Uma mesa com convidados que não andam de carro ou se o fazem, tentam deixá-lo cada vez mais estacionados na garagem. Foi o jornalista Leão Serva e o empresário Alexandre Lafer Frankel que conseguiram a façanha no almoço dessa terça-feira, no Spot, restaurante próximo da congestionada avenida Paulista, para comemorar a edição do guia “Viver Bem Em São Paulo Sem Carro”, no qual contam a história de 12 pessoas que se tornaram mais felizes ao aposentar o automóvel, ou em alguns casos, reduziram seu uso – e foi nesta categoria que me encaixei entre os convidados. Ao contrário de mim, adepto da bicicleta nas horas vagas, a maioria prefere andar a pé e se socorre do trem, metrô ou táxi, dependendo a distância a ser percorrida. Fui privilegiado no almoço ao sentar ao lado da autora de novelas e pedestre Maria Adelaide Amaral. Para ela o carro é meio de transporte somente para viagens fora da cidade ou em ocasiões muito especiais, gosta bem mais de caminhar e de preferência sozinha, diz que depois dos passeios é outra pessoa e escreve melhor. Ir aos cemitérios da vizinhança na Vila Madalena, zona oeste, é fonte de inspiração.
Falo deste compromisso aqui no Blog para registrar uma informação que me foi passada pelo urbanista e arquiteto Cândido Malta, que também prefere caminhar a andar de carro e adoraria viver em uma cidade mais compacta, na qual os bairros se sustentassem, com emprego próximo de casa ou a curtas distâncias. Malta é um veterano defensor do pedágio urbano para conter o crescimento da frota de carros e aumentar a velocidade do transporte público. Contou que, a partir de ensaios feitos em computador, foi possível identificar que com a cobrança de R$ 4 por dia, se reduziria em 30% o número de carros nas ruas, índice semelhante ao que deixa de rodar nos feriados, em São Paulo. Seriam arrecadados pelo poder público cerca de R$ 600 milhões por ano, dinheiro com o qual daria para construir ao menos 3 quilômetros de metrô subterrâneo. Para se ter ideia do que isso representa, o Governo de São Paulo consegue tocar, em média, de 0,5 a 1 quilômetro por ano.
Nesta semana, o presidente da Fecomércio Abram Szajm, em artigo, provocou os candidatos a prefeito a discutirem o pedágio urbano durante a eleição e criticou os políticos que “se elegem com os votos das pessoas, mas governam para motores e pneus” (leia o texto completo). Em editorial, a Folha de São Paulo entrou no debate. Enquanto o ex-presidente da CET-SP Roberto Scaringela propôs o pedágio em reportagem na revista Época SP, sobre a qual já tratei aqui no Blog.
Aos que odeiam a ideia do pedágio urbano, uma notícia tranquilizadora: São Paulo não tem gestor com coragem e disposição para enfrentar este desafio. E enquanto isso não acontece, mesas ocupadas por pessoas que não usam carro serão raras nos centros urbanos.
Em tempo: “Viver Bem Em São Paulo Sem Carro” será lançado no museu Emma Klabin, na avenida Europa, em frente ao MIS, no dia 28 de junho. Quem for de bicicleta terá valet service à disposição.




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