“Vou com o meu carro”, diz usuária de ônibus fretado

Reproduzo neste post comentário deixado por Talita Urdiales sobre a restrição da prefeitura de São Paulo ao uso de fretados na capital paulista:

“Sou usuária do transporte fretado há 6 anos, moro na Zona Leste e trabalho na Zona Oeste (Rebouças). Concordo que existem exageros em relação a longas paradas em locais inadequados e também um certo abuso no trânsito, porém, acho que os benefícios que os ônibus trazem para a população são maiores que os malefícios.

Por diversas vezes já utilizei o transporte público de SP e mesmo sendo considerado o melhor do Brasil como foi citado em entrevistas com o Secretário Alexandre de Moraes, ainda está muito longe do ideal.

A alternativa apresentada pelo prefeito e pelo secretário municipal para a região leste foi: ir de fretado até o Metrô Belém e de lá ir de metrô até o meu destino. Essa proposta é simplesmente absurda, atualmente gasto de R$225,00 com o fretado, e garanto que o custo em trabalhar todos os dias de carro será menor do que o que gastaria indo até os “bolsões” que a prefeitura pretende criar e de lá ir de metrô até o escritório.

Frases como as que o prefeito e o secretário municipal de transportes divulgaram apenas nos mostram a total falta de conhecimento dos problemas no transporte público de SP. Tenho absoluta certeza que nenhum deles teve o “prazer” de conhecer a linha vermelha do metrô que liga a região Oeste a região Leste de SP. Gostaria de convidá-los a conhecerem a linha vermelha em horário de pico e depois disso divulgarem frases como a seguinte:“Um transporte como o de São Paulo é o melhor transporte público do país sem qualquer comparação, não há nível de comparação e que nós estamos cada ano que passa melhorando muito”, diz Alexandre de Moraes, secretário municipal de Transportes. 30/06/2009 – SPTV 2ª edição – Rede Globo.

Assim como TODAS as pessoas que pesquisei no meu fretado, irei todos os dias com o meu carro e acredito que não serão poucos os usuários de deixarão de usar os fretados e passarão a usar seus veículos.

É uma utopia pensar que o transporte público de SP seria capaz de suportar uma demanda de mais 50 mil pessoas (número divulgado pela própria prefeitura). O transporte JÁ está sobrecarregado e não presta um serviço de qualidade digno da maior e mais importante cidade do Brasil.

Se o intuito do Sr. Prefeito era melhorar o trânsito, sinto informá-lo que esta medida terá efeito contrário, porque 20 ou 30 carros prejudicam muito mais o trânsito do que 1 ônibus que comporta 45 pessoas. E se o intuíto do Sr. Prefeito foi melhorar o ar de SP, com certeza terá efeito contrário, nem todas as pessoas que utilizam o fretado tem carros novos e ainda que tenham, com certeza 20 ou 30 carros poluem muito mais que 1 ônibus.

Sei que minhas palavras ficaram muito vagas, mas tenho uma sugestão: Te convido e também convido o nosso querido prefeito e seu secretário para me acompanharem no meu percurso dos Jardins até a Zona Leste de duas maneiras: ônibus + metrô e de fretado em uma sexta-feira (dia em que o trânsito de SP que já é muito ruim piora ainda mais).

Admiro a iniciativa de melhorar o trânsito da cidade, mas acho que uma decisão tão importante quanto esta não pode ser tomada de uma maneira tão arbitrária como aconteceu. Se a intenção é diminuir os transtornos causados pelos fretados, deveria-se criar regras onde este serviço que é tão utilizado não seja prejudicado, mas aperfeiçoado. Minha sugestão é: tempo máximo de utilização dos ônibus, utilização dos pontos de ônibus existentes para o embarque e desembarque de passageiros, inspeção veicular para o controle de emissão de poluentes, substituição do óleo diesel pelo BioDiesel que polui menos, credenciamento de todas as empresas e percursos existentes, entre outras a serem definidas.

Ex-pacientes querem salvar Hospital Matarazzo

As irmãs Aldeneide e Luana dos Santos Freitas foram pacientes do antigo Hospital Matarazzo, na Bela Vista. Tinham problemas respiratórios durante toda a infância e ficaram curadas pouco antes da instituição ser fechada. Luana, aliás, nasceu na maternidade Condessa Filomena Matarazzo, em 1984. A mãe delas também frequentava as salas de ortopedia, otorrino e clínica geral.

A intimidade com o local as levou de volta à instituição, curiosas que estavam para descobrir o que iria acontecer com aquela área por enquanto abandonada próximo da avenida Paulista. O que viram foi chocante, segundo elas próprias descrevem. O hospital, marco da história paulistana, em pedaços.
As imagens acima foram feitas por elas, o texto abaixo, também. Como salvar o Hospital Matarazzo, é desafio de quem acredita na preservação da história, em São Paulo:


Havia 16 anos que eu não pisava no Hospital Matarazzo, que eu não tinha mais notícias concretas sobre esta instituição que faz parte das minhas lembranças de infância. Até que no ano passado minha irmã e eu resolvemos fazer pesquisas para saber o que havia acontecido com o hospital e ficamos indignadas com o que descobrimos.

O Hospital Matarazzo, tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp em 1986, foi comprado pela PREVI ( Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil ) ainda em 1993, mesmo ano em que foi fechado. A intenção era implementar um empreendimento imobiliário do escritório do arquiteto Júlio Neves. Segundo o projeto, grande parte do hospital seria demolida para a construção de um shopping e flats comerciais.

A PREVI conseguiu que o Hospital Matarazzo fosse destombado pelo Condephaat e conseguiu até alvará da prefeitura, autorizando as demolições. Mas graças a uma Ação Civil Pública movida por associações da Bela Vista o destombamento foi anulado e o projeto foi embargado. A PREVI recorreu e o processo ainda está na justiça.

A partir dessas descobertas quisemos ver com nossos próprios olhos a situação em que se encontrava o hospital. Então, em julho do ano passado, agendamos com a PREVI nossa primeira visita.

A reação que tivemos ao rever o hospital foi de choque, seguido por uma grande tristeza no que se transformou aquele lugar que frequentamos durante nossa infância . Se transformou num espectro, um lugar sem vida , repleto de lembranças de um tempo que não volta mais !

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No buraco do Tatuzão

Mega-tatuzão no Metrô

O repórter Juliano Dipp, da CBN, acompanhou o trabalho realizado pela máquina batizada de Megatatuzão que escava trechos da Linha Amarela do Metrô de São Paulo. Excesso de superlativos à parte, o equipamento desperta muitas curiosidades. Além de fotografar esta operação (clique na foto e vá até o álbum digital do CBN SP, no Flickr), o Juliano aponta alguns detalhes desta obra:

“As obras da Linha Amarela do Metrô de São Paulo entraram na última fase de escavações com a utilização do Shield, popularmente conhecido como Megatatuzão. O trecho final das escavações ligará a estação República à Estação da Luz, no centro de São Paulo. Com extensão de cerca de 1,45 km, o trabalho deverá ser encerrado em cerca de 45 dias, segundo estimativa do Metrô.

O Megatatuzão ficou parado cerca de seis meses na estação República antes de prosseguir. Para que ele pudesse avançar foi necessária a retirada de pilastras em dois pisos da estação. Após a passagem da máquina, novas pilastras serão reconstruídas no local.

O Megatatuzão é um equipamento de 1,8 mil t que perfura o solo e simultaneamente molda os túneis, com placas de concreto de 4 t cada. Com 74 m de comprimento, ele escava em média 15 m diários podendo chegar a cerca de 30 m.

Ao todo, quando o trabalho for concluído, a máquina terá escavado cerca de 7,5 km entre as estações Faria Lima, Fradique Coutinho, Oscar Freire, Paulista, Mackenzie-Higienópolis, República e Luz”

Governo de São Paulo recolhe mapa do Brasil com defeito

A Secretaria da Educação de São Paulo anuncia amanhã, 17.06, o recolhimento de 50.628 mapas distribuídos em março para as escolas da rede. O material faz parte de uma coleção de 23 mapas geográficos e históricos que traz incorreções como a falta de divisão entre os Estados do Pará e Amapá e o deslocamento de linhas divisórias de outros Estados.

É mais uma da série de erros cometidos pelo Estado na compra de material didático e livros. Primeiro foram as cartilhas que apresentavam erros crassos no mapa da América do Sul, depois foram os livros impróprios para crianças e, agora, os mapas do Brasil. O secretário de Educação Paulo Renato de Souza, há duas semanas, expôs todos os livros que faziam parte do programa Ler e Escrever para que os jornalistas e os públicos tivessem oportunidade de identificar se houvessem novos erros.

Um aluno em escola particular que cometesse tantos erros estaria reprovado. Na escola pública, com a progressão continuada capenga implantada na rede, passaria em frente e, com muita sorte, cairia em uma turma de reforço para melhorar o desempenho. Mas, com certeza, tomaria bomba em qualquer avaliação.

Portal da prefeitura gera nova demanda à sociedade

Há uma semana, em encontro na Conip sobre Governo 2.0, tive a oportunidade de conversar com gestores públicos, que enchiam uma das salas do evento, sobre meu olhar em relação a ações dos governos no mundo digital. Existem iniciativas positivas e experiências com resultados aparentes, assim como muita gente botando dinheiro público fora ao investir em projetos que pouco colaboram com o cidadão. Na minha visão, o primeiro passo é que as informações relevantes estejam disponíveis a todos. E o melhor caminho é a publicação desses dados na internet.

Ofereçam os dados, publiquem as informações e a sociedade organizada fará sua parte avaliando e valorizando o conteúdo disponível. Um exemplo prático é o que a ONG Transparência Brasil faz ao reunir o que está na internet e devolver à sociedade este material sistematizado, de forma a que o cidadão comum consiga compreender aquela realidade, muitas vezes pública mas não compreensível.

A prefeitura de São Paulo deu um passo importante na tarde de hoje ao apresentar o portal De Olho Nas Contas, apelidado de Portal da Transparência. Reuniu jornalistas de várias redações para mostrar o conteúdo que já está disponível. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) que abriu o encontro chegou a exagerar: “a internet veio para nos salvar”. Para ele, com as informações, o cidadão será peça importante na fiscalização da administração municipal e das empresas que prestam serviço à prefeitura.

O ponta pé inicial desta ação foi dado na secretaria municipal de Educação, onde o secretário Alexandre Schneider, sempre conectado, fechou parceria com a Microsoft para elaborar o Portal da Educação, no ar há cerca de dois meses. Outras pastas e pessoas ligadas ao prefeito ajudaram a desenvolver o projeto que teve assessoria técnica da Prodan.

Jornalistas que estiveram na prefeitura pareciam entusismados pela quantidade de informação disponível. E isso para quem trabalha com notícia é fundamental. Mas o portal ainda precisa de ajustes. Lembro de Soninha Francine, na mesma Conip Governo 2.0, dizer que “transparência não é sinal de clareza”. E reclamar que o portal da prefeitura, este que com o qual interagimos há três administrações, ainda oferece dificuldades para, por exemplo, se realizar buscas.

No “De olho nas contas”, algumas ferramentas facilitam a pesquisa, mas haverá necessidade de desenvolver técnicas que tornem a informação não apenas transparente como clara. Por exemplo, é fundamental para que o cidadão possa fiscalizar o funcionamento de um posto de saúde que consiga saber de maneira simples quem são os servidores que deveriam trabalhar no local. O dado está lá, mas ao oferecer uma lista apenas em ordem alfabética atrapalha a busca já que estamos falando de milhares e milhares de nomes e funcionários.

A prefeitura garante que em breve novas ferramentas serão desenvolvidas para melhorar a qualidade da informação. E aqui a sociedade digital poderia exercer seu papel colaborativo levando à administração a experiência de outros governos e comunidades.

Conheça e opine sobre o “De olho nas contas” da prefeitura de São Paulo

Tire 25 min para pensar na sua vida em São Paulo

IRBEMTire um tempo do seu dia. Não precisa ser muito, não. Bastam 25 minutos dessas 24 horas que temos à disposição. E pelo tamanho da tarefa, o tempo até é pouco. Você está sendo desafiado a refletir sobre sua vida na cidade de São Paulo. Os fatores que o levam a ter melhor qualidade de vida, a se sentir bem no ambiente urbano.  E para ajudar, está na internet o relatório com os Indicadores de Referência de Bem-Estar (IRBEM), uma série de perguntas sobre temas que variam da beleza que queremos na nossa vida – e pode ser na sua casa, bairro ou cidade, assim como no seu corpo – até os hábitos de consumo que lhe levam a comprar novidades tecnológicas a todo momento ou a gastar apenas com o razoável. No IRBEM vai-se medir ainda nossas percepções de bem-estar na educação, transporte, saúde, habitação entre outras áreas.

O CBN São Paulo vai acompanhar de perto este projeto do Movimento Nossa São Paulo por acreditar que temos a oportunidade de enxergar a capital paulista de forma mais crítica, um olhar que pode fazer a sociedade mais consciente de suas reivindicações e direitos.

Para responder o questionário você não precisará de mais de 25 minutos. É só clicar AQUI e pensar na sua vida em São Paulo.

Ouça a reportagem de Juliano Dip sobre o IRBEM

Ouça a entrevista com Oded Grajew, da Nossa São Paulo

Ouça a entrevista do sec. municipal de Educação, Alexandre Schneider

Foto-ouvinte: Olhar paulistano

Ibirapuera

Motivado pelas imagens publicadas no Blog, o ouvinte-internauta Sandro Souza decidiu compartilhar com você o resultado de uma das paixões dele na cidade: fotografar. Pontos conhecidos da capital paulista foram registrados pela lente de sua câmera resultando em belas cenas em preto & branco. “E sem photoshop”, alerta.

Clique na imagem acima e veja outras fotografias de Sandro Souza.

Revista de turismo destaca grafite de São Paulo

Grafite de Eduardo Kobra

A revista americana diz que a metrópole brasileira é uma imensa galeria a céu aberto, destacando principalmente o bairro da Vila Madalena e seu “Beco do Batman”. Entre os “heróis da arte de rua” a que a publicação se refere estão Speto e Nunca, com seus murais, e Os Gêmeos (Otávio e Gustavo Pandolfo), que espalham pelos muros personagens “oníricos” pintados de amarelo.

São Paulo está entre as 10 melhores cidades do mundo para observar arte de rua de acordo com a revista de turismo americana Travel + Leisure, informa reportagem do Portal Terra, de onde reproduzo texto destacado acima. Muita gente ainda confunde as coisas e critica os grafiteiros como se pichadores fossem, além disso fala mal da turma porque muitas vezes não gosta do tipo de desenho realizado na cidade ou só vê arte se emoldurada na parede do museu. A verdade é que esta arte valoriza espaços públicos como o paredão de cimento que havia na avenida 23 de Maio, a caminho do Ibirapuera, que foi tomado pelo trabalho de Eduardo Kobra e equipe.

Trânsito: mortos, feridos e atropelados

A Lei Seca é apontada como uma das formas de se combater a violência no trânsito, mas a comparação com o modelo implantado em outros países deixa claro que o Brasil ainda precisa avançar muito. Enquanto na França são realizados 9 milhões de testes de bafômetro por ano, aqui no Brasil temos 300 mil.

Se por lá, as autoridades públicas precisam prestar contas a cada três meses sobre os números de mortes e vítimas em acidentes de trânsito e se justificar sempre que houver aumento, aqui no Brasil … bem, aqui no Brasil você sabe como as coisas são.

Hoje, 26.05, realizou-se o Seminário Internacional de Segurança e Proteção no Trânsito e nos Transportes. E o CBN São Paulo conversou com o representante da OMS, Organização Mundial da Saúde, doutor Marcos Musafir, sobre o efeito da violência que enfrentamos no dia a dia no trânsito dos centros urbanos e os caminhos para amenizar este cenário.

Durante a entrevista, levantamento feito pela Monica Poker, que acompanha o tráfego na capital paulista durante a manhã, apontou até às 10 horas, 19 acidentes – número abaixo da média. Houve neste período nove atropelamentos.

 Ouça a entrevista com o dr. Marcos Musafir (OMS)