Palco da final faz aniversário e pode ser ‘vendido’

Estádio do Pacaembu fotografado por Andre di Lucca, no Flickr

“A inauguração oficial do Estádio Municipal de São Paulo, que se realizou na tarde morna e luminosa de ontem, constituiu um espetáculo de inédita beleza e sadio entusiasmo, enchendo de alegria e legítimo orgulho os olhos e o espírito de toda a multidão ali presente às cerimônias de abertura da majestosa praça que lhe dá a primazia na América do Sul, em mais esse setor.”

Com este texto, o jornal O Estado de São Paulo abriu a reportagem sobre a inauguração do estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, apelidado Pacaembu, devido ao nome do bairro onde foi construído e inaugurado, em 27 de abril de 1940. O futebol só chegou ao gramado no dia seguinte, pois à festa de abertura reservou-se cerimônias oficiais com desfile de 10 mil atletas, entoar de hinos e discursos, com destaque a fala de Getúlio Vargas, presidente da época, e pouco querido na terra dos bandeirantes.

O aniversariante da semana voltará a sediar uma final de Campeonato Paulista de Futebol, domingo que vem, na qual o Corinthians, que não apenas jogou na inauguração como foi o time que mais vezes disputou partidas por lá, tem ampla vantagem sobre o Santos.

Não é desta final, porém, que pretendo escrever agora. Mas do Pacaembu, transformado em uma espécie de segunda casa (ou seria a primeira ?) do Corinthians ao não ter um estádio próprio capaz de receber partidas de futebol. Há 69 anos tem sido assim. E por uma dessas desavenças da administração não-profissional do futebol brasileiro, o será mais uma vez no fim de semana. Os 40 mil lugares serão poucos para abrigar o entusiasmo corinthiano embalado pela presença de Ronaldo com a camisa 9 e a proximidade do título estadual.
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