Um beijo contra o preconceito

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Cerca de 1.200 pessoas reuniram-se no dia 20 de setembro de 2009 para lutar contra o preconceito e o estigma de quem tem aids. O fotógrafo e artista plástico de renome internacional Vik Muniz fotografou seis mosaicos formados cada um por cerca de 600 soropositivos e solidários à causa. Uma nova imagem surgiu a partir de várias outras pequenas. Essa é a maior característica do trabalho do paulista radicado em Nova York. A ação faz parte da campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2009, organizada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, pelo Centro de Referência e Treinamento de São Paulo e pelo Programa Municipal de DST e Aids de Guarulhos e com o apoio de várias organizações locais.

Os voluntários seguraram cartões coloridos para formar imagens de beijos, símbolo universal do amor e da solidariedade. Essa será a primeira obra de Vik Muniz sobre o tema HIV/Aids. O resultado ficará exposto no MASP, Museu de arte de São Paulo. As fotos dos mosaicos foram tiradas no Ginásio Pascoal Thomeu (Guarulhos/SP).

Do site Dia Mundial de Luta Contra a Aids 2009

Um final feliz para Luciana de Viver a Vida

 

Alinne Moraes no papel da tetraplégica Luciana

Casal no altar, pais reconciliados, viciado sorrindo pela recuperação e o vilão pagando seus pecados na cadeia para delírio da torcida. A síndrome do Final Feliz que contamina os autores de novelas está sob ameaça na recém-iniciada Viver a Vida, da TV Globo, graças ao destino traçado à personagem Luciana, modelo que após acidente ficou tetraplégica. A curiosidade é que a preocupação de que o autor Manoel Carlos decida “curar” Luciana no último capítulo é de parentes e profissionais ligados a pessoas com deficiência.

Desde a confirmação da sequela deixada pelo acidente de ônibus, tenho recebido mensagens de pais de jovens com deficiência, filhos que cuidam de pais que sofreram lesões de extrema gravidade na coluna e profissionais de saúde que se deparam com esta realidade diariamente. Temem que a hipocrisia leve a novela a apresentar uma transfusão mágica ou uma cirurgia milagrosa para “salvar” a vida da menina bonita.

Há duas semanas, ocomentarista Cid Torquato, do Cidade Inclusiva, anunciou no CBN São Paulo, o destino de Alinne “Luciana” Moraes, que ainda fazia o papel de modelo de passarela disputando beleza com a colega Helena que casou com o pai dela, Marcos. Ele foi afirmativo ao dizer que ao contrário de outras novelas, Manoel Carlos estava disposto a mostrar a realidade na vida de pessoas com tetraplegia, sem apresentar falsas esperanças.

“Quando encaramos a verdade, fica mais fácil agir naturalmente e é essa verdade dos fatos que faz com que o deficiente encare a sua realidade e passe a exigir respeito, a exigir o compromisso das autoridades frente aos tratamentos e, principalmente, faz com que o próprio deficiente tenha acima de tudo amor próprio e o respeito por si”. A opinião é da ouvinte-internauta Suely Rocha.

Em Viver a Vida, o final feliz não está na descoberta da cura de uma deficiência que limita o movimento do corpo, mas no combate ao preconceito que restringe a inclusão de um cidadão.

Os ônibus na luta pelos direitos civis no mundo

 

Por Adamo Bazani

A atitude isolada de uma mulher negra em uma linha de ônibus municipal se transforma em referência na luta contra a segregação, nos Estados Unidos. E daquele ato surge um líder mundial

Quem diria que um ônibus seria cenário de uma revolução capaz de mobilizar o mundo? Nas pesquisas sobre os ônibus, seja aqui no Brasil ou lá fora, é possível perceber que a história deste veículo, muitas vezes tão criticado, é a história de pessoas: algumas anônimas, algumas bastante simples, algumas que se transformaram em referência.

Rosa Parks é nome nem sempre lembrado. Mais fácil lembrar de Martim Luther King. Os dois se cruzaram justamente em um ônibus, na luta pelos direitos civis e contra as desigualdades. Juntos marcaram a evolução da humanidade (por incrível que possa parecer, os seres humanos evoluem interiormente; nem todos, mas evoluem).

Nos anos de 1950, o racismo no mundo era explícito. A segregação, legitimada. A discriminação, sinal de status para alguns. Neste clima, vivia a costureira Rosa Parks, 42 anos, moradora de Montgomery, no Alabama. Em 1955, os ônibus da pequena cidade americana tinham lugares separados para brancos e negros. Com aqueles tendo preferência sobre estes.

O ônibus, velho, estava lotado e Rosa se negou a dar o lugar dela para um passageiro branco que acabara de entrar. O motorista advertiu de que isso poderia levá-la à polícia, mas ela se manteve firme. Pressionado pelos passageiros da “ala branca do ônibus”, o motorista teve de chamar o policiamento.

O ato levou Rosa à justiça e chamou atenção da comunidade local. No dia do julgamento, o Conselho Feminino do Alabama decidiu realizar um boicote ao transporte público, no Estado. O protesto pretendia mostrar que o serviço público deveria ser um direito de todos, brancos e negros. Rosa perdeu a batalha judicial. Revoltada, a população negra criou uma associação de lutas pelos direitos civis, a MIA – Montgomery Improvement Association.  Foi eleito para presidente da Associação, o recém-chegado a cidade, Pastor Martin Luther King. Nascia ali um líder.

A eloquência e o desejo de justiça sem violência eram marcas de Luther King. Já em seu primeiro discurso, o pastor dizia: “Quero assegurar a todos que trabalharemos com vontade e determinação para fazer prevalecer a justiça nos ônibus da cidade. Não estamos errados. Se estivermos errados, a Suprema Corte desta Nação está errada. Se estivermos errados, a Constituição dos Estados Unidos está errada. Se estivermos errados, Deus Todo-Poderoso está errado.”

O discurso comoveu a multidão em frente de uma igreja batista e marcaria o início de uma luta de dor, sofrimento e superação. O boicote aos ônibus que só deveria ter ocorrido no dia do julgamento de Rosa se prolongou.

Como reação, a prefeitura de Montgomery usou lei de 1921 que combatia qualquer tipo de boicote a negócios lícitos. 80 pessoas foram indiciadas. Entre elas, o pastor que teve de pagar U$ 550 de multa para não ser preso. Outros ativistas, como o pastor Ralph Abernathy e o líder negro ED Nixon também sofreram. Este, assim como Luther King, teve sua casa incendida.

Nada disso os fez desistir. O que era uma questão local, ganhava destaque internacional. O boicote aos ônibus continuava e lideranças nacionais de luta pelos direitos civis, Bayard Rustin e Glenn Smiley, se uniram à ideia. Mais de 42 mil negros entraram nesta luta.

Os taxistas negros implantaram um sistema de carona para que os apoiadores do boicote pudessem se deslocar. Os motoristas – mais de 300 – foram reprimidos. Alguns tiveram a permissão de trabalho cassada, outros foram presos. Mas Luther King, milhares de anônimos, inclusive Rosa, na cadeia ainda, não se rendiam. Os ônibus de Montgomery circulavam vazios, só com os brancos, insuficientes para sustentar o serviço.

Após intensa luta, em 5 de junho de 1956, a Corte Federal dos Estados Unidos, reconhece que a segregação nos transportes públicos era ilegal. Em 13 de novembro, a Suprema Corte do País tem o mesmo entendimento. Vitória.

Um dos momentos mais marcantes na vida de Martin Luther King foi dia 21 de dezembro de 1956, pouco mais de um mês do posicionamento da Suprema Corte. Um dia antes, após 381 dias de boicote, o protesto teve fim, e Luther King e o colega pastor Ralph Abernathy entraram num ônibus, em Montgomery.

Este é o momento que você vê na foto que está neste post extraída de uma edição especial da revista Veja de 1968, ano do assassinato do líder negro, pouco antes de uma marcha organizada pelo comitê que presidia.

Apesar da vitória naquela batalha, a luta contra o racismo, pela igualdade e pelos direitos civis, continua. A passageira de ônibus Rosa Parks, cuja determinação mobilizou o mundo, pressionada e sem emprego, teve de se mudar para Detroit.

A este busólogo, a certeza de que a história do transporte público não se conta a partir de marcas e modelos de ônibus, mas de gente como Rosa Parks.

Adamo Bazani, é repórter da CBN e busólogo. Às terças, escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: “Azul, negro e branco”

Sport 3 x 1 Grêmio B

Brasileiro – Recife


A TV quase não deu bola. Preferiu repetir exaustivamente jogadas em que os adversários se digladiam dentro da área ou em uma disputa qualquer em detrimento da informação. Na pequena torcida gremista que esteve no estádio da Ilha do Retiro, no Recife, havia a faixa: “Sou azul, negro e branco”.

Recado claro a quem, propositalmente ou não, tenta confundir os fatos, desde o bate-boca de Maxi Lopez e Elicarlos, durante a primeira partida da semifinal da Libertadores, no Mineirão, em Belo Horizonte. Momento em que conhecidos sanguessugas do futebol saíram a dar palpite e se apresentaram como defensores da moral e ética de toda a nação brasileira.

Falei pouco esta semana sobre o tema, e nada escrevi a propósito no blog porque sabem bem aqueles que me acompanham o tom do meu discurso nesta Avalanche. Meu colega de redação Fernando Gallo, que algumas vezes abrilhantou este espaço com ótimos artigos, deixou gravado nos comentários sua frustração por não ter lido por aqui alguma palavra minha. Como se fosse preciso.

Não sinto necessidade de escrever que sou honesto. Parto do princípio que aqueles que me conhecem sabem disso. Os que desconfiam do contrário que me conheçam melhor antes de construir qualquer pensamento a respeito.

Preciso dizer que discordo de qualquer atitude racista ? Minhas posições são públicas, e publicadas diariamente no CBN São Paulo. Quem acompanha o programa conhece minha postura. Quem lê este blog não deve ter dúvida do meu comportamento.

Também jamais me verão levados pelo espetáculo dos fatos, típico no futebol e em boa  parte da cobertura jornalística no País.  Daqueles que fizeram coro contra Maxi Lopez  muitos são os mesmos que fazem comentários jocosos sobre situação social quando falam da torcida do Corinthians,   se assanham a fazer piadas sexistas quando o assunto é o São Paulo ou taxam a ignorância de “baiana” e  a arrogância de “argentina”. Não quero a companhia desses em nenhuma campanha.

É preciso também buscar informacão, ter comedimento e relativizar os fatos.

Lá no pampa argentino, macacos somos todos nós brasileiros, não pela cor de nossa pele, mas por supostamente imitarmos os americanos. Diferentemente do uso dado a palavra no pampa gaúcho, onde a expressão tem conotação racista. Que se mude os hábitos, aqui e lá.

Não vou aqui julgar o atacante gremista. Se ele tomou alguma atitude errada – e, ao contrário de outras oportunidades, isto não ficou claro diante das câmeras – que responda pela injúria. Mas, por favor, não se aproveite desta situação para expor ideias xenofóbicas. Faça deste caso um momento de reflexão sobre atitudes que já tenham sido tomadas por você contra ou a favor de qualquer tipo de preconceito.

Entre torcedores, assim como  nas demais comunidades que se formam neste país seja por afinidade política, religiosa ou social, deve haver quem entenda ser superior ao outro pela diferença de raça. Infelizmente, este é um pensamento que ainda existe na sociedade brasileira. E precisamos condená-lo nos fóruns competentes e com atitudes produtivas, não, oportunistas.

Para o Grêmio, que fique claro a todos, não há opção: somos azul, negro e branco. Somos de todas as raças. Somos um time de raça.

SPFW: Preconceito na passarela

Por Carlos Magno Gibrail

Recorte de O Estadão mostra Paulo Borges, criador da SPFW, e o filho

A questão racial foi bater na porta de Paulo Borges, personagem ilustre do setor de Moda, tão caro e importante para a Economia brasileira.

Criador e dirigente do SPFW, maior evento da Moda no país, adotou uma criança negra. Era a prova definitiva que não havia preconceito da direção do espetáculo.

A Folha, provavelmente quando publicou em janeiro do ano passado reportagem que originou inquérito do Ministério Público, desconhecia a adoção ou a desconsiderou. Como também não levou em conta que a Direção do SPFW não interfere na escolha das modelos.

O ponto de partida era que em 2008, apenas 8 modelos negros desfilaram contra 344 brancos, 2,3% .

Deborah Kelly Affonso, promotora do grupo de atuação especial de inclusão do Ministério Público e autora da proposição, talvez empolgada com o TAC (Termo de ajustamento de conduta) sobre anorexia e idade mínima de 2007, diz: “O percentual de modelos negros no evento [em torno de 3%] é bem menor que o de brancos. O objetivo da Promotoria é fazer um acordo de inclusão social. Estabelecer um número mínimo de modelos negros a desfilar”. Foi procurar Paulo Borges e resumiu: “Ele disse que não tem controle sobre quem vai desfilar”.

“Em 2007, por causa de problemas de modelos com anorexia, assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Promotoria da Saúde Pública e da Juventude se comprometendo a cumprir uma série de exigências, inclusive em relação à idade mínima das modelos [16]. Isso passou a figurar em uma espécie de “manual das grifes” da SPFW. Agora, ele [Borges] diz que não é possível consignar no manual a exigência da cota. No que é diferente das outras?” E, continua citando Paulo Borges : “Há algum tempo ouvi uma entrevista onde ele dizia: Moda não é arte. Moda é serviço, é dinheiro. É um negócio.’ Nesse ponto”, conclui ela, “a gente está de acordo”.

Da Saúde Pública e Juventude ao Preconceito sem discernimento não há equivalência. A não ser a quem negue a Moda como arte. Ou se confunda com questão de ordem de Borges. Arte, serviço, dinheiro, negócio não podem ser vítimas de preconceito. Nem que seja para atacar preconceito.

A estilista Glória Coelho é da opinião que “a cota pode interferir na obra do estilista”. “Nosso trabalho é arte, algo que tem de dar emoção para o nosso grupo, para as pessoas que se identificam com a gente”.

Alexandre Herchcovitch não se opõe. “Pra mim, isso (cota) não é problema. Nunca excluí modelo por causa de cor”. Ele não acha que a cota pode interferir na obra do estilista

O baiano Helder Dias Araújo, proprietário da HDA Models, agência paulista que trabalha exclusivamente com modelos negros. “Claro que existe [preconceito]. É mais social do que racial. Se fosse um Pelé, um Barack Obama, ninguém iria ignorar.”

Ainda assim, Hélder é contra a cota. “O Brasil tem é de tomar vergonha e ver que não é um lugar de raça pura”.

Anderson Santos modelo da HDA :“Nem nas provas de roupas os estilistas querem modelos negros. Eles são claros – não mandem negros. As modelos negras encontram uma abertura maior fora do país. No Brasil, o mercado publicitário é mais flexível que o da moda”. Segundo o último censo do IBGE (de 2007), 49,7 % da população brasileira é composta por negros e pardos. “Nosso país é miscigenado, uma mistura de diversas etnias e todas devem estar representadas. Por que os modelos negros não são convocados?”.

Pelo TAC assinado agora a direção do SPFW orientou as empresas participantes a procurar desfilar com 10% de modelos negras no prazo de 2 anos.

O resultado reflete que o sugerido foi atendido, pois 148 modelos negros desfilaram num total de 1149 modelos, dando um percentual de 12,8%.

A Educafro – Educação e Cidadania de Afro descendentes e Carentes – que realizou manifestação na SPFW deu os parabéns e o frei David falou : “A organização demonstrou sensibilidade com o povo afro-brasileiro”.

Resta posicionar e enfatizar que a Moda, quer arte ou negócio, não pode receber interferência de maiorias ou minorias. É uma atividade de mercado.

À Folha, à Promotoria e ao Frei: Por que não a isonomia? Se a preocupação é levar a proporcionalidade da amostra populacional brasileira para todas as atividades, mãos a obra. Começando pela Folha, pelo Ministério Público e pela Educafro, ou pela Igreja?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e sempre defendeu a ideia de que o preconceito deve estar sempre fora de moda.

A homofobia nas escolas

Por Cláudio Fonseca
Professor e vereador do PPS-SP

Pesquisa recente elaborada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal, em parceria com a Ritla – Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, revela um perigoso e trágico sintoma da nossa sociedade: cresce, dentro das salas de aulas, uma onda homofóbica. Os responsáveis pelo estudo acreditam que esse comportamento também se espalha por todo o país, pois pesquisas e estudos já comprovaram essa tendência enraizada na nossa sociedade.

Intitulada “Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: Violência e Convivência nas Escolas”, a pesquisa indica que os homossexuais são o grupo que sofre mais discriminação dentro do seio escolar: em Brasília, base do último estudo, 63,1% dos entrevistados alegam já ter visto pessoas que são (ou são tidas como) homossexuais sofrerem preconceito. Foram ouvidos 10 mil estudantes e 1.500 professores.

Outros dados também mostram um grave avanço do preconceito e da discriminação sexual: mais da metade dos professores ouvidos afirmaram ter presenciado cenas de discriminação contra homossexuais nas escolas. Já 44% dos meninos e 15% das meninas afirmaram que não gostariam de ter colegas homossexuais.

São números que chocam e entristecem aqueles que lutam pela igualdade e a diversidade cultural e sexual. É preciso repensar nosso papel de educadores frente aos fatos apresentados pela pesquisa. O preconceito à escolha sexual produz efeitos extremamente preocupantes aos alunos discriminados: baixo rendimento escolar, desinteresse, abandono, depressão e, em muitos casos, à morte.

Na última década, o Brasil amadureceu na discussão da diversidade sexual. O tema passou a ser discutido abertamente em diversos segmentos da sociedade civil organizada, com a seriedade e o respeito que o assunto merece. Muitas conquistas já são visíveis, consolidadas, como a própria Parada do Orgulho Gay, que a cidade de São Paulo promove há alguns anos.

Portanto, já passou da hora de dar a questão da diversidade sexual dentro das escolas uma atenção especial por parte de toda a sociedade: pais, educadores, governantes e os próprios alunos devem participar do debate, entender onde nasce o preconceito e combate-lo de todas as formas. O preconceito a todas as formas de manifestação cultural e racial já produziu cenas lamentáveis, danos irreparáveis para os povos de todo o planeta.

Síndrome de Down: sexo é tabu; preconceito é doença

A mãe de um jovem britânico portador da Síndrome de Down faz campanha para que o filho tenha relações sexuais, segundo informa o Portal Terra. A iniciativa dela está registrada em documentário que será transmitido pelo canal 3 da BBC. Lucy Baxter sempre defendeu a ideia de que Otto Baxter, 21, tivesse uma vida normal, apesar da doença.

A notícia chama atenção, é claro. Mas o que me leva a escrever dela neste espaço é o espanto que tive ao ler as mensagens deixadas por internautas no Portal.

Bizarrice, disse um. Notícia a não se levar a sério, comentou outro. Impedir qualquer tipo de relação para que mais crianças não nasçam com o problema, surgeriu um terceiro. Houve quem aproveitasse o anonimato para gracinhas sem-graça.  Salvaram-se os comentários de pessoas que, direta ou indiretamente, tem relação com o assunto.

A relação sexual de pessoas com Síndrome de Down ou com alguma restrição intelectual é tabu e tema dos mais complicados para as famílias, educadores e profissionais da área de saúde. Há dúvidas sobre a melhor forma de se comportar diante do desejo natural de homens e mulheres. Muitas vezes, o constrangimento dificulta a conversa mais aberta e esclarecedora. Mas é realidade a ser discutida.

Leia o texto publicado no Top Blog do Milton Jung

Cidade Inlcusiva: Preconceito infantil

Bullying é expressão inglesa reproduzida no Brasil, sem tradução, para caracterizar o abuso moral e mesmo físico cometido geralmente entre crianças e jovens. O alvo costuma ser meninos e meninas que por qualquer motivo não se encaixam no esteriotipo dos demais alunos: é mais baixo, mais alto, mais gordo, mais magro, mais cabeludo, mais tímido e mesmo mais inteligente. Seja lá qual for o motivo, estas crianças são vítimas de preconceito.

Imagine, então, se um desses jovens tem alguma deficiência. É cadeirante, usa muleta, é anão, ou manca, apenas para citar algumas das dificuldades que podem enfrentar. De acordo com o comentarista do quadro Cidade Inclusiva, Cid Torquato, o nível de agressão é ainda maior contra a pessoa com deficiência.

Para coibir esta ação, as escolas estaduais receberão um manual contra o bullying que deverá ser usado por diretores, coordenadores pedagógicos e professores das escolas. A intenção é capacitar estes profissionais contra o problema.

Fica a expectativa de que o manual não sirva apenas para preencher a prateleira dos professores e passe a ser exercitado por toda a comunidade escolar, com a convocação dos pais para que discutam também este crime cometido contra crianças (e por crianças).

Negros, um salto para a humanidade; Gays: um passo atrás


Por Carlos Magno Gibrail

Referendo conjunto com as eleições que coloca Obama no poder, tira avanço alcançado meses antes na Suprema Corte da Califórnia. O casamento gay recebe voto contrário no plebiscito americano na Califórnia, na Flórida e no Arizona. Em Arkansas, a maioria contrária vai além atingindo a adoção de crianças por casais de gays.

Em tudo isso o que mais chama atenção é que a maior parte dos negros votou junto com os mórmons e os católicos. E, provavelmente, com a Ku Klux Khan também.

Os líderes dos grupos de defesa dos direitos dos homossexuais tributam o resultado dos referendos à comunidade afro-americana, quando 70% votaram contra os gays. Sinal que o preconceito, vilão indeletável das sociedades, permeia não só as maiorias como também as minorias, vítimas primeiras.

Ou será que o vigilante da Casas Bahia era de classe social e racial diferente do jovem assassinado? Emblematicamente este caso retrata a incompreensível rejeição da minoria pela minoria.

A ONG Gay Lawyers estima em 16 milhões o número de homossexuais no Brasil, quase 10% da população. Sonia Azambuja, analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise e membro da IPA International Psychoanalysis Association, infere que a grande injustiça aos gays é que se impõe uma carga extraordinária de medo para que assumam a homossexualidade, tal a rejeição que terão que enfrentar diante da sociedade preconceituosa que vivemos.

“Cotado para assumir o posto de capital mundial do turismo gay e com fama de liberal, o Rio está longe de se livrar do preconceito e da violência. Uma pesquisa feita em parceria pela Uerj, Universidade Candido Mendes e Grupo Arco-Íris, mostra que 56% já foram ameaçados de agressão ou morte por sua condição sexual e 16% foram efetivamente agredidos por esse motivo. O trabalho também revelou que mais de 90% dessas pessoas nem chegaram a registrar queixa em delegacia”, comenta Michel Alecrim.

Karen Schwach, da SOS Dignidade, diz que a maior prova da ira da sociedade aos gays é o caso mais explícito de bissexualismo estampado pelos travestis. Por exibirem a escolha, não têm espaço na sociedade organizada, restando como opção de trabalho a prostituição e afins.

Azambuja lembra ainda que a origem do comportamento gay longe de ser uma doença é constitucional – cromossômico – ou edípico. Portanto, nada a ver com processos de cura. Em todos os casos de pacientes homossexuais que tem atendido, não há nenhuma intenção de “cura” e sim de enfrentamento com os fantasmas naturais de mentes humanas e com um problema efetivo que é o narcisismo.

Nos últimos dois anos, em algumas regiões, ganharam o direito de adotar crianças, de deixar pensão para os companheiros e até de desfilar pelas ruas, sem esconder sua opção. Em Mato Grosso, Sergipe, Rio e Distrito Federal e em 76 municípios é crime discriminar gays e lésbicas.

O INSS também deu uma demonstração de liberalidade ao regularizar a concessão de pensões a viúvos de homossexuais.

O projeto de lei federal Marta Suplicy, que legaliza a união civil entre homossexuais e condena a homofobia, está parado no Congresso desde 1998.

Ainda assim, o potencial do mercado animou empresários paulistas a criarem a primeira Associação Comercial GLS do Brasil. São Paulo tem cerca de 90 estabelecimentos simpáticos aos gays.

No dia 10 de dezembro ,os gays dos EUA estarão repetindo o que os imigrantes já fizeram. Realizarão, simultaneamente a escolha do Nobel da Paz, e do International Human Rights Day da ONU, o Dia Sem Gay.

Se você quiser apoiar, basta não ter preconceito e clicar em www.daywithoutagay.org.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta-feira aqui no blog e já registrou o apoio dele no site do Day With Out Gay.