Avalanche Tricolor: vaga na Copa do Brasil ainda está em jogo, apesar de gol mal anulado

 

Grêmio 0x1 Criciúma
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

Time precisa agora de todo o apoio do torcedor (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

Time precisa agora de todo o apoio do torcedor (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

 

É impressão minha ou todo mundo achou que o erro do árbitro ao anular o gol de Pedro Rocha foi normal? Que não influenciou na partida? Que pouca diferença faria no desempenho das duas equipes? Ouvi alguns comentaristas durante a transmissão e pouco se citou o fato, para mim crucial no jogo. Houve até quem, a princípio, validasse a decisão do juiz.

 

Eram 22 minutos quando Rocha, em meio aos zagueiros e em velocidade, tabelou com Luan e, na entrada da área, recebeu passe preciso, em jogada que tem marcado o futebol gremista nesses tempos de Roger, para com apenas um toque deslocar o goleiro e por a bola dentro do gol.

 

Vamos ser sincero: era desnecessária a linha digital que as emissoras de televisão usam nas transmissões – aliás, demoraram para usar nesta terça-feira – para perceber que o atacante estava em posição legal. O auxiliar, que está lá só para ver esse lance e trabalha recomendado pela Fifa a, na dúvida, dar sequência à jogada, não entendeu dessa maneira e levou o árbitro ao erro.

 

Como agora é proibido reclamar do juiz, mesmo diante de erros crassos, aos jogadores cabe apenas indignar-se em silêncio, enquanto os algozes seguem sua vida sem qualquer punição. Um erro que pode custar a desclassificação desta Copa, pois exigirá vitória em Criciúma na partida de volta – o que, convenhamos, não é difícil, desde que as finalizações voltem a ser mais certeiras.

 

Um gol naquela altura mudaria o cenário da partida, pois obrigaria o adversário a abandonar sua postura defensiva, desmontaria a retranca montada para surpreender o Grêmio e abriria espaço para jogar. Sem o gol, o Grêmio teve dificuldade para trocar bola com mais objetividade e foi punido com um erro na saída de bola da sua defesa.

 

O Grêmio não perdeu a partida somente por causa do árbitro, mas também por causa dele, e precisa acertar sua forma de jogar contra equipes retrancadas, pois com sua ascensão na temporada tende a ser essa a postura dos próximos adversários. Porém, analisar o resultado do jogo e nosso destino na competição sem levar em consideração a anulação do gol no primeiro tempo é injusto. Assim como o foi a vaia de alguns torcedores ao fim da partida. Pois, mesmo com a derrota, o que o time precisa agora é de todo o apoio para se recuperar na próxima partida e, novamente, revelar-se Imortal.

Avalanche Tricolor: ganhamos deles de goleada!

 

Inter 0 x 0 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Beira Rio/POA-RS

 

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Tenho orgulho de ser gremista. Talvez fosse até dispensável dizer isso, afinal quem lê esta Avalanche ou, minimamente, acompanha minha carreira no rádio sabe bem de quanto torço para o Grêmio. Cresci próximo do estádio, aprendi a jogar futebol no campo de terra nos fundos do Olímpico e, por mais de dez anos, vesti a camisa 13 do time de basquete, treinando no ginásio sem teto que ficava ao lado. Nas arquibancadas do Monumental chorei por títulos conquistados e perdidos. Costumava chorar muito até porque sempre fui passional e me emocionava com facilidade. Ao começar minha vida como jornalista, em 1984, fui repórter de esportes da Rádio Guaíba e, como tal, fui escalado várias vezes para trabalhar como setorista do Internacional. Lembro de uma vez ter chegado ao velho Beira-Rio e uma foto minha com a camisa de basquete tricolor estar estampada no quadro de avisos da sala de imprensa. Havia sido recortada de reportagem que registrava meus dez anos de basquete, publicada no jornal editado pelo departamento de imprensa do Grêmio. Era brincadeira de colegas, no Inter. Talvez pelo meu profissionalismo, espero que seja isso, sempre fui muito respeitado, apesar de todos saberem da minha paixão.

 

Meu fanatismo pelo Grêmio nunca influenciou a relação com meu círculo de amigos, também. Um dos poucos que mantenho até hoje, desde os tempos de infância, é o Paulinho, que, aliás, jogou ao meu lado no time de basquete. Ele era colorado. Perdão! Ele é colorado, muito colorado! Filho do seu Valdemar e da dona Terezinha e irmão da Verinha, tudo gente muito boa e de um carinho contagiante. Preservamos a amizade mesmo eu tendo vindo para São Paulo, em 1991, e ele permanecido em Porto Alegre. Nas vezes em que visita à capital paulista a trabalho costumamos dividir uma garrafa de vinho para lembrar alguns momentos que vivenciamos em parceria no Sul. O futebol, apesar de nossas diferenças evidentes, sempre nos uniu, pois era motivo de gozação mútua. Se não me falha a memória, neste tempo todo, tirei mais sarro da cara dele do que ele da minha. Ou teria sido ao contrário? Coisa ruim a gente não lembra!

 

Cheguei a ver com o Paulinho algumas partidas de futebol juntos lá no Olímpico. Jamais um Gre-Nal. Nunca tivemos oportunidade de dividir arquibancada em um clássico por motivos mais do que óbvios. Gostaria de ter estado ao lado dele hoje à tarde no Beira-Rio e participado deste fato que chamou atenção de todos, em um momento de reação à estupidez que domina os estádios brasileiros. Tomara que esteja em Porto Alegre no próximo Gre-Nal e tenha a chance de convidá-lo a ver o jogo comigo na Arena. Ver gremistas e colorados lado a lado vibrando a cada chute a gol, sofrendo a cada risco de gol e xingando o juiz que impediu o gol foi, sem dúvida, marcante. Apesar do comportamento violento de uma minoria que se traveste de torcedor para revelar suas frustrações, fiquei feliz em saber que existem pessoas capazes de compartilhar suas paixões clubísticas sem enxergar nisso uma ofensa ao adversário. E mais feliz ainda em ver que este exemplo surgiu na minha terra natal. Espero que a ideia avance e vença a intolerância. Que não seja ato isolado, mas o início de uma transformação nos estádios.

 

O empate em 0 a 0 talvez tenha sido providencial, pois nada em campo poderia ser mais importante do que a vitória da civilidade. Desta vez, ganhamos deles de goleada, Paulinho!

Fora da Área: para quem vou torcer?

 

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Foi cansativo driblar os textos que me ofereceram para ler, nesta semana, sobre a final da Copa do Mundo, mas consegui eliminar de todos eles a expressão “hermanos” que, insistentemente, acompanhava as notícias relacionadas a Argentina. Não porque cultive qualquer incomodo com os argentinos, muito antes pelo contrário. Como sabe bem o caro e raro leitor deste blog, sou gaúcho, gentílico de todos os nascidos no Rio Grande do Sul, mas que também identifica o povo ligado à pecuária em especial os da região dos pampas, da Argentina e do Uruguai. Portanto, a proximidade vai além da geografia, se faz pelos hábitos, expressões e atitudes. Não gosto de chamá-los de “hermanos” simplesmente porque se transformou em lugar comum e uma de nossas tarefas no jornalismo tem de ser a pureza da língua e a limpeza do discurso. Portanto, lembrando brincadeira do colunista Ancelmo Gois, de O Globo, sempre que depara com o exagerado uso de expressões estrangeiras: “hermanos” é o c…..

 

Não gosto de “hermanos”, mas não tenho nada contra eles. Por isso, apesar de muitas vezes compartilhar das brincadeiras que os brasileiros costumam fazer todas as vezes que se referem aos argentinos, os admiro pela bravura, pela elegância no vestir (mesmo diante da crise econômica) e pela carne saborosíssima. Sendo assim, não haveria qualquer motivo para torcer contra a seleção comandada pelo técnico Alejandro Sabella nesse domingo na final contra a Alemanha, no Maracaña. Mesmo porque eles tem Messi, jogador que potencializou à sua genialidade síndrome apontada como uma forma branda de autismo, a de Asperger. Joga com rara qualidade e a cada partida nesta Copa parece melhorar a capacidade de extrapolar com seu sorriso sem jeito os limites emocionais que o transtorno o impõe. Vê-lo jogando é um privilégio. A Argentina, claro, tem Messi, mas também tem Mascherano, tem Zabaleta, tem Di Maria e tem uma torcida de causar inveja. Isso não quer dizer que torcerei para os argentinos.

 

Nascido de família meio italiana e meio alemã, lá no Rio Grande do Sul, escolhi o Jung como sobrenome para me acompanhar na vida profissional. Nem me pergunte porque abri mão do Ferretti que se parece muito mais com a minha personalidade. Mas sendo Jung teria motivos que chega para torcer pela Alemanha. Parentes, que devem viver nas colônias germânicas formadas no meu estado natal, certamente ficarão bastante satisfeitos com a vitória da equipe comandada por Joachim Löw. Se me faltassem motivos para torcer, a seleção ainda tem como maior destaque Thomas Müller, atacante que carrega o sobrenome da minha mãe, não bastasse jogar bola como poucos. Independentemente dessa familiaridade, o tetracampeonato da Alemanha teria um fator pedagógico para o futebol mundial devido a estrutura construída pelo país para chegar ao nível atual, desde a derrota para o Brasil, na Copa de 2002. Sim, na semifinal fomos vítimas de uma criatura que se reconstruiu a partir da lição que aprendeu ao perder para nós por dois a zero no Mundial do Japão e da Coreia. O governo alemão ajudou a reestruturar os times de futebol do país e os obrigou a adotar escolas na região em que atuam, nas quais professores foram capacitados a partir de conhecimento desenvolvido em cursos da Uefa, novos talentos foram identificados e submetidos a uma série de conhecimento técnico e tático e preparados física e psicologicamente. Para se ter ideia, Özil tinha 14, Müller 13, e Kross 12 anos, quando isso começou. O que vemos em campo não é resultado do acaso ou do improviso, como costume aqui no Brasil. O título alemão seria um incentivo a quem acredita em planejamento, trabalho, competência e, claro, muito talento. Isso não quer dizer que torcerei para os alemães.

 

Entre Argentina e Alemanha, no domingo, ainda escolho o Brasil, pois, como já escrevi neste blog, sou torcedor contumaz da nossa seleção.

Fora da Área: a cara da nossa torcida na Copa 2014

 

A Copa das Selfies registrou nos 48 jogos da fase de grupos o envio de mais de 32 milhões de fotos, segundo informou Ethevaldo Siqueira, no quadro Mundo Digital, do Jornal da CBN. O SindiTeleBrasil, que reúne as empresas do setor, relatou que durante essas partidas foram feitas 2,5 milhões de ligações telefônicas e em torno de 31 milhões de conexões para envio de dados. A frente de todos esses números, estão milhões de torcedores que foram aos estádios ou curtiram a festa do futebol. Para ilustrar essas marcas, convidei ouvintes do Jornal da CBN a enviarem suas fotografias pelo Twitter @jornaldacbn. Consegui reunir 77 fotos, algumas de colegas nossos da rádio como você poderá ver no painel a seguir:

 

Por que eu torço para o Brasil

 

 

Em sessão para testar a capacidade do cérebro, fui provocado a pensar em cenas positivas e emocionantes, enquanto eletrodos captavam sinais que eram registrados na tela de televisão à minha frente. Lembrei de situações familiares, reencontros, casamento e filhos recém-nascidos mas a maior parte das imagens recuperadas pela memória estava relacionada ao esporte, a experiências que vivi em quadra, nos anos em que joguei basquete, e nas arquibancadas (ou no sofá) como torcedor. É curiosa a capacidade que o esporte tem de me emocionar; sensação que, imagino, não seja privilégio apenas meu. Lembro de choros históricos como o de 1987 quando o basquete brasileiro venceu os Estados Unidos na final do Campeonato Pan-Americano, em Indianápolis (EUA). As meninas também me levaram às lágrimas, em 1996, quando, ao vencer a Ucrânia, garantiram a medalha de prata nas Olimpíadas de Atlanta (EUA). Em 2007, o mais dramático dos sofrimentos, assistindo ao jogo que ganhou o apelido de Batalha dos Aflitos e trouxe o meu Grêmio de volta à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.

 

A seleção brasileira de futebol também me proporcionou momentos de muita emoção nas Copas do Mundo em que venceu, especialmente a partir de 1994, pois das anteriores quase nada ficou na memória devido minha idade. Como gosto de torcer pelos amigos, vibrei muito ao ver o sucesso de Taffarel, no Mundial dos Estados Unidos, goleiro com quem compartilhei os primeiros anos de carreira no Internacional, clube do qual eu era repórter setorista, nos tempos da rádio Guaíba, em Porto Alegre. Coloquei a amizade acima da pátria, também, em 2002, no Japão e na Coreia, diante da seleção comanda por Luis Felipe Scolari, a quem sempre admirarei pela sinceridade de suas relações e conquistas alcançadas com o Grêmio. Curiosamente lembro pouco das frustrações de 1982 e 1986, edições em que o Brasil foi treinado por Telê Santana que terá meu eterno apreço.

 

A dois dias do início da Copa do Mundo no Brasil não tenho qualquer dúvida sobre minha torcida, vou vibrar como nunca a cada gol da nossa seleção e suarei as mãos enquanto o adversário estiver prestes a marcar. Vou reclamar passes errados e pedir precisão no desarme; pronunciarei palavras impronunciáveis nos chutes desperdiçados e nas defesas “indefensáveis”; sofrerei no sofá ou na arquibancada tanto quanto Felipão na beira do gramado. Diga o que quiser, me acuse do que bem entender, mas diante do espetáculo do futebol não consigo ficar impassível ou disfarçar sentimentos. Nenhum gestor nem a falta de gestão; nenhuma política nem mesmo os maus políticos; nenhuma obra inacabada ou dinheiro desviado vão me tirar o direito de ser feliz e me emocionar com o esporte.

 

Perdão se você não concorda comigo, mas quero ver este País explodir com a alegria do drible e a glória de um gol. O brasileiro que acorda cedo, madruga no ponto de ônibus, se esmaga na estação do metrô, carece de saúde e educação, se esforça como poucos para garantir-se no emprego ou construir seu próprio negócio, não precisa ser privado do prazer de ver seu capitão erguer a Copa. Ao contrário do que muitos dizem e pensam, somos muito mais avançados do que querem crer: sabemos separar Governo de Nação, governantes de seleção. Se dúvida, lembre-se de nossa história recente na qual o eleitor jamais votou como torcedor: se é verdade que, em 1994, fomos campeões e elegemos a situação (FHC), também o é que a reelegemos, em 1998, mesmo depois da frustração do vice contra a França; em 2002, o Penta não impediu que fossemos com a oposição (Lula), e mantivemos quem era Governo, em 2006 (Lula) e 2010 (Dilma), independentemente das derrotas em campo. A não ser que você seja adepto do quanto pior melhor, tire este franzido da testa, distorça o nariz, despache o mau humor para escanteio e entre comigo nesta torcida.

Avalanche Tricolor: emoções que forjam minha paixão Imortal

 

Grêmio 1 (2) x (4) 0 San Lorenzo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Somos todos sofredores desde o momento em que nos permitimos nos apaixonarmos por uma causa. No futebol, a minha é o Grêmio. Não escondo isso. Nunca tentei fazê-lo, mesmo na época em que, repórter esportivo, cobria o tradicional adversário em Porto Alegre. Por lá, sabiam todos da minha preferência e respeitavam minha escolha tanto quanto eu me esforçava para impedir que a paixão influenciasse a postura profissional. Acredito que tenha conseguido separar as coisas. Hoje, atuando em área e cidade distantes posso tratar do tema com muito mais tranquilidade a ponto de escrachar minha paixão sempre que escrevo esta Avalanche. É aqui que compartilho com você, caro e raro leitor, as emoções que o futebol gremista me proporciona. E quando falo de emoções não estou me atendo apenas as alegrias da conquista. Refiro-me ao coração apertado diante da bola que bate no travessão, do grito rouco no gol anulado e, principalmente, da angústia em perceber que nossa crença vai além das forças do próprio time. As mãos esfregam o rosto repetidas vezes, os dedos se entrelaçam enquanto recebem mordidas que deixam marcas, os braços se abraçam sobre a cabeça, com os pés chuto bolas imaginárias e, às vezes, me envergonho de tanto murmurar palavras impronunciáveis como se estivesse sozinho diante da televisão. Nesta noite que ainda será longa, vivi muitos desses momentos. Acreditei sempre que seríamos premiados com ao menos um gol, mesmo que atropelássemos a lógica do futebol para chegar até lá. Haveríamos de marcar se não pela técnica, pela insistência; se não pela tática, pelo canto da torcida. Eu reivindicava o direito a esta alegria e fui atendido na bola que explodiu no rosto de Dudu e se esparramou na rede. Eu explodi junto com aquela bola disparada por Rodriguinho, arranquei os óculos, cerrei os punhos, soquei o ar e as almofadas próximas de mim. Comemorei como se fosse o último gol que comemoraria em minha vida, mesmo sabendo que ainda não seria o suficiente para alcançarmos a vitória que precisávamos. Azar! Decidi que merecia aquele prazer fugaz, pois em todos os demais minutos da partida a mim só haveria de ser oferecido o sofrimento. Independentemente do que tenha havido e do que haverá de acontecer daqui pra frente, das línguas afiadas dispostas a encontrar um culpado, como se apenas um houvesse, das bocas tortas que vão babar de prazer enquanto atacam nossos ídolos, das mudanças e confirmações, estou aqui para agradecer ao Grêmio (e ao futebol, também) por me proporcionar todos estes sentimentos. Um turbilhão de emoções que forja minha paixão Imortal.

Avalanche (Extra): a noite em que o torcedor venceu

 

 

Aos raros e caros leitores desta coluna, sempre dedicada ao Grêmio, peço licença para falar sobre fatos que não aconteceram na Arena nem com o tricolor gaúcho, mas que têm muito a ver com o momento que estamos vivendo. No post anterior já havia descrito a falta de paciência de alguns torcedores e a necessidade de darmos oportunidade de os times se reestruturarem, de seus técnicos terem tempo para construirem a estratégia que será usada na temporada e dos preparadores físicos programarem os jogadores para resistirem a maratona de jogos. Ou seja, deixar o pensamento imediatista de lado.

 

Volto ao tema, porém, para destacar a vitória que se conquistou nas arquibancadas do lendário estádio do Pacaembu, em São Paulo, na noite de ontem, quando o Corinthians perdeu para o Bragantino por 2 a 0. A vitória que me refiro não tem nada a ver com o placar do jogo ou desempenho dos atletas corintianos que estão visivelmente incomodados com a absurda agressão que sofreram por parte de brutamontes ligados às torcidas organizadas, no Centro de Treinamento Joaquim Grava, no sábado passado. Mas, curiosamente, foi protagonizada por parte dos torcedores do Corinthians.

 

Caso você não tenha acompanhado o noticiário, resumo aqui os fatos. Integrantes de torcidas organizadas decidiram protestar contra o time, foram ao estádio com fitas tapando a boca para demonstrar a desconformidade e se negaram a incentivar a equipe, permanecendo em silêncio. Se a manifestação ficasse por aí, nada a declarar. É direito deles. Porém, as organizadas tinham a pretensão de calar os demais torcedores e, mais uma vez de forma agressiva, tentaram intimidá-los com ameaças. A polícia militar foi obrigada a intervir para impedir agressões físicas, entrou em confronto com os mais exaltados e prendeu algumas pessoas. Torcedores comuns, que vestem a camisa do seu time e não das torcidas organizadas, reagiram com gritos de incentivo demonstrando que esses grupos não são donos do clube como imaginam ser. Gritaram mais alto do que a intolerância e deram exemplo a todos os demais torcedores brasileiros, muitos dos quais já desistiram de ir ao estádio incomodados com a ditadura das organizadas – atitude, ressalto, justificável, pois é cada vez mais arriscado assistir a um jogo na arquibancada.

 

Muito provavelmente as facções continuarão a ocupar seus espaços, a maioria das vezes patrocinados por dirigentes e até jogadores. Mas ao menos ontem à noite o torcedor comum teve voz e venceu.

A batalha de Joinville

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As imagens do estádio de Joinville mostrando a batalha entre atleticanos e vascaínos com os modernos recursos de transmissão construíram o cenário da espetacularização da violência para o deleite ou a repulsa do mundo. Dependendo da mente de cada um. A partir daí, mais uma vez, surgiram variadas sugestões para solucionar a violência nos estádios de futebol. E isto diante do já existente estatuto do torcedor, que se aplicado resolveria a questão.

 

Fica claro então que a aplicação é barreira maior do que a sua criação. Verdade gritante comprovada pela imagem do vereador, autor de projeto de prevenção de delitos nos campos de futebol, atuando cinematograficamente como baderneiro.

 

Ao ler as declarações de Petraglia, presidente do CAP acusando os vascaínos de premeditarem a confusão para levarem ao tapetão o resultado do jogo e, ao saber da proposição de Dinamite, ídolo maior do Vasco, para anular a partida tentando ganhá-la fora de campo, não creio que a solução definitiva esteja no controle do campo de batalha. Como chegaremos aos torcedores controlando-os e punindo-os quando necessário, se os dirigentes não respeitam as torcidas adversárias nem mesmo os colegas diretores e presidentes de outros clubes?

 

Se os clubes, as confederações e as autoridades pertinentes não estão executando a lei que existe, é hora da parte mais importante do sistema entrar em ação. Os jogadores, através do Bom Senso F.C. Que tal uma greve para irritar torcedores, diretores e patrocinadores?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Cadastramento contra a violência nos estádios

 

Por Carlos Magno Gibrail

 


De janeiro, quando Kevin Espada foi assassinado na Bolívia, até a recente rodada do Brasileirão, vivenciamos uma série de punições aos clubes envolvidos em violência de torcidas organizadas. Com graves prejuízos emocionais e financeiros para quem realmente gosta de futebol.

 

Aos visíveis efeitos desta crescente onda de perversidade, quando dentro da própria torcida há agressões, como ocorreu neste domingo em Minas e Goiás, as causas também estão aí sem disfarces. O Estatuto do Torcedor não está sendo cumprido, porque as entidades envolvidas não assumem seus papéis.

 

É emblemático o caso dos três presos em Oruro que se incriminaram novamente no episódio do Mané Garrincha em Brasília. Soldado, Manaus e Dumemo membros da Pavilhão 9, não fazem jus ao status de torcedores. Mais próximos que estão do titulo que sua Organizada escolheu para homenagear.

 

Diante desta situação em que uma minoria extremista usa o futebol para exercer seu desequilíbrio emocional nos estádios, enquanto outros mais sofisticados o exercem na direção dos clubes de forma mais dissimulada, salvo alguns tropeços como convidar organizadas para churrasco de diretoria, ou para troca de idéias, a solução é usar a tecnologia.

 

É a tecnologia que através do cadastramento biométrico poderá banir do futebol aqueles que impedem o espetáculo esportivo. A FIFA, até então avessa à tecnologia, está fazendo o cadastramento de todos os espectadores na COPA.

 

Desta forma o fã do esporte mais popular do mundo poderá desfrutar dos benefícios da sociedade contemporânea civilizada. Estádios atuais, construídos para oferecer conforto absoluto, onde torcedor, jogadores, árbitros e gramados estejam próximos usufruindo ao vivo e a cores as emoções do futebol.

 

Eis aí uma solução que permite punir diretamente o agente do crime, sem prejuízo do sistema, quer de torcedores, quer de jogadores, quer de clubes. É hora, portanto das federações e confederações seguirem o exemplo das modernas corporações privadas e cuidarem de seus consumidores. Mesmo porque, a vitória de movimentos como o de Ana Mozer e Raí, bem como do Bom Senso FC, que recém se iniciou e já tem resposta da CBF á discussão de temas importantes, são sinais de mudança à vista. Para melhor.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras