A viagem (arrumando o bagageiro)

 

Por Sérgio Mendes

 

Estava tudo certo e nem faltava mais descobrir o caminho. Ele se formava na nossa frente com as estradas abertas décadas atrás. Não sei muito bem como se fazia naquele tempo sem um GPS, mas o meu pai não parecia preocupado com caminhos e se ele não se preocupava, não nos preocuparíamos nós! Chegaríamos em quatro dias porque ele seria o único a dirigir na estrada, e decidimos que pararíamos todas as noites para dormir, seguindo a viagem somente com a luz do dia.

 

Este era o plano.

 

Por que será que a prática sempre teima em não ler os planos que a gente faz? 
Eu já nem pensava mais naquela fechadura, meu café fez efeito e ao que parece era só nivelar a glicose para a completa recuperação dos neurônios e eles venceriam a batalha. Venceram!?!
O que não significava que ela não estivesse lá, e mal grudada na porta da nossa máquina de chegar em casa. Significava apenas que algum lugar do meu cérebro resolveu não pensar mais nela. De quieto que estava permaneci e não comentei sobre o acontecido com ninguém. Nunca fui mesmo dado a boatos e não seria justo naquele dia que começaria!

 

Vejam que nem deu o tempo de um café com pão e a sensatez já tinha rumado para longe de mim outra vez.
Quando voltei pra nossa casa o cenário era outro. Todos já estavam de pé lavando o rosto ou procurando o que não queriam esquecer de levar. O meu pai entre uma coisa e outra me pediu que ajudasse a minha mãe a arrumar as malas no bagageiro. Partiríamos logo depois que os demais tivessem tomado café.
Imaginei o trailer de um filme comigo acomodando-as uma a uma bem juntinhas, como se elas e porta-malas tivessem sido feitos um a silhueta das outras. Hum!

 

Helenita, a irmã mais nova de minha mãe chegou logo em seguida, trazendo seu pequeno farnel de roupas. Ela também era uma dos mosqueteiros e iria com a gente morar no Mato Grosso. Já sabíamos disso, mas eu não entendia o motivo. Ela sempre foi muito chegada a nós, até pela diferença de idade que a separava de suas irmãs. Nós estudamos juntos na quarta série e com Raimundo, o mais novo de todos e terceiro mosqueteiro, éramos como se fossemos irmãos ou primos.

 

Ela vir conosco não tinha uma explicação que soubéssemos, mas tinha a anuência de todos nós os pequenos que simplesmente delirávamos com ela perto outra vez.

 

Depois dela, uma a uma as malas foram aparecendo e logo eu estava cercado por um mar de sem rodinhas, mais sacolas e outras quinquilharias. Cada uma embrulhada por uma recomendação de seu proprietário.
Seguido ao falatório, mal acabavam de me entregar e partiam rumo à cozinha de vovó.

 

Recado dado, me vi o único naquela casa e com todas aquelas trouxas percebi que não ajudaria ninguém, seria ninguém quem me ajudaria.

 

Nunca subestime a capacidade que temos de acumular tranqueiras.
Restava então levá-las até o carro parado lá fora.

 

Nem precisei de muito tempo pra perceber que lá não caberiam todas. O povo superestimou o espaço na cangalha do pangaré e afora as roupas, sapatos e demais adereços pessoais que facilmente caberiam em duas malas generosas, inventaram de levar uma infinidade de sacos e outras coisas que eu nem desconfiava de onde pululavam, mas entendi que o recado era que pretendiam que todas chegassem no Mato Grosso. E o portador, o carro amarelo ali na frente. 

 

Completa falta de cabimento!

 

Um verdadeiro despropósito, mas por que eu tinha feito outros planos para ocupar boa parte do espaço no porta-malas com coisa muito mais importante do que aquele monte de sacos cheios até a boca do que eu não fazia a menor idéia! E como eu era o único que já tomara café e a incumbência das malas ficou mesmo foi por minha conta e risco, resolvi que a conta delas era grande demais e o risco só de quem as entregou a mim. Eu estava ali sozinho e agora era o rei daqueles pacotes.

 

Por meus planos muito mais importantes, desconfiei que alguns deles não iriam. Seguramente ninguém daria por falta e uma meia dúzia foi parar nos fundos da casa onde nunca foram encontrados. Pelo menos não que eu tenha ficado sabendo.

 

Creiam, não fazia isso pensando no conforto de nós viajantes montados no burro fugido. Muito menos imaginei em aliviar o peso que o pobre carregaria.
Não, não! A minha conta era outra.

 

Desde que cheguei para aqueles dias de férias, tinha o firme propósito de que meu teclado viria conosco e eu costumava ser fiel aos meus propósitos. Ainda que parecesse que eu teria que deixa-lo e que estivesse disposto a comprar briga pra que ele fosse, ele não caberia no porta-malas.
Mas adivinhem?!?

 

Ele foi.  E o entrevero realmente aconteceu mais tarde, pois nem desafiando as leis da física aquilo caberia dentro do bagageiro. Como eu disse, ali não tinha cabimento suficiente.
Dito e feito. E a briga foi das boas! Mas foi brigada quando já não dava mais pra se desfazer dele como veremos mais adiante.

 

Bem, do devaneio e adivinhações à ação. Logo eu estava socando pacotes e malas que não pude esconder no fundo do quintal. A cada uma que eu conseguia acomodar no bagageiro, as chances para o meu teclado diminuíam e no fim a única maneira de ele ir seria dentro da cabina junto conosco, onde já não entraria mais nem um pensamento.

 

Aperta daqui e de lá, sobre o banco ou no vão das pernas? Em nenhum lugar aquele lindo trambolho parecia se encaixar. Não sem que dois de nós seguisse sem as pernas ou sem a cabeça.

 

Foi então que usando a minha sempre precisa régua imaginária calculei que entre amputar dos viajantes uma parte ou outra, havia uma brecha e foi essa mesma que aproveitei. É que apesar de pequenos, nós que viajaríamos atrás já não nos acomodaríamos bem sem aquela caixa que sozinha tomava quase dois terços do banco. Então coloquei a régua para funcionar e consegui a proeza de um cálculo que possibilitou o piano de foles viajar bem perto de nós. Mas não sem um quê a mais de desconforto, claro.

 

Que ideia tosca a de acomodar-se bem!

 

Definitivamente cabeças rolariam. Só de leve é certo, mas teriam que rolar. 
Não importa! Coloquei-a ali mesmo. E com isso de uma vez, eu o rei decretei que dois de nós poderia manter a cabeça na viagem, mas ela deveria inclinar-se levemente para frente e o meu pai perderia a visão do espelho retrovisor. E tenho dito! 

 

Total, acomodar-se já era coisa que não aconteceria naqueles dias.
Antes de todo mundo fui eu quem tive o vislumbre dos acontecimentos nos próximos capítulos, naquela primeira sensação de dentes mastigando chicletes quando abri a porta, que de verdade tinha se transformado na resignação do que estava por vir.

 

Fazer o quê? A vida é assim mesmo, não é?
E ademais, ficar olhando para trás nem é tão bom. Eu tinha que garantir o futuro de um grande músico para o Brasil, com o meu teclado que precisava antes disso conhecê-lo junto comigo, mesmo à custa de uns poucos dias de desconforto divididos por todos nós.

 

Mas apesar de todo cálculo e aritmética de bagageiros que eu aprendi em algum filme, ali também o trambolho resultou apertado e como disse, de certa forma tirava a visão do retrovisor. Só que eu estava decidido, tinha um propósito e não o abandonaria como era de meu costume. Mesmo que as minhas irmãs protestassem aquele seria o lugar dele e ponto final! (vírgula só se fosse o meu pai quem objetasse).

 

Estava terminada a novela das malas! Eu o rei, decretei.

 

O momento depois delas propiciava o registro das caras e reações, ainda que a excitação nos turvasse a todos o juízo sempre escasso a aventureiros diante de dias como os que se formavam bem na nossa frente.
Recordo-me pouco e na verdade o que tenho são recortes de rostos e algumas reações características mais comuns de cada um.

 

Meus pais estavam brigados. Não lembro bem por que, mas devia ser pelo mesmo motivo de sempre. Helenita apreensiva com a saída de casa, mas da reação dela a aquela novidade eu também me recordo muito pouco. Acredito que no fundo ela estava contente em vir conosco. Certamente nós estávamos.
Não demorou muito e um por um, voltaram abastecidos e rebustecidos da casa de vovó sem desconfiar que parte das encomendas que me encarregaram foram para detrás, mas detrás da casa. Eu costumava mesmo ter sorte naquele tempo!

 

 Parece que voltaram só para se despedir do nosso canto e sem olhar para o carro e para aquela coisa enorme no console traseiro, faziam o mesmo caminho de volta  para despedirem-se dos nossos avós.
Tamanha a emoção, ninguém se deu conta da caixa. 

 

Cercaram os dois velhinhos em pé frente ao portão, enquanto eles distribuíam as bênçãos e palavras de carinho. Eu tinha outra vez ficado por último, encarregado de conduzir o carro de onde ele estava até lá. Todos já se abraçavam e riam disfarçando a comoção da partida.

 

Dali de dentro e aplicando conhecimento de manobrar aprendido com meus tios, pude ver a turma toda e esta é uma imagem congelada que guardo daquele dia. Fiz jus à lição aprendida. Engatei o carro sem tirar o pé da embreagem e sem mudar da primeira marcha fui chegando perto da pequena multidão devagar e sem assustar ninguém.

 

Outra vez o carro assumiu ares de F1.

 

Saí e fui como todos abraçar meus queridos avós que me olhavam como se soubessem de tudo. A despedida era um roteiro escrito pra mim!

 

Cheguei até eles enquanto o restante dos aventureiros se posicionava, cada um no seu lugar. Minha mãe e meu pai na frente, e as meninas perfiladas no banco de trás por primeira vez esbarravam os cocurutos na caixa ali no alto. Me fiz de desentendido e nem lhes dei atenção, mas preocupado não me lembro mais do que disseram meus dois queridos anciãos ao me abraçar. E o único recordo deles naquele dia é o que fotografei na memória, lá dentro do carro ainda antes de provar minha habilidade na direção.

 

Eu nem desconfiei que aquela seria a última vez que os veria.
Com as cabeças inclinadas e sem dar um piu, nós detrás nos pegamos apertados, unidos como nunca estivemos. O clima denso no carro só foi quebrado pelo resmungar da minha irmã mais nova irritada com o desconforto.

 

Sem dar muita bola pra ela que era dada a resmungar de tudo, continuamos todos unidos e contritos.
Fecharam-se as portas e partimos.

 

Ps: A fechadura até aqui comportava-se como se nosso encontro não tivesse passado de um devaneio de fome. Ela ainda cedeu a abrir e fechar-se duas vezes para outros sem que se ouvisse palavra. Mas eu sentia um cheiro de menta no ar.

Leia o texto “O corcel” de Sérgio Mendes publicado no Blog do Mílton Jung

Minhas viagens de Kombi

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Christian, meu filho caçula, é apaixonado por fusca. Lançou, faz já algum tempo, um blog ao qual deu o nome de MacFuca. O seu primeiro carro, por sinal, foi um Volkswagen, presente do avô dele, meu pai. Esse, por sua vez, depois de dirigir um Citroën por cerca de 20 anos, aceitou sugestão minha – comprar aquele que foi o primeiro de uma série de Fuscas. O último – um 79 – acabou nas mãos do Christian, que o vendeu quando se tornou dispendioso. Sua paixão, porém, levou-o a adquirir um 1976, carro que parece ter saído hoje de uma concessionária, tamanho são os cuidados que lhe são dedicados por seu dono.

 

Fiz esse introito porque, na semana passada, o meu caçula, no seu blog, escreveu um texto em que lembrou a Kombi e a ameaça que pesa sobre ela de ser retirada do mercado, embora a fábrica venha protelando tal decisão. Ao lê-lo, lembrei-me, com saudade, dos meus primeiros anos de Rádio Guaíba e da minha ligação com a Kombi, cujo nome vem do alemão Kombinationsfahrzeug, isto é, veículo combinado. Nas primeiras vezes em que fui ao interior do Rio Grande do Sul para narrar jogos do campeonato gaúcho, a equipe esportiva da Emissora viajava de jipe. Em um certo domingo, porém, um desses veículos da frota da Caldas Jr., em viagem para Pelotas, por força de o asfalto da estrada estar molhado por uma garoa, capotou. Vários de seus ocupantes ficaram feridos, mas apenas um – Jaime Eduardo Machado – precisou ser hospitalizado. Os jipes deixaram, então, de transportar os narradores, comentaristas e repórteres. Em troca, passou-se a viajar de Kombi, a multiúso da VW, no mercado alemão desde 1950 e que chegou ao Brasil em 1953, montada aqui pela Brasmotor. A partir de 1957 foi produzida em São Bernardo.

 

As Kombi da Empresa Jornalística Caldas Jr., proprietária da Rádio e, mais tarde, da TV Guaíba, eram entregues aos integrantes da equipe esportiva. Na direção de uma delas, cansei de viajar por estradas de chão batido. Bagé, sede do Guarani e do Grêmio Bagé, era uma desse tipo. Quando chovia, se tornava, para minha alegria, escorregadia. Em 1966, dois técnicos de áudio, um repórter e “este narrador que vos fala”, saíram de Porto Alegre, de Kombi, para acompanhar a seleção brasileira em seus jogos-treinos por estâncias hidrominerais – Lambari, Caxambu – e em Teresópolis, depois em Macaé e Niterói. Ante disso, quando Jorge Alberto Mendes Ribeiro era diretor de broadcasting e do esporte, fomos de Kombi até Águas de Lindóia.

 

Na cobertura da seleção, que se preparava para a Copa do Mundo de 66, permanecemos 45 dias, mudando a todo instante de cidade. Em cada uma, os técnicos de áudio precisavam providenciar a aquisição de dois postes de madeira para que pudessem estender um cabo de uma a outra ponta e, no meio dele, outro fio que se ligava ao transmissor de SSB – Single Side Band. Este, em nossos deslocamentos, ocupava o espaço normalmente destinado ao segundo banco da Kombi. Era muito pesado e exigia que outro técnicos, em Porto Alegre, manuseasse carinhosamente o botão de sintonia do receptor, única maneira de o som da Guaíba chegasse limpo aos ouvintes. Em todas as viagens de Kombi os integrantes da equipe, possuidores de habilitação para tal, assumiam a pilotagem, em revezamente,de 100 em 100 quilômetros. Confesso que eu esperava ansioso por esse momento. Como tudo é tão diferente quando se é jovem.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Reviravoltas na cobertura esportiva

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os Jogos Olímpicos de Londres aproximam-se do seu encerramento. Este, a exemplo do que aconteceu na sua abertura, é de se imaginar, será outro espetáculo inesquecível. Duvido que, mesmo os mais exigentes turistas, jornalistas e telespectadores, ao fim e ao cabo desta Olimpíada, terão algum reparo a fazer sobre o que viram. Os que ficaram em suas casas assistindo ao que as emissoras de televisão mostraram, principalmente os felizes proprietários de tevês Full HD e 3D, com certeza, deliciaram-se com as sensacionais imagens que brotavam de seus aparelhos. Tomara que, daqui a quatro anos, quando chegar a vez de o Rio de Janeiro sediar os próximos Jogos Olímpicos, o Brasil possa também encantar o mundo, em todos os sentidos.

 

Fui um dos que tiveram a chance de acompanhar, em casa, boa parte dos jogos. Ao ver a cobertura realizada pelos meu colegas de profissão, invejando-os com santa invídia, lembrei-me da época em que compartilhei da experiência vivida na Inglaterra pelos jovens e veteranos jornalistas que lá ainda estão. Das Copas do Mundo que fui escalado para cobrir como narrador da Rádio Guaíba, a de 1974, na Alemanha, me dá saudade. Escrevi faz duas semanas, que a nossa chegada – minha e do comentarista Ruy Carlos Ostermann – começou com um susto. Achávamos que a nossa bagagem tivesse se perdido. Seria um mau começo. Para quem não leu o texto em que relatei essa história, esclareço que as encontramos no dia seguinte ao do nosso desembarque em Frankfurt. Estavam na sala de bagagens não reclamadas.

 

Conhecer a Alemanha – ou um pouquinho dela, porque jornalista e radialista não são turistas – foi muito agradável. Afinal, meu bisavô paterno,o primeiro dos Jung do meu ramo que desembarcou no Brasil, era alemão. A primeira etapa da nossa estada no país avoengo foi na industrializada cidade de Frankfurt. A equipe da Guaíba que nos precedeu, alugara um Fusca, depois trocado por um BMW. Ruy e eu viajamos com esse carro por boa parte das “bundesautobahnes”, as maravilhosas rodovias que, em 1974, já era excelentes. A última das nossas viagens foi, para mim, pelo menos, inesquecível. Precisamos sair de Honnover e ir até Essen. A maioria da equipe nos esperava hospedada em um hotel, nessa cidade. Lá pelas tantas, anoiteceu. Foi quando encontramos a primeira placa indicando que estávamos em Essen. Eu dirigia o BMW. O Ruy olhava para as placas. Andamos um pouquinho mais e começaram a surgir outras placas. Era um tal de Essen isso, Essen aquilo que parecia não ter fim. Tínhamos que tomar uma resolução. Então, entramos na próxima saída com esse nome na placa.

 

E agora? Sabíamos somente o nome do hotel em que se hospedavam os nossos companheiros. E mais nada. Não se via viva alma nas ruas. Quem sabe a gente parava numa cabina telefônica e ligava para um dos nossos? Não lembro quem atendeu e informou que tínhamos de entrar numa elevada, perto de onde nos encontrávamos. E veríamos o hotel. Chegamos aonde queríamos ir. Foram necessárias, porém, tantas voltas, subindo e descendo a elevada, que elas já ameaçavam se tornar infinitas, até que, finalmente, atinamos com a saída. Foram dois caras famintos e com sono que, ainda por cima, tiveram de suportar a gozação dos colegas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Está na hora de voltar, mas antes uma recomendação às cias aéreas

 

De volta ao trabalho, nesta quinta-feira. Foram 15 dias de férias, distante da crise em espírito apesar de bem próxima dela geograficamente. Estive na costa da Toscana nestes dias todos e aproveitei o melhor que pude meus momentos de descanso. Desta vez, preferimos – eu e minha família – ficar assentados no mesmo canto, evitando deslocamentos longos, troca de aviões e traslados que costumam causar muito desgaste. Não me desconectei por completo como da última viagem nas férias de inverno, mesmo assim tive o cuidado para não me afundar durante a navegação. Sabia que no retorno seria preciso fôlego pois teremos meses repletos de notícias com Jogos Olímpicos, julgamento do Mensalão e eleições municipais.

 

Antes de partirmos para os temas do cotidiano brasileiro, faço alguns registros de acontecimentos das férias. E começo pelo fim, o aeroporto de Fiumicino, ao lado de Roma, capital italiana, que apesar de ter infraestrutura bem mais avançada do que qualquer dos nossos aeroportos também peca no conforto oferecido aos passageiros. Quem pretende embarcar deve chegar bem mais cedo do que o comum, principalmente quando há o risco de o voo atrasar. A recomendação até pode parecer contraditória, mas o fato é de que praticamente não há cadeiras à disposição e se você não estiver entre os seis ou sete primeiros a entrar no local, terá de esperar em pé.

 

A situação não é muito melhor depois que você embarca no avião da Alitalia, mesmo que tenha tido o cuidado de comprar passagem para uma área considerada mais confortável do que a turística. Aliás, além de terem levado quase um mês para me enviarem a confirmação das passagens (por email, diga-se), ainda enviaram uma delas errada, o que só foi descoberto no check-in de retorno. O quesito simpatia no atendimento também não parece ser o forte da companhia italiana. Dentro do avião, a espera para a decolagem, tão demorada quanto no Brasil, foi feita sob um calor intenso e uma tentativa do comandante de “ressetar” o aparelho – ligou e desligou todos os equipamentos eletrônicos em cinco segundos, o que me levou a pensar se haveria necessidade de repetir o ato enquanto estivéssemos em voo.

 

A propósito, uma recomendação às empresas áreas. Sabe aqueles anúncios de segurança que são feitos antes da decolagem? Será que não dava para mandar aqueles informações por e-mail ou em um cartinha a cada passageiro ou seja lá qual for outra forma de contato, bem antes do embarque, ao menos antes de fecharem as portas?

 

Imagina se você é daqueles que tem um certo medo de avião, senta na poltrona já devidamente preocupado com as possíveis turbulências e começa a assistir ao vídeo de segurança. Já começam mostrando por onde você deve sair se houver algum problema, mas pedem para fazer isto calmamente. Alertam para a possibilidade do avião despressurizar, quando sua vida dependerá de máscaras que cairão do teto. Mas as coisas podem piorar e o avião pousar no mar quando, então, você terá de encontrar embaixo da sua poltrona um colete salva vida. Duvido que isto seja possível, pois não há espaço entre uma poltrona e outra. Vista o colete que só deve ser inflado quando você estiver na porta de saída, bem verdade que a cordinha pode não funcionar e você terá de assoprar em um canudinho até o salva vida estar devidamente cheio. Depois de tudo isto, se tiver sorte, terá lugar no bote que a empresa aérea garante que colocará à sua disposição. Convenhamos, depois de tantos alertas é de se surpreender que ninguém decida saltar pela porta antes do avião decolar.

 

Nos próximos dias, se houver tempo, prometo trazer outras constatações dessas férias. Agora, vamos ao trabalho.

A história de um radialista fugitivo

 

Milton Ferretti Jung

 

Esta é mais uma história de rádio. Sei que quando escrevo sobre tal tema garanto, pelo menos, o interesse de um leitor: o Mílton, comandante deste blog, cujo gosto por este veículo sem o qual, é voz corrente, brasileiro não vive, rivaliza com o meu. Aliás, ele me mandou um e-mail, um dia desses, sugerindo que, volta e meia, contasse minhas experiências radiofônicas ou as vividas pelos meus colegas de profissão. Então, aí vai mais uma por mim protagonizada.

 

Corria o ano de 1977,véspera de uma Copa do Mundo que seria disputada na Argentina. Nossa seleção, que não obtivera sucesso na anterior, com sede na Alemanha, precisou participar das Eliminatórias do Mundial, competição em que não estava se saindo bem. Fui escalado para narrar Colômbia x Brasil. Ser escolhido pelo chefe da equipe esportiva da Rádio Guaíba, Armindo Antônio Ranzolin, para narrar um jogo desta envergadura era um privilégio. Meus companheiros na viagem com destino a Bogotá eram o comentarista Ruy Carlos Ostermann, o repórter João Carlos Belmonte e o operador Ronaldo Krebs.

 

Deixamos Porto Alegre num voo que nos levou a São Paulo. Lá (ou aí, como queiram) embarcamos para o destino final: a capital colombiana. Depois de uma escala em Manaus, viajamos mais algumas horas até desembarcar em Bogotá, onde chegamos no dia 4 de fevereiro, uma sexta-feira. No aeroporto de Eldorado tive minha primeira experiência com os 2.591 metros de altitude desta cidade andina. Há quem fique com falta de ar. Não foi o caso de nenhum do nosso grupo. Fomos de táxi para o Tequendama, hotel de cinco estrelas, um luxo. Nossa estada em Manaus seria de vinte dias. A seleção brasileira marcou para o domingo, 6 de fevereiro, um amistoso contra o Millionários, na época um dos mais badalados clubes de futebol bogotano.

 

No sábado, à noite, saímos a caminhar e acabamos jantando numa boate de bom nível. Até então, eu não tivera qualquer problema com a altitude. Comemos bem e bebemos moderadamente. Afinal, não se pode cometer qualquer tipo de exagero em véspera de uma jornada esportiva internacional. Voltamos os quatro para o Tequendama. Era madrugada e acordei com o estômago que parecia ter virado ao avesso. Se estivesse no México, pensaria estar sofrendo do Mal de Montezuma. Diz a lenda que todo estrangeiro que visita a Cidade do México arrisca-se a sofrer dele. Acordei mal. Não quis almoçar. Fomos para o El Campin para cobrir o amistoso da seleção brasileira contra o Millionarios. Narrei o jogo sentindo-me como um condenado. Meus companheiros foram passear na noite dominical de Bogotá. Fiquei sozinho no hotel e aproveitei para telefonar à Varig. Perguntei se a empresa tinha voo na segunda para o Brasil. Tinha, mas eu fui posto na lista de espera. Trocamos de hotel. No apartamento deste, dei um susto no Ruy ao lhe informar que eu logo iria para o aeroporto disposto a retornar a Porto Alegre. Solidariamente, os outros três me acompanharam. Antes, porém, sem que eu soubesse,o Ruy telefonara para a Guaiba comunicando que eu retornaria.

 

Voltei. O Ranzolin pediu ao Antônio Britto, coordenador do esporte,que me convencesse a retornar a Bogotá. O futuro governador gaúcho teve sucesso na empreitada. No dia seguinte, voei de retorno. No dia 20 de fevereiro narrei o  zero a zero de Brasil e Colômbia. Meu castigo foi pagar a viagem de volta. “Al fin y al cabo”, não tive prejuízo. As nossas diárias eram excelentes. O Belmonte, que viajava muito a serviço da Guaíba, com o que poupou em diárias, conseguiu construir sua casa. Talvez eu escreva alguma história sobre o João Carlos Belmonte.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Excessos na direção e na fiscalização

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O trânsito é um tema que se tornou recorrente nos meus textos. Quem me acompanha nas quintas-feiras, mesmo não sendo leitor assíduo, deve ter-se dado conta da minha preocupação com a matéria. Aqui no Rio Grande do Sul, de onde escrevo, as autoridades às quais cabe a difícil missão de cuidar do comportamento de motoristas, motociclistas e ciclistas, em especial nos feriados prolongados, pródigos em acidentes, muitos deles trágicos, costuma agir com mais rigor do que em épocas normais para coibir abusos, principalmente os dois piores, isto é, a velocidade excessiva e a embriaguês. Imagino que tal procedimento seja idêntico nas principais rodovias do país.

 

No feriado de Páscoa, deixaram Porto Alegre cerca de 180 mil veículos, em migração que começou na última quinta-feira. Envolveram-se na Operação Viagem Segura, Brigada Militar (é como chamamos a Polícia Militar), Comando Rodoviário da BM, Polícia Rodoviária Federal, além da Polícia Civil e, claro, da Empresa Pública de Transporte e Circulação. Mesmo com todo esse controle, verificaram-se 1.071 acidentes nas estradas gaúchas. Morreram nesses 15 pessoas e 548 resultaram feridas. Pelas contas do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito), o número de acidentes, em comparação com os feriados anteriores, teve redução de 46 por cento, sinal de que o trabalho das autoridades foi bem feito e seria completamente louvável se, no retorno a Porto Alegre, os motoristas não fossem surpreendidos com aquilo que considero o tipo de “cuidado” desnecessário.

 

Ao chegarem à capital do Rio Grande do Sul, depararam-se, para desespero geral, com blitze policiais nas duas principais entradas da cidade. O resultado delas, como não poderia deixar de ser, foi um congestionamento fantástico, algo que aí em São Paulo é habitual, mas ainda causa revolta aqui. Eu gostaria de saber que cabeças decidiram realizar blitze na chegada de um feriadão. Alessandro Barcellos, Diretor-Presidente do DETRAN, entende que todo o processo de fiscalização pode trazer algum tipo de inconveniência. Põe inconveniência no que ocorreu nesse domingo. Barcellos tranquiliza, porém, os motoristas que se não houver avaliação positiva do episódio – creio que não haverá – não há razão para que tal tipo de blitze volte a interferir no trânsito.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Eram outros tempos

 

Juventude 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Caxias do Sul

 

 

Fossem as férias de inverno fossem as de verão, subir a Serra Gaúcha era programa obrigatório na época em que ainda era um guri de Porto Alegre. Em Caxias do Sul vivia boa parte dos Ferretti – tios, tias e primos de meu pai que nasceu por lá, em 1935, conforme ele próprio contou semana passada no texto semanal que escreve aqui no Blog. Pelo que consigo lembrar, as primeiras viagens foram a bordo do Gordini azul da família, no qual eu me espremia no banco de trás com meu irmão e minha irmã. Nos aventuramos de Fusca, também, por algum tempo, e somente mais tarde encaramos a estrada sinuosa com motores potentes. O mais importante não era a viagem, mas a estada no casarão da Avenida Júlio de Castilhos com três andares e um número razoável de quartos. O prédio era todo de madeira e eu sempre ficava impressionado com o tamanho das portas e das fechaduras. O poço que havia no quintal atiçava minha curiosidade, pois era quase sempre impedido de chegar perto devido ao risco de uma queda que seria fatal. As janelas se transformavam em camarotes VIPs no período da Festa da Uva, pois o desfile de carros alegóricos, em que o principal sempre trazia no topo a Rainha, passava bem diante de nós. Naquele tempo, a cidade serrana já tinha tradição no futebol e seus clubes se destacavam no cenário estadual, impondo dificuldades para os times da capital, apesar de não serem capazes de conquistar títulos – isto só foi acontecer muitos anos depois. Atualmente, não é mais surpresa chegar ao Alfredo Jaconi, estádio do Juventude, e ao Centenário, do S.E.R Caxias, e sair de lá derrotado como aconteceu neste domingo. Confesso, porém, que tenho saudade, muita saudade, daqueles tempos.

Um erro, apenas um erro

 

Miriam e Abelardo haviam planejado a viagem aos Estados Unidos há alguns meses. Levariam os filhos pela primeira vez na classe executiva, presente pelo ótimo desempenho escolar de ambos. Passagem comprada, hotel acertado e restaurantes reservados, há um dia de partirem descobrem que o visto americano de um dos garotos tinha expirado e o passaporte do outro, também. A primeira providência foi adiar a partida, renegociar preço e providenciar a burocracia esquecida, na torcida de que ainda houvesse chance de embarcar antes do fim das férias do casal. Assim que a família soube do caso começaram os palpites. “Se não foram é porque não era para ir” disse a tia mais velha do alto de seu conhecimento filosófico. A crente não se conteve: “Talvez seja um sinal de Deus, meus filhos”. “Não lute contra o destino”, preveniu outra ao ver o esforço do casal para remarcar a viagem. Pelo sim e pelo não, eles não se contiveram e ficaram colados na internet a espera da notícia de um desastre aéreo do qual teriam escapado. Não aconteceu nem no dia que seria da ida nem no que seria da volta. Ainda bem, pensaram envergonhados. Mas quem sabe o destino estava apenas preparando uma armadilha e o mal sinal viria nas datas remarcadas, pensou em voz alta um amigo do casal. Por que não deixamos pro ano que vem? Com destino não se brinca? – perguntavam-se todas os dias em busca de uma resposta para o erro infantil que havia causado tanta frustração bem no início das férias. Com documentação regularizada e passagens e estadias revistas, começavam a se convencer de que tudo não passava de coisa de gente supersticiosa até que chegou o dia de embarcar e o medo voltou. Rezaram, pediram apoio dos mais próximos e com o coração na boca seguiram viagem, aproveitaram até onde puderam e, dias depois, pegaram o avião de volta. Enquanto não tocaram o solo mais um vez, não se acalmaram. A qualquer momento a profecia poderia se concretizar. Em casa, deitados lado a lado, enquanto os meninos se divertiam com as compras no exterior, o casal caiu na gargalhada. Sinal celestial? Recado do além? Superstição? Coisa nenhuma ! Foi, sim, uma baita c….. – definiu Abelardo. Um erro, apenas um erro – resumiu com mais sensibilidade Miriam.

Odeio os aeroportos

 

Por Milton Ferretti Jung

Desde abril não viajava de avião. No último dia 5, convidado que fui a participar ao lado do meu filho do programa Papo Aberto, apresentado por Gabriel Chalita na TV Canção Nova, precisei ir a São Paulo, o que fiz com enorme satisfação, como lembrei no texto que postei neste blog no dia 11 do corrente, eis que o convite do Chalita me proporcionou reencontrar o ramo paulista de minha família, o Mílton, a Abigail e os netos Gregório e Lorenzo. Quando eu narrava futebol pela Guaíba de Porto Alegre, sempre que podia, evitava viajar, não por ter medo de voar, mas é que já naquele tempo detestava aeroportos. E notem que então eram raros os vôos que saíam com atrasos enervantes ou, como acontece frequentemente agora, nem decolavam. Ninguém imaginava que haveria um 11 de setembro trágico envolvendo aviões dos Estados Unidos em atentados que abalaram o mundo. O reflexo da fatídica data se faz sentir, hoje em dia, principalmente nos aeroportos.

Aqui no Brasil não tinha ainda me deparado com o que me pareceu uma certa paranóia dos agentes fiscalizadores de bagagens e passageiros em vôos domésticos, o que me chamou especial atenção. Fui e voltei à Argentina com minha mulher sem enfrentar problemas ao cruzar a fiscalização de embarque. Claro, existem regras que precisam ser obedecidas. Nos bons tempos não se fazia necessário, por exemplo, que a gente se preocupasse com a capacidade das embalagens de líquidos, que agora não podem ultrapassar 100ml, na bagagem de mão.

Tanto na minha ida como na volta, no Salgado Filho e em Congonhas, passei por experiência desagradável. Com minha bagagem de mão não houve. Já,no entanto,quando cruzei aquele portãozinho (sei lá como é o nome técnico da coisa), o apitinho soou. Não levava nada no bolso capaz de provocar o maldito som. Quase me viraram ao avesso. – Tira o cinto! – mandou um “simpático” agente. Tirei o cinto e o relógio, mas me mantive calçado. No retorno a Porto Alegre, porém, nem os sapatos pude manter nos pés. Será, pensei, que tenho cara de terrorista? Diz a resolução 168 da ANAC, entre outras coisas, que os critérios para os casos em que passageiros e bagagens devam ser submetidos à inspeção mais detalhada são definidos pela Polícia Federal. Pelo jeito, dei azar. Ou os agentes escalados para os dias em que viajei dormiram mal e resolveram me fazer dançar. É possível também que tenham gostado de me “massagear”. Nem os idosos, atualmente, merecem respeito. Cada vez mais, odeio aeroportos.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Fiscalizar, punir e educar para a vida no trânsito

 

Por Mílton Ferretti Jung

Em uma dessas quintas-feiras postei um texto que tratava de uma viagem que fiz com minha mulher até a praia de Tramandaí, onde temos uma casa, na qual costumamos passar parte de minhas férias de verão. Antes era possível visitá-la com alguma freqüência também nos meses frios ou, pelo menos, durante os primeiros quinze dias de março, pois aqui no Rio Grande do Sul a temperatura ainda se mantém agradável. Isso, agora, se tornou perigoso, uma vez que assaltos a residências são comuns. Arrombamentos de casas sempre foram corriqueiros no inverno, quando os veranistas retornam para suas cidades. Estes, entretanto, são praticados por ladrões locais, que somente invadem casas nas quais os proprietários não se encontram. Seja lá como for, realizar um passeio de ida e volta no mesmo dia não é problema. Só fiz o preâmbulo, porém – me desculpem os leitores – porque meu assunto de hoje está, de certa forma, ligado à viagenzinha até Tramandaí.

Impressionou-me o desrespeito aos limites de velocidade cometido, na free-way, por motoristas de caminhões, ônibus, automóveis e motos. Os veículos de grande porte não podem ultrapassar os 80 quilômetros por hora e devem se manter na faixa da esquerda da rodovia. Os demais têm licença de chegar aos 100, rodando pela direita. Li no site do Terra, no dia 8 deste mês, matéria que vai ao encontro do que observei na estrada e que resolvi imprimir para usar, oportunamente, aqui no blog. Fiquei sabendo, pela notícia, que uma das razões para que o índice de mortes no trânsito, em nosso país, seja três vezes maior do que o considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é, entre outros, a fiscalização deficiente dos órgãos que cuidam do setor em nossas estradas e nas ruas das cidades. Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, enquanto aqui ocorrem, em acidentes, 18,3 mortes a cada ano, por 100 mil habitantes, na Grã-Bretanha, Suíça e Holanda, países com menor mortalidade no tráfego, este índice é inferior a 6.

O que fazer para diminuir o número desse tipo de mortes?

É certo que a educação para a vida – e o trânsito faz parte dela – começa em casa. Esta última, deveria se estender também aos colégios, porque – provérbio antigo, mas indesmentível – é de pequenino que se torce o pepino. Já fiscalização eficiente é fundamental para punir os que não seguem as regras, seja por dirigir em velocidade excessiva, seja porque se atrevem a conduzir embriagados, sem cinto de segurança, etc. Faz-se necessário, cada dia mais, garantir que os violadores das regras cumprirão as penas previstas pelo Código Nacional de Trânsito. Para tanto, as punições deveriam ser muita mais severas. Não se pode esquecer, por outro lado, as condições das rodovias brasileiras, eis que muitas deixam a desejar. Eu diria ainda, para concluir, que falta ao nosso país, inexplicavelmente (ou,quem sabe,seja explicáve?) ferrovias, sistema de transporte exemplarmente utilizado na Europa e desprezado no Brasil.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)