruxelas são outras cidades que abriram espaço em suas estações de metrô para trabalhos de Françoise Schein. Nesta sexta-feira, comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Vereadores vão pedir vagão só para mulheres

 

A Câmara Municipal de São Paulo vai sugerir ao secretário estadual de Transportes Metropolitanos que reserve para as mulheres um vagão em cada composição do metrô e da CPTM. A proposta foi enviada pelo Movimento Voto Consciente e aceita pelos vereadores da Comissão de Constituição e Justiça. A intenção é proteger as mulheres que reclamam de assédio sexual e moral devido a superlotação dos trens.

Várias iniciativas já foram realizadas com o objetivo de conter os abusos. Em Brasília, tem projeto de lei querendo impor vagões femininos em todo transporte ferroviário. Em Pernambuco e no Rio, as assembleias legislativas aprovaram lei reservando um vagão para as mulheres, a falta de fiscalização, porém, e o excesso de passageiros levaram ao desrespeito da determinação.

Mesmo na capital paulista, em 2007, a Câmara Municipal chegou a aprovar projeto de lei que obrigava as empresas de ônibus a terem carros exclusivos para as passageiras, medida que não foi a frente. No metrô se ensaiou esta determinação, sem sucesso. Como este modelo de transporte é do Estado, o legislativo municipal tem pouca possibilidade de interferir, por isso aceitou a proposta da ONG e vai apenas levar ao secretário José Luiz Portella o pedido.

Hoje, o público feminino é maioria no metrô, segundo pesquisa da própria companhia.

Novas estações ainda não aliviarão metrô

 

Linha Amarela do Metrô de São Paulo

A entrega das duas primeiras estações da linha 4-Amarela do metrô não será suficiente para amenizar a situação daqueles que se aglomeram nas plataformas e enfrentam dificuldades par embarcar nos vagões nos diferentes ramais do sistema. A inaguração será nessa terça-feira e a nova linha que funcionará em sistema de teste durante as próximas semanas ligará a avenida Faria Lima, no Largo da Batata, até a Avenida Paulista. Para que os primeiros resultados sejam percebidos será necessário que a extensão da linha ocorra ao menos com a abertura de mais duas estações – Butantã e Pinheiros – o que deve ocorrer até o fim do ano.

Novo modelo de concessão e tecnologia avançadas são marcas da linha 4-Amarela, conforme destacou em entrevista o secretário estadual de Transportes Metropolitano José Luis Portela. O novo trecho deverá ser percorrido em pouco mais de 6 minutos, o que oferecerá enorme ganho principalmente para os passageiros de ônibus que hoje perdem de 20 a 30 minutos, apesar da existência de um corredor exclusivo.

Para conhecer as novidades que estarão disponível acompanhe aqui a entrevista com o secretário Portela que foi ao ar, nesta terça-feira.