Que ônibus passa aqui

 

 

Se a prefeitura não faz, o cidadão faz. Foi incentivado por esta ideia que o grupo Shoot The Shit (melhor não traduzir) decidiu resolver um problema comum nos pontos de ônibus, a falta de informação sobre as linhas que passam no local – ou deveriam passar. Criada em Porto Alegre, a organização colou adesivos nos postes que indicam as paradas de ônibus e convida as pessoas a anotar as informações à mão. Da capital gaúcha, a ideia chegou a 11 cidades brasileiras, mais Lima, no Peru. O projeto Que ônibus Passa Aqui Teria, inclusive, recebido incentivo da EPTC, empresa responsável pelo transporte público em Porto Alegre.

 

O vídeo abaixo foi produzido pelos criadores do projeto quando estavam arrecadando dinheiro para lançar a campanha e os adesivos:

 

Que Ônibus Passa Aqui – Catarse from Shoot The Shit on Vimeo.


Dica do Blog Ponto de Ônibus

Vivendo e aprendendo com os anjos da bicicleta

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Vivendo e aprendendo. Quem não conhece esse ditado popularíssimo? Vou até um pouco mais longe: em algum momento, provavelmente, o amigo leitor, no mínimo, ouviu alguém repetir o velho adágio, se é que não se serviu dele num papo com amigos. Lembrei-o quando li reportagem de Priscila de Martini, colunista de ambiente do caderno Nosso Mundo Sustentável, do jornal gaúcho Zero Hora, em sua edição do último domingo. A chamada na contracapa me despertou a atenção: ”AJUDA PARA PEDALAR”. Fiquei tão curioso para saber o que continha a matéria que, contrariando o meu hábito, deixei de lado as páginas de esportes, minhas preferidas, e abri o periódico nas duas que continham a reportagem.

 

A manchete dizia:” Um anjo em duas rodas”. Abaixo, lia-se que o assunto de Priscila referia-se ao trabalho de voluntários que ajudam ciclistas a ir para as ruas. Como escrevi na abertura do meu texto desta quinta-feira, vivendo e aprendendo. Jamais havia imaginado que houvesse pessoas, anjos, segundo a autora da reportagem, especializadas, em instruir quem, como eu, teme enfrentar, pedalando bicicleta, o trânsito cada vez mais maluco, de uma cidade do tamanho da minha Porto Alegre.

 

Em São Paulo, fiquei sabendo agora, esses mestres ciclistas angelicais já existem faz tempo. Aí, com certeza, eles são ainda mais necessários do que aqui. Logo, não estou contando nada de novo. Para os ciclistas porto-alegrenses, porém, salvo melhor juízo, o trabalho gratuito executado pelos Bici Anjos precisa ser divulgado. Priscila de Martini, em sua primeira viajada tendo à frente um deles, o publicitário Cadu Carvalho, garantiu que aprendeu como o trânsito pode não ser tão assustador assim se o ciclista souber como se portar nas vias. Convém salientar, entretanto, que todas as interessantes dicas que Priscila ouviu do seu guia, somente funcionarão se motoristas e motociclistas se dispuserem a compartilhar vias públicas e até estradas, inclusive, com os que usam bicicletas tanto para passear quanto para trabalhar. Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da EPTC, lembra que “nosso motorista acha que tem preferência na via, quando, na verdade, o próprio Código de Trânsito determina o contrário”.

 

Em Porto Alegre, há 10 voluntários cadastrados para atender aos pedidos de quem pretende pedalar com menos insegurança nas nossas ruas. Solicite os serviços de um Bici Anjo entrando no site http:/bicianjo.wordpress.com. Particularmente, enquanto os nossos motoristas tiverem pés pesados, por mais valioso que seja o trabalho dos abnegados Bicis Anjos, vou pedalar nas calçadas da Zona Sul de Porto Alegre. Bem devagar,é claro,respeitando os direitos dos pedestres.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Sem cerimônia, "tchu, tcha" embala funeral

 

Cena assistida por conterrâneos durante funeral do ex-governador do Rio Grande do Sul Amaral de Souza, há duas semanas. No momento em que o caixão com o corpo chegava ao salão principal, o sucesso musical “Eu quero tchu eu quero tcha” começou a tocar e ecoou pelas escadrias do Palácio Piratini. Era o ringtone do celular que estava no bolso da calça de um dos funcionários da funerária. Antes que ele conseguisse soltar o caixão e desligar o telefone, em meio a risos e constragimentos, foi possível ver alguns presentes batendo o pezinho no ritmo da música de João Lucas e Marcelo.

Por decreto: proibido ficar doente no feriado

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não sei como as autoridades lidam com a saúde da população de baixa renda em São Paulo, mas imagino que o tratamento em todas ou, pelo menos, na maioria das cidades brasileiras seja semelhante. Faço questão de lembrar, volta e meia, que os textos que o Mílton publica nas quintas-feiras são enviados por mim de Porto Alegre, razão pela qual o que abordo neles geralmente se refere ao que ocorre no Rio Grande do Sul. No de hoje, apenas a introdução é da minha lavra. Mesmo sem ter pedido licença ao responsável por este blog, vou deixar que um médico, o Dr.Luís Schneider, ocupe o meu espaço com o seu desabafo. Esclareço que, como profissional de medicina, ele tem mais condições do que eu de criticar com conhecimento de causa, o ponto facultativo concedido pelo prefeito da capital gaúcha aos funcionários municipais, por ocasião do feriado de Corpus Christi. O título do seu texto é “Desrespeito por decreto”:

 

Assim é que o aviltamento do ser humano ganhou, definitivamente, o reconhecimento oficial. A autoridade constituída decretou que não há mais a menor necessidade de ser respeitada a condição de humanidade do cidadãos porto-alegrenses. Aliás, dos cidadãos pobres. Sim, porque, para os bem aquinhoados, que têm condições de manter planos de saúde para si e para seus familiares ou aqueles raros afortunados que dispõem de recursos financeiros para suprir, sempre que necessário, as despesas com a saúde. Esses não encontram dificuldades para obter consultas, exames e outros procedimentos médicos. Aqui, o canetaço suplantou a enfermidade ao determinar que o pobre não pode adoecer no feriado. E os postos de atendimento fecharam, como se não bastasse cerrarem as portas nos fins de semana. Tornou-se obrigatório, com isso, que não ocorram crises asmáticas, febres de quaisquer etiologias, infecções respiratórias, acidentes vasculares cerebrais ou outras patologias. A saúde é condicionada pela caneta do prefeito. Azar de quem agendou consultas, de quem veio de um município pequeno, gente que esperou meses ou até anos pelo dia marcado para ser examinado. Azar delas se perderam tempo e dinheiro em deslocamentos até as unidades de saúde fechadas em função do ponto facultativo. Azar que se sintam frustradas, humilhadas, pisoteadas. Quem se preocupa com esses pobres seres humanos? Como podem as mesmas autoridades que solicitam sejam os postos de saúde procurados a fim de que não fiquem sobrecarregadas as emergências dos hospitais, manter fechadas as unidades básicas aos sábados, domingos e feriados? Como a vida ser desrespeitada oficialmente, e por decreto.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Água mole em pedra dura

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Criei-me ouvindo esse provérbio da boca dos meus avós. Eles devem o ter escutado dos seus avós. Curioso, coloquei-o no Google para ver se esse sítio da internet, acostumado a responder a milhões de perguntas sobre as mais variadas questões levantadas por internautas do mundo inteiro, deixou-me a ver navios – este também não um provérbio, mas um dito popular cuja idade igualmente desconheço. Se é que alguém, talvez desavisadamente, começou a ler este texto, apresso-me a explicar por que lembrei o provérbio ancestral. Ocorre que, tal qual já fiz em mais de uma dessas quintas-feiras, inclusive na da semana passada, na qual escrevi acerca de uma ciclovia porto-alegrense que, antes de ser inaugurada, foi alvo de polêmicas, vou tratar outra vez de trânsito.

 

O jornal Zero Hora de sexta-feira passada, publicou excelente matéria sobre o assunto que tanto me preocupa. “Motoristas morrem mais aos sábados”. Essa foi a chamada de capa, seguida de um texto, em corpo menor, onde se lia que, das 482 mortes em acidentes no primeiro trimestre de 2012 no RS,117 ocorreram no último dia da semana. O número de acidentes com vítimas fatais vem subindo ano a ano. Com certeza, a quantidade crescente de veículos que enchem as rodovias federais, estaduais e municipais, principalmente nos fins de semana, é uma das razões da existência dessa trágica estatística. Eu diria que, além dos carros novos, cuja aquisição se tornou possível, em especial, devido às elásticas modalidades de prestações oferecidas pelas concesssionárias, existem, rodando por aí, principalmente nas estradas municipais, veículos usados, alguns apelidados de seminovos, dirigidos por “barbeiros” ou por irresponsáveis.

 

Há outras causas que se somam às por mim citadas. Zero Hora lembra que, sábado, é o “dia da balada”, em que muitos bebem. As estatísticas indicam também que 47,8% dos mortos aos sábados no primeiro trimestre de 2012 tinham entre 18 e 34 anos. ZH revela que, em abril, houve 29 mortes aos sábados, contra 7 às sextas-feiras e 20 aos domingos. O jornal lembra que o DETRAN contabiliza os mortos em hospitais até 30 dias após os acidentes. O que as autoridades podem fazer visando a diminuir esses malditos números? Fiscalizar, fiscalizar e fiscalizar, não só nas estradas, mas igualmente nas cidades. Encerro o texto como comecei: água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

416 metros de ciclovia e muitas polêmicas, em Porto Alegre

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Cidades que se prezam, especialmente as metrópoles, onde quer que estejam situadas, possuem ciclovias. Em muitas, porém, as existentes não são suficientes para atender a crescente e justa exigência dos que, além de usarem a bicicleta para ir ao trabalho, pedalam por esporte ou, simplesmente, por prazer. Em São Paulo, essas vias expressas, segundo imagino, estão ainda distantes do que seria ideal. Já Porto Alegre faz força para se inscrever entre as capitais brasileiras que oferecem aos ciclistas a segurança de conduzir suas “magrelas” sem medo de que precisem enfrentar veículos motorizados. Aqui – e cito Porto Alegre porque é de onde digito este texto – polêmicas sobre os mais diversos assuntos brotam com frequência e viram, é claro, assunto para a mídia. É o que vem acontecendo com a construção daquele que é apenas o trecho inicial da ciclovia da Avenida Ipiranga, inaugurado nessa segunda-feira. O prefeito José Fortunatti, candidato à reeleição, preferiu dizer que não participava de uma inauguração ,mas da “entrega de um trecho da obra à cidade”. Sem mais delongas,vamos às polêmicas.

 

A primeira ocorreu em novembro de 2011. Beto Albuquerque, secretário estadual de infraestrutura e logística, declarou que a ciclovia, por situar-se debaixo de fios de alta-tensão e em cima de um gasoduto, ao contrário de proporcionar segurança para os seus futuros usuários, traria riscos de vida. A segunda polêmica foi provocada pelo “guard rail” ou, se preferirem, guarda-corpo. A ideia é que fosse feita uma cerca de madeira, criticada por especialistas no assunto e população. Até um concurso entre arquitetos foi, então, criado pela prefeitura. O autor do modelo vencedor foi o arquiteto Rodrigo Troyano. Corria já o mês de janeiro de 2012. Em fevereiro, faltou material para a construção do guarda-corpo mas o atraso provocado por esse fato, apesar de ter adiado a conclusãoa e do trecho, não chegou a virar polêmica. O primeiro módulo do guarda-corpo foi apresentado aos ciclistas no dia l6 de março. Nem todos ficaram satisfeitos com a obra. “Esta é a bicicleta de Tróia e esta ciclovia é um presente de grego”. Leu-se isso numa placa de madeira posta nas proximidades da obra.

 

Era de se acreditar que, com a entrega do primeiro trecho da ciclovia, as polêmicas se encerrariam, mas não foi o que aconteceu com a liberação, para os ciclistas, dos 416 metros que estão à disposição do público. Uma faixa com o texto “Mudar 5x de lado dá tudo errado” foi colocada próximo a uma das avenidas que cortam a ciclovia. O presidente da Associação dos Ciclistas de Porto Alegre, Pablo Weiss, também questionou a segurança da pista nos cruzamentos com os carros. Ouviu-se ainda reclamações quanto ao uso da ciclovia por pedestres. Esses, sem dúvida, correm risco de atropelamento. Já se viu que somente boas intenções não são suficientes para agradar ciclistas. Eu diria que, apesar dos pesares, inclusive da necessidade da conclusão dos restantes nove quilômetros, as ciclovias da Avenida Ipiranga e a da Avenida Diário de Notícias, com ou sem polêmica, representam um começo, titubeante, é verdade, mas sempre uma esperança de melhores dias para quem pedala.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Minha cidade adotiva faz 240 anos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Permitam-me que escreva sobre uma cidade que está completando 240 anos, fundada que foi por açorianos em 1772. É de onde envio todas as quintas-feiras esta coluna para o blog do meu filho. Quem vem me concedendo um pouco do seu tempo para ler as que, no passado, eu próprio chamaria de mal traçadas linhas, sabe a qual aniversariante me refiro. Já para quem me acompanha pela primeira vez, informo que Porto Alegre é o meu assunto de hoje. Minha relação com esta que é uma das principais metrópoles do país começou há 76 anos. Nasci em Caxias do Sul, na casa dos meus avós e onde nasceu e morou minha mãe e seus dez irmãos. Nunca perguntei aos meus pais, falta de curiosidade da qual me arrependo até hoje, com quantos dias de vida me trouxeram para Porto Alegre. Creio que dificilmente tenha passado de uma semana. Fotos em preto e branco confirmam que o meu primeiro aniversário foi festejado na Rua Conselheiro Travassos, bairro da zona norte. Em outra fotografia, apareço sentado na janela da frente da primeira casa em que morei na capital gaúcha, a poucos metros da rua inundada pela cheia de 1936, do Guaíba, rio que, de repente, passaram a chamar de lago. Esta foto foi tirada em setembro, um mês antes que eu completasse um ano.

 

Tirante o ano e meio que sofri num internato na cidade de Farroupilha, por sinal, apenas 18 quilômetros distante de Caxias, foi em Porto Alegre que estudei até conseguir o meu primeiro emprego como radialista, profissão que exerço ainda hoje. Foram quatro anos na Rádio Canoas e depois, na recém inaugurada Guaíba, com passagem pelo Canal 2. Como jornalista escrevi colunas esportivas no Correio do Povo e na Folha da Tarde. Integrei, também, os departamentos de criação de três agências: Standard, Publivar e Idéia.

 

Não imaginem que, ao fazer este relato, esqueço que sou caxiense de nascimento. Tenho muita saudade da Caxias dos meus avós, da minha mãe, dos meus tios e inúmeros primos. Visitei-a incontáveis vezes, inclusive em campeonatos gaúchos, como narrador da Rádio Guaíba. Foi lá até que fiz minhas primeiras narrações esportivas. Mendes Ribeiro, meu chefe, escalava os neófitos para narrar os jogos disputados lá, que começavam meia hora antes que os de Porto Alegre. Tal qual fez o meu filho que, tendo desembarcado em São Paulo em 1991, virou paulistano de coração por vários e bons motivos que ele mesmo não cansa de repetir, eu adotei Porto Alegre e Porto Alegre me adotou. Afinal, por iniciativa de um de seus vereadores, o saudoso Isaac Ainhorn, falecido em 2006, tornei-me Cidadão Honorário de Porto Alegre e, nesta semana, em que minha cidade adotiva festeja seus 240 anos, torço para consiga resolver,mesmo que paulatinamente, os problemas que todas as grandes cidades não podem se furtar de enfrentar.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Tem graça feriado com estrada congestionada ?

 

Por Milton Ferretti Jung

 

É cada vez maior – e isto que me refiro apenas ao Rio Grande do Sul – o número de veículos, especialmente automóveis, caminhonetes e utilitários, que transportam as pessoas que, principalmente nos feriados prolongados de verão, dirigem-se, visando a fugir do calor, às praias não só deste estado, mas da vizinha Santa Catarina. Fico a me perguntar qual a graça que encontram em se atrever a pegar estradas congestionadas e, portanto, perigosas, para passar alguns dias no litoral. Será que vale a pena o sacrifício? Elas devem achar que vale, caso contrário, não iriam. Levam vantagem, principalmente as que permanecem em Porto Alegre. A razão é simples: a metrópole, pode-se dizer sem exagero, com tanta gente motorizada saindo dela, esvazia-se como num passe de mágica. Sei que isso também acontece, proporcionalmente, claro, em São Paulo.

 

Talvez aí (quando digito aí, se trata de São Paulo|), seja até pior do que aqui, porque duvido que essa cidade, somente por força de um feriadão ou outro, ficará, em matéria de veículos nas ruas, tão vazia quanto minha Porto Alegre. Observem estes números: nos dias 17 e 18 deste mês, nas principais rodovias do Rio Grande do Sul – BR-101, Estrada do Mar,Free-Way e ERS-040 – registraram-se congestionamentos monumentais. Pela Free-Way e pela Viamão-Cidreira, 185 mil veículos partiram rumo às praias. É mole? Esse número superou todas as expectativas. Quem quis ir até Santa Catarina, sofreu muito mais: gastou 12 horas para cumprir o percurso Porto Alegre-Florianópolis. Normalmente, leva-se a metade desse tempo para viajar até a capital catarinense. Sei de quem tirou uma bela soneca antes que os veículos andassem.

 

Podem me chamar de saudosista, mas morro de saudade dos tempos em que havia duas estradas para as praias gaúchas: uma por São Sebastião do Caí, outra, por Viamão. Quem buscava as praias do norte, ia por uma; quem queria ir às do sul,pela outra. Houve até, durante alguns anos, uma prova automobilística que começava em Gravataí e terminava nas areias de Capão da Canoa. Durante uma época, a velocidade nas duas estradas era controlada, por um cartão que se recebia ao sair e tinha de ser mostrado, na chegada, à Polícia Rodoviária Estadual. Os apressadinhos eram multados porque chegavam ao fim fora do tempo que o cartão marcava.

Estou concluindo este texto antes da volta do feriado prolongado. Fico, porém, imaginando como estarão as rodovias no retorno.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Que venham, logo, mais ciclovias

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Há muito tempo Porto Alegre pede que a Prefeitura providencie a implantação de ciclovias. Este é o meu assunto nesta quinta-feira,dia 2 de fevereiro de 2012. A cidade conta com uma via para uso exclusivo de ciclistas na Avenida Diário de Notícias. Em seu primeiro trecho pode-se pedalar sem medo de ser atropelado. No segundo,interrompido por uma rotatória com sinaleiras,há espaço para bikes na calçada que margeia um dos lados da Avenida. Os ciclistas, principalmente os que pilotam bicicletas de corrida ou outras que são equipadas com pneus finos, queixando-se do tipo de piso, recusam-se a usar a ciclovia. Seja lá como for, ciclistas diletantes ou que treinam para competir, preferem arriscar-se a andar em fila indiana no asfalto da Avenida Edvaldo Pereira Paiva, apelidada de Beira-Rio, porque acompanha trecho de alguns quilômetros do Rio Guaíba (recuso-me a chamá-lo de Lago Guaíba, ”novidade” com a qual não concordo).

 

Não concordei, também, quando, em ciclovia que está sendo construída na Avenida Ipiranga, uma das mais longas de Porto Alegre, a Prefeitura começou a instalar, para proteção dos futuros ciclistas, um guard-rail de toras de eucalipto de reflorestamento. Foi a segunda polêmica provocada por desencontros de opinião entre as autoridades responsáveis pela obra. Na primeira, houve quem dissesse que, como a ciclovia seria implantada debaixo de fios de alta tensão, seus usuários ficariam expostos a sério risco. Ambas as polêmicas foram substituídas por uma ideia muito bem recebida: a de entregar o projeto do guard-rail e seu entorno a um arquiteto. Dentre 37 propostas, a vencedora foi de Rodrigo Troyano. Seu projeto, bem bolado, prevê guard-rail neutra, possibilitando a visão do outro lado do Arroio Dilúvio e conta com vegetação na sua estrutura, para que se integre à paisagem. Caso o ciclista se desequilibre, será protegido por bolas de plástico reciclável, que funcionará como uma almofada. Troyano receberá um prêmio de R$4,5 mil e o diretor-presidente Da EPTC, Vaderlei Cappellari, prometeu que o projeto será iniciado imediatamente ao longo dos 9,4 quilômetros da Ipiranga, a um custo estimado de R$1,9 milhão. Que venham, porém, outras ciclovias. Assim, talvez, os que protestam sosseguem o pito. E possam pedalar mais.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O salário dos vereadores de Porto Alegre

 

Por Milton Ferretti Jung

São Paulo é, como todas as grandes metrópoles, uma cidade que enfrenta, quem não sabe, problemas sem conta. Em vários aspectos, porém (e quem escreve este texto é insuspeito por não ser sequer morador daí), é invejável. No caso, o adjetivo que usei é sinônimo de apreciável. Um destes aspectos aos quais me referi diz respeito ao programa Adote um vereador. Não trato do assunto porque o Mílton foi o primeiro a se filiar ao Adote quando desafiou os ouvintes do CBN São Paulo – se é que alguém não sabe disso – a adotar um vereador. Por que cito o Adote um vereador?

Explico: por que, se existisse iniciativa semelhante na minha cidade, Porto Alegre, os vereadores daqui não teriam, talvez, aumentado os seus salários, sem votação em plenário.  Ganhavam  R$10.335,72 e passarão a perceber R$14.837,94. Convém acrescentar que eles tem à disposição cota máxima de R$8.785,56 por mês para custear despesas do gabinete, tais como materiais, conta telefônica, combustível, diárias, passagens aéreas, etc. Afora isto, recebem duas ajudas de custo, uma em 15 de dezembro  e outra em 15 de fevereiro, para complementar as despesas. O valor é referente a um mês de salário e está descrito no contracheque.

Apenas dois vereadores contrariaram a decisão da maioria: Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSOL, que doarão a diferença a instituições sociais. O aumento, ainda por cima, é retroativo a fevereiro. Enquanto isso, os professores municipais precisaram entrar em greve para, ao fim e ao cabo, receberam 5% de aumento (?) e terão de compensar, no período de férias, os dias em que ficaram parados. Gostaria que tivéssemos, em Porto Alegre, programa semelhante ao de São Paulo. Possuíssemos o “Adote um vereador”, quem sabe, repito, os nossos respeitariam mais os seus iludidos eleitores. Encerro, para que os paulistanos saibam com quem nós, porto-alegrenses estamos lidando, com a declaração de Luiz Braz do PSDB, um dos que embolsará o aumento se este se confirmar: “Com o salário que ganhamos, fazemos nosso trabalho com muita dificuldade. Com o aumento, ganhamos fôlego para realizarmos.

Em tempo:  Depois que encerrei este texto o Tribunal de Contas do Estado, em decisão cautelar, suspendeu o aumento concedido pela Câmara Municipal de Porto Alegre aos vereadores. Sofia Cavedon do PT, presidente da Câmara, resolveu não recorrer.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)