Está na hora de voltar, mas antes uma recomendação às cias aéreas

 

De volta ao trabalho, nesta quinta-feira. Foram 15 dias de férias, distante da crise em espírito apesar de bem próxima dela geograficamente. Estive na costa da Toscana nestes dias todos e aproveitei o melhor que pude meus momentos de descanso. Desta vez, preferimos – eu e minha família – ficar assentados no mesmo canto, evitando deslocamentos longos, troca de aviões e traslados que costumam causar muito desgaste. Não me desconectei por completo como da última viagem nas férias de inverno, mesmo assim tive o cuidado para não me afundar durante a navegação. Sabia que no retorno seria preciso fôlego pois teremos meses repletos de notícias com Jogos Olímpicos, julgamento do Mensalão e eleições municipais.

 

Antes de partirmos para os temas do cotidiano brasileiro, faço alguns registros de acontecimentos das férias. E começo pelo fim, o aeroporto de Fiumicino, ao lado de Roma, capital italiana, que apesar de ter infraestrutura bem mais avançada do que qualquer dos nossos aeroportos também peca no conforto oferecido aos passageiros. Quem pretende embarcar deve chegar bem mais cedo do que o comum, principalmente quando há o risco de o voo atrasar. A recomendação até pode parecer contraditória, mas o fato é de que praticamente não há cadeiras à disposição e se você não estiver entre os seis ou sete primeiros a entrar no local, terá de esperar em pé.

 

A situação não é muito melhor depois que você embarca no avião da Alitalia, mesmo que tenha tido o cuidado de comprar passagem para uma área considerada mais confortável do que a turística. Aliás, além de terem levado quase um mês para me enviarem a confirmação das passagens (por email, diga-se), ainda enviaram uma delas errada, o que só foi descoberto no check-in de retorno. O quesito simpatia no atendimento também não parece ser o forte da companhia italiana. Dentro do avião, a espera para a decolagem, tão demorada quanto no Brasil, foi feita sob um calor intenso e uma tentativa do comandante de “ressetar” o aparelho – ligou e desligou todos os equipamentos eletrônicos em cinco segundos, o que me levou a pensar se haveria necessidade de repetir o ato enquanto estivéssemos em voo.

 

A propósito, uma recomendação às empresas áreas. Sabe aqueles anúncios de segurança que são feitos antes da decolagem? Será que não dava para mandar aqueles informações por e-mail ou em um cartinha a cada passageiro ou seja lá qual for outra forma de contato, bem antes do embarque, ao menos antes de fecharem as portas?

 

Imagina se você é daqueles que tem um certo medo de avião, senta na poltrona já devidamente preocupado com as possíveis turbulências e começa a assistir ao vídeo de segurança. Já começam mostrando por onde você deve sair se houver algum problema, mas pedem para fazer isto calmamente. Alertam para a possibilidade do avião despressurizar, quando sua vida dependerá de máscaras que cairão do teto. Mas as coisas podem piorar e o avião pousar no mar quando, então, você terá de encontrar embaixo da sua poltrona um colete salva vida. Duvido que isto seja possível, pois não há espaço entre uma poltrona e outra. Vista o colete que só deve ser inflado quando você estiver na porta de saída, bem verdade que a cordinha pode não funcionar e você terá de assoprar em um canudinho até o salva vida estar devidamente cheio. Depois de tudo isto, se tiver sorte, terá lugar no bote que a empresa aérea garante que colocará à sua disposição. Convenhamos, depois de tantos alertas é de se surpreender que ninguém decida saltar pela porta antes do avião decolar.

 

Nos próximos dias, se houver tempo, prometo trazer outras constatações dessas férias. Agora, vamos ao trabalho.

11 comentários sobre “Está na hora de voltar, mas antes uma recomendação às cias aéreas

  1. Milton, a questão aérea é tema de interessantes palestras de administração.
    A começar pela inusitada entrada pela primeira classe, quando se tem que sentar na econômica. Pura provocação.
    O check in é inacreditavelmente desconsiderado pelas companhias já sabendo que é o momento de maior ansiedade da viagem.
    As instruções de segurança em caso de acidente se juntam a uma série de informações desnecessárias.E, se não estiver em país de língua inglesa ainda terá de ouvir todas elas num estranho inglês.
    Quanto ao conforto do aeroporto e a deselegância de passageiros atirados em sono ao chão, ou em salas executivas, as previsões , dado o crescente volume do setor, pode ser que o mundo, caminhará neste sentido desagradável.
    É um setor que não dá muito” benchmarking”. Imagine num restaurante as instruções para tratamento de indigestão antes de se deliciar com o prato pedido.
    De qualquer forma, agora em terra firma, Seja Bem Vindo.

    • Carlos,

      Que fique claro, entendo perfeitamente a preocupação com a segurança das autoridades aéras e a necessidade de se dar orientações para situações de emergência. Em navios é ainda mais estressante, pois antes mesmo de você usufruir do conforto da viagem é obrigado a participar de uma simulação, vestindo o colete salva vida e se deslocando até a parte externa onde o resgate ocorrerá em caso de acidente. Verdade que tenho dúvidas sobre a eficiência destes treinamentos vapt-vupt, principalmente se abordo estiver o comandante Schettino que foi o primeiro a abandonar o barco quando afundou na costa da Toscana, aliás bem próximo de onde estive nas férias.

  2. Confesso,Mílton,que nunca prestei muita atenção aos avisos de segurança dados por um dos comissários de bordo antes do voo. Não acho que sejam úteis caso o avião precise amarar ou aterrar. Confio bem mais nos bons efeitos de uma oração ao meu santo protetor. Quanto ao desconforto que temos de enfrentar em aeroportos sempre lotados,porém,nem rezar resolve.

    • Milton Pai

      Esta orientação também não abro mão. Sinal da cruz, um pedido especial ao cara lá em cima e seja o que Ele quiser (e a qualidade do avião garantir)

  3. Milton, esse cenário infelizmente não é de hoje. E como você registra, não é exclusivo dos aeroportos e cias. aéreas brasileiras. Lembro-me de um vôo que fiz no início dos anos 70 para Salvador/Bahia. Dormimos no chão do aeroporto a espera de uma solução, até que alguns passageiros impacientes depredaram o guichê da cia. aérea.

    Seja bem-vindo de volta ao trabalho!

  4. Não vamos falar das refeições oferecidas como se fossem um banquete de primeira, mas que na realidade é a pior coisa pra se comer que existe! Comida de avião Deus me livre!!! Nao precisa oferecer nao …

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