Passe livre: a evolução

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Impulsionado pelo reajuste da tarifa em janeiro, voltaram as manifestações do Movimento Passe Livre SP. A verdade é que a implantação da tarifa zero enfrenta grandes desafios. Financeiros, Sociais e Comportamentais.

 

Sob o aspecto financeiro a adoção do passe livre na cidade de São Paulo precisaria aproximadamente de R$7,2 bilhões de um orçamento de R$51,3 bilhões/ano. O que não é pouco, pois a educação fica com 9,8, a saúde com 7,6 e o subsidio da prefeitura atualmente é de 1,4.

 

Para liberar o consumidor de uma parcela ou do total do bilhete foram apresentadas várias hipóteses não excludentes. Por exemplo: IPVA, IPTU e o CIDE sobre combustíveis. Alternativas que demonstram a possiblidade de transferir arrecadações ou aumentá-las.

 

Entretanto, é preciso analisar os efeitos destas medidas dentro do contexto social. Para alguns, a tarifa zero seria como a Saúde e Educação, serviços públicos gratuitos. Quem não pode, usa e quem pode, viaja de carro ou de ônibus com ar, sentado e ouvindo música. Aliás, foi o que Erundina implantou e Maluf acabou com os ônibus de luxo, para atender os taxistas que perdiam clientes.

 

Dentro do aspecto social, a mobilidade é a capacidade das pessoas de se movimentar livremente. Atenderíamos os carentes e liberaríamos a demanda reprimida, ocasionando congestionamentos. Um risco que talvez valha a pena. Ronaldo o Fenômeno quase não segue carreira ao ser aprovado pelo Flamengo e não ter dinheiro para a passagem.

 

O economista Paulo Sandroni em artigo no Estado relata a experiência comportamental do grupo mais emblemático da cidade. As torcidas organizadas. No tempo da CMTC a depredação de ônibus por parte da torcida que perdia no jogo do Morumbi era total. Foram suspensas a linhas. A arrecadação caiu drasticamente. Os clubes procuraram a CMTC e ficou acertado, apenas com o protesto do corintiano Vicente Mateus, que os ônibus voltariam e, de graça, para os torcedores, mas, com a ameaça de parar tudo se houvesse depredação. Quem pagaria a conta seriam os clubes, com 1% a 2% da arrecadação. Sucesso total. Todos lucraram, e a CMTC descobriu que o custo operacional baixou 22%, que era o custo da cobrança.

 

Bem, dentre os desafios, resta a coragem política. E haverá?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Programas de milhagem não estão à altura do luxo a bordo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Asa de avião

 

A primeira classe em aeronaves é um mundo repleto de benefícios e mimos a bordo. Um luxo, vale lembrar, acessível a uma minoria de consumidores exigentes e dispostos a desembolsar alguns milhares de reais por seus bilhetes. Tudo pelo conforto, boa gastronomia, amenidades especiais e, é claro, boas noites de sono em um espaço muito maior do que as demais classes de voos.

 

As companhias aéreas não medem esforços em exceder as expectativas de seus clientes. Algumas se superam quando o assunto é a excelência do atendimento a bordo, oferecendo requintes como cabines particulares, menus assinados por chefs renomados, bebidas premium, lençóis de seda, pijamas, travesseiros e amenidades com assinatura de grifes renovadas.

 

Porém, muitas vezes, o luxo proporcionado a bordo infelizmente não se estende no relacionamento com o cliente. Se falarmos especificamente sobre os programas de fidelidade, onde os clientes acumulam pontos que podem ser trocados por viagens no Brasil e no exterior, nota-se que há um verdadeiro desafio para muitos clientes, independentemente da classe em que voam, poderem efetivamente trocar as milhas por viagens. Os programas de milhagem estão cada vez mais restritos quanto ao uso dos pontos e com mudanças em suas regras. Há muitos períodos em que não compensa para o cliente emitir bilhete com pontos, pois a quantidade exigida é exacerbada.

 

Outra questão, digamos, antipática das companhias aéreas são as cobranças por remarcações e cancelamento de bilhetes emitidos com pontos (e emitidos sem pontos, também). Chega-se a pagar perto de 200 dólares, dependendo da companhia, para remarcar um bilhete. Lamentável, pois o cliente percebe sua pontuação (ou deveria perceber) como um dos principais benefícios que ele obtém ao usar a empresa aérea. Porém, benefício que está cada vez mais difícil de ser usufruído e gera frustrações para muitos consumidores. O cliente, independentemente de ser um consumidor AAA, certamente sente desconforto ao ter que desembolsar valores apenas para remarcação de uma passagem. O encantamento adquirido pelo atendimento a bordo pode ser levado por água abaixo, e até mesmo alterar a imagem da empresa perante seu consumidor.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Seja lá o que for

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

pensa comigo:

 

O cidadão trabalha numa empresa de transporte público, motorista ou cobrador, apenas para citar os visíveis. Recebe seu salário do dono da empresa, que por sua vez,recebe o seu $$, do governo, seja ele qual for, de qual partido for. Certo?

 

Por partes, para eu não me confundir:

 

O governo, seja ele qual for, de que partido for, paga os donos da frota de veículos com o teu e o meu dinheiro, de um imposto escrachante*, com dinheiro dos que utilizam o dito transporte, e dos que não o utilizam.

 

Se você está sentado numa cadeira confortável, lendo este meu desabafo, se dirige um carro importado ou uma charanga qualquer, também paga pelo transporte público, seja ele qual for.

 

Portanto, esse assunto é do teu interesse e do meu, e não devemos apenas olhar de esguelha e dizer: oh! que horror! sentados em nossas poltronas assistindo à tragédia pela tevê, internet, ou seja lá de que tipo de geringonça for.

 

Ora, ainda para que eu possa manter o raciocínio nesse assunto que me é tão espinhoso:

 

Os funcionários das ditas empresas de transporte público não estão contentes com sua situação. Estão perigosos da vida com seus patrões – donos das empresas e do… ooops, quero dizer e com o governo. Seja lá qual for, de que partido for. Não podemos, de forma nenhuma, nos esquecermos de que eles são também cidadãos, que também pagam seus impostos e que, portanto, pagam parte do próprio salário e do $$ dos seus patrões. Certo?

 

Sou a favor da greve. Direito à greve é uma conquista do trabalhador; um direito que deve ser mantido e respeitado. Um soco no bolso do cara que não faz bem a sua parte.

 

Tenho uma singela sugestão aos grevistas de plantão.

 

Tomem seu banho de manhã, um bom café e vão trabalhar. sorrindo. Tomem respeitosamente seus assentos nos ditos veículos e recebam com bem os passageiros.

 

Komo açim, malu?

 

Elementar. É só não cobrar a passagem dos passageiros.

 

Olha que beleza. Em vez de vermos uma cidade em guerrilha, povo infeliz, e nem preciso descrever porque você está cansado de ver, veremos um povo contente, solidário com os funcionários grevistas, uma cidade inteira se unindo para verificar onde está o nó.

 

Afinal, os investidores dessa parafernália toda somos Eles: você e eu.

 

Ou não?!

 

* “Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho, um riacho de amor…” em Não existe pecado ao sul do Equador, de Chico Buarque e Ruy Guerra

 


Maria Lucia Solla é nossa escritora de todo domingo, que se deu folga porque sabe mais do que ninguém quando precisa, mas que diante do que assiste nas cidades nos deu uma bela chance de lê-la nesta segunda.

Canto da Cátia: Vai de ônibus Kassab

 

Kassab e o busão

O protesto de estudantes e trabalhadores contra o aumento da passagem de ônibus em São Pauo chegou às paredes dos prédios da cidade. No centro, a Cátia Toffoletto flagrou o convite ao prefeito Gilberto Kassab par que experimente o sistema de transporte na capital paulista. Mesmo mais lento e cheio, andar de ônibus está mais caro desde o início do ano, R$ 3,00.

Ônibus fica mais caro que metrô, em SP

 

Um registro histórico no sistema de transporte de passageiros em São Paulo: pela primeira vez, feitos todos os reajustes anuais, está mais barato andar de metrô do que de ônibus. Por este, desde janeiro você paga R$ 2,70; pelo outro, a partir de 9 de fevereiro, pagará R$ 2,65. A diferença de R$ 0,05 vai provocar mudança de hábito nos passageiros ?

O professor de engenharia de Transportes Públicos da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman acredita que sim, mesmo porque o sistema de ônibus está lento. E agora, caro. Para ele, a operação poderia ter um custo menor se houvesse investimento em corredores exclusivos que aumentariam a velocidade do transporte e ofereceriam mais conforto ao passageiro.

Ouça o que disse o professor de engenharia Jaime Waisman

Passagem a R$ 2,70 só em 2010 custou R$ 783 milhões

 

Transporte de ônibus em São Paulo (Foto: Marcos Paulo Dias)

E por falar em comunicação, a nota que recebi da prefeitura de São Paulo explicando o aumento no valor da passagem de ônibus tinha 25 linhas e nove parágrafos para apenas no último anunciar que a o paulistano iria passar a pagar R$ 2,70, a partir de 4 de janeiro de 2010.

O congelamento da tarifa neste ano foi promessa de campanha do prefeito Gilberto Kassab e para que esta fosse cumprida foram repassados para as empresas de ônibus R$ 783 mi – dinheiro que, lógico, saiu do cofre público. Mas isto não está na nota oficial da prefeitura.

Leia a justificativa oficial:


“A Prefeitura da Cidade de São Paulo concluiu, com o apoio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os estudos para definição do novo valor da tarifa de ônibus municipal, após três anos sem reajuste algum.

A partir dos diversos estudos, a Prefeitura optou pela aplicação da alíquota de 17,4%, que corresponde apenas à defasagem provocada pela inflação desde novembro de 2006, quando foi feito o último reajuste.

Nesse período em que a passagem de ônibus permaneceu com o mesmo valor, a Prefeitura e a SMT promoveram uma série de benefícios para os usuários do transporte público.

Renovação de mais da metade da frota, com a substituição de 8.100 ônibus por novos, mais confortáveis, seguros e maiores, o que gerou uma maior oferta de lugares, tornando-se, assim, a mais nova frota da história de São Paulo.

Aumento da frota acessível. Hoje São Paulo conta com 3.675 ônibus acessíveis distribuídos por todas as linhas que circulam na cidade;

Extensão da validade do Bilhete Único de 2 para 3 horas, possibilitando que mesmo aqueles que moram nas áreas mais distantes possam completar a viagem pagando apenas uma tarifa;

Criação do Bilhete Amigão, que permite ao usuário do Bilhete Único fazer quatro viagens de ônibus em até oito horas, aos domingos e feriados.

Na sexta-feira, dia 18 de dezembro de 2009, conforme determina a Lei Orgânica Municipal, o secretário Municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, entregou pessoalmente ao presidente da Câmara Municipal, ofício assinado pelo Prefeito Gilberto Kassab com as informações e planilhas detalhadas.

Com esse reajuste, o valor da passagem passará para R$ 2,70 (dois reais e setenta centavos), a partir do dia 4 de janeiro de 2010, O valor do Bilhete Único que faz integração com o Metrô passará de R$ 3,65 para R$ 4,00”