São Paulo terá banheiro público-privado

 

Banheiro públicoUrologistas do Hospital das Clínicas chamaram atenção ao lançar guia sobre a necessidade de haver banheiros públicos à disposição do cidadão. Estavam preocupados, principalmente, com as pessoas que sofrem de incotinência urinária, bexiga hiperativa e problemas de próstata. Também, com o fato de que conter a urina por muito tempo propicia problemas de saúde. A falta deste equipamento é sentida quando se circula no centro de São Paulo.

Foi na administração Paulo Maluf que se fechou boa parte dos banheiros públicos localizados nas áreas externas das estações do Metrô. Alegava dificuldade para conter o vandalismo e atos sexuais pouco recomendáveis em público. Desde então, para os paulistanos restaram o paredão mais próximo ou a condescendência dos donos de bares e padarias, que muitas vezes só ocorre após o pagamento do cafezinho.

São Paulo agora estuda a possibilidade de “privatizar” os banheiros públicos. Ou criar os banheiros públicos-privados, conforme projeto apresentado à Emurb. Os donos de restaurantes, bares e padarias que aceitarem o acordo abrem seus banheiros para quem quiser entrar e em troca podem colocar uma placa (15 x 15) na parte externa com o nome de quem financia a parceria. Pode ser o nome do próprio restaurante ou de algum patrocinador. Da mesma forma como ocorre com as praças.

Na entrevista para a Fabíola Cidral, o secretário municipal das Subprefeituras Andrea Matarazzo passou a imprensão de que banheiro público (saúde pública, segundo os urologistas do HC) não é prioridade. Ao ouvir a entrevista, o ouvinte-internauta Edivaldo Ferreira lembrou de um banheiro que encontrou em Santiago do Chile e nos enviou a foto que ilustra este post. Além de público, limpo e disponível, também é inclusivo, pois tem acesso para pessoas com deficiência.

3 mil liberados da Lei Antifumo, por enquanto

 

Decisão liminar suspende a Lei Antifumo para três mil bares e restaurantes de São Paulo, conforme nota divulgada pela Abresi (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo). Ressalte-se: a medida é preliminar pode ser cassada a qualquer momento eplo Governo do Estado de São Paulo.

Leia a nota:

“O juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública mandou suspender, através de liminar, parte da Lei Antifumo, no que tange a hotéis, restaurantes, bares e similares abrangidos pelo sindicato da categoria em Itapeva e região, presidido por Silvio Cataldo. A ação foi patrocinada pelo Dr. Marcus Vinicius Rosa, diretor jurídico da ABRESI.

Assim, cerca de 3 mil estabelecimentos entre hotéis, bares e restaurantes dos municípios de Apiaí, Barra do Chapéu, Barra do Turvo, Bom Sucesso de Itararé, Brui, Capão Bonito, Guapiara, Itaberá, Iporanga, Itapeva, Itararé, Itaoca, Nova Campina, Ribeira, Ribeirão Branco, Ribeirão Grande, Riversul e Taquará estão proibidos de serem fiscalizados assim como as seis multas aplicadas pelo Governo do Estado a estabelecimentos da região são nulas.”

Twittadas do dia: Sérgio Guerra e lei antifumo

 

Desde o retorno ao trabalho, a novidade no blog é a publicação das mensagens que envio pelo Twitter (dê uma olhada na lateral direita). Alguém há de dizer: “grande novidade, Milton Jung”. Pois é, caro amigo e amiga, a vida deste blogueiro não é fácil, pois a plataforma em que estou ancorado nem sempre me oferece todos os recursos que sonhei. Este só está no ar graças a turma de apoio da internet da CBN.

Ao que interessa: minha intenção é diariamente dar publicidade no blog também aos comentários enviados pelo Twiiter, pois cresce a cada semana a participação do pessoal por lá. Nem sempre será possível colocar todos por aqui, mas me esforçarei para que as opiniões estejam bem representadas.

Nesta segunda-feira, a entrevista do presidente do PSDB Sérgio Guerra, explicando o uso de dinheiro público para que a filha dele o acompanhasse em viagem para Nova Iorque, onde fez tratamento de saúde, e a reação de fumantes contra a lei antifumo no Estado de São Paulo foram os temas que mais geraram comentários.

Sérgio Guerra e o dinheiro público

marcosrs@miltonjung Se o dinheiro é NOSSO, fico feliz em saber que se precisar ir à NY tratar da saúde, posso contar com um avião do senado. Não?

fernandomaciel@miltonjung Precisa avisar ao Sen. Sérgio Guerra que a palavra “farra” no caso das passagens não é no sentido de diversão, mas do uso ilegal

Isasperandio@miltonjung vou pedir pra minha empresa pagar a passagem pra minha máe vir pra cá e ir ao médico comigo. Tá, até parece. É uma palhaçada

Isasperandio@miltonjung meu, vai contar história pra boi dormir em outra freguesia, né? é indignante como chamam a gente de otário.

bferrari@miltonjung Ele ganha o suficiente para comprar a passagem. Se o país desse condições a todo enfermo tratar-se no exterior, talvez sim.

hellenquirinoRT @miltonjung Sen. Sérgio Guerra defende gasto c passagem aérea p filha ir à NY p ser sua acompanhante em trat d saúde. Neste caso pode ?

AntonioBicarato@miltonjung mas ainda sendo uma questao de saude, nao deixa de ser uma questao particular, nao?

AlmirVieira@miltonjung Senador faça me o favor o senhor é muito desinteressado com o dinheiro público!

Lei antifumo em São Paulo

hugowt@miltonjung quem é contra sempre vai reclamar mais do que quem é a favor vai elogiar… saí neste fim de semana e só vi sorrisos de alívio

Roberto_SP@miltonjung Milton, só manda email quem quer reclamar,né?! A grande maioria, que apoia, não se manifesta.Acho incrível quem reclama

marcospog@miltonjung É a meia duzia de fumantes de sempre, sem respeito, sem vergonha e que não aceita o fato de que ele é um cancer

FefeThomson@miltonjung Claro que os e-mails são contra. Quando as pessoas são a favor, não costumam se manifestar. É cultural…about 6 hours ago from web in reply to miltonjung

danielmajzoub@miltonjung mais uma medida draconiana e extrema, apesar de odiar cigarros, não se pode fazer a coisa certa da maneira errada!

ric_gonzalez@miltonjung E eu que fui no Genésio (Vl Madalena) e o garçom me disse que apoiava tanto a Lei, que ele mesmo ia ao banheiro ligar no 0800!

elderbraga@miltonjung Em São Paulo qualquer minoria é gigantesca e merece atençãoabout 8 hours ago from Twitterrific in reply to miltonjung

anabenassi@miltonjung Minha irmã foi em uma balada no sábado e falou que realmente funcionou…Ela adorou não sair fedendo cigarro.

KilderCatapano@miltonjung Mas são a minoria. A maioria q aprova a lei não tem do que reclamar 

NRigon@miltonjung não tem pq ser contra… a maioria não é fumante e a maioria em qquer democracia tem o direito de escolher o que é melhor

MAFE_87Toh chocada!!! RT: @miltonjung: Em São Paulo, 16 multas por descumprimento da lei antifumo, diz Gov de SP.

guskauffman@miltonjung Gente contra terá sempre!! Mas que esta lei antifumo veio em boa hora, isto veio! Chego em casa ainda cheiroso.

panicoemsp@miltonjung Bem, eu apoio a lei antifumo. Agora posso jantar fora numa boa.

sergiostampar@miltonjung Isso ai.. tem que multar mesmo! Primeiro o respeito com quem não fuma!

Gripe suína e descontrole põem medo em Porto Alegre

 

Foram três dias seguidos dentro de um dos principais hospitais de Porto Alegre, capital gaúcha. O desfile de máscaras era constante nos corredores. Lavar às mãos em totens de gel espalhados por todos os cantos, uma obrigação. Na porta da emergência, algumas pessoas se acumulavam a espera de informação e atendimento. Os leitos de maternidade deram lugar a pacientes que não haviam contraído gripe – tenha ela qual fosse o nome -, mas exigiam cuidados emergenciais. Os “gripados” estavam em macas dentro de quartos feitos de cortina. Os graves foram para isolamento. Áreas de convívio passaram a receber pacientes, também. Em um só dia, havia 23 a espera de internação, mas sem apartamento.

Pendurados no celular, as pessoas davam detalhes da situação, falavam de colegas de trabalho que contraíram a doença. “Está todo mundo gripado por lá”, ouvi de um deles. “A gerente está com pneumonia”, comentou a moça na cafeteria.

Enfermeiros e auxiliares tiveram carga de trabalho aumentada há um mês e tentam ser solícitos apesar dos (im)pacientes.

Lá embaixo, o grupo de operários se esforçava para interferir o mínimo possível no cotidiano hospitalar enquanto conclui a obra de ampliação do setor de emergência. Assim que esta etapa se encerrar, nova área sofrerá intervenção para que mais leitos estejam à disposição da população.

No ar, muito mais do que pó, bactérias ou vírus, havia preocupação e medo. Tudo por causa da gripe.

Na primeira página do jornal e a qualquer hora que ligar o rádio, repetem-se os números de pessoas mortas pela gripe suína. Médicos, infectologistas, diretores de hospitais e políticos são entrevistados, um atrás do outro. Uns dizem uma coisa, outros dizem outras. Nem sempre esclarecem o que disseram.

O secretário estadual de Saúde muda de opinião a medida que se sente coagido pelo noticiário. As escolas do Estado decidem ficar fechadas e as particulares são forçadas a repetir o mesmo gesto, pressionadas pela opinião pública. As da capital (enfim, alguém pensa) abrirão pois sem a merenda escolar os alunos tendem estar mais frágeis a doenças.

Os que não estão por aqui telefonam preocupados com a gripe. Alertam para os sintomas que se aparecerem devem ser combatidos imediatamente, “de preferência longe desta cidade que não tem mais leitos”. Mas cuidado quando pegar o avião, afinal por mais de uma hora todos estarão confinados no mesmo ambiente expelindo perdigotos e afins.

O pânico está instalado em Porto Alegre por causa do risco de morte provocado pela gripe suína. Mas a verdade, que a paranóia não deixa ninguém enxergar, é que, até o momento que escrevo este texto, ninguém morreu contaminado pelo vírus H1N1 na maior cidade do Rio Grande do Sul.

O que fazemos é um desserviço à saúde.

Lavar as mãos para a gripe suína

 

Um sem-número de vezes lavei as mãos na última semana a bordo de um navio que corria sobre o Oceano Atlântico. Antes e depois da refeição sempre foi comum, mas, desta vez, não havia uma sala, um corredor, restaurante nem em pensamento, no qual um totem contendo líquido antibacteriano e alerta para a importância do ato de lavar as mãos não estivesse no meio do caminho. Para entrar e sair do navio, uma moça com borrifador estava a sua espera. Pegar o prato de comida sem passar pela maquininha era considerado pecado mortal com direito a saltar da prancha ao mar.

De acordo com uma das funcionárias da empresa de navegação, o cuidado é adotado há algum tempo e não tem relação com a gripe suína. Turistas que haviam viajado pela companhia há um ano disseram que a atenção, desta vez, foi redobrada. Quadruplicada, talvez.

No embarque tive de preencher uma ficha com dados para contato, responder sobre sintomas como febre e dor no corpo, além de informar se havia viajado nas últimas semanas para o México ou áreas infectadas pelo vírus que provoca a gripe suína. Ao retornar para Nova York, nenhum alerta, nenhuma pedido de informação. Sequer funcionários com máscaras ou luvas, como alguns começaram a cobrar no Brasil.

Aliás, a paranóia da mídia americana parece ser bem menor do que a brasileira. Se tivesse navegado na edição eletrônica dessa segunda-feira do “The New York Times”, você não encontraria informações sobre a “swine flu” na página principal do jornal, não veria destaque na editoria de saúde ou encontraria notícias sobre o surto entre as mais populares dos leitores-internautas – ao contrário do que ocorreria se você acessasse os principais portais de notícias do Brasil.

A principal notícia sobre o vírus H1N1 no TNYT era da preocupação dos americanos com o reflexo na economia, conforme pesquisa da Harvard Scholl of Public Health. Seis de cada 10 americanos ouvidos acreditam que haverá um aumento no número de casos de pessoas infectadas com a chegada do outono, em setembro, quando se encerra o período de férias. Antes, porém, de pensarem na possibilidade de serem vítimas da doença, imaginam o prejuízo que poderão ter se tiverem de ficar em casa, longe do trabalho ou com escolas fechadas devido a medidas de restrição de circulação das pessoas. De acordo com dados publicados pelo jornal 44% dos que responderam a pesquisa imaginam que perderão dinheiro e 1/4 teme ficar sem emprego. (Leia a reportagem completa).

Um médico com que conversei antes da viagem, me disse que o ideal seria evitar áreas com aglomeração e passeios para locais em que haja maior número de infectados. Mas me tranquilizou: se a passagem está comprada e o pacote turístico fechado, aproveite o máximo que puder as férias. O risco de contrair o H1N1 é pequeno.

Preocupados ou não com a gripe suína, temos de ter consciência de que as mãos são vetores para uma série de doenças. Estudo publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences, ano passado, comprovou a mão tem, em média, 150 tipos de bactérias. Os pesquisadores da University of Colorado at Boulder “afirmam que lavar as mãos com produtos feitos especificamente para combater bactérias ainda é uma forma eficaz de minimizar o risco de doenças”.

Assim, ao terminar de ler suas notícias e blogs preferidos, vá a torneira mais próxima e lave bem suas mãos. Outros estudos mostraram que o nosso teclado pode ter mais bactérias e sujeira do que a tampa do vaso sanitário.

MP quer derrubada de veto a lei anticoxinha

Um grupo de promotores públicos de São Paulo recomendou os deputados estaduais a derrubarem o veto do governador José Serra (PSDB) a lei que proibe a venda de alimentos gordurosos e companhia em cantinas de escolas. Para o pessoal que atua com temas ligados à saúde pública no Ministério Público a medida seria importante para combater a obesidade infantil e melhorar a qualidade de vida das crianças.

Caso aceitem a recomendação do MP, os deputados estarão tomando uma medida inédita no parlamento paulista. Conta-se nos dedos o número de vezes que o legislativo estadual teve coragem e argumento para derrubar um veto do governador. E não apenas do governador Serra. Todos que o antecederam, poucas vezes (e digo poucas para não cometer erros, pois não lembro de isto ter acontecido de fato) foram desafiados em suas decisões.

Mas vamos a lei anticoxinha:

Ouça a entrevista da promotora Ana Trotta

Cidade-vegetariana para melhorar o meio ambiente

Imagem da cidade de Ghent, Bélgica

Os produtores, frigoríficos e açougues não gostarão da ideia, mas imagine uma cidade inteira sem comer carne uma vez por semana. O projeto começou na bela e medieval Ghent, na Bélgica, para combater a obesidade e reduzir a emissão de gases estufa. Toda quinta-feira, os restaurantes serão obrigados a servir um prato vegetariano e os moradores são convidados a deixar seu hábito carnívoro de lado.

O dia sem carne não é obrigatório e não haverá fiscais invadindo os restaurantes com “carnômetros” em punho para medir o hálito dos frequentadores e provar que eles não aderiram a proposta. Os primeiros a se comprometerem a atender a recomendação foram os integrantes do conselho da cidade, espécie de Câmara de Vereadores.

Cálculos da ONU mostram que a produção e consumo de carne são responsáveis por 18% das emissões globais de gases estufa. Se os moradores de Ghent aderirem e deixarem de comer carne toda quinta, em um ano o efeito no meio ambiente será semelhante ao da retirada de 500 mil carros das ruas.

Quanto a valia dos números acima, não tenho como garantir, mas que reduzir o consumo de carne dá uma bela força à nossa saúde, não tenho dúvida.

Fonte: Ambiente Brasil

De queda de braço

Por Maria Lucia Solla

Ouça ‘De queda de braço’ na voz da autora (música: Round Midnight, Stann Getz)


Gripe Olá,

Você se lembra de quando era legal ficar resfriado? Não, não digo legal porque fosse divertido, mas era socialmente aceito.

Atchiiiim!

Confesso. Sim, estou resfriada. Meu raciocínio anda devagar, quase parando nas curvas mais fechadas. Ou é o tico que espirra, ou o teco que tosse. E a conexão cai.

Resfriado significava, há pouquíssimo tempo, carinho especial da mamãe, das tias, dos amores e dos amigos. Um evento. Nada de escola. Nada de trabalho. Chazinho de limão adoçado com mel, muito suco de laranja, bolinho de chuva e mingau de aveia quentinho.  E cama. Repouso era fundamental. O xarope não era amargo, mas era transgressor; trazia um quê de bebida alcoólica. Em três dias, podia sobrar um restinho de tosse, um espirro aqui, outro ali, mas dava para levar.

Resfriado era um mal banal.

Aprendia-se na escola que muitos tinha morrido em decorrência de pestes, e que a Gripe Espanhola tinha feito um estrago danado. Era história, e só. No Brasil não tinha peste, epidemia, e confesso que não faz muito tempo que ouvi a palavra pandemia, pela primeira vez.

Hoje, valha-nos Deus! Cama? Nem pensar. Não dá. Crise, minha gente. Alerta vermelho! Trabalho é fundamental para o fundamental, só que fundamental não é tão fundamental assim, a gente se arrebenta, sem entender bem porquê. Vai na onda. Foi e será sempre assim.

Hoje, quando resfriados, nos arrastamos para fora da cama e nos entupimos de droga; mas nem assim vencemos o tal do resfriado. É queda de braço. Ele aponta e a gente se arma. Pílulas de todas as cores, em horário apontado na agenda. Resfriar-se é proibido. A queda de braço é tanta que os vírus, certamente movidos por instinto de sobrevivência, como nós, se fortalecem e se defendem como podem.

Hoje, se você espirra em casa, tudo bem. No restaurante, atrai olhares desgostosos de quem se sente ameaçado e chega a desistir da sobremesa e do cafezinho. Pernas, para quê te quero!  Agora, se você espirra no aeroporto… Sabe Deus quando voltará a ver a família.

E eu, o que faço? Vou para cama? Vou à festa na casa do Bertrand e da Sandrine? A paella gigante é tentação demais para uma descendente de espanhóis. Uso máscara? Fico em casa e continuo meu trabalho? Preparei o almoço, de véspera, na panela elétrica, de cozimento lento. Coloquei os ingredientes ali, ontem à noite, e ela preparou um cozido delicioso. Lavo a louça? Dou um cochilo? Saberemos amanhã.

E você, quando fica resfriado, faz o quê?

Pense nisso, ou não, e até a semana

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos escreve no Blog do Milton Jung mesmo abaixo de tossidos e espirros.

Atchiiiiiim ! É gripe ? Saúde e informação

Máscara para proteger da gripe é exagero, no Brasil

O uso de máscara para se proteger da gripe suína é exagero e ineficiente dizem os médicos, apesar da confirmação dos primeiros casos da doença no Brasil. Assim como não há razão para as pessoas entrarem em pânico mesmo que novos infectados com o vírus apareceçam no decorrer do fim de semana. Ressaltam que a notícia de ontem, quatro pessoas tiveram a doença detectada, e a possibilidade de o número aumentar ainda nesta sexta é resultado da chegada de material apropriado para a realização dos exames. Apenas isso.

Todos os médicos com quem a CBN conversou dizem que é preciso, sim, atuarmos de maneira preventiva, mas que a doença está sob controle. A doutora Nancy Belém, da Unifesp, lembra que de nada adianta sair correndo atrás da vacina da gripe que está nos postos de saúde e farmárcias se a intenção é se proteger do H1N1, vírus que assusta o mundo desde o mês passadp. Enquanto o doutor Juvêncio Dualibi Furtado, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, ressalta que os casos surgidos no Brasil são importados. Até aqui não houve transmissão de uma pessoa para outra dentro do País. E mesmo que haja, há ações para controlar a doença.

Para quem precisa de informação sobre a gripe suína acesse o site da Sociedade Brasileira de Infectologia. É bastante comunicativo e escrito para leigos, como eu e como você. 

Ouça a entrevista com o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Dualibi Furtado

Ouça a entrevista com a chefe do setor de pesquisa em vírus respiratório da Unifesp Nancy Belém  

Diesel mais limpo: Justiça protege lucro de fabricantes

A Justiça negou liminar que impediria a venda de veículos a diesel com níveis excessivos de emissão de enxofre alegando o prejuízo que as montadoras sofreriam prejuízos econômicos com a medida. O juiz Marcus Vinícius Kiyoshi Onodera, da 2ª Vara da Fazenda Pública, justificou que se atendesse o pedido do Ministério Público Estadual haveria uma onda de demissões e recessão no setor. A solicitação do promotor de justiça do Meio Ambiente José Eduardo Lutti tinha como objetivo evitar o prejuízo à saúde pública e ao meio ambiente provocada pela frota a diesel que circula na Grande São Paulo devido ao não cumprimento de resolução do Conama que obrigava a Petrobrás e as montadoras a se adaptarem para a produção e utilização do Diesel S-50, mais limpo ou menos poluente do que o queimado pelos carros, ônibus e caminhões na maior parte do Brasil.

Ouça a entrevista do promotor de justiça do Meio Ambiente José Eduardo Lutti, ao CBN SP

Importante salientar que está em vigor Termo de Ajustamento de Conduta promovido pelo Ministério Público Federal com a Petrobrás, os fabricantes de motores e entidades públicas que prevê uma espécie de parcelamento do cumprimento da resolução do Conama.

Leia parte da justificativa do juiz juiz Marcus Vinícius Kiyoshi Onodera, da 2ª Vara da Fazenda Pública:

“O deferimento da tutela implica em evidente risco inverso à ordem econômica no caso de deferimento da tutela. A História afasta a urgência da medida, pois, bem ou mal, a economia mundial foi e é intimamente lastreada na indústria automobilística. Aqui, milhões de pessoas dependem dos empregos daí gerados. Nesse contexto, a última e recente crise econômica afetou de forma profunda esse setor da economia. Não fosse o já vultoso e altamente criticado empréstimo feito pelo governo dos Estados Unidos da América à matriz da General Motors Company, recente declaração de seu porta-voz tangenciou a possibilidade de falência, conforme notícia disponibilizada ontem, 22.4.09, no site do New York Times1. No mesmo sentido, a Chrysler. Some-se a isso à redução da margem de lucro de quase 70% da matriz da Toyota, noticiada em novembro último nos principais jornais do Japão.

Consequência clara disso será a provável e infeliz onda de demissões e recessão. E, na exata medida em que as medidas drásticas pleiteadas pelo d. Ministério Público estadual irão comprometer a comercialização de considerável frota já produzida e ocasionarão, portanto, agravamento do já debilitado orçamento das montadoras, não há como se deferir, em cognição sumária, qualquer medida nesse sentido. Mais do que a economia das empresas, deve-se proteger, ao menos por ora, o emprego dos milhares de funcionários e de suas famílias. Ou seja, ao menos por ora, no cotejo entre a externalidade noticiada – na lição do Ministro Eros Grau – e do certo e imediato agravamento do risco ao emprego dos funcionários que ainda não foram demitidos das montadoras, tenho que o último prevalece sobre o primeiro. Não que um provimento jurisdicional dessa natureza não possa ser concedido. Mas para isso, em tese, haveria necessidade do contraditório pleno e análise exauriente de todas as questões postas.

O deferimento da tutela de urgência, implicaria, também, em necessidade de alocação imediata de recursos volumosos da Administração, limitada por rigorosas regras orçamentárias.