Moradores de rua são homens sem país, diz Nicomedes

 

o homem sem paísO “homem sem país” identifica milhares de brasileiros que vivem nas ruas e não são aceitos em nenhuma cidade. É personagem no qual tropeçamos na calçada e fazemos questão de não enxergar. Que ao se aproximar do vidro do carro, nos causa pavor. Por isso, é o centro da história contada por Sebastião Nicomedes em peça itinerante e que, segundo ele, está na hora de ser mostrada para os outros. Até aqui só apresentou para moradores de rua: “cansei de falar de nós para nós, não transforma”.

Sebastião Nicomedes é daqueles entrevistados que me orgulho de colocar no ar. Conheço-o muito pouco, pessoalmente, mas li e ouvi várias vezes a história deste cidadão sempre apresentado como ex-morador de rua. Ele é muito mais do que isso, inteligente, culto, bem articulado, visão lógica das coisas da vida e com a experiência de quem conhece o que ocorre no mundo – conceito de algo que não precisa estar do outro lado do Planeta, está logo ali, do lado de fora da sua porta.

Sabia que na conversa sobre o tratamento oferecido aos moradores de rua na capital paulista, ele traria pensamentos capazes de nos levar a refletir. E de cara chamou atenção do presidente da República, do Governador de São Paulo e do prefeito na capital que “estão mais preocupados em mostrar uma cidade bonita para os turistas na Copa do Mundo”. A sugestão dele é que no dinheiro a ser investido se leve em consideração a inserção dos moradores de rua nos planos de habitação e no trabalho gerado pelas melhorias a serem realizadas. “Por que não pegam essas pessoas que estão perdendo a mente na rua e os oferecem a oportunidade de trabalhar na limpeza da cidade ?”, pergunta Nicomedes em uma sequência de frases fortes e reivindicatórias.

Cartaz 2Sobre o que ocorre em São Paulo se disse preocupado pelo sumiço dos agentes de proteção, substituídos pela Guarda Civil Metropolitana e pela própria polícia. “O caminhão do rapa que antes recolhia material de camelô, passou a abordar moradores de rua para tomar os pertences deles”, explicou. Foi sarcástico ao lembrar que para o governo dar bolsa-aluguel é preciso o morro cair ou a casa desabar, como morador de rua não tem onde morar, nunca é lembrado.

Para ele, o “povo da rua” não é caso de polícia nem só de assistência social. A questão tem de ser atendida por outras áreas como as secretarias de saúde, trabalho e habitação.

Para conhecer melhor Sebastião Nicomedes assista à peça “O homem sem país”, dia 7 de maio, na rua Guaicurus, 1000, Lapa, São Paulo. Ou ouça aqui a entrevista ao CBN SP.

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