Antes de propor leis, vereador tem de se preocupar em montar um bom gabinete

Com o começo de nova legislatura nos municípios, vereadores eleitos e reeleitos chegam às câmaras municipais com uma série de ideias para transformá-las em projetos de lei, que se aprovados se somarão a uma montanha de outras leis já criadas pelo Executivo e o Legislativo. A maioria tem efeito nulo no desenvolvimento da cidade e na melhoria de qualidade de vida do cidadão. Para ter ideia, na última legislatura, na cidade de São Paulo, de 2017 a agosto de 2020, foram apresentados 2.969 projetos e aprovados 588.

Por trás da apresentação de projetos, tem muito de  boa intenção —- o que não significa que se transformará em boas ação. Tem também a ansiedade do parlamentar em dar solução para problemas que o Executivo não se mostra disposto a resolver  —- o que nos remete a outro problema que é o fato de que muitas dessas iniciativas não cabem, por lei, ao vereador; são da alçada do prefeito. Há os que apresentam o projeto apenas para dar resposta a demanda de algum grupo social que faz parte da sua base eleitoral —- e mesmo que não se transforme em lei, o vereador ao menos tem uma desculpa quando for cobrado: “eu tentei”. Ainda existem os que querem apenas aparecer, pegando carona em assuntos de apelo popular.

Em reportagem do jornal Agora, na edição desta segunda-feira, o advogado Armando Rovai, especialista em direito administrativo, eleitoral e empresarial da Universidade Mackenzie, critica o excesso de leis municipais no Brasil. Alguns projetos, segundo ele, “têm como único objetivo autopromover o vereador”. Rovai comenta que a Lei da Liberdade Econômica, em vigor desde 2019, exige que o parlamentar faça uma “análise de impacto regulatório” antes de apresentar “propostas de edição e de alteração de atos normativos”. No entanto, a maior parte dos legisladores desconhece essa obrigação e apresenta projetos sem um estudo de impacto.

O vereador não tem de entender de todas as minúcias da legislação, mas precisa conhecer o seu papel e o seu direito. Um dos caminhos para resolver esse problema, especialmente nesse momento em que novos vereadores estão assumindo suas cadeiras, é o cuidado com a formação do seu gabinete. Os vereadores têm verba específica e número de funcionários limitado por lei ou regulamento interno da casa legislativa, que pode mudar conforme a cidade. Em São Paulo, o vereador pode contratar até 18 funcionários — entre chefe de gabinete, assessor especial, assessor parlamentar ou assessor de gabinete.

Recomenda-se que a escolha desses funcionários, que serão pagos com dinheiro público, seja criteriosa e leve em consideração os temas centrais de um mandato. Por exemplo, se a ideia do vereador é tratar de assuntos relacionados à saúde, é importante que tenha entre os seus funcionários especialistas em saúde pública. Parece óbvio, mas não é. 

Ter alguém que conheça a burocracia legislativa —- leis, regimentos, processos, direitos e deveres —- evitará erros na condução das discussões. 

Contratar um especialista em finanças públicas ajudará no planejamento dos estudos de impacto econômico. 

Um profissional de comunicação permite que o Gabinete desenvolva canais de contato com o cidadão, com a imprensa e outros órgãos de interesse do mandato. 

Na capital paulista, será inconcebível um vereador montar seu gabinete, este ano, sem especialistas em planejamento urbano, a medida que um dos principais temas de debate na cidade será a revisão do Plano Diretor e Lei de Zoneamento —- aquele arcabouço de regras que decide como se pretende desenhar a cidade e pode mudar por completo a forma como o seu bairro ou a sua rua serão explorados.

Levando em consideração que muito mais produtivo do que propor uma lei atrás da outra é fiscalizar a atuação do prefeito — saber  como ele implanta as políticas públicas ou  como administra o cofre da prefeitura — é fundamental que o vereador leve para o seu gabinete gente que está preparada para desenvolver essa função.

Um bom gabinete — com mais técnicos e especialistas do que cabos eleitorais —, rende mais, gasta menos e torna o trabalho do vereador mais produtivo.

Adote um Vereador: por que vereadores aprovam leis inconstitucionais mesmo sabendo que são inconstitucionais?

Texto escrito originalmente para o site Adote um Vereador SP

Nós já sabemos para que serve o vereador, não sabemos? Ok, não custa lembrar: criar leis, fiscalizar o Executivo e promover discussões que levem a melhoria da sua cidade. Para cumprir esses compromissos que assume no momento em que toma posse —- eu diria até antes, pois se vai pedir o seu voto está subentendido que ele se comprometera em exercer corretamente a função para a qual foi escolhido pelo cidadão —- é necessário que algumas regras e limites sejam levados em consideração: todos devidamente escritos na lei.

Nem todo projeto de lei cabe ao vereador —- mesmo que todos os projetos de lei municipal tenham de ser aprovados pela maioria deles para se transformar em lei. Assim como nem todas as leis cabem ao município — mesmo que muitas delas impactem o cotidiano do cidadão.

Por exemplo, há regras que são federais e outras estaduais. Lei de trânsito é uma delas: se a União decide que todos temos de usar cinto de segurança para dirigir automóvel, não pode o prefeito e a Câmara Municipal votarem projeto de lei que libera os moradores a circularem de carro sem o cinto. 

Outro fator limitante para as ideais defendidas pelo vereador é que os projetos de lei devem indicar a fonte de receita para arcar com os custos do que foi aprovado. Ou seja, não cabe ao vereador isentar setores da economia de pagamento de impostos ou obrigar a prefeitura a contratar funcionários.

Apesar disto ser sabido e alertado, reportagem de O Globo, publicada no domingo, mostra que os vereadores de Rio e São Paulo têm passado dos limites: 267 leis aprovadas nas câmaras municipais foram declaradas inconstitucionais desde 2009 —- 177 no Rio e 90 em São Paulo. 

Para ter ideia: na capital paulista, o órgão Especial do Tribunal de Justiça considerou inconstitucional uma lei de 2015 que proibia veículos particulares de fazerem transporte de passageiro por meio de aplicativos; na capital fluminense, foi derrubada nos tribunais a lei que proibia cobrança de pedágio para taxistas.

O que é interessante saber disso tudo para que se tenha um olhar crítico mais apurado sobre o trabalho e o caráter do vereador:

Primeiro, que o projeto de lei para chegar ao plenário e ser votado passa pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal. Ali, todos esses projetos que são claramente inconstitucionais deveriam ser barrados para evitar que se perca tempo e dinheiro com a discussão e ainda pressionar os tribunais com mais processos. O problema é que a comissão não cumpre sua função: os projetos passam para atender interesses de um ou outro vereador.

Segundo, que a Câmara mesmo que seja alertada no meio do caminho de que o projeto é inconstitucional também aprova alguns projetos como troca de favor: eu aprovo o seu projeto e você aprova o meu. 

Terceiro, e mais importante: o próprio vereador que apresentou o projeto que será considerado inconstitucional, muitas vezes, sabe que é inconstitucional. Então por que apresenta? Pra jogar para a galera. É isso mesmo. Sabe que ao apresentar o projeto vai agradar determinado grupo que poderá ajudá-lo na eleição seguinte. Mesmo que depois a lei seja vetada pelo prefeito ou derrubada nos tribunais, ele mantém o discurso: eu fiz por vocês, eles é que são contra vocês.

É assim que a banda toca. Portanto, o cidadão tem de estar atento para essas manobras e antes de bater palma para algum candidato que está prometendo mundos e fundos, é bom saber se ele tem todo esse poder que acreditar ter.

Leia mais: https://www.adoteumvereadorsp.com.br/news/saiba-qual-e-o-limite-de-um-vereador/

Conheça três projetos que ajudam profissionais de saúde, empreendedores e pequenos negócios

 

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Imaginar o que haverá pós-pandemia é difícil. Há quem veja um mundo mais solidário. E os que enxergam as fronteiras mais fechadas. Há os que pensam em uma vida mais simples. E os que creem no aumento das desigualdades. Talvez saíamos todos iguais ao que éramos assim que a crise amenizar, a vacina aparecer e o novo coronavírus se transformar em velho conhecido. O que enfrentamos vira memória — história para ser contada. E bola frente. Quem jogava bonito, segue fazendo belezuras. Quem jogava feio, feiúras. Os adeptos do jogo sujo, sujeiras.

 

Melhor, então, olhar para o que acontece agora e identificar quem sabe se comportar diante da regra do jogo e usa de sua criatividade para melhorar o mínimo que seja a vida do outro. Nestes dias, encontrei algumas iniciativas que me chamaram atenção; gente disposta a ajudar gente, a apoiar empresas, manter empregos, acolher quem precisa.

 

 

Começo pelo Projeto Isolar que olha para os profissionais de saúde, muitos dos quais com dificuldade para encontrar um lugar onde possam ficar isolados. É o pessoal que atende nos postos e hospitais, recebe pacientes, trata, cuida, dá carinho, salva. E tem medo de voltar para a própria casa pelo risco de contaminar seus familiares. O Isolar é uma plataforma na qual o médico, o enfermeiro, a recepcionista do hospital, o motorista da ambulância, ou seja, qualquer um desses profissionais que estão no “campo de batalha” se candidatam a um imóvel, próximo ao local do trabalho, que será financiado pelo próprio projeto que se sustenta a partir de doações.

 

A Camila Putignani, uma das idealizadoras do Isolar, conta que ao menos 250 pessoas estão cadastradas e foi possível, até este momento, acomodar 17 profissionais que podem ficar em um apartamento ou em um quarto de hotel, de hostel ou de pousada. O prazo inicial é de 14 dias podendo ser renovado conforme a necessidade do profissional. Além da moradia, as doações servem para comprar produtos de higiene pessoal, limpeza e alimentação.

 

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O outro projeto que também depende da doação é o “Adote um Pequeno Negócio”, criado pelo Claudio Tieghi e o Fabio Fiorini. Na plataforma, o doador escolhe a quem se destina o dinheiro. Os empreendedores escolhidos receberão consultoria para organizar a empresa e terão acesso a uma plataforma que permite controlar as tarefas diárias do seu negócio.

“Para adotar uma empresa, sendo pessoa física, é necessário inicialmente investir R$9,90 ou mais. Em seguida, o investidor recebe um livro (“Manual do micro e pequeno negócio em tempos de pandemia”) para presentear um outro empreendedor, além de ter acesso à plataforma para acompanhar o dia a dia da empresa que adotou. O nome da cada pessoa que fizer a adoção irá aparecer na página dos doadores, além de receber um certificado” Fabio Fiorini.

O terceiro projeto que destaco reúne gente graúda e está sob o comando do César Souza, do Grupo Empreenda, e do Alexandro Barsi, da Verity Group. Com o Movimento #VamosVirarOJogo, eles estão reunindo empresários e gestores dispostos a compartilhar práticas e ideias capazes de ajudar as empresas a superarem os obstáculos impostos pela crise atual. Mais de 300 empresas já assumiram o compromisso de atuar no movimento:

“A frase “Há vida após o Covid-19” nos inspirou a estruturar o movimento. As lideranças empresariais devem compreender que virar o jogo passa, necessariamente, por assumir um verdadeiro compromisso, com muita inovação e criatividade para a reinvenção dos negócios, considerando oportunidades ainda não percebidas. Levando em conta o ecossistema de toda a cadeia de valor das empresas, é necessário que todos deem o melhor de si, com foco em soluções para o futuro e superando medos e angústias naturais em meio às turbulências que vivenciamos. Reinventar á a palavra de ordem”. César Souza.

Todas essas iniciativas nos revelam que existe gente interessada em espalhar o bem. Talvez sejam as mesmas pessoas que sempre atuaram assim, antes da pandemia se apresentar. E sejam as mesmas que continuarão acreditando nestas práticas após a crise passar.

 

A esperança que sempre deposito é que essas ações ao estenderem a ajuda a outras tantas pessoas façam dessas outras pessoas e de todos os que foram impactados, direta ou indiretamente, embaixadores do bem, criando um ciclo virtuoso. É a minha esperança; se esta vai se tornar realidade somente saberemos ao longo do tempo. Prefiro acreditar que sim. Fica mais fácil atravessar o drama que estamos assistindo neste momento.

É hora do setor imobiliário apresentar o seu Propósito

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Parque da Luz em foto de Renata Carvalho

 

De acordo com alguns professores da FAU-USP, a cidade de São Paulo está prestes a mais uma vez ser vítima dos interesses do setor imobiliário, em função de propostas apresentadas na Câmara Municipal.

 

Através do site LabCidade da FAU-USP, as professoras Raquel Rolnik, Paula Freire e o aluno Pedro Mendonça analisaram o PL 225/2020 do vereador Eduardo Tuma-PSDB, e o PL 217/2020 do vereador Police Neto-PSD, que propuseram “Ações Emergenciais” e “Plano Emergencial de Ativação Econômica” no intuito de enfrentar as consequências do Covid-19.

 

O texto do LabCidade sinaliza que tanto o Plano Diretor Estratégico de 2014 quanto a Lei de Zoneamento de 2016 poderão sofrer alterações, nos mesmos moldes do pretendido em 2018, além de uma tentativa de redução de 50% de desconto na Outorga Onerosa. Arquitetos e moradores impediram naquela ocasião o que seria uma verdadeira “Black Friday” para o mercado imobiliário. E um desastre pois o Plano e o Zoneamento são o mínimo a ser cumprido, pois não são um modelo exemplar de preservação de qualidade de vida.

 

A matéria ressalta a oportunidade perdida do momento de Convid-19, propício para se apresentar medidas que facilitem o acesso da população à moradia, e não se amplie a concentração construtiva nem as áreas das habitações, favorecendo classes menos abastadas.

 

Como agravante, uma das origens dos recursos para o atendimento das emergências decorrentes do vírus, tem vindo do Fundurb-Fundo de Desenvolvimento Urbano, que recebe os rendimentos da Outorga Onerosa do Direito de Construir, onde se propõe agora a redução de 50% e a suspensão do pagamento antecipado.

 

Há também na matéria, minuciosa especificação de alterações inseridas nas propostas para beneficiar o setor construtivo.

O vereador Police Neto reagiu e nominou a crítica da FAU como meia verdade, citando entre outras a questão do Fundurb, em que os recursos absorvidos pelo Convid-19 não serão reduzidos como relatado, tendo em vista que a utilização se deu do volume já arrecadado. Ao mesmo tempo argumentou que os benefícios pleiteados como isenções, reduções e postergações sobre os impostos tem como objetivo acelerar a retomada da indústria da construção civil, que afinal de contas é a maior empregadora de mão de obra.Neto discute também a questão das mudanças no Plano Diretor e no Zoneamento, que segundo ele se trata de ações provisórias e não leva em conta a dinâmica inexorável da cidade.

Enfim, este conflito de posições a respeito da urbanização de São Paulo, é um excelente pretexto para introduzirmos um importante aspecto do mundo corporativo, que é a busca do Propósito dos negócios, das marcas e dos setores de atividade.

 

Nos tempos atuais, e já há tempos, o Propósito tem sido tema dos mais evidenciados e enunciados. Neste contexto o consumidor é colocado na centralidade de tudo, para que se defina a razão de ser de atividades, empresas, marcas, produtos e serviços.

 

No foco das previsões do futuro pós Covid-19 há convergência no aspecto de que as mudanças que ocorreriam em anos estarão acontecendo dentro em pouco.

 

Neste sentido parece que é hora de definir o Propósito da indústria de construção civil. Afinal de contas, diferentemente de outros setores da economia, não se tem conhecimento que o setor esteja tão preocupado com os preceitos de centralidade no consumidor, incluindo aí a sustentabilidade, visto em boa parte das empresas modernas.

 

Aproveitamos então para sugerir que a centralidade esteja no consumidor e na cidade que habitam.

 

E plagiando os vereadores: que façamos “Ações Emergenciais” através de um “Plano Emergencial de Ativação Econômica Sustentável”

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Fique atento: nova lei pode mudar seu bairro, sua rua e a sua casa em São Paulo

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Foto de Ana Lucia Vieira Santos FLICKR CBN SP

 

A lei de Zoneamento em vigor na cidade de São Paulo foi criada em 2016, mas está prestes a ser modificada pela prefeitura. Uma das principais mudanças é em relação a altura máxima permitida em construções na cidade.

 

Em zonas centrais, o limite em vigor é de 48 metros e pode passar para 60 metros — um prédio de nove andares teria autorização para ter de 16 a 18 andares. Em áreas mistas, dos atuais 28 metros, as construções poderão chegar a 48 metros.

 

Diante do incômodo de mexer em tão pouco tempo nas ainda novas regras levou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando Chucre, a dizer que as mudanças não afetarão a Lei de Zoneamento. É até vantajoso, disse ele, pois ter um prédio mais alto é melhor do que ter dois baixos. Como se vigorasse apenas a taxa de ocupação, e volume não entrasse na conta e no conceito de zoneamento.

 

Ocorre que zoneamento é o conjunto de índices urbanísticos que definem a tipologia das construções. E o coeficiente de aproveitamento é parte integrante destes índices.

 

Ainda justificando a necessidade de mudança em Lei tão nova, o secretário argumentou que havia necessidade de responder a compromissos estabelecidos. Ao ser arguido com quem eram esses compromissos, não respondeu, o que voltou a acontecer no caso de algumas perguntas feitas durante o evento.

 

A fala dele se deu na primeira audiência pública do Projeto de Lei de alteração da Lei 16402/2016 do Parcelamento do Uso e Ocupação do Solo. Realizada sob a direção da Secretaria Municipal De Desenvolvimento Urbano, no dia 13, na região Sul. A seguir virão as audiências nas regiões Norte, Oeste e Leste.

 

No dia 31 de outubro, o prefeito Bruno Covas divulgou a minuta do Projeto de Lei proposto que altera o zoneamento de São Paulo, fato que chegou ao meu conhecimento através do Movimento Defenda São Paulo por sua diretora executiva, a arquiteta Lucila Lacreta. Conhecedor da sua performance urbana no contexto da cidade de São Paulo, procurei ouvir o seu relato sobre o acompanhamento do tema, a começar pelo acima exposto.

 

Lucila, conjuntamente com o Instituto dos Arquitetos e 18 entidades representativas de moradores, está arguindo a Prefeitura. Querem saber:

Se fez os estudos técnicos para justificar o aumento da verticalização?

 

Se a capacidade de suporte da infraestrutura aguentará o volume construtivo?

 

Se as áreas verdes serão mantidas?

 

E se a sustentabilidade ambiental estará garantida?

 

De um lado busca acompanhar todas as etapas desse processo para conferir o cumprimento da lei, que exige a participação dos moradores desde o início do projeto. Pretende também que as entidades representativas da população tenham a mesma atenção que as corporações.

 

Daí a importância da solicitação de uma reunião com Bruno Covas para que além dos aspectos técnicos, econômicos e jurídicos envolvidos, possa cobrar isonomia no atendimento. Notoriamente há uma disponibilidade maior às entidades empresariais. Tanto que os compromissos estabelecidos, dito por Chucre, levam a crer que sejam com as corporações do mercado imobiliário.

 

Esta é uma pauta que poderá mudar seu bairro, sua rua e sua casa. E a minha também.

 

Vamos monitorar.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mais colaboradores, mais líderes e mais empresas realizam trabalho voluntário

 

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A crise econômica não foi suficiente para tirar o ânimo do pessoal que trabalha com voluntariado corporativo. É a impressão que se tem ao conversar com os gestores que atuam nesse segmento e ao se observar o resultado de pesquisa que está sendo divulgada nesta semana.

 

Você, caro e raro leitor deste blog, deve lembrar que há duas edições, no programa Mundo Corporativo, entrevistei Marcelo Nonoay, da MGN Consultoria, que falou de estratégias para a implantação de projetos de voluntariado nas empresas e de impactos gerados nas pessoas que participam dessas atividades —- sem contar o resultado que isso gera na vida daqueles que são beneficiados pelas ações desenvolvidas.

 

A empresa criada por Nonoay é responsável por organizar dentro das corporações atividades de voluntariado. Identifica o potencial existente, planeja os programas e engaja o pessoal —- muitas vezes se descobre que os profissionais já são voluntários por conta própria. Na entrevista, ele mostra que empresas investem nesses projetos porque percebem que ajudam a desenvolver competências nos colaboradores: “a pessoa não volta igual”.

 

Se não lembra ou não assistiu à conversa, é só clicar aqui e você encontra o vídeo e o resumo da entrevista.

 

O otimismo em relação ao voluntariado corporativo também se fez presente na pesquisa da Comunitas, organização que se dedica a inspirar as empresas a realizar investimentos sociais. Para Marcar o Dia do Voluntariado, que será em 28 de agosto, quinta-feira, a instituição vai publicar o resultado da pesquisa BISC 2019 — Benchmarking de Investimento Social Corporativo — com 256 grandes empresas e fundações empresariais.

 

Na 12a edição da pesquisa, alguns resultados que já são conhecidos e destaco a seguir:

O número de colaboradores envolvidos em programas de voluntariado em grandes empresas do país aumentou 15% em relação a edição anterior.

 

O número de empresas em que a maior parte dos líderes participa das atividades também subiu. E subiu muito: de 11% para 21%. Quanto mais os líderes atuam no voluntariado maior é a garantia de manutenção desses programas.

 

Tem mais dinheiro disponível também: foram investidos R$ 11,6 milhões, um aumento de 12 em relação ao levantamento anterior.

 

Outro aspecto interessante é que boa parte das empresas (44%) tem como meta engajar até 15% de seus colaboradores nesses projetos —- uma meta e tanto se levarmos em consideração que o número de voluntários ainda é baixo diante do número de total de colaboradores: 8%, segundo a pesquisa.

 

A professora Anna Maria Medeiros Peliano, que coordena a pesquisa, viu nos dados consolidados em 2018 e divulgados agora o reconhecimento das empresas em relação aos benefícios proporcionados pelos programas de voluntariado.

“Ganham as comunidades, pelo atendimento recebido; ganham os colaboradores, que se sentem gratificados pela oportunidade de contribuir para a sociedade e desenvolver competências úteis à carreira profissional; e ganham as empresas com a melhoria do ambiente interno de trabalho”

 

Assim que os dados completos da pesquisa estiverem divulgados, eu publico aqui para vocês, enquanto isso me responda:

 

Você realiza algum trabalho voluntário?

No Planeta Terra até o céu precisará de uma Lei Cidade Limpa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Reprodução do site da StartRocket

 

A civilização contemporânea que assiste a países desenvolvidos perpetuarem matança de baleias em extinção e outros nem tão desenvolvidos assim permitirem taxas de desmatamento da maior floresta tropical existente, não deverá se surpreender ao ver, no céu,  propaganda de produtos de consumo.

 

Entretanto, me surpreendi ao receber o artigo de João Ortega da STARTSE* sobre a ideia da PepsiCo em lançar propaganda no espaço.

 

Falamos com Ortega, que pesquisou o tema, e mostra evidente preocupação com o futuro desenvolvimento desse processo cujos detalhes seguem abaixo.

 

 

Em parceria com a startup russa StartRocket, a PepsiCo lançaria o produto ADRENALINE RUSH, um energético, cujo público alvo são jovens aficionados em jogos eletrônicos — e a campanha combateria o preconceito existente em relação aos games.

 

A notícia se espalhou rapidamente em todo o mundo.

 

Ecologistas, cientistas e cidadãos comuns expressaram desaprovação. A mais grave veio de cientistas cujo viés tecnológico envolve a questão de segurança planetária.

 

Para o funcionamento do sistema, dezenas de satélites são lançados a 450 km da Terra, feitos de material refletor para mantê-los iluminados de dia e visíveis a olho nu. São descartáveis em um ano e acompanhados pela SkolTech, universidade privada de Moscou.

 

A desistência da PepsiCo não descarta o interesse de outros anunciantes, ao mesmo tempo em que a StartRocket, alegando que a finalidade da comunicação será mais ampla do que vender, irá buscar US$ 24 milhões para tocar seu projeto, que deverá estar pronto em 2021.

 

A StartRocket imagina também um grande painel mundial de avisos gerais, tipo início das Olimpíadas ou alertas de possíveis catástrofes.

 

A imprensa britânica, através do Express, acredita que o plano é de arruinar o céu noturno, enquanto o astrônomo Patrick Seitzer cobra do plano o endosso da base científica e dos órgãos de segurança mundial.

 

O Projeto, com tantas margens de risco, infelizmente, como lembra Ortega, não é ilegal, pois ainda não existe legislação para essa ocupação do espaço celeste.
Esperamos que o mundo reaja de acordo com a velocidade dos negócios.

 

A PepsiCo, em dois dias, descartou a ideia para não correr riscos de imagem. Mas poderá surgir quem queira usufruir da novidade, mesmo correndo risco.

 

*StartSe é verbo

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Adote um Vereador: projetos, ideias e ações de 9 vereadores que aceitaram falar de coleta seletiva

 

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Após quase um mês de espera, o Adote um Vereador registrou o recebimento de 12 mensagens dos 55 vereadores que foram provocados a falar, por e-mail, de planos, projetos e ações em relação a coleta seletiva, na cidade de São Paulo.

 

Na última semana, mais três vereadores —- na realidade, dois vereadores e uma vereadora, para sermos mais justos — disseram o que pensam sobre o tema proposto pelo grupo, neste mês de abril.

 

A vereadora Soninha Francine (PPS) após ter registrado o recebimento da nossa mensagem, pediu alguns dias para fazer um balanço das atividades realizadas por seu gabinete e dividiu as ações em três áreas: conscientização, atuação parlamentar e articulação. Para conscientizar às pessoas da necessidade de separação dos resíduos, diz que produziu vídeos e realizou palestras e seminários. Na Câmara, organizou audiências públicas sobre o Programa Lixo Zero e o consumo indiscriminado de plástico, e apresentou o projeto de lei que inclui no calendário de eventos da cidade a semana do Lixo Zero. Quanto a articulação de grupos que trabalham pela reciclagem — tais como ONGs, empresas, cooperativas e órgãos públicos — escreveu:

“Trabalha para entender as dificuldades de cada um destes segmentos, buscar soluções, conectar pessoas e potencializar iniciativas. Um exemplo importante é o Grupo de Trabalho Vidros, cujo propósito é aumentar a reciclagem deste material na cidade. Participam do GT empresas, terceiro setor e poder público, tentando encontrar um modo para que o vidro não vá parar nos aterros sanitários”

O vereador Xexéu Trípoli (PV) destacou a apresentação do projeto de lei que proíbe o fornecimento de canudos plásticos e outro que proíbe o fornecimento de plásticos de uso único na cidade. É co-autor do projeto que disciplina a licitação sustentável, o que permitirá a adoção de critérios ambientalmente corretos, socialmente justos e economicamente viáveis. Tripoli diz que partiu de seu gabinete a ideia, aceita pela Câmara Municipal, de implantar projeto de reciclagem e suspender a compra de copos plásticos para uso na Casa. Além disso, foi durante a discussão da proibição do uso de canudos plásticos, que se abriu caminho para a prefeitura assinar compromisso global da Nova Economia do Plástico:

“Foi o momento em que nos aproximamos da fundação Ellen MtacArthur e da ONU Meio Ambiente, que lideram o Compromisso Global assinado pela Prefeitura. A partir dessas conversas iniciais, fizemos a ponte para que o prefeito Bruno Covas assinasse o documento. As metas incluem eliminar embalagens plásticas problemáticas ou desnecessárias e migrar de modelos de uso único para modelos de reúso. Pelo compromisso, até 2025, medidas de inovação devem permitir que as embalagens plásticas possam ser reutilizadas, recicladas ou compostadas com facilidade”.

O vereador Gilberto Natalini (PV), por sua vez, informou que realiza anualmente a Conferência de Produção mais Limpa e Mudanças Climáticas, durante a qual promove campanhas de educação ambiental — já tendo coletado até 30 toneladas de e-lixo. Fez requerimento pela criação da comissão de estudos, na Câmara, para analisar a produção, consumo e destinação final do plástico de uso único na cidade. Aprovou projeto de lei que institui o programa de aproveitamento de madeira de podas de árvores (“que não está sendo cumprido pela prefeitura”). E apresentou o projeto de lei que estabelece condições para estimular a coleta seletiva e a reciclagem de isopor na cidade:

“A gestão dos resíduos sólidos urbanos é um dos grandes desafios da nossa cidade. O desafio é produzir menos lixo, consumir de forma consciente, repensar, reutilizar, reciclar e reduzir. Atualmente, cerca de 2% do lixo da cidade é reciclado. Fizemos um levantamento do que é feito também pela iniciativa privada e/ou comunitária e podemos chegar a 15% do total de resíduos. Esse número é irrisório, chegando a ser vergonhoso para São Paulo. A Prefeitura precisa ampliar com urgência a abrangência da coleta seletiva na cidade”

Dos 12 vereadores que enviaram mensagens acusando o recebimento do e-mail, um deles, Eduardo Suplicy (PT), informou que responderia em breve, mas pelo visto esqueceu do compromisso.

 

Outro, Isac Felix (PR), sua assessoria queria um contato telefônico para desenvolver melhor a ideia. Insistimos que a resposta deveria ser por escrito e não obtivemos mais contato.

 

A assessoria de Camilo Cristófaro (PSB) pediu que a mensagem do e-mail fosse enviada para a assessoria de comunicação dele “para que possamos respondê-las em tempo hábil e não se percam em lixo eletrônico”. É provável que tenha feito o pedido porque ouviu na rádio CBN que o Adote um Vereador havia enviado e-mail para os parlamentares. Se sabia do nosso endereço eletrônico (contato@adoteumvereadorsp.com.br), bastaria fazer a busca na caixa de spam para encontrar a mensagem sobre coleta seletiva. De qualquer forma, vamos enviar novamente o e-mail para o endereço oferecido —- mesmo que esse não seja aquele disponível no site da Câmara.

 

Responderam a questão da coleta seletiva e o Adote um Vereador agradece pela atenção:

Aurélio Nomura (PSDB), Caio Miranda (PSB), Donato (PT), Gilberto Nascimento (PSC), Gilberto Natalini (PV), Janaína Lima (Novo), Professor Cláudio Fonseca (PPS) e Soninha Francine (PPS), Xexéu Tripoli (PV)

As respostas dos demais vereadores estão publicas nos posts a seguir:

 

O que vereadores de SP fazem para melhorar a coleta seletiva

 

Mais dois vereadores dizem o que pensam sobre coleta seletiva

O Varejo entra na Política: seja bem-vindo!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Flavio Rocha

Flávio Rocha durante fala na NRF/NY

 

Flávio Rocha da RIACHUELO encabeçou o lançamento do Manifesto Brasil 200 anos, onde propôs a participação dos empreendedores e demais agentes econômicos na política nacional. Ao lado de ícones do comércio brasileiro presentes em Nova York por ocasião do principal evento do varejo mundial, a NRF National Retail Federation, tais como Luiza Trajano MAGAZINE LUIZA, Alberto Saraiva HABIB’S, Sebastião Bonfim CENTAURO e Sônia Hess DUDALINA, Flávio Rocha assinalou que o Manifesto é uma proposição política de direita: liberal na economia e conservadora nos costumes.

 

Enfatizou os absurdos do Estado e sua inviável trajetória futura a continuar colocando nas costas dos brasileiros o ônus de manter salários e privilégios de funcionários públicos e políticos, distantes da realidade do mundo privado. Cenário acentuado pelos critérios de uma economia administrada de forma não liberal e retrógrada.

 

Em 2022, o Brasil completará 200 anos de independência. Data em que se dará o término do próximo mandato presidencial. Para que possamos estar no prumo certo, o Manifesto sugere que esta eleição coloque um presidente que realmente seja de direita. Para isto será apresentado a todos os candidatos um perfil para avaliar aquele que estará dentro do ideal de economia liberal e comportamento conservador – idealizado pelo grupo que compôs o Manifesto. Rodrigo Maia, Geraldo Alckmin e Bolsonaro, segundo Rocha, não preenchem esse ideal.

 

Ao declarar que não é candidato, e que ainda não surgiu dentro do grupo de varejistas nenhum proponente, é visível a simpatia por Henrique Meirelles, embora não exista nenhum sinal de aproximação ao tema.

 

O fato é que vemos aspectos positivos nesta movimentação, sob um olhar neutro.

 

A participação de inteligências oriundas de outras áreas trarão efetivamente boas novas à Política. Que venham outros grupos novos, com diferentes posicionamentos.

 

Plagiando Philip Kotler, o expert contemporâneo do Marketing, que um dia disse que “o Marketing é muito importante para ficar restrito aos especialistas de Marketing”:

 

“A Política é muito importante para ficar restrita aos políticos”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.
 

Ajude-me a construir a nova sede da Cáritas Santa Suzana

 

 

Conheci o trabalho da Cáritas Santa Suzana pelas mãos do Padre Manoel, que reza as missas na Capela da Imaculada Conceição, local que frequento aos fins de semana como já devo ter contato em outras oportunidades neste blog. A ação pedagógica e de formação que os voluntários desenvolvem há mais de dez anos é contagiante. São cerca de 350 crianças de famílias carentes que passam pela instituição e recebem apoio socioassistencial, no bairro Monte Kemel, zona oeste de São Paulo. Muitos desses jovens já foram para a universidade ou encontraram oportunidade no mercado de trabalho, graças ao apoio de empresas que investem neste projeto. Outros tantos, levaram o conhecimento, adquirido nas muitas atividades realizadas, para dentro de suas casas e compartilharam com parentes, amigos e colegas. A obra que se realiza neste espaço é transformadora pois atende jovens e suas famílias que moram em algumas das maiores favelas das zonas sul e oeste da capital paulista, tais como Paraisópolis, Real Parque e Vila Praia.

 

Durante todo esse tempo, a Cáritas recebeu as crianças e adolescentes em conteiners adaptados para serem salas de aula. Agora, chegou a hora de mudar este cenário. Aproveitando o terreno próprio, um grupo de voluntários iniciou trabalho de captação de recursos para erguer uma nova sede, muito mais moderna, confortável e digna, que ampliará ainda mais o alcance deste projeto. As novas instalações terão um edifício principal, com 1.700 m2 de área construída, ladeado por um pátio externo de 1.000 m2, estacionamento multiuso, com 3.100 m2 área construída – que também será fonte de renda para a Cáritas -, e espaços para hortas e jardins.

 

Eu estive no local onde o prédio está sendo erguido e aproveitei para fazer uma transmissão, através do Periscope, oportunidade em que conversei com várias pessoas que assistiram ao vídeo, ao vivo, e enviaram perguntas pelo aplicativo. Um resumo deste vídeo está publicado aqui no blog e você poderá ver que a obra está avançando, principalmente devido a ajuda de um fundo do governo da Itália destinado a projetos de caridade em países do terceiro mundo. Apesar da colaboração, ainda são necessários cerca de R$1milhão para sua conclusão, e você está convidado a nos ajudar com qualquer quantia que estiver ao seu alcance.

 

As doações devem ser feitas em dinheiro na conta bancária da Cáritas Santa Suzana:

 

BANCO BRADESCO
AG 2403-1
CC 28573-0

 

CÁRITAS SANTA SUZANA
CNPJ 64.033.061/0016-14