De remédios

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Falávamos de remédios, suas fórmulas, marcas, grifes e genéricos. Esse tem sido um assunto recorrente na pauta de papos aqui em casa, lá em cima, no jardim, em volta da mesa redonda. Nos perguntávamos principalmente como funciona essa coisa de grife e genérico. Alguém me diz se isto faz sentido: digamos que eu tenho um laboratório de produtos químicos, e um dos meus pesquisadores pesca uma fórmula que navegava no mar dos pesquisadores. Próximo passo é a comprovação de sua eficiência nos casos previstos disso, daquilo e daquilo outro. São os animais, as cobaias, que primeiro se submetem a testes que nem sempre dão certo. Feito receita de suflê. Só que como os animais não têm necessariamente nem isso, nem aquilo, e muito menos aquilo outro, é preciso que as doenças neles sejam provocadas, para então dar início à tentativa de curá-los com a nova receita. Se um percentual desses animais, que foram feitos doentes, se curarem ou ao menos sobreviverem, então recebo autorização para aliciar um número de pessoas que não têm dinheiro para continuar a comprar as drogas necessárias para abrandar ou mesmo curar seus males, ou não têm coisa melhor a fazer na vida, para substituírem os animais. Não vem me dizer que se submetem a isso por amor aos nossos irmãos, os humanos, ou que se entregam de bandeja pelo desenvolvimento da ciência.

 

E assim, a partir desse passo, se os resultados forem satisfatórios, segundo critérios que desconheço, passo a ter uma fórmula aprovada para combater ou abrandar os sintomas dos tais males, e consigo um atestado de comprovação da sua eficiência por um órgão governamental.

 

Nós que ainda reclamamos da burocracia e da dificuldade aqui no nosso patamar de vis mortais, nem podemos imaginar quantos despachantes e lobistas, quanto tempo, quanta paciência, quanto rapapé e quanto dinheiro são necessários para a autenticação de um trem desses e sua consequente fabricação.

 

Obstáculos superados, muito tempo e muita verba depois, diploma da fórmula na mão, lá vou eu reproduzir essa receita, pagar pela criação de peças de propaganda, desenhar embalagens atraentes para convencer o prezado público de que ele precisa daquela receita, e fazer muita visita, oferecer mimos, amostras, e às vezes mais do que isso, aos médicos das áreas específicas. Confecciono então caixas de dez ou de quinze comprimidos, quando a dosagem usual mínima são cinco. Aliás, nas andanças por hospitais e farmácias, descobrimos que existe uma lei que diz que podemos pedir para abrir a caixinha e comprar metade dos comprimidos, pagando portanto metade do preço, ou um terço deles, ou a quantidade prescrita pelo médico, de acordo com minha idade, peso, condições físicas, histórico do mal que me aflige, entre outros, mas as farmácias não são obrigadas a obedecer essa lei (!) se não tiverem em suas dependências uma sala com especificações laboratoriais de higiene e uma série de exigências determinadas por um desses órgãos governamentais. Daí que como todos os donos de grifes de farmácias ou os seus franqueadores dizem que não têm recursos para projetar e executar a tal sala, e como existe outra lei dizendo que ninguém pode obrigá-los a fazer isso, ninguém faz. Resultado, ninguém vende o número de comprimidos que precisamos, e fica por isso mesmo, e pronto. Levamos os tais comprimidos para casa, tomamos a quantidade prescrita e esperamos que seu prazo de validade vença, ou vai que…, para aliviarmos o armarinho dos remédios, que representam um risco enorme e causam acidentes sérios com crianças que estão na fase de descobrir o mundo a partir de suas casas, dos armários de panelas e de tudo que possam alcançar se esticando ou trepando em banquinhos mambembes para chegar ao desconhecido.

 

Mas aí transitamos também por outra lei; a dos genéricos. Agora, vamos pensar juntos: se eu confecciono uma receita de droga com nome de Bolo e o mesmíssimo item sem nome, mas com a sua receita no rótulo, eu deveria vender aquele que tem a receita no rótulo, mais caro do que vendo o outro que tem apenas quatro letrinhas. Mas parece que também não funciona assim. O item sem nome, o genérico, custa, às vezes, menos da metade do preço do produto que só traz quatro letras em seu nome. E tem mais, se eu sou dona da receita, devo disponibilizá-la para que possa ser elaborada por outros laboratórios, ou pelo meu mesmo. O importante aqui, e meu maior ponto de interrogação, é saber como é possível fabricar a mesmíssima coisa, com nomes diferentes, pela metade do preço. E aqui não falamos de bolsa ou cd pirata. Falamos de vidas, de bem-estar e de saúde; da vida do cidadão.

 

Será que só eu tenho estas perguntas? Quanto a mim, é só o que tenho, por isso, entro com as perguntas, e se você puder e quiser me ajudar, entre com as respostas, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Por decreto: proibido ficar doente no feriado

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não sei como as autoridades lidam com a saúde da população de baixa renda em São Paulo, mas imagino que o tratamento em todas ou, pelo menos, na maioria das cidades brasileiras seja semelhante. Faço questão de lembrar, volta e meia, que os textos que o Mílton publica nas quintas-feiras são enviados por mim de Porto Alegre, razão pela qual o que abordo neles geralmente se refere ao que ocorre no Rio Grande do Sul. No de hoje, apenas a introdução é da minha lavra. Mesmo sem ter pedido licença ao responsável por este blog, vou deixar que um médico, o Dr.Luís Schneider, ocupe o meu espaço com o seu desabafo. Esclareço que, como profissional de medicina, ele tem mais condições do que eu de criticar com conhecimento de causa, o ponto facultativo concedido pelo prefeito da capital gaúcha aos funcionários municipais, por ocasião do feriado de Corpus Christi. O título do seu texto é “Desrespeito por decreto”:

 

Assim é que o aviltamento do ser humano ganhou, definitivamente, o reconhecimento oficial. A autoridade constituída decretou que não há mais a menor necessidade de ser respeitada a condição de humanidade do cidadãos porto-alegrenses. Aliás, dos cidadãos pobres. Sim, porque, para os bem aquinhoados, que têm condições de manter planos de saúde para si e para seus familiares ou aqueles raros afortunados que dispõem de recursos financeiros para suprir, sempre que necessário, as despesas com a saúde. Esses não encontram dificuldades para obter consultas, exames e outros procedimentos médicos. Aqui, o canetaço suplantou a enfermidade ao determinar que o pobre não pode adoecer no feriado. E os postos de atendimento fecharam, como se não bastasse cerrarem as portas nos fins de semana. Tornou-se obrigatório, com isso, que não ocorram crises asmáticas, febres de quaisquer etiologias, infecções respiratórias, acidentes vasculares cerebrais ou outras patologias. A saúde é condicionada pela caneta do prefeito. Azar de quem agendou consultas, de quem veio de um município pequeno, gente que esperou meses ou até anos pelo dia marcado para ser examinado. Azar delas se perderam tempo e dinheiro em deslocamentos até as unidades de saúde fechadas em função do ponto facultativo. Azar que se sintam frustradas, humilhadas, pisoteadas. Quem se preocupa com esses pobres seres humanos? Como podem as mesmas autoridades que solicitam sejam os postos de saúde procurados a fim de que não fiquem sobrecarregadas as emergências dos hospitais, manter fechadas as unidades básicas aos sábados, domingos e feriados? Como a vida ser desrespeitada oficialmente, e por decreto.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Vamos discutir a cidade de São Paulo

Post publicado no Blog Adote São Paulo da revista Época São Paulo

 

Nesta semana, a revista Época São Paulo que “abriga” este meu blog e a coluna Adote São Paulo me ofereceu excelente oportunidade para falar da nossa cidade ao participar do Hangout 100, promovido pelo Google +. Pela página da revista na rede social do Google, conversei por vídeo com leitores e os colegas jornalistas, Camilo Vanucchi e Daniel Salles e respondi a perguntas sobre propostas para termos uma cidade melhor e expectativas em relação a campanha eleitoral que se aproxima.

 

A coordenadora da entrevista, Soraia Yoshida, que cuida do site da Época São Paulo, de cara pediu para que eu apontasse pontos positivos e negativos da cidade. Para mim, o gigantismo de São Paulo é sua maior fragilidade, pois torna difícil a implantação de soluções que beneficiem todos seus moradores. Ao mesmo tempo é a partir deste caos provocado por suas dimensões que encontramos saídas criativas e possibilitamos melhorias em alguns setores. Por exemplo, se a prefeitura não é capaz de estender a coleta seletiva para toda a cidade, os moradores de uma rua ou condomínio se organizam e buscam pontos para entrega do material reciclável. Ou se caminhões tem circulação restrita nas vias da cidade, as empresas e os caminhoneiros desenvolvem estratégias alternativas para atender seus clientes, mesmo que isto torne o processo mais caro.

 

Apontei a área de saúde como o tema que poderá centrar o debate eleitoral, pois este é o setor que tem aparecido com mais frequência entre as preocupações dos paulistanos nas pesquisas desenvolvidas pelos principais partidos, apesar de acreditar que, mais uma vez, se tentará nacionalizar a discussão na capital. O esforço para tornar a eleição municipal em trampolim para a disputa nacional dois anos depois não me parece que terá sucesso. Vitória na capital paulista não significa vitória nacional, como ficou claro na última eleição à presidência quando o ex-prefeito José Serra não teve sucesso, apesar de ter vencido as duas eleições anteriores (para a prefeitura e para o Governo do Estado).

 

A segurança pública também foi destaque na conversa, a medida que recentemente minha casa foi alvo de assaltantes. Não estou entre os que entendem que o bairro do Morumbi se tornou mais perigoso do que outros que temos na capital. Os assaltos à residência tem ocorrido com preocupante frequência em vários distritos da cidade e as soluções não podem focar apenas um bairro. Migrar tropas para o Morumbi e esvaziar outras regiões pode ser tarefa arriscada e midiática. É preciso aumentar o serviço de inteligência e ampliar o número de homens na polícia preventiva.

 

Outros assuntos foram tratados, mas deixo o vídeo à sua disposição para continuarmos debatendo a cidade de São Paulo:

 

A saúde das mãos e as unhas caviar

 

Por Dora Estevam

 

 

Um dos assuntos mais comentados em salões, revistas e blogs de moda são as unhas de caviar. A inspiração veio da diretora criativa da Ciaté, marca inglesa da manicure deluxe, Charlotte Knight. Ela quis mostrar um look tridimensional nas capas de revistas e deixar as mãos femininas, ao mesmo tempo, delicadas e extravagantes. No site da marca você encontra todos os apetrechos para montar a sua unha de caviar. Basta ter em mãos: esmalte e micro miçangas. Veja neste vídeo como é a produção:

 

 

Aqui no Brasil quem está fazendo é o Nail Bar Cosmopolish. As donas tratam as unhas como se fossem acessórios de moda. Elas fazem todos os estilos: francesinha, ombré, filha única. Tem serviço atém para quem está com pressa: limpeza e hidratação.

 

No Cosmopolish você vai encontrar cerca de 700 esmaltes entre nacionais e importados. Tudo para facilitar a sua vida, pois procurar esmalte na internet para comprar, às vezes, é perder tempo. Na Ciaté, por exemplo, estes que compõem a caviar estão esgotados. Na Amazon tem os esmaltes e miçangas da Martha Stewart. Fora isso, não sei se já chegou na popular 25 de Março, em SP. Se a correria for grande, melhor ir a um lugar que já tem tudo preparado.

 

Outra mania também em arte de unhas é a colorida Louboutin (solado vermelho) com isso as meninas brincam à vontade. Até a cantora Adele tem usado. Veja na foto.

 

 

Interessante é que nas unhas das outras eu acho bonito, não sei como ficaria na minha. Eu gosto muito de variar cor de esmalte, mas, no quesito decoração, deixo para as meninas e celebridades. O importante é sempre tratar as unhas com cuidados especiais pra ter uma saúde perfeita. Veja os cinco mandamentos da especialista Daniele Honorato, editora do blog Unha Bonita:

 

1 – Cuidarás MUITO bem de suas cutículas

 

Antes de usar qualquer esmalte baphônico o essencial é ter a “moldura do quadro” bem cuidada. As cutículas são aliadas no bom acabamento da manicure e precisam ter atenção especial diariamente. Ainda mais agora com a chegada do inverno, a pele pede muita hidratação e cuidados. Hidrate todos os dias (e várias vezes) suas cutículas e para qualquer sinal de “pelinha” rebelde ou ressecamento, hidratação nelas!

 

2 – Nunca deixarás seu esmalte lascado

 

Não existe coisa pior do que unhas com esmalte lascado. O visual pode estar totalmente fashionista, com o cabelo bonito e peças de roupas elegantes…mas se ao olhar para as mãos e encontrar lascas de esmalte a impressão de desleixo é praticamente imediata. É muito mais bacana tirar todo o esmalte (andar com lencinhos removedores de esmaltes na bolsa é uma ótima pedida!) e deixar as unhas “naked” do que andar com esmalte descascado por aí.

 

3 – Não cortarás as cutículas

 

Cortar as cutículas é um hábito brasileiro e muito prejudicial à saúde das unhas. Além de ser uma porta de entrada à bactérias, a pele da cutícula só tende a crescer cada vez mais toda vez que ela for retirada – sinal esse natural do organismo por entender que a pele necessita de proteção. Portanto, quanto mais você cortar as cutículas, maiores elas ficarão! A dica então é abolir o alicate aos poucos e tirar estritamente a pele morta, bem superficialmente. Durante o processo de abolição, o segredo é hidratar muito e sempre.

 

4 – Usarás apenas removedor sem acetona

 

Muita gente reclama de unhas fracas mas poucas sabem que a acetona é uma das grandes inimigas para o enfraquecimento delas. Usar removedores oleosos e sem a substância é uma ótima mudança de hábito! Além de agredir muito menos, removedores assim não deixam pele e unhas esbranquiçadas..

 

5 – Não tirarás o esmalte com os dentes

 

Levante a mão quem nunca fez isso. O esmalte lascou, não tem removedor por perto e a primeira ferramenta que se tem são os dentes. Puxa aqui, puxa ali e lá se vão lasquinhas por todos os lados…A praticidade do “removedor bucal” é perigosa: quando o esmalte é puxado a unha é descamada causando então enfraquecimento da mesma.

 

Meninas (e meninos que me leem), espero que tenham gostado das novidades. Se você experimentar algumas dessas unhas, escreva nos contando, será um prazer dividir este momento com você.

 

Aproveite bem o Dia das Mães!

 


Dora Estevam é jornalisa e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Paulistano quer prioridade para ônibus

 

Agilidade no atendimento nas unidades de saúde e pontualidade dos ônibus, duas das reivindicações feitas pelo paulistano na consulta pública “Você no Parlamento”, mostram o descontentamento do cidadão com a prestação de serviço na capital paulista. Foram ouvidas 33.340 pessoas no trabalho organizado pela Rede Nossa São Paulo e a Câmara Municipal que pretende pautar a atuação do parlamento na construção do Orçamento, apresentação de projetos de lei e fiscalização da prefeitura.

Ouça a entrevista com Oded Grajew, da Rede Nossa SP, ao Jornal da CBN

Os resultados completos da consulta pública serão entregues aos 55 vereadores de São Paulo, hoje às três da tarde, em audiência aberta a participação do cidadão. Acompanhe algumas informações antecipadas pela Rede Nossa São Paulo e Câmara:

De acordo com os resultados relativos à saúde, 75,24% dos paulistanos consideram que o poder público deveria priorizar medidas para agilizar o agendamento e a realização de consultas e exames. Como as pessoas que responderam o questionário podiam assinalar até cinco opções relacionadas à área, a segunda prioridade escolhida, com 72,98%, foi a ampliação da rede de Unidades Básicas de Saúde (UBS), Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e de Especialidades (AMAE), Prontos Socorros e Hospitais.

No tema transporte e mobilidade, o desejo da grande maioria dos paulistanos é que o poder público priorize o transporte coletivo (ônibus e corredores de ônibus) no sistema viário, para diminuir o tempo de espera e instituir a pontualidade nos terminais e pontos de ônibus. Esta alternativa foi assinalada por 77,41% dos consultados.

A redução do preço das passagens do transporte público, com 58,95%, e a implantação de ciclovias e todas as regiões da cidade, com 48,84%, ocuparam respectivamente a segunda e terceira opções mais votadas pelos paulistanos.

Informações complementares:

A consulta pública foi realizada entre os dias 15 de junho e 30 de setembro deste ano. Por meio de um questionário – respondido pela internet ou em material impresso –, os cidadãos participantes puderam opinar sobre quais as medidas mais importantes para melhorar as áreas de saúde, educação, meio ambiente, transporte e mobilidade, habitação, cultura e transparência e participação política, entre outras.

No total, 18 temas importantes para a qualidade de vida dos moradores da cidade foram abordados na consulta, que teve como base os Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município – IRBEM, elaborado pela Rede Nossa São Paulo.

Palavra de gari

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Palavra de Gari

O lixo domiciliar também emporcalha a frente do Posto de Saúde/AMA-Sé, na rua Frederico Alvarenga, nas proximidades do Parque Dom Pedro II .

Os garis varredores lembram que tirar o lixo dali é responsabilidade da Loga, empresa que faz a coleta no Centro, que nem sempre a faz com regularidade.

Os varredores ainda explicam:” Nesta região tem muitos cortiços… Nem precisa ser engenheiro para saber que duas caçambas no local,próprias para esse tipo de lixo, evitariam o problema – causado em grande parte pelos moradores de rua -, é só a Prefeitura exigir da Loga.”

Saudável cidadania no encontro do Adote

 

Esclerose lateral amiotrófica e a política municipal. Temas aparentemente sem conexão direta estiveram na mesa central do café do Pátio do Colégio, que todo segundo sábado do mês se transforma em ponto de encontro de integrantes do Adote um Vereador, em São Paulo.

Mesa eclética, sem dúvida. Em torno dela sentam não apenas integrantes do Adote, mas voluntários do Voto Consciente, e todos aqueles que estejam dispostos a discutir (ou apenas ouvir) temas de interesse do cidadão. Foi o caso do @maozero – desculpe-me se uso apenas o nome do perfil dele do Twitter, mas foi assim que o conhecemos emaranhado na rede social.

Maurício – assim passamos a chamá-lo – chegou vestindo a camisa da seleção brasileira e de óculos escuros. Nem precisou se apresentar, pois a maioria ali já havia “conversado” com ele. De cara mostrou que bandeira tem desfraldado nos últimos anos: é filho da Dona Catarina, diagnosticada com doença cruel que destrói o tecido muscular e interrompe movimentos – para qual existem regras, resoluções e leis poucas vezes cumpridas. Um exemplo: a internação domiciliar que ajuda o paciente e reduz custos do Estado, para a qual é preciso intervenção da Justiça pela falta de definição de políticas públicas.

Por coincidência, saúde havia sido o tema da conversa pouco antes dele sentar na roda que, neste sábado, estava cheia e entusiasmada. Falávamos dos debates na comissão da Câmara que trata do tema e tem causado espanto nos voluntários do Voto Consciente que assistem às discussões.

Vistoria dos vereadores da Comissão de Saúde no Pronto Socorro 21 de Junho, na Freguesia do Ó, administrado pela Santa Casa, havia identificado dificuldades no atendimento aos pacientes, equipamentos sem funcionar e o não cumprimento do contrato com a prefeitura. Duas das irregularidades encontradas: a administração do PS não contratou todos os médicos exigidos no acordo e o repasse de verba pública por serviço não realizado (leia mais aqui).

O baixo nível do debate sobre o uso de sacolas plásticas também foi motivo de comentários durante o encontro do Adote um Vereador, tema para o qual parece que a Câmara ainda não está preparada. Durante a semana, cenas de agressão verbal e ameaças físicas foram transmitidas pela Tv Câmara e internet e os projetos de lei que tratam do assunto estão pendentes ainda.

Abrimos um parênteses: as imagens amplamente transmitidas são um avanço na Casa, assim como a reunião do colégio de líderes abertos à participação popular.

A presença de Marcos Paulo Dias, jornalista e colaborador do Blog do Mílton Jung, trouxe para a conversa situações encontradas em São Miguel Paulista e demais bairros da zona leste da capital. Com sua inseparável máquina de fotografias nas mãos, mostrava imagens que, logo, estarão publicadas por aqui. E não pense que se falou apenas de problemas da região. Ele destacou, por exemplo, os encontros que ocorrem no espaço cultural Mundo da Lua, a Sexta Socialista, em Guaianazes, na qual música e roda de debate se misturam. Prometeu escrever sobre isso em breve.

Gente nova e dos primeiros encontros se misturaram em uma combinação que apenas aumenta o desejo de conquistar mais adeptos do Adote um Vereador. Hoje, somos 18 blogs ativos em São Paulo, três sites, um jornal eletrônico e um sem-número de boas intenções em favor da cidadania. Saudável cidadania !

De saudade

 


Por Maria Lucia Solla



Ouça “De Saudade” na voz e sonorizado pela autora

Minha comadre me escreveu. A gente se gosta muito, mas dá para contar nos dedos as vezes que nos vimos nos últimos muitos anos. Moramos a mais de mil quilômetros uma da outra, e temos nossas vidas. Ela queria saber mais sobre mim. Tem saudade. Eu também.

então foquei
olhei para mim com mais atenção
no embalo da energia forte
que está por toda parte
da esperança e vontade de ser melhor
que dá para sentir no ar

em menos de um segundo
encontrei em mim o mundo
você ele ela eles elas

tateando meu rosto
longe do espelho
reconheci pai mãe filho irmão
parente amigo
o que sonhei viver
os sonhos que vivi
e nos meandros da lembrança
me perdi

Vi meus erros que brotavam, acredite!, da mesma fonte de onde jorram os erros de todos; de afetos e desafetos, de povos de todas as terras. Cheguei o mais perto que pude da fonte de onde jorravam alegrias. A multidão se apinhava de tal modo que morria por um punhado, no afã de viver delas. Em volta dos meus acertos havia poucos; matavam a sede e o calor lá, onde apodreciam erros velhos, decadentes, que eu já descartara, e os que ainda estão estampados na minha cara.

chorar
escolhi sorrir
dizer
preferi calar

foi quando senti que as fontes eram interligadas
a que te faz chorar e a que te deixa contente
a que te faz olhar para trás
e aquela que ilumina o caminho à frente

senti impulso de gritar, bradar, alardear
quando percebi o brilho brincalhão de uma estrela
que me mostrava um caminho
confiante e curiosa segui
e foi então que vi
claramente
que a água de todas as fontes tem uma só origem

saí então da terra da lembrança
e voltei ao presente
de onde
por muito tempo
eu estive ausente

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung.

Vida nova no Bosque da Saúde

 

A família de sabiá-laranjeira aumentou nestes dias de novembro, no ninho que construiu na rua Samambaia, em pleno Bosque da Saúde.

Sabia-laranjeira

André Pereira, vizinho deles, ouvinte-internauta e indiscreto, registrou parte destes momentos em fotografia, e não teve como deixar de reparar na bela cor dos ovos, azuis como o do Grêmio por quem ele torce (e eu, também).

Sabia-laranjeira

Os “meninos” logo ensaiaram os primeiros gritos, provavelmente a espera da recompensa a ser oferecida pelos pais.

Sabia-laranjeira

O pai não escondia a satisfação e o orgulho pelo acontecimento. Peito em riste, parecia desafiar a quantidade de prédios que cerca o espaço que foi só deles.

Sabia-laranjeira

“A natureza ainda pulsa na floresta de pedra”, comemorou André Pereira, a quem agradecemos por dividir estes instantes com os leitores do Blog.

Veículos que poluem o ar poluem os ouvidos

 

Por Prof. Rodolfo Politano.
Ouvinte-internauta do CBN SP

Gostaria de alertá-lo sobre alguns pontos  importantes ligados aos efeitos da exposição tanto continuada quanto  intermitente aos níveis de ruídos que estamos submetidos nas vias mais  movimentadas da nossa cidade. E sobre quais são os principais  responsáveis pelo fato da cidade ainda ser tão barulhenta.

Lecionei mais de 10 anos a disciplina de conforto acústico e pretendo fortalecer as linhas de pesquisa em novas tecnologias para a redução  da emissão de ruídos em equipamentos e veículos. O que motiva a continuar na área que denomino “Controle das Radiações  Mecânicas” – porque as ondas sonoras nada mais são do que isso -tanto em seus malefícios, quanto seus benefícios quando usada para o conforto e entretenimento.

O Dr. Luis Fernado Correia apresentou uma brilhante matéria sobre os efeitos dos ruídos no Sistema Cardiovascular no dia 18/10 (ouça aqui). O relato apresentado por si só já é alarmante. Acrescento ainda os efeitos  documentados na literatura científica sobre o sistema digestivo, sobre a saúde emocional – lembrando que o estresse não provoca apenas efeitos cardíacos mas também a todas as doenças que possuem uma componente psicossomática, sobre a capacidade de concentração, e sobre o sistema respiratório. E claro – a perda da capacidade auditiva. Ou seja – a poluição sonora carrega tantos malefícios quanto a poluição do ar. Com  uma agravante – os geradores de poluição sonora estão nas vias públicas mas também nos interiores de estabelecimentos, de fábricas, de nossa casa. Isso quando não usamos um gerador de poluição sonora dentro de nosso ouvido – os famosos “iPods”.

Bem… o problema é grave e totalmente ignorado pelas autoridades e pela opinião pública.

E voltando à questão da inspeção veícular, venho aqui fazer um alerta que vale tanto para a sonora como a emissão gasosa dos veículos. Fiz um levantamento preliminar onde, em algumas vias movimentadas, foram feitas medidas de emissão em dB e contados os veículos, por categoria, que ultrapassam os limites estabelecidos pela legislação e encontrei uma coincidência preocupante. Sem falar em números absolutos  – mas que a observação de qualquer cidadão pode comprovar – os veículos mais ruidosos são aqueles movidos a diesel – ou seja, os que mais poluem o ar. A grande maioria dos veículos a diesel que circulam pela cidade é ônibus. Aí entra o conjunto de coincidências – primeiro, são veículos que deveriam ser fiscalizados pela Prefeitura independentemente de qualquer inspeção veicular – já que prestam um serviço publico.

Olha que coincidência: os veículos em piores condições de operação – e portanto de conforto para os passageiros – são os mais poluidores, tanto no ar quanto sonoros. Os veículos mais modernos – e mais confortáveis para os passageiros – possuem um nível de emissão sonora aceitável.

Com os caminhões a correlação entre a poluição sonora e do ar é a mesma. Uma das explicações mais óbvias (mas ignorada pelas autoridades) é a de que as condições do veículo e principalmente do motor – determinam seu comportamento mecânico – que determina a sua emissão.

Grande parte da emissão sonora do motor diesel sai pelo escapamento. Portanto se o escapamento possue um sistema de filtragem – que ocorre nos veículos “de passeio” – este colabora para a redução da emissão de ruído. O correto, para o ruído, é que o motor seja isolado do meio de maneira otimizada.

Depois dos veículos a diesel, as motos – principalmente aquelas cujo escapamento foi indevidamente alterado – são as que mais apresentam uma contagem de “irregularidade sonora”. E novamente – motos adulteradas apresentam tanto um nível de poluição sonora inaceitável – como o produto de sua combustão é mais tóxico do que a dos veículos automotores.

Para constatar minhas observações, quando estiver em uma via movimentada (e não estiver dirigindo), faça como as autoridades – feche os olhos. Preste a atenção nos veículos que mais ferem os seus ouvidos. Nos sons mais “irritantes”. Estes ruídos são absorvidos pelo seu corpo e pela sua mente. E depois as pessoas se surpreendem com o comportamento dos motoristas. Com o nível de estresse e de doenças ligadas … a viver em São Paulo.