Momento coruja I: o rádio

 

Acredito já ter falado dele neste blog. Se não o fiz, foi injustiça. Merece, mesmo que me acusem por nepotismo. Quem o fizer errará duas vezes: primeiro, a qualidade do artigo merece espaço em qualquer blog que faça referência ao rádio; segundo, nepotismo, na origem, é tio beneficiando sobrinho e aqui a coisa se inverte. Aldo jung é jornalista e publicitário, não lembro qual exerceu e para qual se diplomou, mas fez bem os dois – e meu tio, também.

Chega de elogios e vamos ao texto que justifica esta introdução:

Por Aldo Jung

Cresci ouvindo rádio. Pelo menos até o surgimento da televisão no Estado, em dezembro de 1959, era em volta do rádio que as famílias se reuniam à noite. Lembro-me direitinho de uma cena dominical: eu sentado no chão da sala, brincando com os tijolinhos de “o pequeno engenheiro” (jogo que, de tão saudável, ainda existe à venda); minha mãe, no sofá, fazendo algum trabalho manual de costura ou bordado; meu pai, numa poltrona, ou se preparando para uma semana de trabalho, ou lendo o Correio do Povo, ou fazendo palavras cruzadas; minha avó, noutra poltrona, fazendo suas colchas de crochê. Não vejo meus irmãos mais velhos na cena. Deviam estar nos seus quartos ou na varanda, estudando. O som ambiente: um programa chamado “Grande Rodeio Coringa”. Era um programa de auditório da rádio Farroupilha, com temática gauchesca, apresentado por Darci Fagundes e Luiz Menezes, em que havia invernadas de duplas, trios, trovas e declamações. E assim andavam as noites dominicais, até as 22 horas. Depois disso, cama, porque amanhã tem escola e muito trabalho.

Lembro, também, de uma cena que se repetia diariamente, quando eu chegava da escola, por volta do meio dia. Minha avó sentada na mesma poltrona, com a mesma colcha de crochê em andamento – um pouco mais avançada a cada dia – e o rádio ligado. A emissora era a mesma: Farroupilha. O programa era o “Banca de Sapateiro”, um humorístico em que, através do ator Walter Broda e de seu contraponto, Pinguinho, eram denunciados os problemas da cidade. Também falavam de futebol, representando um deles o gremista e o outro, o colorado. Aliás, essa dupla também participava do Grande Rodeio Coringa.

A partir de abril de 1958, ouvir rádio em minha casa tornou-se uma tarefa praticamente coercitiva. Neste ano, meu irmão, Milton Ferretti Jung, que já atuava como locutor comercial e de notícias na Rádio Metrópole, de Canoas, começava sua jornada na grande Rádio Guaíba. Mas esta é uma história pra muitas outras crônicas. “A voz do Rádio”, como é conhecido Milton Jung, completa, neste ano, 52 anos só de Guaíba. Isso rende um livro grosso.

Desde que parou de trabalhar, até o fim de seus dias, meu pai não perdia uma edição do agora Correspondente Guaíba (que já teve outros nomes), que começou a ser apresentado pelo meu irmão em 1964.

Mas a minha relação com o rádio mudou a partir do início da década de 60. Em 1959 inaugurava-se a TV Piratini, canal 5, afiliada à Rede Tupi, dos Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand. A compra de um aparelho de TV não foi imediata na minha casa. Depois disso, contudo, deixei o rádio de lado, exceção feita às transmissões de jogos de futebol, especialmente por ocasião de Copas do Mundo.

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Samba, erudito e ouvintes fazem CBN SP 456

 

Maestro rege público no CBN SP 456

Foi muito bom ver o Pátio do Colégio lotado de ouvintes que aceitaram o convite para comemorar o aniversário de São Paulo ao nosso lado. O CBN SP 456 anos, reuniu músicos, educadores e comentaristas em uma conversa que teve a capital paulista como cenário. Tia Dag e Maria Alice Setúbal contaram experiências do trabalho educativo que realizam com jovens, enquanto o maestro João Carlos Martins e a turma do Samba do Baú divertiram e emocionaram com suas músicas.

Patrícia Madeira (Climatempo) contou do trabalho como meteorologista, Gilberto Dimenstein (Mais São Paulo) promoveu enquete pública sobre a relação das pessoas com a cidade, e o Rodrigo Pereira (Época SP na CBN) falou da sua admiração pelo cinema. Por telefone, Cid Torquato (Cidade Inclusiva) mostrou caminhos para que a cidade se torne acessível.

Dois garotos também levantaram o público: Jean William com sua voz poderosa encantou com My Way e Sergei Eleazar de Carvalho ritmando no violino, ambos fazem parte da Filarmônica Bachiana.

Para fechar o CBN SP 456, o maestro e os sambistas improvisaram um encontro inédito entre Ave Maria de Gounod e Trem das Onze.

Ouça o encerramento do CBN SP 456 anos

Veja aqui mais fotos do programa

“Viver Melhor” traz personagens inusitados

Personagens do Viver Bem

Da poesia em Parada de Taipas aos ciclistas que pedalam durante à noite, a repórter Michelle Trombelli preparou reportagens especiais em homenagem a capital paulista que integram a série “Viver Melhor em São Paulo”. Na conversa com moradores, usou de sensibilidade para reproduzir com precisão a personalidade de pessoas que mantém hábitos inusitados e surpreendentes como o de um casal que cria galos e galinhas em um sobrado do Campo Belo .

Além de gravar estes depoimentos, Michelle produziu fotografias para ilustrar a página da CBN que reúne todos os programas em homenagem aos 456 anos de São Paulo. Lá você encontrará também o “Conte Sua História de São Paulo” com os depoimentos registrados pelo Museu da Pessoa, e “Redescobrindo o Centro Velho” com o Heródoto Barbeiro (por que ele produziu as reportagens sobre o Centro Velho ?)

Lugares de São Paulo: Pico do Jaraguá

 

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“Estão instaladas no Pico do Jaraguá, zona oeste, várias antenas de sistema de rádio-comunicação das polícias civil e militar, exército, hospitais, companhias de transporte e de energia. Há também antenas de transmissão em micro-ondas, usadas para comunicação de bancos com as agências do Interior. Das emissoras de rádio, a USP é uma das que mantém sua antena instalada no Pico. Com seus 1.135 metros de altura, é o lugar mais alto de nossa cidade onde várias TVS estão com seus sistemas de transmissão. De longe parece pequeno, diante dele não sei precisar o tamanho da sua responsabilidade em atender as demandas de comunicação e segurança de nossa cidade.

O Parque Estadual do Jaraguá é considerado desde 1994 pela Unesco patrimônio da humanidade, integrando a reserva da biosfera do cinturão verde da cidade de São Paulo. O acesso feito pela rodovia Anhaguera, próximo do quilômetro 18, sentido interior, é pessimamente sinalizado. A estradinha turística que leva até lá, de quatro quilômetros, é linda. Borboletas, animais silvestres, muito verde.

E a vista lá de cima ? Só visitando pra saber.”

Uma colaboração especial do ouvinte-internauta Luis Fernando Gallo que se compromete a enviar imagens de pontos importante da capital paulista, nesta semana, para comemorar ao nosso lado os 456 anos de São Paulo. Você pode ajudá-lo, enviando fotos com informação para milton@cbn.com.br.

Coisas da Vida

 

Por Christian Jung
Do Blog MacFuca

Milton Ferretti Jung, ontem e hoje

O título do texto parece bem atual, mas na verdade reproduz o nome de um comentário que era redigido e lido pelo meu Pai, lá pelos anos de 1950 na então Rádio Canoas. Tenho vários deles em casa e me impressiono como o conteúdo na época era praticamente o que se vê ainda hoje. Reclamações ao prefeito Leonel Brizola do aumento das passagens de ônibus, a avenida São Pedro alagada após a chuvarada, o bonde que não conseguia passar, os carros que se arriscavam e os transeuntes chegando atrasados ao trabalho.

Bom, o que me traz aqui não é o conteúdo dos textos isso pode ficar para outro dia. O que me traz aqui mesmo é o locutor em questão.

Destes anos que já vivi, me dou o direito de analisar determinadas situações, visto que o tempo nos dá ao menos a possibilidade de refletirmos.

Filho de radialista, me criei sempre com a desconfiança e a palavra coerente de minha mãe dizendo que tudo que eu reclamava em frente ao rádio (em relação a ela, é lógico) meu Pai escutava na rádio. Sempre olhei para aquele aparelho de madeira sobre o balcão com desconfiança e, por vezes, resolvi mudar o teor da conversa para possíveis cobranças ao fim do dia. Sabe como é, entre falar e correr o risco, o silêncio era a melhor opção. Evidentemente que minha mãe contava tudo e sempre quando aquela “voz do rádio” chegava em casa era informada sobre os ‘acontecidos’ do filho mais novo. (Certamente da irmã mais velha e do irmão do meio, também, mas esses assuntos não eram de minha alçada). Afinal de contas ele era o locutor oficial do Correspondente Renner, como o é até hoje.

As cobranças dele sempre foram brandas, eu é que me apavorava. Sabe como é, Pai é Pai.

Lá em casa se acordava, almoçava e dormia com a característica de abertura do Correspondente Renner (hoje, atropelada pela tecnologia e falta de sensibilidade). Até mesmo quando pegava carona de carro com os pais de alguns colegas de colégio lá estava ele. Meu Pai! Trazendo as últimas informações das agências de notícias. Rádio ligado era como uma transferência à distância da relação afetuosa de alguém que me ensinou desde pequeno que “pano que cai no chão não se esfrega no carro”. Filosofia masculina de quem não passa o domingo sem um paninho na máquina.

Ainda se não bastasse a leitura do noticiário, tinha a locução esportiva, narração essa que lhe deu o apelido de o “Homem do Gol, Gol, Gol”. Bordão gravado em muitos discos de vinil da história do futebol brasileiro. Caminhar pela rua com ele era escutar no mínimo duas ou três vezes alguém gritando “Milton Gol-Gol-Gol Jung”. Era sempre isso. Bem, tinha também os dias de jogos. Morávamos, aliás, moro ainda perto do Olímpico e de fato meu Pai nunca escondeu ser gremista. Essa coisa de ficar fazendo gênero não é com ele. Dependendo do resultado, ao fim da partida, sempre tinha um cidadão que passava em frente de casa, esses vizinhos meio descompensados, que gritava: “Milton Jung, gremista filha da p…”. Já era folclor, eu dizia pro Pai. Olha só, o Vitor Hugo passou por aí (esse era o nome do artista que fazia os elogios). E assim me criei neste meio radiofônico tendo como rotina as visitas à Rádio Guaíba e ao Correio do Povo, de onde pegava os restos de chumbo dos linotipos pra colocar dentro dos carrinho de plástico para ficarem pesados e não capotarem nas brincadeiras.

Enfim, desde que me dei conta de identificar de quem eram as vozes que escutava quando ainda bebê, nunca mais parei de ouvir a voz do meu Pai. E lá em casa, a palavra voz tem uma poesia incrível porque se vive dela também. Aprendi a relação que tem ler e interpretar ou somente ler. Que quem te escuta, visualiza as palavras. Que da voz que produzimos, o oxigênio é a nossa gasolina. Que a quem nos ouve, devemos respeito, e para isso precisamos ser confiantes, fortes, alegres e, principalmente, coerentes com a informação que estamos passando.

Se ele algum dia me disse isso?

Não, nunca precisou, porque a admiração que sempre tive e tenho até hoje e a postura correta de bom profissional, sempre me fizeram entender que esses que gritam o seu nome na rua, gritam porque o que lhes chega é muito mais que notícias, é a mais pura poesia de quem nasceu com o dom de transformar um simples aparelho de rádio em um companheiro inseparável.

Por isso Pai, depois de um tempo te vendo afastado do rádio e mesmo com todas as mudanças na nossa velha e eterna Rádio Guaíba, tenho que te dizer que o sentimento de saber que tu estás ali dentro daquela caixa de madeira que eu achava que tu me escutavas, me dá a completa percepção que o teu tempo ainda não se acabou, que o velho microfone Neumann de Fita continua lá, no mesmo lugar, te esperando, esperando a pressão da tua voz pra funcionar. Porque não só ele, mas todos os teus fiéis ouvintes, os que virão a ser, e, principalmente, eu nos meus 43 anos, preciso muito ouvir a tua voz.

Volta Pai, porque estas coisas que aconteceram e as que estão por vir, “São Coisas da Vida.”

Um grande beijo!

Christian Jung é mestre de cerimônia, meu irmão e filho e radialista. Este texto foi escrito originalmente no Blog Mac Fuca do qual ele é o autor.

Rádio na Era do Blog: Aliados na liderança da credibilidade

 

Foi o colaborador do Blog, Marcos Paulo Dias, quem leu e gostou do texto que compara rádio e internet, a partir de pesquisas divulgadas recentemente. Os números já haviam sido tratados anteriormente por aqui, o interessante está mesmo na opinião de professores de comunicação que analisam os dados e vão ao encontro de pensamento com o qual trabalhamos há algum tempo: a internet é um novo oxigênio para o rádio.

O texto é da jornalista Izabela Vasconcelos, de São Paulo, e está na área restrita do Portal Comunique-se, no setor 1o. Caderno, por isso reproduzo na íntegra, caso contrário ofereceria apenas o link para você ler o artigo por lá. Uma curiosidade na minha busca pelo link do texto foi ver que muitas pessoas simplesmente publicam a informação sem se preocupar em oferecer a fonte para os leitores.

Mas vamos ao que interessa:

Pesquisa divulgada no começo deste mês mostra que o rádio e a internet lideram em credibilidade, na frente da TV, jornais impressos, revistas. Para especialistas nas duas mídias, o amadurecimento do público da web, a modernização e integração entre os dois meios são responsáveis pelo resultado.

O estudo Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, apontou que, em uma escala de 1 a 10, o rádio lidera em credibilidade com nota (8,21), quase empatado com a internet (8,20), seguidos por TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

De acordo com o jornalista Alvaro Bufarah, pesquisador e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva de Rádio da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), outra pesquisa do Instituto Marplan revela que o rádio se integra muito bem à internet. “O rádio é o meio que melhor se adapta às novas mídias, porque é um meio de companhia, que as pessoas usam pra se informar e entreter. A internet e o rádio se somam de forma ímpar. O rádio se potencializa ainda mais com a internet”, explica.

Pollyana Ferrari, especialista em mídias digitais, autora do livro “Jornalismo Digital”, concorda com Bufarah, e acredita no poder da integração das mídias. “O caso mais recente é o do apagão. O Twitter e o rádio que deram suporte o tempo inteiro, porque os brasileiros gostam de compartilhar e trocar informações, e isso atinge todas as classes. Esse é um case muito interessante”, destacou.

Para Bufarah, o uso de Twitter, torpedos SMS e blogs mostra que o rádio está se modernizando na interação com os ouvintes, mas ainda existe um problema de gestão em algumas emissoras, que nesse caso pode transformar a internet em concorrente. “A internet é uma gigantesca aliada, mas poucos empresários estão atentos a essa transformação. Há emissoras que não investem, têm sites ruins, aí a internet passar a ser um veículo de competição”.

Outro problema, segundo ele, é a administração das emissoras, que por serem muito tradicionais, acabam deixando de pensar como empresas, restringindo investimento em comunicação interna, planejamentos de marketing e carreira.

O especialista também acredita que a modernização do rádio abre espaço para a segmentação, com a criação de diferentes canais no rádio e na internet, o que permite acompanhar o perfil de cada público pela web e traz novas possibilidades para que o mercado publicitário invista nas rádios.

A confiança na internet

De mídia altamente criticada pela instantaneidade e pelo aspecto factual das notícias, a internet passou a encabeçar a lista de credibilidade dos meios de comunicação. Para Pollyana, três fatores explicam essa mudança de cenário. “De 2000 até hoje tivemos um amadurecimento do perfil do usuário, o crescimento da banda larga e o aprimoramento do jornalismo multimídia, que desde 2005 tem feito um trabalho muito interessante nos portais”, afirma.

Pollyana lembra que a web já foi muito criticada como meio de informação. “Sofremos durante muito tempo por criticarem o conteúdo dos meios online, mas agora os leitores perceberam que existe muita coisa boa nos portais”. Com o avanço das novas mídias, a especialista aposta e defende o uso de outras plataformas pelas empresas, até mesmo na cobrança de conteúdo nas redes e mobile. “Poderia se fechar anúncios pelo Twitter e cobrar pelo pagamento de conteúdo diferenciado, mobile, um conteúdo diferente do impresso e dos sites. Eu pagaria por um conteúdo exclusivo”, conclui.

Os meninos do MIS e o rádio na era do blog

 

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Reproduzir, ao vivo, diante da plateia o que costumamos fazer durante a programação da CBN foi um dos nossos desafios no Mobile Fest, no MIS, sábado passado. Diante de pouco mais de 40 pessoas – boa parte ouvintes-internautas -, fiz o papel de âncora do evento que contou com a presença do repórter Leandro Mota e do narrador esportivo Deva Pascovicci – que conversou com o público da cabine da rádio no estádio do Morumbi, através do Skype.

O Leandro Mota conseguiu mostrar como o desenvolvimento da tecnologia celular beneficiou o trabalho de reportagem no rádio. Além de contar sobre os recursos que tinha à disposição há apenas cinco anos quando começou a trabalhar na CBN, Mota também fez uma reportagem ao vivo, na qual nos permitiu perceber a evolução na qualidade do som.

Teve muita sensibilidade ao identificar na presença de seis meninos que vivem de esmola nos cruzamento da cidade pauta para ser elaborada durante o evento. Entrevistou um deles usando o método menos sofisticado: usou gravador convencional e usando o alto-falante do equipamento e o bocal do telefone celular colocou a sonora no ar. Depois, fez a entrevista com um gravador digital que armazena os arquivos de áudio em um chip, o qual é transferido para o aparelho celular e reproduzido no ar. Leandro também fotografou os meninos e transmitiu pelo celular a imagem que seria depois publicada aqui blog, mostrando que o novo repórter de rádio tem de ser bom de olho para pauta e para imagem.

Antes de ouvir as duas sonoras, leia o texto produzido por Leandro Mota com os meninos pobres do MIS:

Antonio tem 16 anos e passa parte de todo sábado em frente ao computador. No último fim de semana foi assim. Enquanto visitantes circulavam pelo Mobilefest, ele e mais cinco crianças olhavam fixamente para os monitores da “lan house” instalada no Museu de Imagem e do Som. Aproveitavam cada segundo antes de retornarem ao trabalho, que fica perto dali, exatamente no cruzamento da Avenida Europa com a Avenida Brasil. É lá que Antonio ganha dinheiro fazendo mágica. As moedas e as notas de dois reais servirão, um dia, para comprar um computador e, talvez, um celular parecido com aqueles expostos no Festival Internacional de Mobilidade. Antonio também quer se conectar.

Ouça aqui a explicação do garoto sobre o que ele gosta de fazer no computador

Sonora 1 no método convencional

Sonora 1 no método digital

E aqui, a esperança de um dia ter dinheiro para comprar um computador

Sonora 2 no método convencional

Sonora 2 no metódo digital

Rádio na Era do Celular, espero você lá !

 

Pronto para a aula. Assim me sinto para o encontro de logo mais a tarde, quando falaremos sobre o “Rádio na Era do Celular”, em uma das atividades da Mobilefest, no MIS, em São Paulo. Tenho acompanhado pelas reportagens – da rádio, dos sites, e dos twitters – informações deste encontro e me surpreendo com a criatividade dos que dedicam sua inteligência para a técnologia móvel. Por isso, minha expectativa é de estar no estande da CBN, a partir das três e 40 da tarde, e ter oportunidade de ouvir boas ideias sobre estas traquitanas todas que estão à nossa disposição, muitas das quais ainda haveremos de descobrir.

Será uma experiência interessante, pois o programa irá misturar um formato dos primórdios do rádio, com auditório e presença ao vivo dos ouvintes, e um conteúdo da era moderna do rádio, a tecnologia móvel. Nesta simbiose que, espero, teremos na tarde deste sábado gostaria muito de saber o que os criadores e desenvolvedores tem a sugerir.

Dois dos profissionais da CBN que estarão conosco, por celular, o repórter Leandro Mota e o narrador esportivo Deva Pascovicci, terão muita coisa para nos mostrar. A mim caberá descrever a evolução do rádio e a influência que as novas tecnologias tiveram – e terão – no veículo. Aos “ouvintes-internautas” que estarão ao vivo no MIS – e o programa será apresentado apenas aos que lá estiverem – caberá um papel importante, pois é na experiência e no conhecimento deles que pretendo agregar conteúdo ao trabalho que realizamos na CBN.

Se ainda não tem programa para este sábado, passe por lá.

Mais informações no site do Mobile Fest.

Rádio Na Era do Blog: A credibilidade do rádio

 

O rádio é a mídia na qual o cidadão tem maior confiança de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, contratado pela agência de comunicação Máquina da Notícia. Em uma escala de 1 a 10, a nota média para o veículo foi 8,21, superando por muito pouco a internet que recebeu 8,20. O índice de confiança de todos os veículos de comunicação foi alto, mas o resultado surpreende por dois fatores: primeiro, os jornais sempre estiveram no topo da lista; segundo, a internet avançou sobre meios mais tradicionais, como a própria televisão.

O rádio também aparece bem na lista das mídias mais acessadas pelo público. A televisão é assistida por quase todos os entrevistados alcançando índice de 99,3%; o rádio vem atrás com 83,5%; o jornal impresso com 69,4%, está em terceiro lugar; a internet tem 52,8%; revista impressa 51,1%; redes sociais 42,7%; versão online de jornais 37,4%; e versão online das revistas impressas 22,8%.

Quando a pesquisa fala em internet, relaciona sites de notícias e blogs de jornalistas; ao tratar de redes sociais, inclui os conhecidos Twitter, Facebook e Orkut.

Da festa ao comedimento: o resultado de pesquisas de opinião dependem muito da metodologia usada e podem apresentar diferenças enormes entre uma e outra dependendo a forma como as perguntas são elaboradas, por exemplo. No entanto, com o alcance deste trabalho da Vox Populi é importante verificar como as redes sociais são fortes para influenciar a opinião pública.

Para chegar a este resultado foram ouvidas 2.500 pessoas, entre 25 de agosto e 9 de setembro, todas com mais de 16 anos, no distrito Federal e nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador.

Neste sábado, às 15h40, estarei na Mobile Fest, a convite da CBN, para a palestra o “Rádio na Era do Celular”. Ouça as reportagens do festival que se realiza no MIS, em São Paulo.

Rádio na Era do Blog: Twitter e jornalismo no Apagão

 

Foi no meu rádio de pilha, que estava sem pilha (tinha umas guardadas do lado da vela, na gaveta), que ouvi a cobertura da CBN sobre o apagão na noite de ontem. O celular, surrado do dia de trabalho quase apagando, me colocou no ar na rádio para descrever o que (não) via nas ruas do Morumbi. E um modem de celular conectado no laptop com seu resto de bateria me ajudou a navegar na internet e retransmitir outras tantas informações – muitas das quais tendo como fonte repórteres e profissionais da CBN. O Twitter ligado enquanto pode também serviu para varrer os caminhos do corte de energia elétrica.

Com estes equipamentos em mãos foi possível entender parte do que se passou na noite de terça e madrugada de quarta – até onde consegui me manter acordado. Hoje cedo, a quantidade de e-mails de ouvintes-internautas era enorme contando a experiência que tiveram em casa com o radinho de pilha ligado. Bom número de pessoas citou que “ouvia o rádio no meu celular”.

E assim o Brasil se informou de mais um blecaute na energia elétrica.

A forma de consumir informação mudou muitos nos últimos poucos anos. A formação de redes sociais tornou-se importante para a construção do nosso conhecimento. Mas o jornalismo persiste. E a cobertura do apagão prova isto.

Um interessante post da colega Vanessa Ruiz diz que “é possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interessem pelo jornalismo …. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo”. (Leia o texto completo aqui)

Li, também, o texto do meu ex-colega de Terra e minha referência em jornalismo, José Roberto de Toledo, intitulado “A noite em claro no Twitter”. Craque na varredura de informações disponíveis na rede, Toledo remoeu as tuítadas possíveis na madrugada, ouviu rádio (pena não ter sido a CBN) e acompanhou a cobertura jornalística. Encontrou, também, as ferramentas usadas por Itaipu para enviar informações durante a crise.

Lido tudo, fez as contas, puxou o traço e chegou ao seguinte resultado: “O Twitter foi a lanterna noticiosa do apagão, mas continua sendo uma ferramenta. Como um garfo, pode ser usado para você se alimentar ou para espetar alguém. Depende de quem o usa e como. Houve é claro quem transmitisse boatos e notícias falsas (“energia só vai voltar em três dias”). Mas foram a exceção e não a regra”. (Leia o post completo aqui)

Concluo que todas as formas de informação são bem-vindas mas a inteligência é insubstituível. E o rádio de pilha, também, pois às duas da manhã não tinha mais notebook nem celular com força para se manterem vivo.