Foto-ouvinte: Calçada para o “lazer”

 

Calçada ocupada

Usar as ruas para o lazer é das boas coisas em uma cidade. Mas não para benefício particular. As mesas e cadeiras deste bar, na avenida Faria Lima, ocupam a calçada na esquina com a Rua Chilon, na Vila Olímpia, conforme fotos enviadas pelo ouvinte-internauta Edivaldo Ferreira. Mesmo que haja autorização da prefeitura – o que ocorre em alguns casos na cidade – não se justifica que ao pedestre reste apenas um corredor.

Canto da Cátia: Pra relaxar e gozar

 

Banheira de hidro no lixo

A velha banheira de hidromassagem deve ter sido testemunha de momentos de prazer de um casal apaixonado que juntos relaxaram e trocaram segredos; pode ter sido cenário da relação de amantes que já se deixaram; talvez apenas espaço de descanso de um executivo estressado do cotidiano corporativo. Tantas histórias podem ser contadas a partir das experiências desta “senhora” abandonada na praça Mário Autuori, na zona sul de São Paulo, e econtrada pela repórter Cátia Toffoletto. Pena ter terminado sua vida útil assim, inútil. Símbolo da falta de cidadania.

Kassab diz que limpeza na cidade está normal

 

Lixo na Cásper Libero

Para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), o recolhimento de lixo e a varrição na cidade estão ocorrendo normalmente e os garis, apesar da ameaça de greve, estão trabalhando. Na entrevista exclusiva ao CBN SP, ele disse que não vê justificativa para a demissão de funcionários feita pelas empresas contratadas pela prefeitura e que estas deveriam readequar as escalas de serviço.

Ao mesmo tempo em que o prefeito falava ao CBN SP, ouvintes-internautas enviavam fotos ou informações sobre lixo acumulado na cidade – a deste post foi feita na Cásper Líbero, por Douglas Brito. Logo após a entrevista, conversamos com o representante do sindicato que reúne os garis, Moarcir Pereira: “o prefeito está mal informado”, disse ele. O dirigente falou que na Vila Matilde, por exemplo, 100% dos garis aderiram a greve,

Durante a entrevista, o prefeito Gilberto Kassab também falou sobre o fato de a prefeitura não ter enviado dinheiro para as obras do Metrô, conforme prometido na campanha eleitoral quando, inclusive, posou ao lado do governador José Serra (PSDB), com um cheque de R$ 1 bi em mãos. Kassab disse, primeiro, que o dinheiro não havia sido repassado porque a transferência vai ocorrer a medida que os projetos foram apresentados. Depois, questionado se nenhum real havia sido repassado, falou que, sim, haviam sido transferidos cerca de R$ 300 milhões.

Ouça a entrevista completa com o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo

Rio vai proibir estacionamento no Centro

 

A cidade do Rio de Janeiro vai comemorar o Dia Mundial Sem Carro proibindo o estacionamento no centro da cidade, reduzindo a velocidade máxima para os veículos que andarem no bairro de Copacabana e colocando 100% da frota de ônibus nas ruas. Política pública de mobilidade não se constrói apenas com ações datadas e pontuais, podem soar hipócritas se não fizerem parte da estratégia de desenvolvimento da cidade. Mas é significativo que o Rio esteja atuando desta maneira, enquanto São Paulo ainda não anunciou nenhuma atividade para a data. Por enquanto, todas as ações estão sendo organizadas pela sociedade civil, conforme você pode ver em post publicado nessa terça-feira.

A notícia a seguir foi publicada no G1:

No próximo dia 22, a cidade do Rio adere à campanha do Dia Mundial sem Carro, uma iniciativa que já é um sucesso em grandes capitais do mundo e tem como objetivo estimular o uso do transporte público e de outras alternativas de locomoção, como a bicicleta e a caminhada em trajetos curtos.

Entre as ações previstas para o dia no Rio, a principal será a proibição, por meio de decreto, do estacionamento no quadrilátero que tem como limite a Rua Santa Luzia, a Avenida Presidente Antônio Carlos, a Rua da Assembleia e a Avenida Rio Branco, todas no Centro da cidade. Esse trecho concentra 510 vagas entre o Rio Rotativo e vagas oficiais.

No Buraco do Lume, também no Centro, haverá atividades culturais e educativas, sempre com o intuito de estimular a reflexão da população sobre o uso excessivo dos carros.

Nos prédios municipais, também será proibido o estacionamento de carros, com exceção apenas para os veículos operacionais. Serão sorteados passes de bicicletas públicas entre os servidores.

Leia a notícia completa no G1

Escolha o melhor pastel de feira de São Paulo

 

Gorduroso demais, com a casquinha crocante, com mais vento do que com carne. Tem pastel de feira para todos os sabores na capital paulista. A prefeitura de São Paulo calcula que sejam 730 pasteleiros que trabalham nas feiras-livres e agora eles serão colocados à prova. Divididos em cinco regiões, os concorrentes terão uma urna lacrada em sua barraca e os consumidores poderão dar a nota, em fichas padronizadas (e toda engordurada, é lógico).  Contam na avaliação: limpeza na barraca, sabor, organização, higiene, entre outros ítens que podem sensibilizar o cliente.

Dois pasteleiros mais bem votados de cada região participarão da final a se realizar na Praça Charles Miller, quando os dez estarão reunidos e terão seu trabalho avaliado por uma comissão julgadora.

Qual o melhor pastel de feira de São Paulo para você ?

Canto da Cátia: O prefeito e o entulho

 

Entulho na cidade 2

Pela primeira vez desde o temporal que causou mortes e prejuízos à cidade, na terça-feira, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab admitiu falhas da administração dele no combate as enchentes. Ao dizer que a chuva forte foi fora de época, lembrou que a população não tomou as medidas que costuma adotar no período do verão e foi pega de surpresa. Foi aí que ele lembrou de dizer: “a prefeitura, também”. Fora este momento de mea culpa, o resto foi se defender e atacar os outros, principalmente o governo de Marta Suplicy que o antecedeu, repetindo estratégia de comunicação assumida no início da crise.

Hoje, acompanhado do super-secretário Alexandre de Morais, foi à Vila Prudente e visitou terreno da Sabesp usado, ilegalmente, para despejo de entulho. Disse que vai exigir da empresa do Governo do Estado o controle sobre o local e dos subprefeitos o mapeamento das áreas em que entulhos são jogados, conhecidos por “pontos viciados”.

Curioso é que o subprefeito do Butantã, Regis Oliveira, por e-mail, me informou que as subprefeituras já tem este mapeamento, mas, infelizmente, “enxugam gelo”, pois tiram o lixo e o entulho volta ao local.

Ouça trecho da entrevista com o prefeito Gilberto Kassab (DEM)

Ouça a segunda parte com o prefeito Gilberto Kassab (DEM)

Assista aqui ao vídeo feito pela repórter Cátia Toffoletto, no terreno da Sabesp, onde o entulho é despejado,na Vila Prudente.

Canto da Cátia: A terra que cai

 

Deslizamento em Osasco

A chuva forte, a terra deslizando, os barracos caindo e famílias mortas são cenas que ainda fazem parte do cenário brasileiro, onde as contruções irregulares e muitas vezes incentivadas por políticas públicas de habitação capengas e por homens públicos inconsequentes ainda persistem. Osasco, na região metropolitana de São Paulo, foi o último caso, mas outros mais estarão no noticiário nos próximos temporais aqui ou em qualquer região do Brasil. Durante toda a manhã, a repórter Cátia Toffoletto acompanhou o trabalho na busca dos corpos de três das crianças que estavam em um das casas que despencaram durante a terça, 09.09.


Acesse aqui outras imagens feitas pela Cátia, em Osasco, e fotos enviadas por ouvintes-internautas das consequências do temporal na capital paulista.

Foto-ouvinte: Faculdade aprendeu a lição

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Denunciado no CBN SP, a partir de registro no Blog São Paulo Restaurada, a Faculdade Paschoal Dantas, em Ermelino Matarazzo, se apressou em esconder a publicidade que desrespeitava a Lei Cidade Limpa, na zona leste. A subprefeitura da região chegou enviar fiscal ao local, mas este já encontrou o muro do viaduto pintado de branco. Douglas Nascimento que fez as fotos para reclamar o abuso, esteve por lá, novamente, e disse que o cheiro de tinta nova ainda estava no ar.

Conte Sua História de São Paulo: Chiove

 

Por Sérgio Mendes
Ouvinte-internauta

Ouça o texto “Chiove” sonorizado por Cláudio Antônio

"Olhar da janela da minha casa para a av Santo Amaro", por Sérgio mendes

Você já ouviu E chiove, na voz de Zizi Possi ? Esta musica é a minha história de São Paulo. Quando cheguei, vinha de quase cinco anos fora do Brasil. E vim pra cá justamente pelo nome que dá título ao disco daquela música napolitana interpretada tão bem por Zizi. Os primeiros dez dias eu estive hospedado na casa de uma tia que morava e ainda mora até hoje na Brás Leme, em São Paulo.

Per amore, cheguei antes. Seis meses antes. São Paulo era a possibilidade de fazer viável um projeto antigo.

É claro que não podia permanecer muito tempo ali, e a partir de uma primeira visita à Av. Paulista meu amor por São Paulo se confirmou. Não poderia mais viver em lugar algum.

Meu tio me acompanhou naquele domingo, fomos de metrô. Ele mudo e eu embasbacado!

No dia seguinte tratei de encontrar logo um lugar para morar. Fazia frio, garoava e o centro estava lindo. Ficou impresso na minha mente, uma das saídas do metrô Pça da República. Aquela escada que dá vista para o Terraço Itália! Aquilo é de arrepiar !

Foi só depois que eu fui percebendo que a cidade estava mesmo era mal tratada, e tinha ares de abandono. Naqueles primeiros dias, ela ainda era as imagens dos livros que eu havia lido. Rua Aurora, Rua 7 de abril, o Viaduto do Chá, o Anhangabaú, até o Paissandu. E chiove!

Ainda não havia os celulares com MP3, não havia mesmo nem MP3, nem celulares. A música era na cabeça mesmo… E faz só pouco mais de dez anos!

Encontrei o meu cantinho em uma quitinete na rua Abolição, bem perto da Câmara Municipal. O dinheiro era curto. E eu tinha que seguir estudando, passar no vestibular e trazer meus créditos da Universidade para concluir aqui meu curso.

Seis meses. Meu apê, não tinha nada, entenda bem… Nada! Mas era meu! Era a minha casa agora, e logo seria a nossa casa!  Como eu disse, o dinheiro era curto, curto mesmo. E eu tinha que esticar o máximo possível, para que o projeto fosse possível.

Seis meses pagando o aluguel e caminhando !

Caminhava e estudava. Era o que eu fazia. Logo cedo eu tomava um copo de café no boteco da esquina, 70 centavos e caminhava rumo a Santana. Saia da rua Abolição e caminhava. Duas horas, admirando as belezas estonteantes deste lugar caótico. Atravessava o Vale do Anhangabaú e seguia pela calçada da Brigadeiro Tobias, Av. Tiradentes, Av. Santos Dumont e finalmente Brás Leme.

Comer, estudar e voltar. Neste percurso diário, aprendi sobre a vida de são Paulo que não estava na novela, sobre os rostos que não vão pra TV, que nunca vão e sempre estão. Eu via o Metrô. Eu via os carros. Eu pensava e caminhava.

De volta à minha casa, era tomar banho e seguir para a Paulista, no prédio da Radio Gazeta, onde eu fazia um cursinho pré-vestibular e caminhava. Estudava e caminhava.

Desta vez pelo Bexiga! Vi ruas escuras, abandonadas, passei por moradores de rua, cães, portarias de prédios, frangos assados, cheiros do centro e os magníficos ares da Paulista! A avenida da TV.
Eu me sentia parte. Poucas vezes tive medo. Sendo estrangeiro, era parte. A síndica do meu prédio, uma senhora negra e grande por nome Erundine, bateu a minha porta e tomou o meu depoimento! Depois que descobriu as minha reais intenções, me disse que nunca olhasse para ninguém e seguisse o meu caminho, desta forma não teria maiores problemas. Somos amigos desde então !

A cidade me acolheu, as personagens da rua não sabiam que eu era de fora, minha aparência nordestina me fazia tão igual a eles e eles eram eu, também. Meu único obstáculo era a chuva. Não dava pra caminhar e chegar molhado para a aula. Mas não dava para não caminhar e não comer!  Assim segui em frente, e houve dias que não pude estudar.

Seis meses se passaram. Finalmente minha casa virou a nossa casa. Não deu tempo de virar doutor. Tínhamos a responsabilidade de nos mantermos, Voltei a trabalhar com o que trabalhei desde os dezesseis, procurei escolas de idioma e voltei a ensinar. Já morei na Vila Olímpia, estou agora na Lapa, onde compramos nossa primeira casa. Gente estranha que mora lá no alto…é São Paulo!

Bairros distintos, rostos de TV, rostos anônimos, de botequins, de viver na rua, de morar no vigésimo andar!

São Paulo tem de tudo, e esta é a força da beleza daqui, mal tratada, sempre esperando a promessa de que será melhor. Dividida entre a gente da TV e a das ruas. Díspar por que foi feita para a gente da TV e eu suspeito que sejam quase todos como os da rua. Cidadãos possíveis.

Mas esta terra generosa me acolheu assim mesmo e em retorno a tornei minha. E quero cuidar dela caminhando sempre. Dos lugares bonitos onde já morei, nem um tem a beleza do Centro, menos ainda quando chove aquela garoa que só cai aqui em São Paulo.

O autor deste texto é Sérgio Mendes. A sonorização é do Cláudio Antônio. Você participa enviando seu texto por escrito ou em arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. Leia e ouça outros capítulos da nossa cidade no Blog do Milton Jung.