A vida nos apresenta oportunidades disfarçadas de limitações

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

A autora e sua arte

Na minha infância, às vezes, me sentia um pouco diferente de outras crianças. Explico: nunca pude comer doces.

— ´´Mas nem um docinho? “

— “Não, nenhum.”

Lembro-me de algumas situações: quando a aula terminava e na saída da escola estava o “tio” do carrinho de doces. Eu dava uma passada com os olhos naqueles pirulitos coloridos e achava o máximo, mas ia embora sem comprar nenhum. Nas festas de aniversário, todos aguardavam ansiosos o momento de cantar parabéns, porque isso significava a hora do bolo e dos docinhos. Para mim, era encantador ver a decoração do bolo e dos doces, imaginando como teriam sido feitos. Na Páscoa, quando todos recebiam um ovo de chocolate, eu gostava mesmo era de ganhar um queijo bem gostoso!

Eu e um dos meus irmãos temos frutosemia, uma alteração genética caracterizada pela incapacidade de metabolizar a frutose, um tipo de açúcar presente em frutas, alguns legumes e inúmeros alimentos industrializados que contenham açúcar ou adoçantes em sua composição. No nosso caso, o grau de intolerância é grave, o que nos restringe totalmente o consumo desses alimentos, desde que éramos bebês, provocando náuseas, vômitos, suores frios, dentre outros sintomas. 

Não sei se o fato de comer doces e passar mal foi o que causou a aversão, mas não tenho nenhuma atração por doces. É realmente aversivo. No entanto, a restrição ao consumo de doces, na prática, nunca foi um problema. O verdadeiro desafio sempre foram os alimentos que, mascarados por outros sabores e temperos, continham açúcar dentre seus ingredientes.

Talvez a aversão nos conduza à paixão.

Assim, fui me empenhando no estudo da confeitaria. Desde pequena, fazia meus bolos confeitados e descobri na elaboração e preparo de receitas doces, uma ótima maneira de me divertir, me distrair, de usar a criatividade e, de certo modo, ir além das minhas próprias limitações. Uso as cores, odores e a textura dos alimentos para chegar à versão final de uma receita, visto que experimentar é uma impossibilidade. Além disso, conto com ajuda das pessoas com as quais convivo na tarefa de provarem e opinarem, a fim de aprimorá-la.

Um dia, já adulta, conheci a história do chefe americano Grant Achatz. Durante sua ascensão profissional nos Estados Unidos, em decorrência de um câncer na língua, perdeu o paladar. Achatz contratou quatro subchefes, que experimentavam suas receitas, e, no ano seguinte, foi considerado o melhor chefe americano, sem conhecer o sabor de suas criações.

Sem a pretensão de aproximar-me dessa história incrível, compreendi que podemos nos valer de vários recursos para atingirmos um objetivo, ainda que tenhamos limitações ou restrições.

Todas as privações, de algum modo, nos causam incômodos. Talvez a diferença esteja em obter algum grau de satisfação, apesar desse desconforto experimentado.

Para mim, preparar os doces é uma atividade que me traz inúmeras alegrias, mas a maior gratificação fica por conta de ver a satisfação das pessoas que os consomem.

As restrições não impedem o engajamento.

Nesse caso, falo de doces, mas poderia discutir sobre o uso de máscara, sobre ficar em casa ao invés de ir a uma festa ou viagem, sobre uma gentileza ou uma ação na qual podemos nos engajar socialmente. A vida, frequentemente, nos apresenta oportunidades disfarçadas de limitações. Longe de buscar a romantização dessa trágica situação que vivemos, é importante nortearmo-nos a partir daquilo que podemos aprender com ela. Ao aprimorar nossa capacidade de enxergar o outro, muitas vezes a visão sobre o propósito da vida torna-se nítida.

Aproveito e preparo um bolo. Envio para amigos, esperando que possam comemorar como se estivéssemos próximos apesar da distância imposta e necessária, que se sintam queridos e que isso lhes traga um pouco de doçura, num momento tão amargo. E, embora não duvide de sua alegria ao receber o presente, guardo a certeza de que quem mais ganhou fui eu.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: saiba qual o índice de satisfação do seu consumidor

 

“Não deixe de saber o quanto o mercado gosta e prefere a sua marca” — Jaime Troiano

Consultorias e institutos de pesquisa usam diversas formas para medir a satisfação de seus consumidores. Um dos indicadores é o NPS — Net Promoter Score, criado por Frederick Reichheld, e publicado pela primeira vez em uma revista da Universidade de Harvard, em 2003. Desde lá, transformou-se em um sucesso e tem sido aplicado tanto para captar a opinião sobre serviços e produtos, como organizações e pessoas.

 

Para Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, o segredo do NPR é a forma simples e acessível como a medição é feita. Para identificar o grau de satisfação e lealdade dos consumidores, o pesquisador pergunta “de 0 a 10, o quanto você indicaria a empresa, o serviço ou o produto a um amigo ou alguém que você goste?”.

 

Reichheld classificou os clientes em três grupos, conforme a nota dada:

Promotores — de 9 a 10
Neutros — de 7 a 8
Detratores — de 0 a 6

O NPS é a diferença entre o percentual de promotores e os de detratores. Por exemplo, se houver 70% de promotores e 15% de detratores, o NPS é 55. O percentual de neutros não é levado em consideração.

 

Aqui no Brasil, a opinionbox.com publicou no último trimestre do ano passado um cálculo de NPS para o mercado de fast food, após realizar 2 mil entrevistas sobre 13 marcas do setor.

 

As três empresas que se destacaram com melhor NPS foram:

McDonald’s P = 60 D = 22 NPS = 38
Burger King P = 63 D = 29 NPS = 34
Subway P = 59 D = 31 M{S = 28

Leia também o artigo “Os consumidores são os novos vendedores”, de Carlos Magno Gibrail a propósito do uso do NPR

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã

Conarec 2019: da expansão no engajamento empresa-cliente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O CONAREC — Congresso Nacional das Relações Empresas Clientes –, que será realizado nos próximos dias 10 e 11, no Hotel Transamérica, em São Paulo, traz expectativas de novidades, moldadas no tema “Expandindo as fronteiras do engajamento”. Serão 250 expositores e painelistas representando 100 marcas aproximadamente.

 

No intuito de obter um trailer, conversamos com uma das participantes do evento, Stella Kochen Susskind, master da pesquisa de mercado, que comanda a startup SKS CX Customer Experience, recentemente entrevistada no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Stella, fundadora, pioneira e CEO da maior empresa de cliente oculto da América Latina durante 30 anos, manteve atenção total na região de Israel onde surgiram empresas disruptivas que criaram o Waze, o Pendrive, o WeWork, o Wix e até o tomate cereja, entre outros tantos produtos que trouxeram benefícios e melhorias.

 

Estava atenta também às informações que o próprio mercado em que atuava sinalizava:

“Com tantas mudanças nas experiências dos clientes, com omnichannel — convergência de todos os canais utilizados por uma empresa — me perguntava a todo momento: como o mercado de pesquisa não se moderniza no mesmo ritmo? Como apresentar um resultado de pesquisa quase 20 dias após a experiência do cliente? Por quanto tempo os clientes compradores de pesquisa investirão muito em diversas metodologias, de empresas distintas, sem inovação e sem conseguir enxergar os resultados de maneira integrada?”

A presença com o ecosistema das startups israelenses e o desempenho da SKS, reconhecido internacionalmente, originaram um convite da Checker Software Systems, de Hadera, Israel, para trazer a nova tecnologia para o Brasil.

“Além do avanço das startups israelenses me chamando, a decisão de aceitar o desafio veio com uma frase de um cliente durante uma reunião: Stella, você é a pessoa que vai colocar fim nas apresentações de 80 slides só com números e key points sem sentido.”

Com esse estímulo, Stella assumiu a missão de absorver a nova tecnologia, depois de reuniões em Split (Croácia), Roma (Itália) e Hadera (Israel):

“O que mais parecia uma missão para a Mossad se tornou um caso de sucesso. Além de adotar uma metodologia de mensuração mais integrada — assim como a integração da jornada do cliente no universo físico e digital — e inovadora, a inovação é também na maneira de apresentar descobertas às empresas, modernizando de uma apresentação monótona e ultrapassada, que exigia a presença de um pesquisador para uma apresentação de dados. O modelo ‘pesquisa’ mudou. O empresário quer ele próprio acessar em tempo real o que o consumidor está falando de sua marca nos mais variados canais e poder agir baseado no estudo”.

Stella estará, portanto, apresentando as mudanças efetivadas nas pesquisas de satisfação dos clientes, embasada na nova tecnologia assimilada e já experimentada em seu trabalho atual. E, convida:

“Afinal, se com o Waze chegamos sem erro e pelo melhor caminho ao destino, com o que mostrarei no painel a jornada do meu cliente será assim também! Simples, potente e integrada”.

O painel de Stella Kochen Susskind em que mostrará alguns dos temas que foram antecipados para nós nesta conversa será o “Customer Experience a moda de Israel: inovadora, potente e segura”, dia 10 de setembro, às 12h50, na Conarec.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: Elmano Nigri diz por que tem tanto funcionário insatisfeito na sua empresa

 

 

Nas empresas, trabalhamos com processos e pessoas. Processos, não reclamam. Pessoas, sim. Então, é preciso saber ouvi-las para que se melhore o clima organizacional e aumente a produtividade. Esse tem sido um dos trabalhos desenvolvidos por Elmano Nigri, presidente da consultoria Arquitetura Humana, que participou do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Com base em pesquisas feitas em algumas das maiores corporações do mundo, o consultor relacionou os principais motivos que levam muitos profissionais a dizerem que estão insatisfeitos com a função que exercem: “primeiro, porque (eles) não são ouvidos; segundo, não se presta atenção neles; terceiro, porque não têm as características que foram definidas e comunicadas a eles; o caipira costuma dizer que ‘nóis combina, nós faz’ – é preciso que se combine com cada pessoa dentro da organização o que se espera dela”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, às 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e o programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. Os ouvintes-internautas podem participar pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN).

Ë possível transformar o trabalho em satisfação pessoal

 

Por Denis Pincinato
Diretor Executivo da Aplicare

 

Um consultor recebe a incumbência de identificar a percepção de alguns colaboradores envolvidos na construção de uma universidade, sobre a importância de seu papel.
Ao entrevistar o responsável pelo almoxarifado ele faz a pergunta que repetiu para todos os colaboradores:

 

– O que você está fazendo?

 

O responsável pelo almoxarifado responde que ele está cuidando do material que será utilizado na obra e pediu licença, pois estava atrasado para uma entrega.

 

O próximo a responder foi um engenheiro.
– Sou o engenheiro responsável pela obra. Eu participei da construção do cronograma e de todo o planejamento. Agora estou controlando as atividades para que tudo seja entregue dentro do prazo.

 

O auditor respondeu:
– Eu controlo a utilização dos recursos e verifico o uso das horas. Aqui não admitimos desperdício de tempo.

 

Por último o consultor perguntou ao mestre de obras o que ele estava fazendo:
Agora estou erguendo uma parede, mas na verdade, estou construindo uma universidade que ajudará na formação de muitos estudantes e muitas pessoas do bem.

 

Ter consciência de sua importância dentro do contexto organizacional e do propósito de sua empresa é o primeiro passo para que o alinhamento de expectativas seja um gerador de motivação e não de desmotivação.

 

O trabalho faz parte de nossas vidas, e temos condições de transformá-lo em uma das fontes de satisfação pessoal, mas isso está mais em nossas mãos do que nas mãos de nossos chefes. Trabalhar em um grande varejista demanda muita disposição e prontidão para a mudança. Agilidade e rapidez são competências necessárias e muito valorizadas dentro deste contexto. O trabalho em uma indústria demanda orientação a processos e visão crítica em relação ao desperdício. Na área de serviços, o atendimento ao cliente é o grande carro chefe e habilidades de relacionamento e facilidade em aprender novos assuntos são requisitos essenciais para o sucesso do negócio.

 

Independentemente da área de atuação e do nível de desafio ao qual você está inserido, a empresa onde você trabalha possui objetivos comuns e muito claros: resultado financeiro positivo e, se possível, sempre crescente, manutenção de seus ativos (prédios, máquinas, equipamentos, pessoas), bom relacionamento com as partes envolvidas na sua cadeia produtiva (comunidade, governo, acionistas, fornecedores, clientes) e busca pela continuidade do negócio.

 

Com base em uma clara visão dos objetivos de sua organização, é possível identificar quais as competências valorizadas e desejadas para o desempenho das funções disponibilizadas por ela.

 

Mas realmente é possível ser feliz no trabalho?

 

Sabemos que existem muitas variáveis que continuam fora de seu alcance e que impactam diretamente a prontidão para a busca do aprimoramento e da felicidade no trabalho (o chefe e seus adjetivos, clima organizacional, falta de estrutura adequada, mudanças constantes, falta de reconhecimento, metas muito agressivas, pouca ou nenhuma autonomia, etc).

 

Vamos propor uma mudança de foco: ao invés de ficar dando atenção e alimentando apenas o lado ruim dessa sua relação com o trabalho, olhe para o lado positivo.

 

Aqui começamos a falar sobre Psicologia Positiva.

 

Um dos estudos mais relevantes da Psicologia Positiva é a Teoria de Flow. O professor e psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi passou a se interessar em descobrir quais eram os elementos que contribuíam para trazer uma vida que valesse a pena ser vivida, explorando arte, religião, filosofia e vários outros campos do conhecimento que poderiam ajudar nessa investigação. Ele finalmente achou que a psicologia poderia ser a ferramenta ideal para responder a sua pergunta.

 

 

Através do gráfico proposto por Mihaly podemos identificar que os desafios e as competências necessárias para vencê-los possuem uma relação direta com o nosso comportamento. Se estivermos desempenhando atividades com baixo nível de desafio e com baixo nível de exigência de nossas competências, é muito provável que a sensação predominante seja a apatia.

 

Evoluindo no eixo das competências, mas mantendo o nível de desafio baixo, podemos passar pelo nível de tédio ou aborrecimento, até alcançar o nível de relaxamento. Do outro lado, aumentando o nível do desafio, sem desenvolver nossas competências, passamos pelo estágio de preocupação, ansiedade e excitação. As atividades em que alcançamos o Fluxo, o nível de desafio é alto e possuímos as competências necessárias para “dar conta do recado”.

 

Por esse motivo é possível afirmar que está em nossas mãos a construção do nosso próprio sucesso. Se aceitarmos sem questionamento as atividades que não trazem desafios e não buscamos desenvolver competências, é muito provável que as oportunidades não aparecerão, ou se aparecerem, não estaremos preparados para aproveitá-las.

 

Flow – a maior expedição está no nosso dia a dia

 

Para atingir um novo patamar de excelência em sua vida, inscreva-se no evento FLow – a maior expedição está no nosso dia a dia, que se realizará nos dias 5 e 6 de novembro, a partir das seis horas da tarde, no Teatro Renaissance, na Alameda Santos, 2233, em São Paulo. Acompanhe as palestras de Waldemar Nicleviz, primeiro brasileiro a escalar o Everest, e Amyr Klink, navagador com mais de 25 anos de experiência e autor de cinco best-seller e mais de um milhão de exemplares vendidos. O evento terá como direcionador Mário Kojima, empreendedor serial no Valo de Silício, conselheiro da Facebook nos Estados Unidos, presidente da News Corp. na Ásia e Gerente Geral da BBT no Japão.

 

A inscrição pode ser feita pelos telefone (011) 2579-3808 e (011) 97038-9610

Mundo Corporativo: como ser feliz no seu trabalho

 

A satisfação no trabalho é uma utopia possível no século 21 e depende muito mais do propósito que você tem no emprego do que do salário. O jornalista Alexandre Teixeira, entrevistado no programa Mundo Corporativo da CBN, diz que “o componente chave é o proposito, é a pessoa saber porque ela faz o que está fazendo, é achar sentido no trabalho; e propósito é coisa mais difícil de encontrar do que , simplesmente, a remuneração no final do mês”. No livro Felicidade S.A, o autor, através de pesquisas e casos corporativos, lembra que é estratégico para as empresas ter trabalhadores satisfeitos pois, neste cenário, há aumento da produtividade, diminuição da rotatividade de funcionários e redução nos investimentos com marketing.

 

Considerando que salário não é tudo, quanto um trabalho precisa ganhar para se sentir feliz? Assista à entrevista, pois falei com Alexandre Teixeira sobre este assunto, também.

 

 

O livro Felicidade SA será lançado, nesta terça-feira (18/09), na Livraria da Vila do Shopping JK/Iguatemi.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, apenas no site da rádio CBN, quando você pode participar por e-mail (mundocorporativo@cbn.com.br) ou pelo Twitter (@jornaldacbn). O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN