Avalanche (Extra): a noite em que o torcedor venceu

 

 

Aos raros e caros leitores desta coluna, sempre dedicada ao Grêmio, peço licença para falar sobre fatos que não aconteceram na Arena nem com o tricolor gaúcho, mas que têm muito a ver com o momento que estamos vivendo. No post anterior já havia descrito a falta de paciência de alguns torcedores e a necessidade de darmos oportunidade de os times se reestruturarem, de seus técnicos terem tempo para construirem a estratégia que será usada na temporada e dos preparadores físicos programarem os jogadores para resistirem a maratona de jogos. Ou seja, deixar o pensamento imediatista de lado.

 

Volto ao tema, porém, para destacar a vitória que se conquistou nas arquibancadas do lendário estádio do Pacaembu, em São Paulo, na noite de ontem, quando o Corinthians perdeu para o Bragantino por 2 a 0. A vitória que me refiro não tem nada a ver com o placar do jogo ou desempenho dos atletas corintianos que estão visivelmente incomodados com a absurda agressão que sofreram por parte de brutamontes ligados às torcidas organizadas, no Centro de Treinamento Joaquim Grava, no sábado passado. Mas, curiosamente, foi protagonizada por parte dos torcedores do Corinthians.

 

Caso você não tenha acompanhado o noticiário, resumo aqui os fatos. Integrantes de torcidas organizadas decidiram protestar contra o time, foram ao estádio com fitas tapando a boca para demonstrar a desconformidade e se negaram a incentivar a equipe, permanecendo em silêncio. Se a manifestação ficasse por aí, nada a declarar. É direito deles. Porém, as organizadas tinham a pretensão de calar os demais torcedores e, mais uma vez de forma agressiva, tentaram intimidá-los com ameaças. A polícia militar foi obrigada a intervir para impedir agressões físicas, entrou em confronto com os mais exaltados e prendeu algumas pessoas. Torcedores comuns, que vestem a camisa do seu time e não das torcidas organizadas, reagiram com gritos de incentivo demonstrando que esses grupos não são donos do clube como imaginam ser. Gritaram mais alto do que a intolerância e deram exemplo a todos os demais torcedores brasileiros, muitos dos quais já desistiram de ir ao estádio incomodados com a ditadura das organizadas – atitude, ressalto, justificável, pois é cada vez mais arriscado assistir a um jogo na arquibancada.

 

Muito provavelmente as facções continuarão a ocupar seus espaços, a maioria das vezes patrocinados por dirigentes e até jogadores. Mas ao menos ontem à noite o torcedor comum teve voz e venceu.

A falta de educação é mais violenta do que o MMA

 

 

O artigo publicado na quarta-feira, neste blog, assinado por Carlos Magno Gibrail, entra na discussão sobre o MMA, provocada pelo acidente com Anderson Silva. Para começo de conversa, deixo registrado que não me satisfaz assistir às lutas, assim como não gosto de acompanhar muitas outras modalidades esportivas, algumas, inclusive, olímpicas. Na madrugada do domingo, estava mais preocupado com a viagem de férias do que em ver aquela turma agindo com violência no ringue (que agora chamam de octógono). Somente soube da lesão de Anderson Silva quando já estava no aeroporto e a foto da perna redobrada foi suficiente para sentir dor e lamentar o acontecido. Não gosto do esporte, mas admiro Silva pelas conquistas e pela imagem serena que transmite, diferentemente de muitos brutamontes do MMA.

 

Em contrapartida, gostava de lutas de boxes, em especial quando Cassius Clay estava no ringue. Lembro que, ainda guri em Porto Alegre, tive a oportunidade de ver Éder Jofre treinando no ginásio que ficava quase no quintal da minha casa. Eu e meu irmão menor, o Christian, ganhamos do pai, pares de luva de boxe de brinquedo. Protagonizamos grandes embates sobre o tapete da sala de TV que delimitava o espaço do nosso ringue imaginário. Penso que não nos tornamos mais violentos nem alimentamos inimizades. Talvez um ou outro tenha jogado a toalha para reclamar com a mãe um golpe baixo. Desde o fenômeno Mike Tyson nunca mais tive motivação para assistir às lutas na TV. As luvas de brinquedo foram abandonadas.

 

É válida a discussão sobre os benefícios e limites do MMA, pois ganhamos sempre que o debate visa preservar a integridade física do ser humano, mas soa ridícula a tentativa de proibir a exibição dos eventos na TV sob a alegação de que as cenas geram violência. Não bastasse o fato de as lutas serem transmitidas tarde da noite em apenas um canal de TV aberta, portanto, tendo o cidadão o direito de escolher pelo programa que bem quiser. É a mesma lógica que move grupos a pedirem o fim de personagens sórdidos nas novelas e restrições à venda de vídeo game sob a alegação de que causam más influências. Tenta-se resolver os problemas complexos da vida em sociedade com pensamentos simplistas.

 

No Canadá, não muito distante de onde estou, as jogadas brutas e as agressões físicas fazem delirar os fanáticos do hóquei no gelo, nem por isso vivem em uma sociedade mais violenta do que a nossa. O que faz mesmo diferença é o fato de os canadenses estarem em sexto lugar no Pisa com escore 524, enquanto nós aparecemos em 53º lugar com 412, abaixo da média internacional que é 493. Ou seja, a solução não está na proibição do MMA, mas na educação.

 

N.B: A propósito, Carlos, inclua no seu cardápio esportivo hóquei na grama feminino: as meninas fazem frente à Sharapova.

MMA é arte marcial?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Diante da cena como a de Las Vegas no domingo quando um chute de Anderson Silva acertou o fêmur de Chris Weidman e gerou a impressionante imagem da perna quebrada de Silva, se intensificou o questionamento do MMA Mixed Martial Arts como esporte. Originário da antiguidade, primeiro na Grécia, como antigo combate olímpico chamado de Pankration, depois em Roma, evoluiu mais tarde como a luta Greco-Romana. Entretanto sua base veio com a família Gracie com a Luta Livre ou ValeTudo, no ano de 1920. Porém, somente em 1993 os Gracie levaram o Vale Tudo aos Estados Unidos, onde se criou o UFC Ultimate Fighting Champhionship, entidade com a função de conduzir o MMA que seria a fusão do boxe, do karatê e do judô, preconizada por Bruce Lee no início dos anos 70, antevendo a excelência do lutador que usasse as técnicas conjuntamente. Na verdade o Jiu Jitsu de Carlos Gracie e Helio Gracie, e as técnicas marciais japonesas resultaram no MMA, que em 2005 teve o reconhecimento da US Army.

 

Como se pode observar o Brasil, país do futebol, é também o país do MMA e de esportes marciais. Fato comprovado pelos antecedentes e pela audiência. A luta fatídica de Las Vegas, transmitida de madrugada e com atraso, teve 15 pontos de média e 65% de participação nas TVs ligadas. Uma performance de novela, pois as novelas “Jóia Rara” e “Além do Horizonte” marcaram 16 pontos.

 

Ainda assim, estão surgindo pressões em cima do fato do MMA. Basicamente alegando que a justificativa de arte marcial não se sustenta, pois não há o embasamento central, que é o equilíbrio de corpo, mente e alma. Seria, portanto uma técnica de treinamento, objetivando apenas a derrubada do adversário, ao mesmo tempo em que as regras visam o espetáculo.

 

Ontem, José Mentor deputado federal PT SP se manifestou sobre o seu projeto de proibição para transmissão por TV aberta e fechada de lutas do MMA, alegando a falta de filosofia e o objetivo exclusivo de agressão. Alguns jornalistas também apresentaram argumentos negando o espírito esportivo da modalidade e ressaltando o objetivo agressivo da luta.

 

Diante do aspecto cultural nacional e principalmente do objetivo especifico do MMA, que é o resultado financeiro, acho difícil mudar alguma coisa neste momento. Silva embolsou US$ 600 mil e Weidman US$ 400 mil, enquanto as TVs e patrocinadores lucraram com a audiência. Pessoalmente prefiro ver Sharapova contra Ivanovici. Sem filosofia mas com anatomia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A batalha de Joinville

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As imagens do estádio de Joinville mostrando a batalha entre atleticanos e vascaínos com os modernos recursos de transmissão construíram o cenário da espetacularização da violência para o deleite ou a repulsa do mundo. Dependendo da mente de cada um. A partir daí, mais uma vez, surgiram variadas sugestões para solucionar a violência nos estádios de futebol. E isto diante do já existente estatuto do torcedor, que se aplicado resolveria a questão.

 

Fica claro então que a aplicação é barreira maior do que a sua criação. Verdade gritante comprovada pela imagem do vereador, autor de projeto de prevenção de delitos nos campos de futebol, atuando cinematograficamente como baderneiro.

 

Ao ler as declarações de Petraglia, presidente do CAP acusando os vascaínos de premeditarem a confusão para levarem ao tapetão o resultado do jogo e, ao saber da proposição de Dinamite, ídolo maior do Vasco, para anular a partida tentando ganhá-la fora de campo, não creio que a solução definitiva esteja no controle do campo de batalha. Como chegaremos aos torcedores controlando-os e punindo-os quando necessário, se os dirigentes não respeitam as torcidas adversárias nem mesmo os colegas diretores e presidentes de outros clubes?

 

Se os clubes, as confederações e as autoridades pertinentes não estão executando a lei que existe, é hora da parte mais importante do sistema entrar em ação. Os jogadores, através do Bom Senso F.C. Que tal uma greve para irritar torcedores, diretores e patrocinadores?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

É um assalto! Alguma novidade?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Polícia no SOS Morumbi

 

Domingo à noite, um casal de classe média alta, no bairro do Morumbi, precisamente no Real Parque, foi assaltado por um grupo de jovens armados. Escopeta, metralhadora e muita agressividade e violência, com arma apontada à nuca aos corpos deitados no chão Os criminosos roubaram dinheiro, cartões de crédito e o carro. Uns entraram na favela próxima, outros fugiram com o automóvel. Deixaram as vítimas na calçada.

 

Enfim, cena que o cotidiano urbano tem banalizado, não fossem alguns novos fatos. O casal foi a 34ª Delegacia de Polícia e não conseguiu fazer o BO – Boletim de Ocorrência, pois foram informados que estas unidades e mais quatro da região não fazem BO nos fins de semana por falta de pessoal. Foi a seguir na 89ª DP do Jardim Taboão onde efetivou o BO e soube que existem apenas dois carros para cobrir todo o Morumbi. Enquanto a polícia que normalmente fica em frente a loja do supermercado Pão de Açúcar, na Marginal Pinheiros, na altura da ponte Estaiada, com pelo menos dois veículos e motos, é classificada como Polícia de Trânsito e não faz ronda ostensiva. Faz segundo moradores da área a fiscalização nos carros novos e vista grossa aos calhambeques, tão freqüentes no bairro.

 

Realizado o BO, o casal alertou as entidades de bairro do ocorrido, prevenindo sobre o local e atentando ao fato, que terão cada vez mais o trabalho de sensibilizar todos os elementos envolvidos na segurança. Moradores, governo, polícia e imprensa. E, espera que ao menos o Ladeirão do Real Park, local do assalto e tão conhecido como ponto de crime, possa ser fiscalizado. Aproveitando-se inclusive da proximidade de eleições. Época em que os políticos se digladiam em busca de Luz, Câmeras e Ação.

 

Que tal Luz, Câmeras, e Ação, nos bandidos também?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Cadastramento contra a violência nos estádios

 

Por Carlos Magno Gibrail

 


De janeiro, quando Kevin Espada foi assassinado na Bolívia, até a recente rodada do Brasileirão, vivenciamos uma série de punições aos clubes envolvidos em violência de torcidas organizadas. Com graves prejuízos emocionais e financeiros para quem realmente gosta de futebol.

 

Aos visíveis efeitos desta crescente onda de perversidade, quando dentro da própria torcida há agressões, como ocorreu neste domingo em Minas e Goiás, as causas também estão aí sem disfarces. O Estatuto do Torcedor não está sendo cumprido, porque as entidades envolvidas não assumem seus papéis.

 

É emblemático o caso dos três presos em Oruro que se incriminaram novamente no episódio do Mané Garrincha em Brasília. Soldado, Manaus e Dumemo membros da Pavilhão 9, não fazem jus ao status de torcedores. Mais próximos que estão do titulo que sua Organizada escolheu para homenagear.

 

Diante desta situação em que uma minoria extremista usa o futebol para exercer seu desequilíbrio emocional nos estádios, enquanto outros mais sofisticados o exercem na direção dos clubes de forma mais dissimulada, salvo alguns tropeços como convidar organizadas para churrasco de diretoria, ou para troca de idéias, a solução é usar a tecnologia.

 

É a tecnologia que através do cadastramento biométrico poderá banir do futebol aqueles que impedem o espetáculo esportivo. A FIFA, até então avessa à tecnologia, está fazendo o cadastramento de todos os espectadores na COPA.

 

Desta forma o fã do esporte mais popular do mundo poderá desfrutar dos benefícios da sociedade contemporânea civilizada. Estádios atuais, construídos para oferecer conforto absoluto, onde torcedor, jogadores, árbitros e gramados estejam próximos usufruindo ao vivo e a cores as emoções do futebol.

 

Eis aí uma solução que permite punir diretamente o agente do crime, sem prejuízo do sistema, quer de torcedores, quer de jogadores, quer de clubes. É hora, portanto das federações e confederações seguirem o exemplo das modernas corporações privadas e cuidarem de seus consumidores. Mesmo porque, a vitória de movimentos como o de Ana Mozer e Raí, bem como do Bom Senso FC, que recém se iniciou e já tem resposta da CBF á discussão de temas importantes, são sinais de mudança à vista. Para melhor.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras

Teste de direção reprova 61% dos candidatos no RS

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não pretendia voltar a escrever novamente sobre trânsito,uma semana após fazê-lo,mas uma manchete do jornal gaúcho Zero Hora me levou a mudar de ideia. Ei-la:

“Teste de direção reprova 61% dos candidatos no Rio Grande do Sul”.

Foram efetuados até agosto,no Estado, 321,6 mil exames,com 197,4 mil reprovações,lê-se também na matéria. Os números indicam que as exigências para os que se submetem aos testes são altas,reconhece o chefe da Divisão de Exames Teóricos e Práticos do Detran-RS,Jeferson Fischer Sperb. Não poderia ser diferente. Apesar disso,há quem,mesmo tendo passado pelos exames,dirige como se nunca tivesse cursado uma auto-escola,seja por cometer amiúde excesso de velocidade,seja por dirigir alcoolizado o seu veículo,seja por estacionar em local proibido ou infringir as demais regras das mais diversas maneiras.

 

Pode-se acrescentar a existência de mais um problema a ser enfrentado por quem pretende conseguir carta de habilitação:nem todos os instrutores, responsáveis pelas aulas práticas, se mostram à altura do cargo. Minha filha teve,por exemplo, o desprazer de ver o seu“mestre” pegar no sono ao seu lado. Segundo Jeferson Fischer Sperb,existe,por outro lado,carência de examinadores,razão pela qual,às vezes,se cria distância entre as provas prática e teórica. O candidato à carteira se ressente disso porque,ao lidar com a teoria,já esqueceu de alguns detalhes da prática.

 

O investimento para quem pretende sair com a carteira de habilitação na mão ao final da epopeia para obtê-la,não é pequeno:R$1.131,07. Ah, mas se o candidato não passar nas provas depois de dois anos,tem de recomeçar todo o processo.

 

As dificuldades, que são enfrentadas por quem pretende ser motorista de categoria B,talvez diminuam com o uso do simulador. Esse equipamento cria situações reais,nas ruas,mas nem todos os especialistas em trânsito estão otimistas com o seu efeito.

 

A diferença,por razões óbvias, entre o que é exigido agora e o que era necessário na época em que tirei carteira de motorista,são abissais,sem que vá nisso qualquer exagero.

 

Lembro-me,como se fosse hoje,que o meu pai me emprestou o seu Citroën 1947,isso em 1954,quando completei dezoito anos. Fui da casa paterna até o Detran sem a companhia do seu Aldo e de alguém habilitado para dirigir. Estacionei o carro na Avenida Ipiranga,fiz o exame teórico,no qual só respondi sobre o significado dos sinais de trânsito e, após esse,um policial entrou comigo no carro, pediu-me para dar a volta na quadra,vendeu-me um livrinho cujo conteúdo não recordo. E voltei para casa habilitado. Não gastei um tostão em aulas práticas. As teóricas,como as de hoje,simplesmente não existiam. Não contem para os meus netos,mas eu já pilotava o Citroën bem antes de tirar carteira. Claro,com anuência paterna.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, bom motorista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A revolução nas estradas começa na escola

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Em Porto Alegre, de onde escrevo esta coluna, ano após ano, de maneira indefectível, no dia 20 de setembro, a Guerra dos Farrapos ou, se preferirem, a Revolução Farroupilha, é lembrada pelos rio-grandenses. Uso a palavra lembrada porque não entendo que revoluções ou guerras mereçam ser comemoradas. A Farroupilha estendeu-se de 20 de setembro de 1835 a 1º de março de 1845. Gaúchos de todo o estado reúnem-se durante o mês de setembro inteirinho no Parque da Harmonia. Desta vez, os que vieram acampar na capital, encontraram um parque com vias asfaltadas e livres, portanto, do barral que tinham de enfrentar, eis que sempre chove muito por aqui nesta época do ano.

 

No dia 20, o desfile dos piquetes na Avenida Edvaldo Pereira Paiva é o ponto alto do tradicional evento. Trata-se de um feriado estadual. Feriados desse e de outros tipos – nacionais, estaduais ou municipais – especialmente se caem em quintas ou sextas-feiras, são mais propícios à ocorrência de acidentes, eis que, ao contrário dos fins de semana normais, aumentam consideravelmente o fluxo de veículos nas rodovias. Às vésperas desses dias, a mídia costuma divulgar recomendações aos motoristas, visando a que não corram, tomem cuidado com as ultrapassagens e não consumam bebidas alcoólicas antes de dirigir, além de outros tipos de cuidados.
Como sempre,porém,nem todos dão a devida atenção aos avisos. Aqui no Rio Grande do Sul, o feriadão do dia 20, deixou saldo de 20 mortos nas estradas gaúchas. Em 2012, 18 perderam a vida nessa data. Não bastassem os acidentes fatais, o número de embriagados ao volante também é assustador: 115 foram flagrados, no Viagem Segura, dirigindo sob efeito de álcool. Desses, 67 foram conduzidos a delegacias porque se negaram a se submeter ao bafômetro.

 

Sempre que escrevo sobre o assunto, lembro que tem de ser obrigatória matéria versando acerca desse tema, já no curso primário, de maneira que as próprias crianças adquiram condições de influenciar os seus pais a respeitarem as leis do trânsito.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O passeio de presos em Caxias do Sul

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Na quinta-feira, dia 8 de agosto, escrevi sobre dois assuntos. Abri o texto com uma frase da Presidente Dilma a propósito da sanção do Estatuto da Juventude. Finalizei-o lembrando episódio ocorrido com a octogenária caxiense Odete Hoffman que, supostamente, matou um ladrão que invadira o seu quarto. Chamou a atenção da mídia, não só o espanto causado pela reação da idosa senhora ante a presença do invasor, mas a dúvida da polícia quanto a autoria dos três tiros que vitimaram o larápio. Teria sido mesmo a que confessou o crime ou outra pessoa – um familiar de dona Odete, quem sabe – para quem seria mais difícil explicar a razão dos disparos. Foram realizadas perícias um tanto contraditórias. A história, o que também chama a atenção, arrasta-se por mais de um ano.

 

Caxias do Sul ficou conhecida nacionalmente por sediar a Festa da Uva, acontecimento que atrai à cidade, desde que me conheço por gente, visitantes de todo o país. Recordo-me que, com os meus pais (minha mãe, como eu, nasceu em Caxias), íamos assistir ao desfile inaugural da famosa Festa, realizado na Avenida Júlio de Castilhos, em posição privilegiada. Meu avô Vitaliano Ferretti e minha avó Joana residiam nessa avenida. Tenho uma saudade danada da casa onde o casal criou os seus onze filhos. Era um sobrado com inúmeros quartos, porão e sótão, além de um pátio e da garagem em que o meu avô, em cima de cavaletes, havia colocado o seu Ford Modelo A, já sem serventia, mas no qual me divertia fazendo de conta que o pilotava.

 

Passaram-se muitos anos e a Caxias do Sul, que eu amei, não existe mais. É, hoje, uma cidade grande, que aparece na mídia com certa frequência e nem sempre com notícias agradáveis. A última ruim, que li no jornal Zero Hora dessa segunda-feira, dava conta de que condenados por tráfico e homicídios circulam fora de penitenciária caxiense, sem escolta e autorização judicial. Deveriam, porque são presos do regime fechado, permanecer na Penitenciária Industrial de Caxias do Sul. O jornal Pioneiro, por 10 dias, acompanhou a movimentação de apenados, condenados a penas que variam de nove a 27 anos de prisão. O administrador da PICS reconhece que detentos deixam a cadeia para comprar, no comércio, itens para manutenção. A divulgação do fato provocou o afastamento do diretor da Penitenciária. Fico imaginando o risco que a população caxiense corria com a presença de bandidos se aproveitando da liberalidade do diretor da casa prisional.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Perigo na direção: TJ-RS deixa Lei Seca mais frouxa

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Fazia já um bom tempo em que não me valia deste espaço para abordar as mazelas do trânsito,especialmente aquelas que ocorrem e enlutam famílias do meu estado: o Rio Grande do Sul. Retorno ao assunto, nesta quinta-feira, porque há questões correlatas ligadas ao tema e que me chamaram a atenção. O jornal Zero Hora,na edição dessa segunda-feira, estampa duas manchetes que,talvez,tenham ligação.

 

Esta é a mais chocante: “Colisões Fatais”. Abaixo se lê:”Final de semana tem 12 mortes no trânsito”. Em seguida:”Acidentes graves ocorreram em várias regiões e motivaram protestos”. A notícia acentua que,em pelo menos dois acidentes,mais de uma pessoa morreu na mesma colisão.O Vectra, dirigido por uma das vítimas, colidiu com dois caminhões. Esse se registrou em Veranópolis,na Serra do Rio Grande do Sul. Outro,também na Serra – a colisão de um carro contra uma caminhonete – matou uma mulher de 55 anos e uma criança,de apenas 5. Em Santo Antônio da Patrulha,o motorista perde o controle de um caminhão carregado de cevada e o condutor do veículo morreu. Além dos desastres citados,houve mais 6, com vítimas fatais,em várias regiões.

 

O mesmo jornal,também na edição de 15 de julho,mancheteia com tipos enormes, “Nova brecha na Lei Seca”. Em matéria assinada por Humberto Trezzi,toma-se conhecimento de que desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul deram nova interpretação à Lei Seca,a tornando mais liberal. Agora,além do bafômetro,a decisão do TJ-RS exige mais provas para condenar motorista que ingerir álcool além do limite,isto é,de 0,34 miligramas em diante. Antes dos rigores da Lei Seca,o condutor saía em paz se tivesse tomado uma taça de vinho e alguns copos de cerveja. Os desembargadores do Tribunal de Justiça Criminal gaúcho,entretanto,absolveu um motoclista,flagrado em 2011 em uma batida,por não ter ficado comprovado que estivessem sem condições psicomotoras para pilotar o seu veículo.

 

O problema é que a decisão dos desembargadores pode abrir perigoso precedente, uma vez que se trata de um afrouxamento das rígidas normas que estavam em vigor.O motociclista,convém lembrar, havia sido condenado por ultrapassar os limites da Lei Seca e outros,penalizados como esse,talvez se aproveitem da brecha aberta pelo TJ-RS.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)