SP: incompetência assola a cidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

onibus_Fotor

 

A faixa exclusiva de ônibus instalada na Av. Giovanni Gronchi, na Zona Sul de São Paulo, é coerente com a linearidade da gestão Haddad. Mas uma afronta à flexibilidade necessária às operações inteligentes.

 

Os sistemas do passado não traziam a tecnologia para se adaptar aos fluxos variáveis de demanda, e, portanto, eram implantados de forma linear.

 

Hoje, por exemplo, semáforos, logísticas de entrega e abastecimento de produtos e serviços podem ser acionados de acordo com a necessidade do momento. Essa é a realidade no mundo corporativo, enquanto vemos que na atual administração municipal o sistema adotado é o linear. Até mesmo para o processamento mental da estratégia a ser aplicada.

 

As ciclovias, tão necessárias para uma cidade de 11 milhões de habitantes, foram implantadas sem considerações das obrigatórias especificidades, como adequação a topografia, a demografia e a economia.

 

A redução de velocidade aos veículos foi imposta de forma singular a áreas tão plural em fluxos, topografias e tipologias de carga e passageiros, que se tornou mais apropriada ao humor do que ao morador. Ao surgir o novo limite de 40 km parece que em breve poderá estar a 10 km, já que a prioridade não é a locomoção, mas o acidente.

 

As instalações de faixas e corredores de ônibus não levaram em conta as dimensões nem as demandas dos usuários e seguiram o mesmo padrão em toda a cidade.

 

No caso da Giovanni, há trechos em que apenas fica uma estreita faixa aos veículos e ainda se anuncia a sua aplicação na Av. Morumbi, cuja largura é menor ainda.

 

Há um ano, a CBN entrevistou o Prof. Ejzenberg que analisou os 290 km exclusivos aos ônibus, quando demonstrou que os resultados foram desanimadores. Apenas houve aumento de rapidez aos mesmos usuários, sem absorver novos passageiros. Para isso teria que se preencher os espaços vazios destas faixas, então ocupadas por 30 ônibus/hora, por mais veículos.

 

Uma façanha! Haddad aumentou o espaço dos ônibus, que não conseguiram mais passageiros, diminuiu o espaço dos automóveis que aumentaram o congestionamento.

 

Ainda assim continuou usando o mesmo sistema.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

22 comentários sobre “SP: incompetência assola a cidade

  1. Esse imbecíl pensa que ciclovias é derramar tinta vermelha junto as sarjetas. Que faixas exclusivas é apertar mais ainda carros sobre carros e motos, lotando a cidade de placas de 50 km. Que venha um governante mais inteligente e desfaça essa meleca! Ô cara ruim!

    • Prezado Augusto, o pior é que hoje existem técnicas e tecnologia suficientes para efetivar sistemas e processos inteligentes. Pesquisa Operacional, Teoria das Filas e Algoritmos, assim como modelos Matemáticos em geral, devem passar distante desta Prefeitura.
      E, hoje tivemos a primeira manifestação do ano contra outro truculento assédio à Cidade, que é o Plano Diretor na parte de uso do solo.

    • Prezado Armando é muito prejuízo para uma só cidade. Mesmo porque estão destruindo a ocupação do solo tão bem estudada pelo arquiteto Jorge Wilheim.
      Precisamos ter muito cuidado nas próximas eleições, pois já estão discutindo sobre o candidato que tem mais força politica. O que é péssimo, pois sabemos que há candidatos em potencial com forte conhecimento sobre a cidade que podem estar sendo excluídos deste grupamento eleitoral.

  2. A meta dele é superar os KM de faixas de ônibus prometidas em campanha para no fim do mandato se gabar da façanha! Como se isso tivesse resolvido a mobilidade da cidade!!! Burrice e estupidez pensar que pintar faixas e diminuir o tempo de percurso do ônibus em 5minutos (no caso da Giovanni Gronchi) vai deixar eleitores felizes! Até quem usa o transporte coletivo está insatisfeito, pois não ouve melhora, uma vez que a quantidade de ônibus é menor do que o necessário! Eles continuam ficando nos pontos horas esperando! E ele ainda quer que deixemos nossos carros em casa!
    Precisamos de alguém com punho para lutar contra essas medidas descabidas. Os moradores do Morumbi estão se movimentando, mas infelizmente temos um governo que faz o que bem entende, sem pensar no coletivo! Francamente este país parece mais uma ditadura onde temos que engolir tudo do que uma democracia onde nossos protestos e reivindicações não são atendidas nunca!

    • Prezada Maria do Rosario Garcia, o ponto crucial das faixas exclusivas é exatamente a questão do uso insuficiente deste espaço. Segundo os técnicos há necessidade de veículos que preencham estas faixas.
      Seria mais lógico que a implantação fosse reduzida, mas que fossem colocados ônibus em quantidade para aumentar a capacidade de transporte.
      Parece que a meta é pela estatística.

  3. As faixas exclusivas na verdade, foi uma atitude da SMT por causa do MPL, em que além de criticar o novo valor vigente na época, R$ 3,20 ainda reclamariam contra o sistema que não tinha nada de novo.
    Quanto as faixas, elas são uma medida paliativa contra a demora do ônibus em se deslocar de um ponto ao outro da cidade. Quem pega faixa pode reparar que mudou. Eu tenho curso no Carandiru e moro na zona sul da cidade (no outro lado da zona sul) chamado Cidade Ademar. Eu pego três linhas de ônibus como a 5178 (da avenida Cupecê até o Parque do Ibirapuera), linha 5300 e/ou 5630 (até o centro) e do centro pego a linha 2104 (até Santana) Faço o trajeto em uma hora e meia seguindo as faixas de ônibus do corredor Washington Luiz, Moreira Guimarães, Ruben Berta e 23 de Maio na zona sul e o corredor da avenida Cruzeiro do Sul na zona norte, creio com um sucesso de 77% das vezes que usei.
    Quanto á propaganda de que teriam que surgir novos passageiros de ônibus, obviamente vindo dos carros, é complexo isso: primeiro que o passageiro do carro é um passageiro individual e sair de zona de conforto é algo que cabe muito no psicologico de uma pessoa. Até porque o passageiro individual, não procura se informar, na maioria das vezes, de linhas, sugestões de trajetos, qual frota usada na capital (se alguem provar o contrário disso!!!). Temos linhas aqui na cidade que andam vazias em determinados horarios de pico, isso é fato e são linhas que estão pra ser usadas!
    Se a intenção não é andar de ônibus, porque não dar a um conhecido a ‘carona amiga”. Além de sair mais em conta pro passageiro e pro motorista, você tira no mínimo quatro carros das ruas. Se todos pensassem num coletivo (que não precisa ser em um ônibus), com certeza não estariamos desse jeito.

    • Prezado Gabriel, a questão é que o poder público não pode administrar sem as modernas ferramentas à disposição.
      Dar mais rapidez aos usuários já existentes é muito pouco se comparado às possibilidades de aumentar o número de passageiros e retirar automóveis da circulação.
      Estamos na época da PESQUISA OPERACIONAL, dos ALGORITMOS, etc.
      Se a Prefeitura atual estivesse na época da invenção da ELETRICIDADE, provavelmente optaria por continuar usando VELAS de auto rendimento.

      Quanto à questão da dificuldade dos proprietários de carros usarem os coletivos, há maneiras. Por exemplo, aumentar a circulação dos ônibus e criar o pedágio urbano.
      Agradeço seu testemunho.
      Abs.

  4. Se ao menos o benefício aos usuários de ônibus fosse grande, valeria a pena.
    O que se vê, são a faixa destinada aos carros de passeio paradas a perder de vista, a de ônibus vazia e os pontos de ônibus lotados.
    Segundo o site da prefeitura, um ganho de 05 minutos no trecho.
    O caos ainda não chegou no seu apogeu: ainda falta a implantação na Av Morumbi, sem esquecer que as faixas reversíveis das avenidas Morumbi e Giovani Gronchi não serão mais implantadas.

    • Prezada Silvia Affiune, no caso da Av. Morumbi fica claro a homogeneidade do raciocínio de Haddad. Fez ciclovias em áreas absurdamente descaracterizadas para recebê-las. Usou o mesmo critério para toda a cidade. Esqueceu da segmentação demográfica, econômica e da irregularidade topográfica.
      Uma verdadeira imposição à natureza flexível e variável.
      Faz agora com as faixas de ônibus o mesmo critério uniforme, como se toda a cidade fosse igual.
      Na Av. Morumbi não há espaço suficiente para faixa exclusiva.

  5. A prioridade deste prefeito é o transporte coletivo e ciclovias. Ninguem deveria estar surpreso com isso. Desde a campanha ele deixou isso bem claro. Eu sou usuário de ambos e se as ciclovias nao sao perfeitas elas sao um avanço e salvam vidas. Os onibus melhoraram a velocidade como qualquer um pode constatar. Para os 25% que insistem em ir de carro o negócio é repensar essa ideia.

    • Prezado Mauricio Bussab, a discussão não duvida que houve aumento da velocidade dos ònibus, o que está se questionando é a uniformidade da implantação. Não há homogeneidade na cidade. De outro lado cobramos da Prefeitura uma modernidade administrativa que ao não ser aplicada deixa muito distante todos os benefícios que estas novas medidas poderia oferecer.
      A inflexibilidade sempre acarreta prejuízo. Os sistemas inteligentes precisam ser acionados.
      Não se pode tomar medidas sem considerar todas as variáveis, e hoje , os modelos matemáticos estão disponíveis para oferecer subsídios informativos para melhores tomadas de decisões.
      Assim como não se pode levar em conta para a cidade apenas o aspecto técnico, também não é recomendável que se levante todo o sistema de mobilidade como se estivesse confrontando POBRES e RICOS.

    • Prezado Adriano, a reclamação não está sendo dirigida à prioridade dada ao transporte público. Estamos reclamando da prioridade à inteligência de sistemas operacionais que estão sendo ignorados.
      É uma questão de competência e não tem pertinência com luta de classes. Mas de luta para o conhecimento.

  6. Eu acho que a faixa de ônibus,feita sem planejamento,está dificultando muito o trânsito no Morumbi. Temos horários para buscar filhos em escolas que não podemos mudar. As ruas paralelas a Giovanni já estão intransitáveis também. E pior ,tem ocorrido nós no trânsito. As pessoas estão desesperadas,e assim ficam até na contra mão (Rua Pasquale Gallupi). Na Ernest Renan existem momentos em que não dá para andar. Simplesmente trava tudo. Porque a rua tem 2 mãos, mais carros estacionados e pronto,ninguém mais passa. Uma confusão. E nunca há um agente para ajudar. Está simplesmente impossível transitar em horários de pico. Será que esse transtorno vale à pena. Afinal muitas pessoas estão sendo prejudicadas. Será que 5 minutos a menos dentro do ônibus justificam?

    • O nó é fácil de entender.
      Redução da área para autos, que foi transformada em espaço exclusivo para ônibus. O número de carros e o de ônibus permanecem os mesmos.. Claro que os carros passam a ter dificuldades de locomoção.
      Uma alternativa seria aumentar a quantidade de ônibus ,de forma que a área exclusiva permaneça repleta de ônibus. Com tanto ônibus à disposição muitos proprietários de veículos passarão a deixar seus carros em casa.
      Resta saber se esta região é a mais adequada para este tipo de prioridade. Afinal, a segmentação de mercado no mundo corporativo é respeitada sempre que se pretende oferecer produtos e serviços aos consumidores.
      Acontece que na administração pública, as pessoas não estão sendo respeitadas como cidadãos, absorvendo impostos excessivos, e também não estão sendo consideradas como consumidores na medida em que são tratadas como se fossem membros de um mercado de massa. .

  7. Acho que o artigo resume bem o que eu penso da administração Haddad. Sim, algumas ideias são boas e justas – como o próprio artigo deixa claro – mas a homogeneidade de execução às vezes beira o ridículo. Não adianta ser só um visionário, eu acho. Pra ser prefeito, precisa ser síndico, também. Tendo dito isso, gosto em geral da postura / compostura do Haddad e não acho que o cara seja um ladrão. Carlos Magno, obrigado pela cortesia com que você se dirige às pessoas. Precisamos de mais disso.

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