Dia Mundial Sem Carro é uma chance que temos

 

Cartaz dia mundial sem carro

O Dia Mundial Sem Carro motivou os alunos do CIEJA – Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos do Butantã – a refletirem sobre a mobilidade urbana, a qualidade do transporte público, a prioridade ao automóvel e o impacto destas políticas na saúde da população. O projeto é organizado pela professora Elisabet Gomes de Nascimento que enviou o material produzido durante o mês de setembro pela turma do módulo 4, que corresponde a 7a. e 8a. séries do ensino fundamental. Aproveito este dia 22 de setembro para publicar o resultado do trabalho, a começar pelo cartaz desenhado pela aluna Osmarina Soares de Carvalho que ilustra este post coletivo:

“MANIFESTO – DESABAFO” (alunos do módulo 4-O)

Nós que andamos por São Paulo, observamos e sentimos na própria pele, o quanto esta cidade é hostil para quem anda a pé e para o ciclista. A começar pelas péssimas condições de circulação das calçadas e sem falar no desrespeito a faixa de pedestre, além da falta de ciclovias e ciclofaixas. O poder público deveria investir prá valer em metrô, trem de superfície, corredores de ônibus em toda a cidade. Deveria também oferecer desconto no IPTU para as empresas, condomínios e prédios residenciais, que praticassem a carona solidária. Quantos amigos faríamos diminuindo a solidão motorizada? Quantos automóveis deixariam de circular e como melhoraria o trânsito na cidade? Sem falar na melhoria da qualidade do ar. Já pensou quanto tempo ganharíamos a mais com nossas famílias, descansaríamos mais, teríamos mais tempo para estudar, para ler, para o lazer? Quantas vidas pouparíamos? Estamos desabafando e sugerindo tudo isso, estimulados pela “Semana da Mobilidade e Dia Mundial sem Carro”. É uma chance que temos de nos fazer ouvir.

MEU DIA SEM CARRO
Por Mario A. Silva, 55 anos

Depois de muito tempo sem usar transporte coletivo e com meu carro no rodízio, eu precisava ir ao centro da cidade. Pedi o carro emprestado para minha filha, mas justamente neste dia ela levaria minha neta ao médico. Pensei, não tem outro jeito: o negócio é enfrentar este terrível transporte coletivo (só ouço falar mal dos transportes públicos).

Fui dormir já pensando no sofrimento do dia seguinte.

Saí de casa às 8 horas e depois de esperar por trinta minutos, embarquei e comecei minha viagem. Paguei a passagem com um tal de bilhete único com o qual a pessoa tem direito de trafegar durante três horas e usufruir de até quatro conduções pelo valor de uma passagem. Havia lugares vazios, me sentei e comecei a reparar, que à medida que as pessoas iam entrando, se cumprimentavam como se fossem velhas conhecidas. Uns aproveitavam para tirar um cochilo, sei lá, ou mesmo fingindo para não ceder lugar aos idosos e mulheres com crianças de colo.

Celulares e tablets não faltaram no ônibus, além do velho e bom livro e jornal. Alguns devoravam a leitura, até liam em pé.

Chegando na estação do metrô, vi centenas de pessoas se aglomerando e se apertando a espera do trem. Me perguntei, e agora? Apesar do empurra-empurra entramos todos, os mais ligeiros conseguiram se sentar. Tudo organizado. Trens modernos com serviço de informações anunciando as próximas estações, ar condicionado, tudo limpo.

Fiz várias baldeações e não avistei nenhum ambulante ou coisa do gênero. Cheguei ao meu destino: a Estação da Sé. Reparei que tem farmácia popular, lanchonetes, banca de jornal, balcão de informações e um aparato de seguranças para zelar pelo bem estar dos usuários. Quando estava retornando para casa, encontrei um amigo que me ofereceu carona. Agradeci e recusei pois fiquei tão entusiasmado com a ida que quis curtir a volta também de coletivo.

Sei que não posso negar para as falhas que ainda existem no transporte público. Não está no ideal, mas está caminhando no rumo certo. Parabéns aos governantes que tentam fazer o melhor para a população.

Gastei apenas R$6,00 reais. Andei um trajeto de uns 40 quilômetros ida e volta, num espaço de três horas, sendo que o que mais demorou foi o ônibus uma média de trinta minutos. Se tivesse ido de carro teria demorado bem mais e não teria aproveitado o passeio.

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Encare essa: Desafio Intermodal 2011 é amanhã

 

Desafio Intermodal 2009Imagem do Desafio Intermodal de 2009, realizado em São Paulo

 

Felipe Aragonez, do Instituto CicloBR, convida o paulistano a participar do Desafio Intermodal 2011, amanhã, terça, dia 20 de setembro, em São Paulo. Por dois anos participei do evento que alerta para a importância de a cidade ser diversificada também nas opções de transporte para seus cidadãos. Na primeira, encarei o helicóptero que perdeu para uma bicicleta; na segunda, ano passado, botei o pé no pedal e fiz o maior percurso que havia realizado até então, em meio ao trânsito confuso de São Paulo. Bem orientado e com tranqulidade cheguei à prefeitura de São Paulo. Cansado, sim, mas muito satisfeito por ter ajudado a mostrar que é possível mudar o foco de uma cidade quando se pensa no coletivo. Leia o texto do Aragonez e se não der para entrar nop Desafio, use a proposta para repensar seus hábitos:

 

Qual meio de transporte é mais eficiente nos deslocamentos urbanos? Essa é a pergunta que o Desafio Intermodal, pelo sexto ano consecutivo, se propõe a responder.

Cerca de 15 pessoas participarão em diferentes modais, como carros, motos, ciclistas, cadeirantes e pessoas integrando os transportes públicos como ônibus, Metrô e Trem. Eles serão testados pelo tempo gasto para se chegar ao destino final, o custo que cada um gera e quantos quilos de gás carbônico emitem. Ou seja, não basta chegar em primeiro lugar, os impactos ambientais também serão importantes.

O Desafio pretende mostrar as infinitas possibilidades de se locomover pela cidade além de analisar o desempenho do transporte público ano a ano.

Como o Desafio Intermodal faz parte dos eventos que promovem o Dia Mundial Sem Carro, ele será realizado no dia 20 de Setembro (terça feira).

A saída acontece na Praça General Gentil Falcão, altura do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini (ver mapa), às 18h00 em ponto. Cada participante deverá chegar ao prédio da Prefeitura do Município de São Paulo com o seu modal.

As Regras

O tempo computado será o deslocamento completo da pessoa e não do modal. Portanto, levaremos em conta o tempo que a pessoa leva até o modal e o tempo que ele perderá para estacionar o veículo. Como o ciclista desmontado se equipara a um pedestre, o único veículo que não será necessário estacionar é a bicicleta.

No deslocamento deverão ser respeitadas todas as regras de trânsito, os pedestres terão que atravessar na faixa, a não ser que ela esteja a mais de 50 metros. Nesse caso, segundo o art. 69 do CTB, ele poderá atravessar no local que considerar mais seguro.

O pedestre corredor terá que correr na calçada, caso isso não seja possível, será tolerado que ele use a rua.

Todos os participantes estarão uniformizados.

A relação dos modais a serem avaliados

Pedestre caminhando
Pedestre correndo
Ciclista por vias rápidas
Ciclista por vias calmas
Ciclista por vias calmas (feminino)
Ciclista + Metrô com bicicleta dobrável
Motociclista
Automóvel
Ônibus
Trem + Metrô
Trem + Ônibus
Ônibus + Metrô
Cadeirante
Programação do Desafio

17h00 – Início da Concentração Na Praça Gal Gentil Falcão e atendimento a imprensa.

17h45 – Alinhamento dos participantes e explicação das regras do desafio

18h00 – Será realizado um contato telefônico com um representante da organização do desafio, lá na Prefeitura e ele dá a largada pelo viva-voz do celular.

Nesse momento as pessoas se dirigem até o seu modal e cada um faz o trajeto que achar mais conveniente.

18h25 – Previsão de chegada dos primeiros participantes em frente à Prefeitura de São Paulo

20h00 – Previsão de chegada do último participante

Locais e data

20 de setembro de 2011 (terça-feira)
Partida: Praça General Gentil Falcão – Brooklin (Altura do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini) (ver mapa)
Chegada: Prédio da Prefeitura ao lado do Viaduto do Chá.

Felipe Aragonez
Secretário Geral

Instituto CicloBR

Semana da Mobilidade começa nas calçadas

 

Calçada na Barata Ribeiro

Todos nós somos pedestres diz a campanha da CET que promove o respeito as faixas de segurança (muito bem-vinda, por sinal). Busca alertar para o fato de que o mesmo motorista que põe em risco a vida do cidadão quando não para antes de uma faixa, a qualquer momento terá de atravessar a avenida a pé e será alvo do mesmo comportamento. Fico pensando se o prefeito Gilberto Kassab e seus assessores prestaram atenção nesta ideia. Não me parece, dada a falta de prioridade que os mesmos têm quando o tema é a principal via usada pelos pedestres: a calçada.

Sei que ao ler este primeiro parágrafo (se é que alguém o lerá), o pessoal da comunicação da prefeitura vai disparar uma resposta com uma dezena de dados tentando provar o contrário. Pode mandar, mas não vão me convencer. E duvido que convençam qualquer outro paulistano que tenha tido a necessidade de caminhar na cidade, por menor que seja o percurso. É lamentável o estado de boa parte dos 32 mil quilômetros de calçadas que temos (não calculo aqui os que não temos e deveríamos). Pior mesmo apenas a situação para aqueles que têm dificuldades próprias de locomoção. Cadeirantes e deficientes visuais, por exemplo. Idosos, sem dúvida. E, até mesmo, a saudável mãe de recém-nascido, que sabe quanto é complicado empurrar o carrinho do bebê de uma esquina a outra.

De tanto caminhar e reclamar nos mais variados fóruns – Câmara, Ministério Público, audiências públicas, ONGs, seminários, etc -, a gerontóloga Asuncion Blanco se transformou em porta-voz dos pedestres. Hoje, é coordenadora do Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo e coleciona uma quantidade enorme de fotografias e casos incríveis de calçadas mal cuidadas. “Costumo dizer que as calçadas de São Paulo não fazem a curva, você tem um pedaço correto aqui, mas você não consegue fazer a curva sem encontrar um problema”, me falou em conversa que tivemos sobre a abertura da Semana da Mobilidade, nesta sexta-feira, dia 16.09, no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, às 9 e meia da manhã. Não por acaso, os pedestres, ao lado dos ciclistas, serão o centro do primeiro debate de uma série que se encerrará no dia 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro.

Leia a reportagem completa no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

Acompanhe aqui a programação da Semana da Mobilidade.

Nossa SP faz Seminário na Semana da Mobilidade

 

A proximidade da primavera, marca a chegada da Semana da Mobilidade, destinada a discutir os mais variados temas relacionados ao transporte público, o respeito ao pedestre e a necessidade de uma revisão de políticas públicas que privilegiam o automóvel. Reproduzo texto da Rede Nossa São Paulo que chama a participação do cidadão em eventos que começam no dia 16 de setembro, nesta sexta-feira:

A mobilidade é uma questão central em todas as cidades do mundo – está diretamente ligada ao acesso à cidade e aos serviços públicos, ao meio ambiente e à saúde da população. Neste sentido, organizações de várias cidades do mundo decidiram dedicar uma semana – de 16 a 22 de setembro (quando é comemorado o Dia Mundial Sem Carro) – para refletir, debater e promover ações para melhorar a mobilidade.

A Rede Nossa São Paulo está no quinto ano consecutivo de atividades pela Semana da Mobilidade / Dia Mundial Sem Carro. O objetivo é juntar forças para a construção de uma agenda única e com poder de interferir em políticas públicas. Esta é uma grande oportunidade de chamar a atenção da sociedade civil para o tema da mobilidade urbana e dos problemas decorrentes da poluição do ar gerada pelos veículos motorizados.
Em 2011, a Semana da Mobilidade começa no próximo dia 16/9, sexta-feira. A primeira atividade será o seminário “Os modais não motorizados: pedestres e ciclistas”, que dá sequência à série “Mobilidade e Transportes Sustentáveis – Soluções Inovadoras para a cidade”. A iniciativa é do Grupo de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo e o coletivo de mobilização para o Dia Mundial Sem Carro/ Semana da Mobilidade.
O objetivo, agora, é tratar do tema fazendo uma avaliação e balanço sobre a atual situação das vias e calçadas da cidade, a sinalização para os pedestres e ciclistas, levando em conta a situação das pessoas com deficiência e idosos e comparando o Plano de Metas e os indicadores.

Entre os debatedores estarão: Asuncion Blanco, coordenadora do GT Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo; João Ribas, coordenador de área de Diversidade & Inclusão da Serasa Experian; Sérgio Faria, consultor de inclusão e coordenador de projetos de TI da Accenture; Carlos Aranha, coordenador de participação pública da Ciclocidade; Patricia Gejer, do CESVI Brasil e representante do Movimento Chega de Acidentes. Evento gratuito.

Serviço:
16/9, das 9h30 às 12h30 – Seminário “A mobilidade urbana e os modais não motorizados – pedestres/ciclistas”.
Local: Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo – Viaduto Jacareí, 100 – 8º andar – Bela Vista.

Quando Kassab aposentar o helicóptero

 

Na revista Piauí que causou tanto espanto pelas afirmações do todo-poderoso da CBF Ricardo Teixeira, a reportagem de capa é dedicada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (“O Político apolítico”). O texto é assinado pelo jornalista Plínio Fraga e tem passagens bem interessantes sobre a carreira e o cotidiano do Grande Líder do PDS – perdão, PSD. Algumas hilárias e próprias de repórter observador. Uma das que me chamaram atenção e me divertiram não se refere ao prefeito, mas a um vereador que foi visto em conversa com ele, Dalto Silvano, ex-PSDB e futuro Sabe-Se-Lá-O-Quê:

“Camisa fora do jeans, cabelos longos e encaracolados, Silvano nem precisava dizer que seu ídolo é o cantor Roberto Carlos: está na cara”

A reportagem completa você lê na Piauí (não está disponível no site). Mas reproduzo aqui o parágrafo final que reflete bem o quanto distante São Paulo ainda está das grandes metrópoles mundiais e da ideia que o próprio Kassab pretende transmitir ao mundo de que vivemos em um ambiente urbano desenvolvido e sustentável. Fraga fala do encontro dos prefeitos das maiores cidades mundiais que ocorreu mês passado, na capital paulista:

“Depois do almoço, (Kassab) seguiu para Vila Euclides, embarcou de helicóptero e voltou a São Paulo. Durante o encontro dos quarenta prefeitos, Bloomberg (NY) disse que vai trabalhar de metrô. A vice-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, falou que prefere ir de bicicleta”

Quando Kassab ou seus sucessores passarem a ter o transporte público e a bicicleta como boas, seguras e confiáveis opções para o deslocamento na cidade teremos, sim, alcançado o estágio de cidade avançada e criativa como a propaganda oficial tenta nos convencer.

Foto-ouvinte: Congestionamento de passageiros

 

 

Congestionamento na CPTM

Recado e foto de Antonio Marcos Souza, ouvinte-internauta do Jornal da CBN:

Sei que o assunto é recorrenrte mas, infelizmente, não tenho alternativa se não tentar denunciar este “câncer” do transpote público paulistano chamado CPTM. Hoje, novamente, esta empresa proporcionou aos usuários da linha Esmeralda ( Calmon Viana – Brás) mais um espetáculo de incompetência, descaso e desrespeito ao passageiro, ao cidadão e ao ser humano.

Resposta da CPTM publicada na área de comentários do Blog (publicado às 17h03):

Nos horários de pico há grande concentração de usuários em todos os meios de transporte, e na Linha 12-Safira (Brás-Calmon Viana) não é diferente. Além disso, parte do aumento da demanda crescente na CPTM, que em 2005 transportava 1,4 milhão de passageiros/dia e hoje 2,4 milhões/dia, também se deve às melhorias já realizada no sistema, que acaba atraindo mais usuários.

Todas as seis linhas da CPTM estão sendo modernizadas. As obras abrangem troca dos sistemas de sinalização, telecomunicações, rede aérea e via permanente (trilhos), além da readequação de estações. São essas obras que permitirão que os 105 trens novos que já estão sendo entregues para a frota, tenham um melhor desempenho, resultando na redução do intervalo e no aumento da oferta de lugares.

Para recapacitar o sistema sem interromper a prestação de serviço, a CPTM vem fazendo um grande esforço para adequar o cronograma de obras, sem paralisar a operação de trens, priorizando sempre o atendimento aos usuários.

Os caminhos de Buenos Aires

 

Ciclofaixa em Buenos Aires

Por Milton Ferretti Jung

Minha mulher e eu estivemos, desde domingo, dia 3 de abril, visitando Buenos Aires, para onde temos ido quase todos anos. Graças ao fato de estarmos no vigésimo-sétimo andar do hotel em que nos hospedamos, com vista, a partir da Avenida Corrientes, para boa parte da cidade, constatei que, apesar das queixas dos portenhos, lá o trânsito apenas tende a ficar congestionado quando piqueteiros de todos os credos realizam suas manifestações.

Aliás, a Presidenta da República Cristina Fernandez de Kirchner costuma incentivar algumas dessas manifestações. Faço um parênteses a fim de esclarecer que, para os argentinos, há presidentes e presidentas, enquanto para nós,brasileiros, o certo é chamar o primeiro mandatário da nação de presidente, seja qual for o seu sexo. Lembro que Isabelita Perón foi a primeira presidenta deles. Então, neste particular, se nos fixarmos somente em números.os “hermanos” estão a nossa frente.

Volto ao meu assunto: trânsito. É claro, em horários de pico, o fluxo de veículos se torna mais denso, o que é absolutamente normal. O desenho de Buenos Aires é muito melhor que o de São Paulo, uma das razões para que os problemas sejam menores que os vividos pelos paulistanos.

Nas outras visitas que fiz a Buenos Aires não notei que as autoridades se preocupassem (posso estar iludido) com a criação de “bicisendas”, o equivalente as nossas ciclovias. Agora, entretanto, fiquei surpreendido com a existência de “bicisenda” numa das transversais da Corrientes, a Suipacha. Plantaram na rua árvores que estão ainda em fase de crescimento. Esta via é estreita. Há ônibus que descem pela Esmeralda e subiam pela Suipacha. Estes são obrigados, agora, a fazer uma volta bem maior para que cheguem ao seu destino.

Outro problema que constatei é que os ciclistas, em sua maioria, aproveitam a ciclovia para rodar em alta velocidade quando descem a rua, sem respeitar os pedestres que correm risco de atropelamento se, por distração, tentam atravessar a via de costas para as bicicletas. Entre as duas ciclovias – a que sobe e a que desce – há uma faixa exclusiva para pedestres: uma “peatonal”.

Seja lá como for, creio que a intenção dos idealizadores da inovação foi das melhores. Seria interessante, todavia, que procurassem encontrar jeito de corrigir os problemas por mim citados.

Antes de encerrar o texto, sugiro a quem puder, que faça uma visita a Buenos Aires A diferença entre o valor do cruzeiro e do peso, favorável a “nosotros, permitem que os brasileiros façam o mesmo que os argentinos, décadas atrás: “dame dos” – diziam ao comprar em nossas lojas ou ao visitar nossos restaurantes.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Jornalista vai caçar boas idéias para sua cidade

 

Cidades para Pessoas from Natália Garcia on Vimeo.

Viajar por 12 cidades à caça de boas ideias de planejamento urbano e contribuir para que São Paulo e outros municípios brasileiros se desenvolvam oferecendo qualidade de vida aos seus moradores. É a pretensão da jornalista Natália Garcia com o projeto Cidade para Pessoas, inspirado no trabalho do planejador urbano Jan Gehl, dinamarquês que há 50 anos redesenha cidades e bairros como em Melbourbe e Perth (Austrália), Estocolmo (Suécia), Lyon (França) e Copenhaguen (Dinamarca), onde tudo começou. Foi lá que ele convenceu os moradores e autoridades de que o espaço público não pode ser privilégio de automóveis.

A etapa mais complicada da viagem talvez seja aquela que Natália está encarando agora, antes mesmo de botar o pé na estrada ou no pedal – já que pretende andar de bicicleta e a pé pelos roteiros escolhidos. O projeto que vai durar um ano custará R$ 25 mil e o dinheiro está sendo arrecado pelo sistema de crowdfunding – uma ação colaborativa em que todo o cidadão pode contribuir com pequenas quantias, através da internet. Até aqui, Natália conseguiu arrecadar pouco mais de R$ 11 mil e tem mais sete dias para chegar ao total necessário.

Cada um das cidades visitadas por Natália (conheça a lista aqui) será traduzida em quatro grandes reportagens, vídeos e posts publicados no blog Cidade para Pessoas. Todo o material coletado será licenciado em Creative Commons by-sharealike com restrições comerciais – ou seja poderão ser reproduzidos e citados em redes, blogs e material de prestação de serviço, e usados por universidades e pelo poder público desde que não haja exploração comercial.

O projeto é apenas uma etapa para chegar ao que Natália realmente sonha que é colaborar para a construção de uma cidade para as pessoas:

Eu sei o que você vai dizer: não somos a Europa. E foi essa a reação que os jornais dinamarqueses tiveram quando o Jan Gehl quis transformar uma importante avenida de carros em um calçadão para pedestres. “Não somos italianos”, dizia o jornal, “nosso clima escandinavo não convida à vida nas ruas”. Segundo as publicações, ninguém toparia andar de bicicleta em Copenhagen e tirar os carros daquela avenida faria as casas de comércio falir. Elas não só não faliram como lucraram o dobro. E hoje Copenhagem é a cidade com o maior número de usuários de bicicletas no mundo.
Dá para fazer o mesmo por São Paulo. Mas vai ser preciso colocar as pessoas à frente dos carros (trecho do Blog Cidade para Pessoas).

A colaboração para o projeto pode ser a partir de R$ 20 e deve ser feita através do site Catarse, especializado neste sistema de arrecadação.

Contra promessas, Mapa de Rotas é saída para bicicleta

 

Bicicleta na pista

Foi com satisfação que comecei a ler a entrevista do secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Miguel Bucalem, na Época São Paulo, edição de março, que está nas bancas. A manchete era convidativa: “Os carros serão usados apenas como opção de lazer”. Era do tipo pingue-pongue, pergunta e resposta, e logo soube que estão nos planos da prefeitura a entrega de 100 quilômetros de ciclovias até 2012, melhoria da circulação dos pedestres e novos corredores de ônibus, além de um planejamento voltado para 2020.

Quatro páginas e 18 perguntas depois caí na real. Ao ser perguntado sobre o que realmente seria entregue até o fim deste ano, Bucalem tascou: “O Complexo Padre Adelino – três viadutos com intersecções que levarão os motoristas provenientes de ambos os sentidos da Radial Leste a acessar a Avenida Salim Farah Maluf”. Motoristas de carro, é lógico.

E as ciclovias? Nem alguns metros dos quilômetros sugeridos? Quem sabe uma faixa exclusiva para os ônibus? Ou ruas privilegiando o pedestre?

Nada disso será contemplado em 2011. Mas, calma, tudo faz parte dos planos para a cidade.

Foi aí que lembrei de um experiente e pragmático editor de política da TV Cultura, Rui Rebelo, cansado de ouvir políticos prometendo maravilhas para dali quatro, cinco, dez anos: “jogue para o futuro e você nunca vai errar”, dizia ele, apostando no esquecimento do cidadão e da mídia para as promessas de médio e longo prazos.

A cidade dos nossos sonhos com ambiente urbano organizado, mobilidade garantida e carros como opção de lazer – assim dito pelo secretário à Época SP – estão na promessa deste e dos governos anteriores. Enquanto isso, confinamos os ciclistas a uma faixa que grita em tinta vermelha no asfalto que só deve ser usada domingo das 7h às 14h.

Leia este post completo no Blog Adote São Paulo, na Época São Paulo

Prefeitura não desiste e aposta em obras para carro

 

Ligação leste-oeste (Foto Pétria Chaves)

São Paulo parece não aprender a lição e insiste nas obras viárias como solução para a mobilidade urbana. A confirmação da prefeitura de que vai colocar dinheiro público para tornar mais atrativo os anéis viários provocou um congestionamento de críticas que partiram daqueles que consideram um absurdo o esforço do poder público em beneficiar o transporte individual.

Para amenizar o impacto do anúncio, a Secretaria Municipal de Transportes decidiu dourar a pílula, como se dizia antigamente. Explicou que a implantação do Plano de Anéis Viários tem a nobre tarefa de melhorar a qualidade do ar na capital. Esta lógica não leva em consideração o que ocorre historicamente nos grandes centros urbanos.

Mais obras viárias, mais carros; mais carros, mais poluição.

Para esta equação a prefeitura também tem resposta na ponta da língua. Toda obra viária que ajude a fluidez do tráfego beneficia o sistema de ônibus. Na entrevista do CBN SP com o diretor de planejamento da CET Irineu Gnecco Filho acrescentou que está em estudo a criação de faixa exclusiva na Radial Leste.

Este é um dos eixos que fazem parte do Plano de Metas da prefeitura de São Paulo que promete entregar ainda nesta gestão os corredores “Capão Redondo-Campo Limpo- Vila Sônia” e “Casa Verde-Inajar-Centro”. Quando em seis anos colocou apenas dois corredores exclusivos em funcionamento, difícil crer que estas obras serão prioridade na reta final de governo Kassab.

Ficamos, portanto, com as passagens subterrâneas e túneis planejados pela prefeitura, um deles que pretende dar uma saída para a avenida Roberto Marinho em direção ao ABCD paulista. Tem outro que estará na avenida Sena Madureira sob a rua Domingos de Moraes, ligando a Ricardo Jafet e a rodovia dos Imigrantes.

Gnecco Filho afirmou que o Plano de Anel Viário começou em 2005 e algumas medidas foram adotadas. Um exemplo, foi a retirada de fárois em trechos do eixo que começa na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte, e segue até Interlagos, na zona sul. Neste corredor foi feito uma passagem subterrânea para eliminar um dos gargalos no trânsito que era o acesso ao aeroporto de Congonhas.

A CET defende que as medidas adotadas até agora, somando-se a restrição dos caminhões e ônibus fretados em algumas vias da capital, já surtiram efeito no tamanho dos congestionamentos da capital. Segundo Gnecco Fº, com um milhão de carros a mais nas ruas, São Paulo teria registrado em 2010 os mesmos índices de 2007.

O dirigente informou que a prefeitura ainda não sabe quanto vai gastar para realizar todo este plano de anel viário, o que causa estranheza para quem diz ser este um planejamento que se iniciou há seis anos.

Ouça a entrevista com o diretor de planejamento da CET Irineu Gnecco Fº, nno CBN São Paulo

Ouviu-se pouco apoio a proposta da prefeitura de São Paulo. No jornal Folha de São Paulo que publicou a informação nessa segunda-feira, Horácio Figueira não mediu palavras: “É uma ideia de jerico”. (leia mais aqui)

No Jornal da CBN, o urbanista e arquiteto José Fábio Calazãns disse que a proposta apenas vai gerar mais congestionamento na capital paulista. Na conversa com Heródoto Barbeiro ele propôs uma mudança de foco nos gestores públicos

Ouça a entrevista de José Fábio Calazãns, na CBN

O plano da prefeitura vai na contramão da ideia discutida com a Câmara de Vereadores no ano passado durante seminário que propôs estudo para a criação de um Plano Municipal de Mobilidade. A Rede Nossa São Paulo que esteve a frente do debate informa que como resultado do encontro foram destinados R$ 15 milhões no Orçamento da cidade para o desenvolvimento deste plano que pretende beneficiar o transporte público – jamais incentivar o uso do automóvel.

Nem mesmo vereadores da base do prefeito Gilberto Kassab aliviaram às críticas. Aurelio Nomura (PV) que assumirá o cargo nesta terça-feira, no lugar de Penna, eleito deputado federal, disse que esta não deve ser uma prioridade da atual administração que deveria se preocupar com medidas que não incentivassem ainda mais o transporte individual.

Ouça a entrevista do vereador Aurelio Nomura (PV)

Pelo visto, há quem tenha se apaixonado pela ideia da ampliação da Marginal Tietê e está disposto a partir para novas aventuras urbanas com alto custo para o bolso e para a qualidade de vida do cidadão.