Conte Sua História de São Paulo 465 anos: a travessia na ponte de canos para nadar no lago da “Cidade Universitária”

 

Eduardo Coelho Pinto de Almeida
Ouvinte da CBN

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Hoje, levando minha esposa para fazer um exame com o médico que a operou há 15 dias, colocando uma prótese na cabeça do fêmur, atravessei a ponte que sai da Praça Panamericana e vai para a Rua Alvarenga. Reparem quando passarem nesta ponte, neste sentido, do lado esquerdo, sobre o Rio Pinheiros: existe uma outra ponte, somente para suportar canos enormes, penso eu que de água potável.

 

Quando eu era criança, hoje tenho 81 anos, só existia aquela ponte, não existia esta que atravessei hoje. Eu morava em Pinheiros e do lado de lá, do lado do Butantã, onde hoje é a Cidade Universitária, existia uma lagoa, penso eu que era no lugar onde está a raia olímpica da USP, não tenho certeza, mas era por ali e o lugar era conhecido como Cachoeirinha.

 

Era costume das crianças da nossa vizinhança, ou como diziam os vizinhos, os moleques, irem nadar na Cachoeirinha. Era costume mas nossos pais proibiam. E por isso íamos escondidos. Meu irmão Mário era, e é, cinco anos mais velho do que eu. Penso que ele tinha 12 e eu sete anos de idade. Eu queria ir também sempre que os ouvia combinando de nadar lá. Mas eu morria de medo para atravessar por cima dos canos daquela ponte e talvez por isso ou porque era realmente perigoso ele nunca queria me levar.

 

Criança que eu era, não sabia que é muito feio fazer chantagem, e então eu fazia: “ou me leva ou conto pra mãe que você foi nadar escondido”. E ele me levava. Coitado, pagava do mesmo jeito porque nadávamos de cueca, que eram brancas, antes de nadar, e chegavam em casa cor de barro. O castigo vinha da mesma forma, mas eu conseguia ir nadar na cachoeirinha.

 

Eduardo Coelho Pinto de Almeida é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

Ponte Estaiada do alto

 

A Ponte Estaida, a despeito das polêmicas em torno de sua construção e funcionalidade, é o mais novo cartão postal da cidade. Inaugurada em 2008, batizada Octávio Frias de Oliveira e construída sobre o rio Pinheiros, é das imagens que mais chamam atenção em São Paulo. Na novela, na televisão, nas fotos feitas por ouvintes-internautas e, não poderia ser diferente, no foco da nossa colega Isabel Campos, que além de boa voz e repórter de rádio, tem olho clínico para captar as imagens da cidade, a ponte é a “Cara de São Paulo aos 459 anos”. Esta foto foi feita em um sobrevoo com o helicóptero da CBN.

 


Veja o álbum completo com as imagens enviadas pelos ouvintes-internautas para a série “A Cara de São Paulo aos 459 anos”.

Onde estão nossas crianças?

 

Por Julio Tannus

 

Família de rua

 

Após passar por várias mães com crianças sentadas na calçada, desde bebês quase recém-nascidos até meninas e meninos de várias idades, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, não resisti. Resolvi fazer uma pesquisa:

 

Perg: O que a sra. quer?
Resp: Uma ajudazinha

 

Perg. Para que a sra. quer uma ajudazinha?

 

Resp: Para dar de comer para meu/minha filho(a)
Resp: Para ter dinheiro para ir embora daqui
Resp: Para comprar um sapato para meu filho
Resp: Para comprar uma roupa para meu neném

 

Perg: Posso tirar uma foto?

 

Resp: Não
Resp: Não
Resp: Não
Resp: Não
Resp: Não
Resp: Não
Resp: Não

 

Até que finalmente consegui uma autorização, com a seguinte ressalva: “só pode tirar se não for sair na televisão”.

 

Perg: Onde a sra. mora?

 

Resp: Debaixo da ponte

 

Carlos Drummond de Andrade

Moravam debaixo da ponte. Oficialmente, não é lugar onde se more, porém eles moravam. Ninguém lhes cobrava aluguel, imposto predial, taxa de condomínio: a ponte é de todos, na parte de cima; de ninguém, na parte de baixo. Não pagavam conta de luz e gás, porque luz e gás não consumiam. Não reclamavam contra falta dágua, raramente observada por baixo de pontes. Problema de lixo não tinham; podia ser atirado em qualquer parte, embora não conviesse atirá-lo em parte alguma, se dele vinham muitas vezes o vestuário, o alimento, objetos de casa. Viviam debaixo da ponte, podiam dar esse endereço a amigos, recebê-los, fazê-los desfrutar comodidades internas da ponte.

 

À tarde surgiu precisamente um amigo que morava nem ele mesmo sabia onde, mas certamente morava: nem só a ponte é lugar de moradia para quem não dispõe de outro rancho. Há bancos confortáveis nos jardins, muito disputados; a calçada, um pouco menos propícia; a cavidade na pedra, o mato. Até o ar é uma casa, se soubermos habitá-lo, principalmente o ar da rua. O que morava não se sabe onde vinha visitar os de debaixo da ponte e trazer-lhes uma grande posta de carne.

 

Nem todos os dias se pega uma posta de carne. Não basta procurá-la; é preciso que ela exista, o que costuma acontecer dentro de certas limitações de espaço e de lei. Aquela vinha até eles, debaixo da ponte, e não estavam sonhando, sentiam a presença física da ponte, o amigo rindo diante deles, a posta bem pegável, comível. Fora encontrada no vazadouro, supermercado para quem sabe freqüentá-lo, e aqueles três o sabiam, de longa e olfativa ciência.

 

Comê-la crua ou sem tempero não teria o mesmo gosto. Um de debaixo da ponte saiu à caça de sal. E havia sal jogado a um canto de rua, dentro da lata. Também o sal existe sob determinadas regras, mas pode tornar-se acessível conforme as circunstâncias. E a lata foi trazida para debaixo da ponte.
Debaixo da ponte os três prepararam comida. Debaixo da ponte a comeram. Não sendo operação diária, cada um saboreava duas vezes: a carne e a sensação de raridade da carne. E iriam aproveitar o resto do dia dormindo (pois não há coisa melhor, depois de um prazer, do que o prazer complementar do esquecimento), quando começaram a sentir dores.

 

Dores que foram aumentando, mas podiam ser atribuídas ao espanto de alguma parte do organismo de cada um, vendo-se alimentado sem que lhe houvesse chegado notícia prévia de alimento. Dois morreram logo, o terceiro agoniza no hospital. Dizem uns que morreram da carne, dizem outros que do sal, pois era soda cáustica. Há duas vagas debaixo da ponte.

 

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Protesto contra Código Florestal

 

Código Florestal protesto na Ponte do Paraíso

Faixas foram estendidas nessa segunda-feira em três pontes paulistanas: a do Paraíso (foto), Sumaré e Cidade Universitária. Com a mensagem “No Dia das Mulheres, dê florestas. Deputados, não destruam o Código Florestal”, o movimento Brasil pelas Florestas associa a votação que deve ocorrer nesta semana, na Câmara dos Deputados, com a proximidade do 8 de março, dia internacional da Mulher.

Canto da Cátia: Uma árvore no concreto

 

Ponte dos Remédios

A imagem feita pela Cátia Toffoletto pode inspirar poesia, mas demonstra descaso. A árvore que insiste em crescer entre o concreto da Ponte dos Remédios, na Marginal Tietê, zona oeste de São Paulo, sinaliza o que havia sido alertado recentemente pelo arquiteto Gilberto Giuzo, do SInaenco – Sindicato da Arquitetura e da Engenharia: a falta de conservação de alguns viadutos da cidade, entre eles o dos Remédios que teve de ser interditado boa parte dessa quarta-feira devido a queda da passagem de pedestre. Em visita que fez ao local há alguns dias Giuzo identificou plantas nascendo entre os vãos da estrutura, além de um emaranhado de fios e aço expostos – informa o jornal Metro.

Uma curiosidade: a prefeitura de São Paulo que teria de dar explicações ao cidadão não divulgou nenhuma informação sobre o incidente e medidas que serão adotadas na capa de seu site. Poderia usá-lo de forma mais prestativa e transparente.

Pontes interditadas: São Paulo não precisava disso

 

Obras na Marginal Tietê

A partir de amanhã, os motoristas que precisam passar pela Marginal Tietê enfrentarão sérios problemas de congestionamento com a interdição parcial de três pontes, intervenção necessárias para execução da obra de ampliação da via. Em novembro, mais duas pontes terão trânsito restrito. Para o urbanista e arquiteto Cândido Malta a cidade não tinha necessidade de enfrentar este transtorno, pois a ampliação da Marginal, além de gastar mais de R$ 1,5, não irá beneficiar o fluxo de tráfego na região.

Ouça a entrevista do urbanista Cândido Malta, ao CBN SP

O CBN São Paulo tentou conversar com a Dersa e a CET durante toda a manhã desta segunda-feira. Aliás, no sábado já havia convidado algum representante da empresa responsável pela obra na Marginal. Apesar da entrevista com a Dersa estar marcada para às 11 da manhã, a empresa disse que não poderia mais falar devido a outros compromissos.

Em relação a Companhia de Engenharia de Tráfego, de quem se pretendia apenas orientação de trânsito de como os motoristas deveriam se comportar a partir de amanhã, a informação foi de que somente o secretário municipal dos Transportes Alexandre de Morais poderia conceder entrevista sobre o assunto. Como, porém, estava ocupado nesta manhã, ninguém, da CET falaria.

Historicamente, coube ao ocupante da secretaria e da presidência da CET – funções exercidas por Morais, que também é secretário municipal de Serviços – falar da parte administrativa, ficando as orientações de trânsito e explicações sobre operações especiais aos técnicos. Mas parece que o atual secretário não confia em seus subordinados.

Prestação de serviço

As três pontes que serão interditadas parcialmente nesta segunda-feira, às 11 da noite:

Ponte da Freguesia do Ó

centro-bairro: primeira faixa à direita interditada
bairro-centro: primeira faixa à direita interditada

Ponte da Casa Verde

centro-bairro: última faixa à esquerda interditada
bairro-centro: sem interdição

Ponte Jânio Quadros

centro-bairro: interdição total
bairro-centro: sem interdição

As pontes do Limão e das Bandeiras serão interditadas, em novembro.

Foto-ouvinte: Cidade Inclusiva

A obra parou

É uma ponte, ou deveria ser, o local que este cidadão de cadeira de roda tenta atravessar. Há oito meses se iniciou obra que está paralisada, na rua Arraial do Bom Fim, no bairro de Itaquera, zona leste da capital.  A construtora Criciúma, contratada pela prefeitura, não está mais por lá, de acordo com informação do ouvinte-internauta que se identificou como Panzarini. Com a chuva, o piso é tomado pela lama, os moradores tem dificuldade para andar, o caminhão do lixo não chega até lá: “Toda essa demora prolonga ainda mais o sofrimento das pessoas que ali moram e precisam passar pelo local todos os dias para trabalhar”, escreveu na esperança de que alguma medida seja adotada pela prefeitura.