Pauta #cbnsp: Violência traz polícia de volta ao trânsito

 

CBN SPA violência no trânsito e a falta de capacidade da CET de atender todas as ocorrências fizeram o Governo de São Paulo recriar o Comando de Policiamento de Trânsito, oito anos depois de ter sido desativado. Em entrevista ao CBN São Paulo, o comandante Hervando Luis Veloso disse que o aumento da criminalidade levou a retomada dos trabalhos de uma polícia especializada. A PM deverá atuar para permitir melhor fluidez no tráfego segundo o coronel, também.

O advogado José Almeida Sobrinho, professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo, entende que, além de realizar blitz, o CPTran deve combater alguns tipos de irregularidades que não são da competência dos agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego.

O Comando de Policiamento de Trânsito foi desativado durante o governo Geraldo Alckmin (PSDB), em 2002, sob a justificativa de que a PM deveria ter sua atenção voltada ao combate à violência urbana. Quando foi questionado sobre o fato de que a fiscalização ficaria enfraquecida, o ex-governador defendia que todos os policiais incluiriam nas suas funções o controle do trânsito. Foi criticado na época, mas se mostrou irredutível. Hoje, está claro que foi um erro da administração estadual a desativação do CPTran.

Ouça a entrevista do comandante Hervando Veloso

Conheça a opinião do advogado José Almeida Sobrinho

Acompanhe outros destaques da pauta #cbnsp:


Golpe eletrônico –
A polícia investiga “roubo” de créditos da Nota Fiscal Paulista, mas o número de casos é considerado irrisório pela Secretaria Estadual da Fazenda, em São Paulo. De acordo com um dos coordenadores da secretaria Evandro Freire os casos ocorrem apenas com contribuintes que não estão cadastrados e possam ter tido seus dados copiados. Ele explica que apesar das ocorrências a única preocupação do Governo é sobre o modo de operação dos ladrões.

Educação – Mais creches, professores melhores, dinheiro aplicado e ações inclusivas são quatro dos temas apresentados durante discussão sobre o Plano Municipal de Educação que deve orientar as políticas públicas do setor durante os próximos dez anos. Nesta semana, se encerram as reuniões nas subprefeituras e os encontros temáticos, mas o debate seguirá em frente. Após a elaboração das ideias, o Plano será enviado à Câmara Municipal para aprovação dos vereadores. Samantha Neves, do Movimento Nossa São Paulo, falou sobre o resultado deste denate até agora.

Esquina do Esporte –
A demissão do técnico Antonio Carlos Zago é mais uma demonstração da falta de controle do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Beluzzo. Concordam com esta afirmação o comentarista Leonardo Stamillo e o narrador Marcelo Gomez que participaram do debate esportivo, no CBN SP.

Ação na Cracolândia foi deprimente, diz Maierovitch

 

A operação da polícia civil de São Paulo na Cracolândia, região central de São Paulo, causou uma tremenda confusão, social e política. Foram presos 33 suspeitos após trabalho de investigação que teria contado com a presença de olheiros, policiais disfarçados e equipamentos de gravação de vídeo escondidos em carros camuflados. Mais um monte de usuários também caiu nas mãos da Segurança Pública e foram levados para um centro da prefeitura que não estava preparado para recebê-los. Todos voltaram às ruas.

A polícia disse que a ação foi um “extremo sucesso”. A prefeitura, através do secretário Januário Montone, falou que foi um “espetáculo de pirotecnia”. Houve bate-boca pela imprensa entre os representantes do Governo Serra e Kassab o que causou enorme constrangimento pois são duas administrações que sempre andam de mãos dadas.

Para o presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falconi Walter Maierovitch a operação foi deprimente e desumana. Ele falou ao CBN SP e chamou atenção, também, para a falta de capacidade dos centros da prefeitura para atender usuários de droga: “fazem um atendimento de fachada”.

Ouça a entrevista de Walter Maierovitch

São Paulo pratica pena de morte ilegal

 

Título acima e reportagem abaixo, escritos por Renata Camargo, do Congresso em Foco, alertam para a violência policial no Estado de São Paulo. Para quem acredita que apenas a violência é capaz de impedir mais violência, uma boa leitura. Para todos os demais – entre os quais me incluo -, motivos a se preocupar:

“Dossiê elaborado por diversas entidades ligadas ao combate à violência no país revela que a polícia do estado de São Paulo pratica a pena de morte, ainda que esse tipo de condenação seja ilegal no Brasil. Embora o estudo tenha se concentrado na análise do comportamento da polícia paulista, os organizadores do dossiê alertam que as conclusões da pesquisa não representam uma realidade apenas de São Paulo. Como explica a historiadora Angela Mendes de Almeida, do Observatório das Violências Policiais de São Paulo, boa parte das constatações apresentadas no mapa de extermínio de São Paulo pode ser estendida para outros estados brasileiros.

O estudo, denominado Mapas do Extermínio: execuções extrajudiciais e mortes pela omissão do estado de São Paulo, revela que a polícia paulista tem usado a força letal de forma arbitrária e que o grau de extermínio de civis no estado é superior aos níveis mundiais aceitáveis.

As organizações trazem dados oficiais e extra-oficiais sobre o extermínio de civis feito por policiais em chacinas, em execuções sumárias aplicadas por agentes em serviço e fora de serviço e em mortes misteriosas de pessoas que se encontram sob custódia do Estado. As vítimas dessa “pena de morte extrajudicial” são, em sua maioria, jovens entre 15 a 24 anos de idade, moradores das periferias de grandes cidades, afrodescendentes e pobres.”


Leia a reportagem completa no Congresso em Foco

3.107 dias depois, Igor cumpre pena por assassinato

 

Oito anos mais velho, pesando pouco menos de 50 quilos, o que o fez parecer ainda menor do que já era, com os cabelos ralos de sempre, dentes apodrecidos e visivelmente extasiado. Com toda esta aparência de derrota, o ex-promotor de Justiça Igor Ferreira da Silva não perdeu a arrogância ao ser preso oito anos depois de fugir da condenação pelo assassinato da mulher que estava grávida. Convenceu a delegada que teria lhe dado voz de prisão a não colocá-lo no camburão da polícia, anunciou que estava se entregando e denunciou ter sido vítima de desrespeito aos direitos humanos durante a prisão.

Igor terá de cumprir os 16 anos e poucos meses de prisão, mas pode alegar problemas de saúde para ter a situação amenizada. Vai manter a tese de que a mulher foi morta por um assaltante e defender sua inocência. Todos os recursos possíveis e impossíveis serão usados por ele e família para tornar a condenação mais branda. Será persuasivo como já havia sido com seu advogado de defesa, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, a quem convenceu de que ficaria em casa enquanto o Órgão Especial do Tribunal de Justiça julgava seu destino, em abril de 2001. Tinha o direito de não comparecer diante dos colegas promotores. Assim que a sentença foi anunciada ele desapareceu.

Há oito anos, a polícia recebe notícias do paradeiro de Igor, algumas vezes policiais disseram ter estado muito próximos dele, mas nunca conseguiram colocar as mãos no ex-promotor. Teria tido aparições em Florianópolis e no Chile. Jamais confirmadas. Ele alega que sempre permaneceu no Brasil. A maneira como foi preso, após denúncia anônima, na calçada de uma rua da Vila Carrão, na zona leste, como se esperando a Justiça chegar, sinaliza que tenha cansado de fugir.

Durante três anos, os ouvintes-internautas do CBN SP acompanharam contagem progressiva do tempo de fuga do ex-promotor. A cada aniversário da condenação, realizávamos entrevistas com autoridades e especialistas no tema. Quase sempre o programa era seguido de um telefonema de membros da família de Patrícia Longo afirmando que confiavam na inocência de Igor Ferreira da Silva. Sim, os pais dela e irmão nunca acreditaram que o ex-promotor tenha sido o assassino. O pai dele, advogado, chegou a escrever um livro sobre o assunto acusando procedimentos ilegais da polícia e dos promotores que o julgaram.

Nos últimos anos, confesso, havia desistido de falar do caso.

A prisão aconteceu após 3.107 dias de fuga e concluiu o árduo trabalho da procuradora Valderez Deusdedit Abbud, que sustentou a acusação contra ele, convenceu os 25 desembargadores mais antigos da corte paulista, superou todas as barreiras impostas pelas manobras do experiente acusado e o desgaste de ter de condenar um colega do Ministério Público Estadual, mas que até esta segunda-feira não havia tido a oportunidade de ver a pena sendo cumprida.

“Perigo de gol” tirou Marzagão da Segurança

A figura de linguagem foi usada pelo presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, Walter Maeirovitch, para explicar a decisão do governador José Serra (PSDB) de tirar da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo Ronaldo Marzagão. O pedido de exoneração, oficialmente feito pelo próprio, foi apresentado ontem (terça 18), e resulta da pressão sofrida por Marzagão desde as denúncias de corrupção contra o seu ex-secretário-adjunto Lauro Malheiros que deixou o cargo ainda no ano passado.

Maierovitch contesta os resultados que a política de segurança pública tem alcançado, pois ao mesmo tempo em que houve redução nas taxas de homicídio, o Estado não teria sido capaz de combater o crime organizado.

Ouça a entrevista do presidente do IBGF Walter Maierovitch 

Ouça, também, mais duas avaliações sobre a saída de Ronaldo Marzagão da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo:

Presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP

Coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, Sérgio Adorno

Delegado se diz perseguido e tem blog censurado

A crítica à estrutura da polícia de São Paulo e a política de segurança pública do Governo do Estado causou prejuízos no mundo real e virtual ao delegado Roberto Conde Guerra. Por duas vezes, o blog Flit Paralisante, de autoria dele, foi tirado do ar por decisão judicial. Além disso, ele foi transferido de Santos para Hortolândia, medida vista pelo próprio como retaliação.

O espaço na internet ganhou expressão durante a Greve da Polícia paulista, em outubro do ano passado, transformando-se em canal extra-oficial de comunicação dos policiais que aderiram a paralisação.

No virtual, Guerra não desiste: abriu novo blog com mesmo nome, na plataforma do WordPress. No real, teme ser afastado da polícia pois responde processo por injúria e difamação. As ações foram impetradas por diretores da Polícia Civil de São Paulo que, segundo o delegado, são incapazes de viver na democracia e aceitar a crítica contrária ao trabalho que realizam.

Enquanto não é convencido a parar, segue postando informações sobre o governo e a polícia, como você pode ver no recorte abaixo, no qual chama atenção para promessas que José Serra fez para cidade de Hortolândia, durante a campanha eleitoral.

Recorte do blog Flit Paralisante

Ouça a entrevista do delegado Roberto Conde Guerra ao CBN SP

A produção do CBN São Paulo procurou a Secretaria de Segurança Pública para falar sobre o assunto, mas nenhuma resposta foi encaminhada até o momento.

Riscos da Operação Saturação na favela de Paraisópolis

Com a presença de enorme contigente de policiais, pela segunda vez,  o Governo do Estado de São Paulo decide implantar a Operação Saturação na favela de Paraisópolis, na zona sul, onde houve confronto com moradores na segunda-feira. As entradas da região estão vigiadas pela Polícia Militar, segundo informou o repórter Fernando Andrade, da CBN.

A coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP questiona a ação policial, neste momento. Lembra que na favela, as famílias vivem como se estivessem em guetos e são obrigados a conviver com diferentes grupos, desde organizações não-governamentais que atuam para melhoria da qualidade de vida até as criminosas que exploram o tráfico na região.

Ouça o que disse Nancy Cardia em entrevista ao CBN SP.