Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: lições de 2021, aprendizados para 2022

‘“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente”

Sorem Kierkegaard, O desespero humano 20021
A cultura suéca FIKA é uma tendência Foto de cottonbro no Pexels

Orientados pela frase do filósofo dinamarquês, que abre este texto, olhamos para o que aconteceu e miramos naquilo que somos capazes de entender para oferecer a você, que nos acompanhou ao longo de 2021 e está disposto a seguir esta jornada ao nosso lado, em 2022, um caminho de equilíbrio, esperança e conhecimento. No programa de Natal, o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso aproveitou-se da ‘bola de cristal’ de Jaime Troiano e Cecília Russo para entender o que nos espera logo ali na frente.

Que fique claro: a ‘bola de cristal, de Jaime e Cecília, é apenas metáfora para a sabedoria que eles acumularam nas carreiras dedicadas ao branding e ao relacionamento humano. Cientes do desafio que a pandemia segue nos impondo e das dificuldades econômicas que o país enfrenta, eles listaram três verdades reveladas na pandemia e três verdades que precisão ser consideradas pelas marcas.

Verdades reveladas

  1. Capacidade de adaptação – o ano passado e este que está se encerrando fizeram as marcas repensarem suas estratégias para preservar vínculos, para reforçar suas proposta de valor, mantendo-se relevantes. As que conseguiram saíram fortalecidas, a despeito de todos os problemas que enfrentamos juntos. E isso influencirá na longevidade delas, em 2022.
  2. Fazer diferença – destacaram-se no cenário as marcas que fizeram diferença na vida das pessoas, ajudando na travessia deste período de restrições. E o reconhecimento foi imediato: no estudo Marcas Mais, da Troianobranding e Estadão, por exemplo, os consumidores identificaram Nubank, iFood e Nestlé, com marcas parceiras.
  3. O desejo de consumir – os períodos de promoção, como a Black Friday, mostram que o desejo de consumir segue preservado; as pessoas querem comprar, quando o acesso é possível. E isso nos aponta para um espaço que as marcas relevantes devem ocupar.

“Essas três razões me permitem ter um certo otimismo para 2022”

Jaime Troiano

Verdades a serem consideradas

  1. A necessidade de acelerar – A pressão pela agilidade e economia do tempo, que já era uma demanda, se tornará ainda mais relevante. Tudo mais acelerado, entregas mais rápidas, respostas imediatas. 
  2. O espaço para desacelerar – não é uma contradição ao anterior; é uma complementação. Com tudo em alta velocidade, haverá espaço para as marcas promoverem ou venderem desaceleração. Para oferecerem o FIKA, um ritual da cultura sueca que tem origem na inversão da palavra ‘kaffe’. É muito mais do que uma pausa para o café. É um estilo de vida, em que você aproveita as pausas para socializar.
  3. Marcas para mim – eis aqui uma tendência que já existia e se expressou com a pandemia: a ideia de que não há mais uma marca que possa ser generalista, que sirva a todos. As marcas que ganham valor são fortes para algumas pessoas e não para todas.  

“Então, posicionar, focar é uma tendência”.

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso completo com outras dicas e referências de marcas: 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as preferidas dos cariocas

Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

“Pedra que rola não cria limo. Precisa ter consistência, paciência e tempo: três ingredientes das marcas líderes”

Cecília Russo

Qualidade e respeito são dois dos aspectos mais valorizados pelos consumidores do Rio de Janeiro quando constróem um relacionamento de afinidade com suas marcas, especialmente neste segundo ano de pandemia. De cinco dimensões medidas no projeto “Marcas dos Cariocas” foram as duas que ganharam espaço na análise de pouco mais de 2 mil pessoas entrevistadas por meio de questionário online. O estudo que chegou a sua 12a edição tem a participação de Jaime Troiano e Cecília Russo, nossos comentaristas e sócios na TroianoBranding, e do jornal O Globo.

Em uma primeira etapa, foram identificadas as marcas dentro de cada uma das 41 categorias a partir de menção espontânea dos consumidores. Em seguida, os participantes foram exposto a cinco categorias  e apontaram qual marca está mais associada as dimensões do consumo:

  1. Qualidade – oferece produtos e serviços de qualidade
  2. Respeito – respeita o consumidor
  3. Preço – valo que o que custa
  4. Identidade – combina comigo
  5. Evolução – está sempre se renovando

Considerando os 12 anos de pesquisa, têm sete marcas que permanecem no topo de suas categorias:

  • Bancos – Itau
  • Hospitais – Rede D’Or
  • Escola de Inglês – Cultura Inglesa
  • Farmácias – Drogaria Pacheco
  • Operadora de celular – Vivo
  • Protetor solar – Sundown
  • Shopping center – Barra Shopping

“Ao olhar nessa lista de marcas chama a atenção que cinco são marcas nacionais. Isso mostra a força das nossas marcas e o quanto elas criam laços poderosos, se fazem um trabalho bem feito.Afasta aquele fantasma de que nós seríamos engolidos pelas marcas globais”. 

Jaime Troiano

Uma categoria que foi incluída no estudo desde o início da pandemia foi a que identificou quais as marcas que mais ajudaram os cariocas neste momento de dificuldade:

  • iFood
  • Americanas
  • Magazine Luiza
  • Natura
  • Uber

A lista completa dos vencedores do “Marcas dos Cariocas”  você encontra no jornal O Globo.

Ouça aqui o comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com sonorização de Paschoal Júnior

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Sua Marca: três lições de branding que encontramos na Casa de Gucci

“Não há marca forte que resista a produto ruim e essa é a crença que faz com que a Gucci tenha toda essa história maravilhosa”

Jaime Troiano

Um assassinato sob encomenda é o centro de uma história de amor, traição, decadência, vingança, luxo … e de algumas lições de branding. Na tela do cinema, essa casa ainda pouco frequentada, desde que a pandemia se iniciou, o diretor Ridley Scott traduziu o que já havia sido bem escrito em livro de Sara Gay Forben, lançado em 2008, e relançado agora, no Brasil, com o nome Casa Gucci. Uma obra que parte de um crime bárbaro, encomendado por Patrizia Reggiani Martinelli, que culminou na morte de Maurizio Gucci, seu ex-marido. Na pesquisa de Sara e na transformação de seu livro em filme, se tem acesso a conceitos que fizeram da Gucci uma das maiores marcas de luxo do mundo.

Jaime Troiano e Cecília Russo foram ao cinema para assistir  à Casa Gucci e de lá saíram entusiasmados não apenas com a trama, mas com o que se pode aprender sobre branding. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, eles apontaram três lições que devem ser consideradas por todos que estejam diante do desafio de administrar uma marca, mesmo que esta não seja de luxo como a Gucci:

  1. Alma de fundador: a Gucci foi criada em 1922 por Guccio Gucci e foi pelas mãos dos seus filhos, Rodolfo e Vasco, que a marca se tornou um ícone. Eles eram homens do negócio e não homens de negócio, ou seja, eram apaixonados pela arte da moda, eram encantados pelo que faziam e levavam esse encantamento para a marca. Faziam uma gestão de marca com alma e não uma gestão burocrática, fria e calculista. Podiam pecar como gestores, mas compensavam essa falha pela paixão que nutriam pela marca. 

“Alma e paixão pelo negócio movem marcas de sucesso”

Cecília Russo

2. Autenticidade preservada:  O logo GG e as cores verde e vermelha, cores da Itália, em forma de listras, são as representações visuais históricas da marca. E foi exatamente pela insistência e repetição desses ativos que a Gucci favoreceu seu reconhecimento. Não cedeu à tentação de mudança. Porque nem sempre mudar é a melhor estratégia. É preciso coragem para preservar, até bem mais do que para mudar, diz Jaime Troiano. Isso é autenticidade de verdade. 

3. Qualidade não tem preço: uma das melhores falas do filme ocorre quando um dos irmãos diz que o preço alto é aquilo que é esquecido enquanto a qualidade superior permanece

“Garanto a vocês que o filme vale o ingresso que vocês vão pagar.  A aula de branding vem de bônus”.

Cecília Russo

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: escutar é essencial no branding

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar.Ninguém quer aprender a ouvir”

Rubem Alves, em Escutatória

Entre o psicólogo, poeta e cronista, nascido em Boa Esperança, no sul de Minas Gerais – autor da frase que precede este texto -, e o Seu Zé, dono da padaria na rua Piauí, na zona oeste de São Paulo, havia muitas diferenças.  Do local de nascença às artes que dominavam. Das carreiras que seguiram ao impacto de seus trabalhos. 

Uma característica, porém, os aproximava: o prazer em escutar. Rubem Alves expôs isso em texto, o Zé da padaria repetia a todo momento no balcão – um exercício que o fazia saber, antecipadamente, o que cada freguês gostava.

Quem conta essa história é Jaime Troiano que, aliás, conheceu de perto os dois. O Seu Zé quando era criança e frequentava a padaria do bairro de Higienópolis. Rubem Alves, profissionalmente, na realização de trabalhos em conjunto e pelos textos do escritor. Na conversa que tivemos no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso,Jaime e Cecília Russo destacaram a importância da escuta para quem pretende ser profissional de branding:

“Escutar é abrir o coração para um contato que, acima de tudo é revestido de empatia. Se você não fizer isso, qualquer que seja a empresa, pequena média ou grande, nunca vai entender qual é a expectativa verdadeira do seu cliente”

Jaime Troiano 

Ouvir o outro também exige humildade – não apenas no branding. Mas é essencial, sob o risco de o profissional que administra a marca ver o mundo apenas como um reflexo de si mesmo, dos seus próprios desejos.

Para Cecília, escuta-se pouco porque se tem pressa, ansiedade e falta de humildade. Reproduz-se nas relações do cotidiano, o que Henry Kissinger, diplomata americano, teria dito certa vez aos jornalistas: “quais são as perguntas que vocês têm para as minhas respostas”. Quando agimos assim, estamos em um caminho muito errado em branding:

“A gente tem de praticar exatamente o oposto. A gente precisa praticar esse exercício da humildade porque escuta acima de tudo é humildade e projetos de branding bem resolvidos estão enraizados nessa escuta” 

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com a participação especial de Rubem Alves, em edição de Paschoal Júnior:

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Sua Marca: não seja refém da inovação

Jodie Comer em ‘O Último Duelo’Imagem: 20th Century Studios

“Houve alguma época na  História que não ocorreram inovações?”

Jaime Troinao

A história é real. Se passou no século XIV. Foi descrita em romance do escritor americano Eric Jagger. E popularizada na tela do cinema por Ridley Scott. The Last Duel ou o Último Duelo, a despeito de valorizar o combate entre dois homens e torná-los protagonistas em um duelo mortal, nos interessa mesmo pela coragem de Marguerite de Carrouges, uma nobre francesa, que desafiou os costumes medievais e denunciou o homem que a estuprou. Marguerite foi corajosa tanto quanto inovadora.

É isso! E já respondendo a pergunta feita pelo Jaime Troiano na abertura deste texto… mesmo na Idade Média, considerado um período obscuro, os inovadores eram capazes de se expressar.  O Renascimento, que surge logo em seguida, por sua vez, foi uma orgia de inovações, nas artes, nas ciências, na cultura em geral. E estamos falando do século XV e XVI. Ou seja, apesar de hoje nos surpreendermos com o nível de inovação que existe nas mais diversas áreas, a história tem vários capítulos e momentos em que a genialidade humana se apresentou. 

“A febre de inovação atual de que tanto falamos é apenas fruto do enorme impulso  da engenharia digital em nossas vidas. Mas é apenas mais uma de milhares de  ondas inovadoras na história de nossa espécie”

Jaime Troiano

Jaime e Cecília Russo trouxeram essa reflexão para o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso para alertar gestores de marcas de que, apesar do entusiasmo e da própria pressão que existe sobre o tema, é preciso cuidado para não serem reféns dessa onda:

“Esta nova era tecnológica criou muitas armadilhas para marcas que começaram a inovar de forma precipitada e acabaram pondo em risco o que de essencial elas têm. Ou seja, aquilo que fica escondido sob a “poeira digital” 

Cecília Russo

Muitas vezes, a inovação precipitada rompe os laços com a história da marca, na percepção do consumidor. E quando essas mudanças atropelam o consumidor, “joga-se fora o bebê junto com a água de banho” — ditado que não tem nada de novo, e segue sendo essencial para se planejar as mudanças necessárias.

“O melhor conselho de branding para o empresário, o empreendedor, pequeno, médio, é o seguinte: preserve o essencial na busca do novo. É um caminho mais  difícil, mas obrigatório”. 

Jaime Troiano

Um exemplo de renovação que respeitou as regras do branding foi a realizada, recentemente, pelo jornal O Estado de São Paulo, que deixou seu tamanho original para ser impresso em modelo ‘berliner’, bem menor do que aquele que seus leitores estavam acostumados. Foram feitas mudanças internamente, também: no tamanho da letra, na divisão das editoriais …mas a essência, essa não mudou.  

“Em momento algum cederam à tentação de trocar suas características essenciais de linha editorial, por aventura moderninha que escondesse seu pensamento, que tem uma história de mais de 100 anos: 146 anos, para ser mais precisa”.

Cecília Russo

Outra boa referência foi a inovação feita pelo grupo de varejo Magazine Luiza. Para Jaime e Cecília, segue sendo uma empresa atenta às relações pessoais com o mercado, a começar pela própria líder Luiza Trajano. Nos últimos anos, a empresa ganhou uma dimensão digital, muito mais intensa, estendeu seus ‘tentáculos, para novas áreas, mas sua alma humana continua muito presente. 

“Sim, as marcas têm coisas que são definitivas, inegociáveis. O quê? Sua alma, seu propósito, sua razão de ser. Não troque sua alma por alguns gimmicks ou algumas brincadeiras digitais”

Jaime Troiano

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior;

Sua Marca: 56% dos clientes dizem que marcas não são o que dizem

Foto de Ron Lach no Pexels

“Marca não é tapume que consegue esconder a empresa e seus eventuais deslizes” 

Cecília Russo

Você, caro e sempre raro leitor deste blog, já leu e ouviu a frase em destaque trilhões de vezes nos nossos bate-papos do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Lamento dizer: precisamos recorrer a ela mais uma vez. E não é por falta de criatividade. É porque muitos gestores ainda não se deram conta desta verdade. Haja vista, o resultado de pesquisa global conduzida pela Opinium a pedido da Freshwork —- que trabalha na capacitação de empresas com software inteligente de engajamento do cliente. 

O estudo mostra, entre outras verdades, que “marca não é …”. Ops, perdão. Isso você já sabia.

Depois de ouvir 11.500 pessoas em dez países —- e o Brasil está nesta lista —-, os pesquisadores identificaram que para 56% dos consumidores o atendimento ao cliente das marcas não corresponde à imagem que retratam. Ou seja, a imagem é mais inflada do que a real capacidade da marca sustentar a promessa:

Promessa não pode ser um doping. Promessa é o esforço autêntico que a musculatura da marca é capaz de entregar”

Jaime Troiano

Essa frustração que o índice revela justifica outro resultado da pesquisa: apenas 14% dos entrevistados disseram que esperam se impressionar com as ofertas das empresas —- o consumidor dá sinais claros de que está cansado de tanta promessa não cumprida. Como nos alertam Jaime e Cecília, quem sabe não está ai uma ótima oportunidade para a sua marca crescer, aproveitando-se desse vazio deixado pela concorrência e dessa demanda do cliente.

A pesquisa da Freshwork também apresenta dados reveladores sobre o momento que as marcas vivem no relacionamento com o consumidor. Um período que a Cecília diz ser de transição e exigirá cuidados aos gestores para que não haja exageros no investimento tecnológico em detrimento do contato humano: 71% dos consumidores preferem falar com uma pessoa a terem de entrar em contato com o autoatendimento.

“Parem as máquinas”, diria eu após ver esse índice extraordinário. Ainda bem que Jaime e Cecília sabem fazer a leitura dos dados com mais parcimônia. Eles viram nas planilhas da pesquisa que 40% preferem seguir o caminho do autoatendimento a ter que falar com uma empresa usando qualquer outro canal

Parece contraditório, não? Não! É apenas o consumidor vivendo a transição que a Cecília falou e mandando a seguinte mensagem às marcas: “eu só quero ser bem e rapidamente atendido”. 

“As marcas precisam  estar preparadas para atuar das duas formas, para que suas promessas se cumpram”. 

Cecília Russo

Assustador para a turma que cuida da comunicação das empresas foi o retrato que a pesquisa fez do comportamento brasileiro diante de problemas no relacionamento com a marca: três em cada quatro brasileiros (76%) pararam de fazer compras em algumas empresas por problemas de comunicação com o cliente; e 39% deixaram de consumir determinada marca ou comprar em algumas lojas por considerarem que o tempo de atendimento em seu call center era muito longo.

Claro que marcas que ao longo do tempo atenderam às expectativas do consumidor têm maior margem para cometer algum erro —- elas criaram uma espécie de saldo médio com seu cliente. Mas é bom não exagerar e acreditar que aquela poupança de credibilidade e reputação vai durar para o resto da vida. É preciso a todo instante ouvir o que as pessoas buscam, entender as barreiras na comunicação e alimentar o relacionamento

Vale a leitura de todos os dados apresentados na pesquisa ‘Desconstruindo o encanto: entendendo a complexidade das expectativas do consumidor’. Mas antes, clica no link abaixo e ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

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Sua Marca: como provocar o fenômeno do ‘fio desencapado’para sua marca ser inesquecível

“Se você der para o seu consumidor somente aquilo que ele pede, um dia aparecerá alguém que oferece algo que ele nem conhecia, mas pelo qual vai se apaixonar imediatamente”

Kevin Roberts
Foto de cottonbro no Pexels

A família era simples, o orçamento, apertado, e  alguns produtos só chegavam à mesa em situações extraordinárias. Poucos desses produtos atiçavam tanto o desejo de um dos guris  de calça curta que viviam naquela casa, em São Paulo, quanto o requeijão Catupiry. Assim que os pais chegavam do mercado, ele pegava a colher, e afundava no pote. A mãe, para conter a guloseima e evitar o desperdício, sempre repetia: “melhor passar no pão”. A lembrança mexe com a memória afetiva do nosso guri que frequenta todo sábado, já não mais de calça curta, o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Jaime Troiano. Aquele pote da marca Catupiry tornou-se inesquecível porque tocava em um ponto sensível do garoto que aguardava ansiosamente para o dia em que aquele sabor especial seria oferecido pelos pais. O Catupiry provocava a sensação do fio desencapado em Jaime Troiano

Essa é a mágica que as marcas precisam exercer sobre seus consumidores para se tornarem inesquecíveis —- tema da conversa que tive com o Jaime e a Cecília Russo, que também aproveitou o bate-papo do Sua Marca para revelar algumas ‘marcas’ que a eletrizaram ao longo da vida.  Duas delas inacessíveis — é o que diz: Roger Federer — sim, personalidades também são marcas —- e relógios Rolex, que patrocinam o tenista:

“… É um fio desencapado na minha vida … eu gosto muito do Federer. gosto de jogar tênis, acho ele grandíssimo jogador, elegante, fair play, bonito e quem assiste às partidas de tênis sabe que ele sempre tá com Rolex no pulso. O que é que acontece? Sou apaixonada por Rolex. É inacessível, mas aciona em mim esse fio desencapado”.

Marcas usadas por pessoas que admiramos ou fizeram parte de alguma situação especial das nossas vidas geram esse fenômeno. Assim como se tornam inesquecíveis aquelas capazes de falar coisas inesperadas, que fazem sentido e criam aquele efeito: “nossa, nunca tinha pensado nisso; nunca tinha visto isso antes” — o que nos remete à frase que abre esse texto, dita pelo publicitário britânico Kevin Roberts, que foi CEO da Saatchi & Saatchi.  Para que essa fórmula se realize, cada marca podendo se sobressair mais do que a outra, conforme o momento e o motivo que o cliente tem contato com ela , é preciso ainda que a sua essência seja preservada, não o traia, mesmo que mude da cara ou de aparência uma vez ou outra. 

Para os profissionais de branding a sugestão é que tenha muita curiosidade para saber como identificar esse fio desencapado, destaca Jaime Troiano:

“É, no fundo, um espaço carente de algo que ainda não foi bem atendido em nossas vidas, algo que a gente somente descobre calçando os sapatos do consumidor. Nós precisamos fazer isso para entender onde está o fio desencapado. Não é à toa que a gente vive repetindo que o profissional de branding precisa gostar e entender de gente —- o que as pessoas pensam e, principalmente, sentem”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

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Sua Marca: a arquitetura das marcas evita o surubranding

(Foto: CB Insights)

“A arquitetura das marcas foi feita para eliminar o surubranding, que é quando as marcas são complicadas e não sabem muito bem a relação que têm com as outras”

Jaime Troinao

Marcas podem ser independentes. Podem respeitar a paternidade. Manterem um só padrão Ou adicionar-se a outras. O importante é que a gestão dela seja bem planejada dentro de quatro dos modelos de arquitetura de marcas usadas pelos profissionais de branding. E, antes que a frase que abra esse texto cause confusão, o surubranding —- nome cunhado pelo sempre provocativo Jaime Troiano — não é um dos modelos a serem considerados. É o que tem de ser evitado. 

“Antes de falar dos modelos, vale conceituar que esse tema da arquitetura interessa a qualquer empresa que tenha mais de uma marca em seu portfólio. A partir do momento que ela tem duas marcas, já vale pensar que modelo é o mais adequado”.

Jaime Troiano

Um dos modelos é o da paternidade. E um bom exemplo é o que faz a Nestlé, com produtos lançados sempre levando em consideração referências da marca-pai ou da marca-mãe: Nescafé, Nescau, Nestea, Nespresso, apenas para lembrar algumas. Neste modelo as marcas de produtos ou serviços têm uma clara associação e subordinação à marca principal.

A arquitetura pode ser de independência, com cada marca tendo vida própria, apesar de pertencerem a um mesmo grupo empresarial. É o caso de Pedigree e MM. Sim, você imaginava que as duas —- uma, ração animal, e a outra, doce para humanos —- estão sob a mesma propriedade? A Mars as mantém independentes, “incomunicáveis”, porque a proximidade, neste caso, passa a ser prejudicial

“A primeira estratégia da paternidade, cria esses laços, otimiza investimentos mas quando algo dá errado com uma marca, todas são contaminadas. No modelo de independência, ao contrário, tem uma gestão mais cara mas garante que cada marca siga contando sua própria história, sem precisar prestar contas às demais” 

Jaime Troiano

Alguns desses modelos de arquitetura podem ser radicalizados. É o caso do primeiro, que tratamos aqui nessa conversa: o da paternidade que se transforma, então, em monolítico. Todos os produtos ou serviços da marca levam o nome principal. Caso do Google: Google Acadêmico, Google Hangouts, Google Calendar, Google Ads, Google Maps e por aí vai. 

“Você olha para todas as marcas e automaticamente as relaciona. São de uma mesma família, de uma mesma origem. Novamente, aqui temos uma rentabilidade de investimentos, mas limitamos a narrativa. Todas têm de alguma forma ser obedientes a uma padrão e não há espaços para algo que fuja disso, para alguma promessa de marca mais disruptiva”

Cecília Russo

Há um quarto modelo de arquitetura de marca que costuma ser usado em fases de transição, quando há uma mudança de uma marca para outra ou uma aquisição de marcas fortes. O modelo aditivo é muito usado no setor de bancos e temos dois exemplos bem claros, aqui no Brasil: HSBC-Bamerindus, que se transformou depois apenas em Bamerindus, e Itau-Unibanco, hoje conhecido apenas pelo primeiro nome. Escritórios de advocacia tomam emprestado esse modelo, o usam por questões regulatórias e o nome dos sócios é adicionado à marca.

“Escolher o melhor modelo de arquitetura de marcas é uma decisão que envolve entender o negócio e seus planos de expansão e vai muito além de uma simples organização estética”. 

Jaime Troiano

E, claro, evita-se o surubranding!!!

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Sua Marca: a lição de branding deixada por Charlie Watts e os Rolling Stones

“Obedecer com cuidado os dois ensinamentos de Dawar e Bagga  não é fácil, mas gera muito mais vantagem competitiva” 

Cecília Russo

Charlie Watts é único, singular. Baterista da maior banda de rock de todos os tempos —- perdão, caro e cada vez mais raro amigo leitor deste blog que insiste em admirar os Beatles, mas Rolling Stones é maior —-, morreu aos 80 anos, nesta semana, e motivou uma série de análises e olhares para justificar o sucesso que fazia ao ser contraponto de Mick Jagger e sua trupe. Comedido nos atos, elegante no agir e genial no controle das baquetas, Watts deixa um legado inigualável e lições que podem ser aprendidas em diferentes ciências. Aqui neste espaço, por óbvio que seja, vamos conversar de uma em especial: o branding.

Ao ser a maior das bandas —- e aqui conta a opinião do redator —, Rolling Stones personificou dois conceitos essenciais para o sucesso entre as marcas: centralidade e diferenciação —- assunto de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Nossos especialista em branding lembram que, em artigo publicado na Harvard Business Review, em 2015, os indianos Niraj Dawar e Charan K. Bagga apresentam os desafios dos profissionais de marketing que precisam posicionar suas marcas nessas duas dimensões. Para que a marca se sobressaia no mercado e tenha sucesso —- como sucesso têm os Rolling Stones — é preciso ser central em sua categoria de produtos, o que a leva ter maior market share, e ao menos tempo ser distinta, para diferenciar-se da concorrência. 

Para explicar essa estratégia, Jaime traz o assunto para mais próximo da gente:

“Você vai a uma festa onde quer conversar com algumas pessoas e quer que elas saibam que você está lá. A primeira coisa que precisa fazer é se vestir de uma forma que se adapte àquela festa; mas para não ser apenas mais um, terá de se apresentar e se comportar de uma forma um pouco especial para ser visto além da multidão”

Jaime Troiano

De volta às marcas: o conceito da centralidade pede que você seja percebido como uma marca que opera dentro de uma categoria de produtos — e isso tem de ser feito de forma muito clara. Com isso a marca está em condições de disputar espaço com as concorrentes do mesmo segmento. De acordo com os autores indianos, porém, isso só não basta. É preciso acrescentar alguma coisa, que o faça se destacar naquele grupo

“Os Stones, de Charlie Watts, respeitam rigorosamente esses dois conceitos. Têm centralidade: nunca ninguém pôs em dúvida a existência dos Rolling Stones como uma banda que disputa esse mercado há muitas décadas. Mas eles têm ingredientes de diferenciação que os faz engolirem as outras bandas nos grandes shows”

Cecília Russo

Muitas marcas entram no mercado para disputar espaço, usam os códigos e o estilo da categoria a que pertecem mas são apenas um copycat, uma imitação das que chegaram antes. Falta a elas diferenciação. Há outras que querem se diferenciar a todo custo e rompem com os códigos e estilo da categoria e ficam deslocadas.

Se no início desta conversa ilustramos a importância de saber trabalhar a marca nas duas dimensões, centralidade e diferenciação, com os Rollings Stones e seu baterista Charlie Watts — que mesmo sendo um Stones como os outros, era diferente —, vamos encerrar nosso papo com uma lembrança bem nacional de Jaime Troiano, que decidiu recitar Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Morais:

“olha que coisa mais linda

 mais cheia de graça

 que vem que passa 

num doce balanço 

a caminho do mar”

A letra de Garota de Ipanema fez Jaime lembrar que de tantas mulheres lindas e cheia de graça que passavam pela praia, uma delas em especial chamou a atenção dos dois compositores brasileiros: uma que tinha um “doce balanço” que a diferenciava das demais: 

“É isso que a gente espera das grandes marcas. Que estejam passeando pela praia, que sejam bonitas, atraentes, mas que tenham uma coisa a mais, também: pode ser um sorriso, um jeito de andar, um olhar e assim por diante. Não basta estar na categoria, precisa ser diferente dos outros”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. A sonorização é do Paschoal Junior.