A espera da Virada Cultural

 

Um “público não-alvo” será atendido com os espetáculos programados para a Virada Cultural. Com boa parte da programação oficial voltada para o centro da Capital, moradores de rua acompanham os preparativos para a festa que começa neste sábado, atravessa a madrugada e só termina na tarde de domingo. Devanir Amâncio da ONG Educa SP registrou alguns desses momentos.

Cama cultural

Este aqui já vê benefícios com o show, ou o bambu que fará parte do palco principal da Virada. Descansa como se estivesse em uma manjedoura “king-size”.

A espera da Virada CUltural

Saci também encontrou espaço privilegiado diante do Teatro Municipal ainda coberto pelos tapumes que escondem a reforma na casa de espetáculo. Sabe, porém, que com o início da Virada bem possível será deixado para trás, mas isto faz parte de seu cotidiano.

Pauta #cbnsp: Sem-teto são assassinados em São Paulo

 

CBN SPSem vida – Seis pessoas foram assassinadas enquanto dormiam embaixo de um viaduto na rodovia Fernão Dias, no bairro do Jaçanã, zona norte da capital. Uma mulher está ferida. Motoqueiros pararam no local e atiraram contra os moradores de rua. Suspeita-se que tenha sido vingança contra o grupo que teria cometido assalto próximo do local. Acompanhe a reportagem da CBN.

Sem teto –
A presença de moradores de rua em área distante do centro de São Paulo não surpreende o coordenador da Associação Rede Rua, Alderon Costa. Ele disse que se estima haver de 13 mil a 18 mil pessoas vivendo nesta situação na capital pela falta de abrigos e infraestrutura para atendê-los. A preocupação maior é com a chegada das baixas temperaturas, como explica na entrevista ao CBN SP.

Sem luz – Falha em sistema elétrico deixa centro da cidade de São Paulo sem luz desde o início da manhã. Ouça a reportagem.

Sem água –
Serviço de manunteção deixará bairro do Morumbi sem água durante a quinta-feira. Ouça as informações.

Foto-ouvinte: Banheira Pública

 

Banheira pública

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Um grande buraco em formato de poço, que já engoliu as rodas de um caminhão de lixo, vira atração no calçadão da Av. São João com a rua Conselheiro Crispiniano, no centro de São Paulo. Durante o dia, moradores de rua usam o poço para lavar o rosto, as mãos e os pés; à noite, o corpo inteiro.
 

Sem dinheiro é só um lixo

 

Cofre no lixo

Por Devanir Amâncio
ONG Educa São Paulo

“Morador de rua vasculha cofre de 500 quilos abandonado na rua José Bonifácio, próximo à prefeitura, no centro de São Paulo. 
Lojistas  temem que, com o  acúmulo de lixo, o cofre vire casa de ratos. 
Como se não bastasse o derscarte de lixo e entulho de forma irregular nas vias públicas,  a cena mostra o quanto anda a consciência de respeito dos cidadãos de diferentes níveis soicioeconômicos com espaço público urbano. A inclusão do  lixo como matéria obrigatória no currículo escolar ajudaria a resolver o problema?”

Pauta do dia #cbnsp 19.04.2010

 

Jardim Pantanal

Jardim Pantanal – Cenário de uma das tragédias do verão paulistano, o Jardim Pantanal mudou pouco desde que foi decretado estado de calamidade, há dois meses. A repórter Pétria Chaves sobrevoou o local com o helicóptero da CBN e identificou vários focos de lixo próximo aos córregos da margem do rio Tietê. As ruas estão úmidas – conforme ela descreveu -, apesar de não haver mais alagamentos.

Praça Roosevelt – A prefeitura de São Paulo anuncia mais uma tentativa de recuperação da praça Roosevelt: 1º de junho começam as obras, disse a gerente de intervenções urbanas da Emurb, Rita Gonçalves. A burocracia é o motivo para os atrasos no projeto de revitalização da área que vem sendo debatidos ao menos há cinco anos. Quanto a convivência de comerciantes, clientes e moradores do entorno da praça, Rita Gonçalves disse que depende muito mais do interesse das partes em entrarem em um acordo do que do poder público.

Morador de Rua – A secretária municipal da Ação Social Alda Marco Antonio será convocada para divulgar os dados do censo sobre os moradores de rua na capital paulista. Foi o que disse o vereador Chico Macena (PT) que preside a Frente Parlamentar das Pessoas em Situação de Rua. Ele participou de debate promovido pelo CBN SP com a vereadora Sandra Tadeu (DEM) que apesar de ocupar a vice-presidência da frente confessou conhecer muito pouco sobre o assunto. Acompanhe o debate que foi ao ar, nesta segunda-feira, e participe das reuniões da frente parlamentar quintas-feiras, às cinco e meia da tarde, na Câmara Municipal de São Paulo.

Esquina do Esporte – A construção do time do Santos se deve a mística que existe em torno do clube e a infraestrutura desenvolvida na última década. É a opinião de Deva Pascovicci e Victor Birner sobre a equipe que se transformou na sensação do futebol brasileiro neste 2010 e está próximo de conquistar o título de campeão paulista.

Época SP na CBN – Moby na sexta-feira em São Paulo é uma das principais atrações culturais desta semana e está nas dicas do Rodrigo Pereira. Para hoje, tem Virginia Rosa e Rivotril.

Moradores de rua são homens sem país, diz Nicomedes

 

o homem sem paísO “homem sem país” identifica milhares de brasileiros que vivem nas ruas e não são aceitos em nenhuma cidade. É personagem no qual tropeçamos na calçada e fazemos questão de não enxergar. Que ao se aproximar do vidro do carro, nos causa pavor. Por isso, é o centro da história contada por Sebastião Nicomedes em peça itinerante e que, segundo ele, está na hora de ser mostrada para os outros. Até aqui só apresentou para moradores de rua: “cansei de falar de nós para nós, não transforma”.

Sebastião Nicomedes é daqueles entrevistados que me orgulho de colocar no ar. Conheço-o muito pouco, pessoalmente, mas li e ouvi várias vezes a história deste cidadão sempre apresentado como ex-morador de rua. Ele é muito mais do que isso, inteligente, culto, bem articulado, visão lógica das coisas da vida e com a experiência de quem conhece o que ocorre no mundo – conceito de algo que não precisa estar do outro lado do Planeta, está logo ali, do lado de fora da sua porta.

Sabia que na conversa sobre o tratamento oferecido aos moradores de rua na capital paulista, ele traria pensamentos capazes de nos levar a refletir. E de cara chamou atenção do presidente da República, do Governador de São Paulo e do prefeito na capital que “estão mais preocupados em mostrar uma cidade bonita para os turistas na Copa do Mundo”. A sugestão dele é que no dinheiro a ser investido se leve em consideração a inserção dos moradores de rua nos planos de habitação e no trabalho gerado pelas melhorias a serem realizadas. “Por que não pegam essas pessoas que estão perdendo a mente na rua e os oferecem a oportunidade de trabalhar na limpeza da cidade ?”, pergunta Nicomedes em uma sequência de frases fortes e reivindicatórias.

Cartaz 2Sobre o que ocorre em São Paulo se disse preocupado pelo sumiço dos agentes de proteção, substituídos pela Guarda Civil Metropolitana e pela própria polícia. “O caminhão do rapa que antes recolhia material de camelô, passou a abordar moradores de rua para tomar os pertences deles”, explicou. Foi sarcástico ao lembrar que para o governo dar bolsa-aluguel é preciso o morro cair ou a casa desabar, como morador de rua não tem onde morar, nunca é lembrado.

Para ele, o “povo da rua” não é caso de polícia nem só de assistência social. A questão tem de ser atendida por outras áreas como as secretarias de saúde, trabalho e habitação.

Para conhecer melhor Sebastião Nicomedes assista à peça “O homem sem país”, dia 7 de maio, na rua Guaicurus, 1000, Lapa, São Paulo. Ou ouça aqui a entrevista ao CBN SP.

Prefeitura mantém sigilo sobre censo de morador de rua

 

Morador de rua em São Paulo

O Ministério Público Estadual quer esclarecimentos da prefeitura sobre tratamento que a Guarda Civil Metropolitana presta a moradores de rua, na cidade de São Paulo. E critica o silêncio do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em relação ao censo que identificou o número de pessoas que vivem nesta situação na capital e pelo qual foram gastos cerca de R$ 800 mil. Apesar de concluído, o trabalho é mantido em sigilo.

No ano passado, após ser cobrada pelo fechamento de vagas para atendimento de moradores de rua, a secretária municipal de Assistência Social e vice-prefeita Alda Marco Antônio disse que não havia como falar em falta de vagas se ainda não tinha sido feito um censo para identificar o número de pessoas nesta condição. Comprometeu-se a realizar este trabalho até o fim do ano de 2009.

Em 1º de março de 2010, a Folha de São Paulo informou que havia 13 mil moradores de rua na capital, com base em dados do censo. A prefeitura negou as informações e disse que ainda não tinha o levantamento em mãos. Desde então, a produção do CBN SP tem cobrado da prefeitura o resultado deste trabalho, sem sucesso.

“O prefeito tem obrigação de divulgar estes dados, pois esta é uma informação pública e sua divulgação está prevista em lei”, explicou o promotor de Justiça de Direitos Humanos da Capital Eduardo Valério, em entrevista ao CBN SP que você acompanha aqui. Com isto, ele toca em um ponto fundamental que é a forma como o poder público – inclui-se a prefeitura de São Paulo, e não se exclui nenhuma outra esfera – trata estas informações.

Dados que deveriam estar acessíveis ao cidadão são mantidos na gaveta por conveniência política, como é o caso da quantidade de moradores de rua em São Paulo. Há outros que apesar de publicados não são transparentes pela formato como a informação está disponível – seja pelo tecnicismo do texto, seja pelos códigos de computação usados que impedem a manipulação dos números por programas avançados de computador.

“Um indivíduo só pode exercer plenamente sua liberdade de escolha se tiver a oportunidade de acessar informações completas, verídicas e de qualidade. Além disso, é somente com acesso pleno a informações detidas pelo Estado que as pessoas podem acompanhar a vida política, seja ela nacional ou local, tanto para monitorar a atuação do Estado quanto para participar dos processos decisórios” – diz texto do Artigo 19, grupo que defende leis de acesso à informação pública.

Em São Paulo, projeto recém-chegado à Câmara Municipal, de autoria da vereadora Mara Gabrilli (PSDB), oferece oportunidade de se dar ao menos um passo a mais nesta questão. Determina que os dados sobre os gastos das subprefeituras, do TCM e da Câmara sejam divulgados na internet e nas praças de atendimento e contenham nomes de fornecedores e notas fiscais. E o que considero fundamental: de maneira fácil e simples para que o cidadão comum possa ter acesso a estes dados de “forma autônoma e prática”.

Que fique claro, não é necessário nenhum projeto de lei para que Kassab torne público os dados do censo dos moradores de rua. Basta querer.

*Foto do colaborador Marcos Paulo Dias, na avenida Nove de Julho, em São Paulo

Morador de rua não é caso de polícia

 

O uso da Guarda Civil Metropolitana para retirar moradores das ruas é de causar constrangimento a qualquer cidade com perspectiva de modernidade. O caso tem de ser tratado do ponto de vista da assistência social, não da segurança urbana – esta é acessório na solução do problema. São Paulo, ao contrário, não se envergonha disso, coloca em lei. Foi esta a iniciativa da administração Kassab (DEM), que no dia 1º de abril – parece brincadeira, mas não é – baixou ordem para que os guardas metropolitanos passassem a atuar na remoção das milhares de pessoas que dormem nas calçadas e praças da capital.

De acordo com o secretário municipal de Segurança Urbana, Edson Ortega, os GCMs foram capacitados para atuar neste setor e trabalham de “forma coordenada” com os servidores da assistência social. Apesar da tal “união”, o secretário não soube informar o número de moradores de rua na capital, dado básico para se traçar qualquer tipo de estratégia: “Quem tem esse número é a Secretaria de Assistência Social”, informou.

Confesso que fiquei na dúvida. Se há sinergia, estes dados teriam de ser de domínio tanto da segurança urbana quanto da assistência social. Mas aí há outro problema: desde o fim do ano passado, a secretária municipal de Assistência Social e vice-prefeita Alda Marco Antônio promete divulgar o resultado de pesquisa que mostra a quantidade de moradores de rua na capital. Mesmo tendo gasto cerca de R$ 800 mil no estudo, os dados não foram publicados até agora.

“Eles não conversam, cutucam”, foi o que disse o padre Julio Lancelotti, da Pastoral da Rua, se referindo ao modo de operação dos guardas metropolitanos, em referência a abodagem que fazem com as pessoas que vivem na rua. Para ele a substituição da assistência social pela segurança urbana exclui a solução para outros problemas como a falta de moradia, desemprego, dependência de drogas e dificuldade de acesso aos serviços de saúde mental

Você ouve aqui a entrevista com o padre Julio Lancelotti e com o secretário Edson Ortega, ao CBN SP

PAUTA #CBNSP 14.04.2010

Acompanhe outros destaques da edição desta quarta-feira, no CBN SP:

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Pauta do dia no #cbnsp 26.03.10

 

grito_munchA lei do barulho foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, após o pedido feito pela prefeitura de São Paulo que entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). Com isso, até segunda ordem a denúncia anônima contra os barulhentos que ocupam a cidade continua valendo. (ouça a reportagem)

Acompanhe outras notícias que foram destaque no CBN São Paulo desta sexta-feira:

Morte na rua – Dois moradores de rua foram mortos após serem espancados, na praça Presidente Kennedy, na Mooca. A polícia prendeu um suspeito pelo ataque. Devanir Amâncio da ONG Educa SP comentou a morte dos moradores de rua.

Trólebus em SP – As novas tecnologias desenvolvidas por empresas brasileiras mostram que a cidade de São Paulo deveria investir na ampliação da rede de trólebus. Esta é a opinião do consultor de políticas públicas de transportes Adriano Branco.

Sem telefone e sem luz – Moradores de São Paulo ainda reclamam da falta de energia elétrica que ocorre desde o temporal de ontem à tarde. E cerca de 1.700 telefones ainda estão sem linha desde o acidente em uma obra do Metrô. A Telefônica informa que as pessoas prejudicadas serão ressarcidas. O advogado do IDEC Guilherme Varella explica como os consumidores podem cobrar seus direitos.

Noite Paulistana – Nelly Furtado, Seu Jorge e Zélia Duncan são os destaque do programa Noite Paulistana apresentado pela Janaina Barros.
O Santos convida o adversário a jogar, explica o narrador da CBN Deva Pascovicci. No bate-papo de hoje, Deva também comentou sobre as chances de Corinthians e São Paulo no clássico de domingo.
Esquina do Esporte –

Lago morto, peixe posto na panela

 

Peixe morto na República

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Nesta quarta-feira, 24, a Prefeitura deu  início à remoção dos peixes e tartarugas do lago que está secando na Praça da República. À tarde, moradores de rua disputaram entre si, com unhas e dentes, cerca de 50 carpas, retiradas sem vida da água esverdeada e malcheirosa, segundo testemunhas. Os peixes foram encontrados dentro de dois sacos na praça, ao lado de um banheiro abadonado.

Também foi retirado muito lixo do lago: pneu, carcaça  de geladeira, guarda – chuvas e dezenas de camisinhas / preservativos.