Conte Sua História de SP: Personagens do Brasil

 

No Grupo Escolar de Olímpia, cidade do interior paulista, o menino Hilmo Alves descobriu as belezas do Brasil ouvindo músicas de Ary Barroso. Foi na capital, porém, que ele conheceu personagens e se transformou em protagonista da história deste País. Estudante e militante, teve a chance de entrevistar o presidente Juscelino Kubitschek e o prefeito Jânio Quadros quando levou sugestões para combater a discriminação racial e melhor o atendimento médico aos estudantes da USP. Hoje, com 84 anos, Hilmo Alves, filho de um funcionário da estrada de ferro e de uma dona de casa, ex-alfaiate de uma das mais chiques alfaiatarias paulistanas da época, conta a sua história de São Paulo, em depoimento ao Museu da Pessoa.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo com Hilmo Alves, sonorizado pela Cláudio Antonio e editado pela Juliana Paiva

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN São Paulo.

Guerra e paz no Morumbi

 

Por Carlos Magno Gibrail

SOS MORUMBI

À guerra desencadeada pelos bandidos na área do Morumbi e demais localidades limítrofes, os moradores resolveram responder com a paz que dificilmente se vê nestes momentos.

A manifestação que acompanhei foi dentro de um tom que jamais tinha presenciado em protestos de mais de 3000 pessoas. Do som, das palavras, das atitudes, era civilidade total. Nem a tentadora passada na frente do Palácio dos Bandeirantes, que poderia atingir o duplo objetivo de acordar o governador, foi realizada. Para evitar exatamente problemas de segurança.

Aqueles 90 minutos pareceram virtuais ao ver jovens, adultos, velhos, crianças numa interação de cordialidade extrema, inclusive com policiais, funcionários da prefeitura e corpo médico. Até os pequenos apitos não geraram um apitaço, e o som mais alto foram de aplausos à causa defendida.

Ter ido valeu principalmente porque a mídia não deu a perspectiva que constatei, pois ao lado de reportagens superficialmente descritivas vimos alguns preconceitos.

Helena Sthephanowitz na Rede Brasil Atual intitula a sua matéria como o “Protesto de ricos contra gente diferenciada”. Gente diferenciada segundo ótica própria da autora são os moradores de Paraisópolis.
O jornalista Paulo Sampaio, do Estadão, dentre tantas unanimidades encerra sua reportagem com uma desnecessária opinião de alguém de passagem: “Era para ser um panelaço, mas a patroa não sabe onde estão as panelas, e a empregada está de folga”.

O movimento era contra a violência, e preconceito também o é, de forma que parece que a carapuça serviu mais além.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

“Sou gay e sou feliz”

 

Por Dora Estevam

Estas foram algumas das palavras de Ricky Martin na entrevista ao apresentador Jay Leno do The TonighShow.

O cantor, de 39 anos, um sexy symbol, manteve sua sexualidade em segredo até recentemente.

Neste post separei dois trechos da conversa dele na NBC:

Em resumo, Martin foi o símbolo do sexo, dançava , enlouquecia as meninas, e contruiu uma imagem que o impedia de dizer que era gay.

Imagino, hoje, o alívio dele poder assumir esta condição.

Na entrevista, Ricky Martin diz que graças a revelação se sente abençoado e feliz. Ainda dá conselhos para os homossexuais. Sugere que saiam do armário: “Eu só digo às pessoas para cuidar de si e se concentrarem na dignidade e auto-estima; e olhar mais no espelho e dizer: eu amo você, tudo é legal!”.

Destaco esta entrevista justamente na semana em que o Superior Tribunal Federal decidiu legalizar a união estável homoafetiva que inclui o Brasil na lista dos país que reconhecem os casais homossexuais como entidade familiar.

A decisão veio num momento justo, pois questões de garantias de uma relação reconhecidas pela justiça podem ser comuns agora entre os homossexuais: pensão, herança, comunhão de bens e previdência. Casais que já moram juntos e querem filhos também poderão se beneficiar uma vez que a lei facilita a adoção.

As campanhas pelo mundo no combate ao preconceito e violência contra gays ganham força, também. O estilista Marc Jacobs criou uma camiseta em favor da união gay (entre pessoas do mesmo sexo) com frases tais como “Eu pago impostos. Eu quero meus direitos”. E se você quiser vesti-la, a camiseta está à venda no site da Human Rights Campaign por $ 35 dólares – dinheiro que ajudará nas iniciativas da ONG.

“O reconhecimento hoje pelo tribunal desses direitos responde a grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário”, disse a ministra Ellen Gracie.

Aos 60 mil casais homossexuais que moram no Brasil (dados do IBGE) desejo parabéns pela conquista.

E a todos nós, aproveito, para desejar um Feliz Dia das Mães.

Bolsonaro e a Branca de Neve

 

Por Carlos Magno Gibrail

Jair Bolsonaro, deputado federal PP RJ, reeleito para mais um mandato, aconselha em programa da TV Câmara em pauta da Comissão dos Direitos Humanos:

“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele”.

E complementa:

“Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.

O programa “Participação Popular” da TV Câmara quinta feira em rede nacional, contou com a presença do presidente da Frente Parlamentar da Criança e do Adolescente, Paulo Henrique Lustosa, e discutia a Lei da Palmatória. Bolsonaro representava a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal.

A repercussão levou o deputado Bolsonaro à mídia, que sem cerimônia continuou no tom:

“Se o garoto anda com maconheiro, ele vai acabar cheirando, e se anda com gay, vai virar boiola com toda certeza”.

Na Rede TV, Bolsonaro, em programa para debater o episódio da TV Câmara, em dupla com Beto de Jesus, diretor da Associação de Gays e Lésbicas, ao se apresentar, perguntou:

“Vocês gostariam de ter um filho parecido comigo ou com ele”?

Arroubo de vaidade, plagiando a rainha invejosa da Branca de Neve em diálogo com o espelho, ou a saída do armário do Coronel Fits em Beleza Americana?

O preconceito em si esconde a relevância maior, tal qual nas boas películas, cujo roteiro e interpretações superam o fato.

Os vários mandatos de Bolsonaro são coerentes com os eleitores que representa. O incoerente é um deputado que apoiou a tortura de presos, considerou Vinicius de Morais um traidor, achou que o massacre dos 111 do Carandiru devesse ser 1000 e que pediu o fuzilamento de FHC quando presidente, pertença à Comissão de Direitos Humanos e Minorias como um de seus membros.

Esperemos que hoje, data marcada para o julgamento de Jair Bolsonaro, a CDHM Comissão de Direitos Humanos e Minorias, não decida de modo extremo e naturalmente afaste-o, pois como extremista não cabe em tão nobre entidade cujo objetivo é proteger as minorias da ação dos extremistas.

Carlos Magno Gibrail ė doutor em marketing de moda e, às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Sul e Sudeste elegeram Dilma, também

 

O preconceito e a má-informação têm induzido pessoas ao erro e colaborado para ampliar as diferenças que existem no Brasil. Refiro-me a origem dos votos que elegeram Dilma Roussef em detrimento de José Serra. Em mensagens curtas pelo Twitter e textos ilustrados que me chegam por e-mail a todo momento – e por isso resolvi falar sobre o assunto neste blog -, eleitores do norte e nordeste são “acusados” de serem os responsáveis pela vitória petista em uma tentativa de diminuir o resultado relacionando-o ao voto de pobres e analfabetos.

Antes de irmos aos números, ressalte-se que das coisas mais belas que tem na democracia é o fato de o voto do Barão valer o mesmo que o do peão – seja ou não alfabetizado. É dos poucos momentos em que o cidadão vale a mesma coisa diante da lei, raro em um país que costuma julgar conforme a posse.

Importante lembrar, também, que o voto que vem de Oiapoque (AM), Jaicó (PI) ou Caiçara (PB) são de eleitores brasileiros assim como os depositados (teclados) na urna em São Paulo e Rio de Janeiro. Representam o mesmo país. Assim, se Dilma tivesse sido eleita apenas pelo apoio do Norte e Nordeste, já teria sua vitória legitimada. Mas nem isso é verdade.

Somados os votos da região Sul e Sudeste, Dilma chegou a 29,7 milhões, enquanto Serra fez 29,4 milhões. Estaria eleita assim mesmo.

A vitória dela em Minas (16 p.p) e Rio de Janeiro (20 p.p) foi acachapante . O tucano se deu muito bem no Paraná (10 p.p) e Santa Catarina (14 p.p) e foi pouca coisa melhor no Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

Lembre-se, também, de que Paraná e Santa Catarina somam pouco mais de 9,3 milhões de votos, enquanto apenas o Rio tem em torno de 8 milhões. E Minas é o segundo maior colégio eleitoral do País, depois de São Paulo, com cerca de 14 milhões.

Puxando o traço: a avaliação de que o Nordeste, os pobres e os analfabetos elegeram Dilma, não bastasse ser de um preconceito irritante revela ignorância.

O insustentável preconceito do ser !

 

Por Rosana Jatobá

álbum de jef_safi no Flickr

Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.

Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:

– Recomendo um passeio pelo nosso “Central Park”, disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem “farofa” no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar….

De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.

Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os “Paraíba”, que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a “Cabeça chata”, outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:

-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:

O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor”.

“É ofensivo”, diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão “pé na cozinha”, para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.

O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra “niger”para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
“Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe”…que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).
Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan “black is beautiful”. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém.

Será que na era Obama vão inventar “Pé na Presidência”, para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como “inofensivos”, mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

– A minha “criadagem” não entra pelo elevador social !

E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, “viado”, maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:

– Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!

Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
– Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia …

Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: “O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem”.

Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.

O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:

-Só podia ser mendigo!

No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:

-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos…

Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre vida e consciência sustentáveis

Veja outras fotos no álbum digital de Jef Safi, no Flickr

Você vale o que você tem … no momento

 

Por Abigail Costa

Não é de hoje que as comissárias, tirando uma ou duas,  me incomodam. E muito. Não porque usam aquela maquiagem carregada, uniforme que de tão apertado parece ter sido emprestado pela irmã mais nova.

Elas me incomodam pela maneira como tratam as pessoas. Principalmente, as que amargam oito, dez horas no INPS – conhecido, também, como classe turística.

E isso não é privilégio das nossas moças ?

Somando as minhas horas de voo, fechei uma conta meio negativa no quesito educação. As internacionais também sofrem desse mal.



Outro dia numa companhia aérea americana, a viagem tinha como destino Roma, Itália. Pois bem, ao meu lado estava uma siciliana de uns 60 anos. Chega a aeromoça tão experiente quanto a passageira e vomita o cardápio em inglês

– “Ma che è sucesso? ”  

– “Che parla?”

Repetia as frases e as complementava com as mãos.



Entrei na conversa sem ser convidada – eu me senti a desconfortável.  

– “Pollo, pasta !?”



A americana entregou aquela bandeijinha de papelão recém-saído do microondas.


Caraca ! Conclui que má-educação não era regalia Made in Brazil.



Há  pouco tempo meu conceito sobre elas mudou. Ou seria por que mudei de classe ?



A troca não foi só por mais conforto. Foi por mais educação, gentileza e paciência de parte delas.



Na hora de escolher o menu do almoço, uma jovem se ajoelhou ao meu lado. 

– “Esqueci meus óculos” – gentilmente ela explicou prato por prato.

A outra chega:

– ” Com licença, Senhora …. champagne ?”

Caros, detesto ter que admitir isso… Mas é verdade.



Você pode não ter um pardal pra dar água, porém se estiver passeando com o cachorro esnobe da patroa, o tratamento será outro.



Viva as aparências !

Abigail Costa é jornalista e desde que escreve no Blog do Mílton Jung viaja de classe executiva 

Homens fazem ‘ajoelhaço’ pelo perdão das mulheres

 

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Centenas de homens ajoelhados pedindo perdão. A cena se repetiu pelo quarto ano no Sarau da Cooperifa em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Sérgio Vaz explica que o “ajoelhaço” é uma forma de os homens se desculparem por anos de injustiça e preconceito.

No Blog Colecionador de Pedras escreve que não basta o ato simbólico, é preciso mudança de comportamento. Acredita que os frequentadores da Cooperifa tem um perfil menos machista e se ajoelham porque sabem o quanto a mulher é humilhada em seu cotidiano. “Respeito não é apenas uma palavra, é um sentimento”.

Uma camisa rosa é reveladora

 

Desde pequeno somos ensinados de que menino veste azul e menina, rosa. Os pais esperam para sair às compras apenas após saberem o sexo do bebê. Os parentes preferem não arriscar e presenteiam tudo amarelo. Serve para os dois. Morrem de medo de trocar as cores. Principalmente se for homem. Imagina o que os outros vão dizer ? E a confusão na cabecinha do menino ?

O tempo passa e as coisas não mudam, até o rapaz resolver vestir uma camisa rosa e sair por aí. A mãe estranha, mas até que acha que a cor lhe caiu bem. Ficou bonitão, as meninas vão gostar, pensa em silêncio para o pai não ouvir.

É cruzar pelo primeiro amigo e lá vem a primeira gracinha: “Pegou a camisa da irmã ?”. O colega na escola não deixa passar em branco e tasca um sorriso malicioso logo de cara. Ele fica vermelho de vergonha, mas dá de ombros às convenções.

Durante toda a vida será assim. Na faculdade, no clube, na família, no primeiro emprego, no trabalho atual. É chegar no escritório e os olhares se voltam para a camisa rosa. Alguns murmuram notas desafinadas da “Pantera”. Das colegas até surgem elogios pelo bom gosto, mas também há as que deixam escapar comentários em tom de brincadeira. O amigo da Igreja não perde a oportunidade de tirar uma casquinha. Só por que ele é crente não vai agir igualzinho ao ateu ? É até pior.

Ninguém fica indiferente diante de um homem vestindo rosa. A cor é reveladora.