Conte Sua História de SP: o Amarelinho da CET que ajudou meu filho nascer

 

Por Marcelo Parra Vallone
Ouvinte-internauta da CBN

 

O Amarelinho que nos ajudou no dia do nascimento de meu Filho.

 

Após três anos de casados, eu e minha esposa resolvemos ter um filho. E após nove meses de gestação, no dia 16 de fevereiro de 2001, minha esposa acordou com dores. Ligamos para o médico e ele disse que a hora havia chegado. Fomos às pressas para o hospital. Apressados mas cuidadosos. Morávamos em Mauá. Precavido, eu já havia feito todo o percurso até o hospital, o Santa Joana, na avenida Paulista, algumas vezes. A malinha do bebê já estava pronta a um mês. Acontece que meu filho resolveu dar sinais que ia nascer às sete da manhã de uma sexta-feira: hora do maior trânsito em São Paulo. Na avenida Vergueiro o tráfego parou de vez. Minha esposa sentindo aquela dor que só mulher sabe como é. Os carros não andavam. Eu buzinava com esperança de alguém abrir caminho. Não adiantava. Quando parecia não haver mais horizonte à minha frente, dei uma olhada no retrovisor e avistei um carro amarelinho, aqueles da CET. Não tive dúvidas, esperei a viatura ficar ao meu lado, desci o vidro e pedi ajuda ao senhor que estava na direção. Foi quando ele gritou: “vem atrás de mim, vou te ajudar”. Ligou a sirene, sai atrás dele e o caminho se abriu até o hospital. Coisa de dez minutos já estávamos na porta do Santa Joana. Agradeci ao moço da CET, abri a porta, peguei a malinha, dei entrada com minha esposa na maternidade e … Ufa, que sufoco! … meu filho nasceu lindo como o pai e a mãe e com muita saúde. Obrigado, Amarelinho da CET.

 

 

Marcelo Parra Vallone é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: agende entrevista em áudio e video no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ouça outras histórias de São Paulo no meu Blog, o Blog do Mílton Jung.

Liberem o caminho dos carros, por favor !

Texto publicado no Blog Adote São Paulo, que escrevo no site da revista Época São Paulo

 

Ouvi em reportagem da rádio CBN, na qual a mobilidade urbana era o tema principal, a prefeitura defendendo as restrições ao uso de caminhões na cidade. Como você deve lembrar, recentemente os transportadores de cargas foram proibidos de entrar nas marginais Pinheiro e Tietê no horário do rush, sob a alegação de que o excesso de caminhões trava o fluxo de veículos. Houve reação e para protestar deixaram de abastecer os postos de combustíveis o que gerou enorme transtorno aos motoristas de carro, em especial. Como a prefeitura não recuou, os caminhoneiros tiveram de se adaptar as condições impostas pela cidade e, hoje, é comum vermos uma fila deles estacionados no acostamento das rodovias que chegam à capital, em um comportamento que causa risco à vida das pessoas, tanto que é proibido pelo Código Brasileiro de Trânsito. Parar no acostamento apenas em situação de emergência, o que não parece ser o caso. O sindicato que representa a categoria diz que os profissionais da direção estão, também, mais expostos às quadrilhas que roubam carga e o número de assaltos aos motoristas teria aumentado, ao menos informalmente, já que a maioria preferiria não registrar Boletim de Ocorrência. Com a nova regra, as entregas demoram mais e o número de viagens diminui, o que deixou o frete mais caro, custo que, logicamente, foi parar no preço dos produtos transportados. O que mais me chamou atenção, porém, na reportagem foi uma informação passada pela prefeitura que, questionada pelos impactos no setor de transporte de cargas, se defendeu dizendo que a restrição fez reduzir o número de acidentes envolvendo caminhões. É lógico, se tiro os caminhões do caminho, a probabilidade é que os acidentes diminuam

 

Fiquei pensando como poderíamos abusar desta iniciativa para combater a quantidade de mortes que temos no trânsito da capital paulista. De acordo com a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego morreram 1.365 pessoas em acidentes no ano passado, número 0,6% maior do que em 2010. A maior parte morre em ocorrências com motocicletas, foram 512. Imagine se a prefeitura decidisse proibir a circulação de motos na cidade, provavelmente ao fim do primeiro mês teríamos reduzido a zero o número de motociclistas mortos nestas circunstâncias. Além de garantirmos a integridade dos espelhos laterais dos automóveis. Entusiasmados com os resultados logo determinaríamos que as pessoas ficassem dentro de casa, o que faria despencar drasticamente a quantidade de pedestres mortos no trânsito – foram 617 no ano passado, número 2% menor do que em 2010. Sem pedestres, eliminaríamos as faixas de segurança e os carros poderiam rodar tranquilamente pelas ruas e avenidas sem este incomodo de ter de prestar atenção se algum ingrato vai se arriscar em atravessar a rua. Sem pessoas caminhando, para que investir em ônibus e metrô? São Paulo se transformaria em cidade modelo e exemplo para o mundo no combate a violência do trânsito. E todos os nossos problemas estariam resolvidos nesta área.

 

Perdão se desperdiço parte do seu tempo de leitura com um parágrafo inteiro de ironias, mas é que sempre tenho a esperança de que os gestores de nossas cidades encontrem saídas mais criativas do que simplesmente tentar eliminar ou restringir ônibus fretados, caminhões, motos ou pedestres sempre com o objetivo de deixar o caminho livre para os automóveis.

Vaga ‘solta’ causa confusão na Ciclofaixa

 

Ciclofaixa de Moema

Enfurecido, o homem de cabelo e barba brancos vociferava em direção ao fiscal da CET. Primeiro, com os braços abanando pela janela do carro, para, em seguida, sem perder a maestria dos gestos violentos, se postar ao lado de um Marronzinho que parecia intimidado. A voz continuava alta, pois a ideia era mesmo chamar atenção dos poucos que passavam em volta para o sistema de estacionamento implantado ao lado da Ciclofaixa, nas avenidas Pavão e Rouxinol, em Moema, zona sul de São Paulo. Para se livrar do reclamante ou por também estar convencido do erro da CET, o fiscal repetia, constrangido: “Eu sei, eu sei”.

Assisti ao espetáculo, nesse sábado, quando fui (de carro) até Moema apenas para ver como havia ficado a ciclofaixa, pois até então havia me baseado nas informações passadas por diferentes fontes. A ausência de ciclistas no trajeto foi uma das coisas que me incomodaram, talvez justificada por estarmos em meio a um feriado. Verdade que a ciclofaixa de lazer que funciona aos domingos e feriados também começou com baixa adesão para chegar aos milhares de ciclistas.

Fica evidente que boa parte das lojas no trajeto não sofrerá prejuízo pela redução de vagas de estacionamento. A maioria ou tem calçada rebaixada e frente recuada, permitindo que os clientes estacionem diante do comércio, ou tem manobrista. Não identifiquei nenhuma das tais lojas que fecharam, conforme denunciam os moradores e comerciantes que estão descontentes com a ciclofaixa.

O mais grave são as vagas ao lado da ciclofaixa criadas para amenizar o impacto provocado pela proibição de estacionar em boa parte do trajeto. Os carros parecem ficar soltos no meio da rua e, como a sinalização não é clara, o motorista que vem dirigindo seu automóvel na faixa de rolamento de repente se depara com um outro parado a sua frente, sem se dar conta de que está estacionado e não aguardando o trânsito andar. O risco de acidente aumenta. E potencializa as reclamações como a do senhor que tentava ganhar a briga no grito.

Não fiquei até o fim do bate-boca, pois tinha coisa mais interessante para fazer em um sábado à tarde. Erros na implantação, porém, precisam ser consertados rapidamente pela CET sob o risco de reforçar o coro dos indignados com a ciclofaixa, a não ser que o objetivo seja o de provar que a ciclofaixa não dará certo em São Paulo – no que não acredito.

Pedale em Moema antes que a ciclofaixa acabe

 

Ciclofaixa de Moema em foto do Blog O Bicicreteiro, de André Pasqualini

Uma ação judicial deve ser apresentada para forçar a CET a acabar com a ciclofaixa implantada há menos de uma semana, em Moema, zona sul de São Paulo. São comerciantes e moradores que compartilham da ideia de que o melhor para uma cidade é o carro, e iniciaram coleta de assinatura pedindo o fim da faixa exclusiva de bicicletas. Entendem que o trânsito ficará mais complicado, os amigos e parentes não terão onde estacionar e os clientes vão comprar em outra freguesia. Ganhou destaque a afirmação de uma comerciante assustada com a possibilidade de perder consumidoras, senhoras milionárias que não conseguirão pedalar de salto alto. Conseguem se quiserem, mas não precisam, pois podem estacionar seus carros um quarteirão ao lado e caminhar até a loja como fazem nos shopping centers, por exemplo.

Os ciclistas contra-atacaram e abriram petição pública com o objetivo de mostrar o apoio da população à ciclofaixa de Moema, além disso vão colocar suas roupas mais bacanas e seus sapatos de salto alto e promover uma bicicletada chic, batizada “Milionárias de Bike”, no dia 19 de novembro, sábado, a partir da uma da tarde (atenção para a data, pois o evento foi adiado). Querem mostrar que a bicicleta não afasta, agrega. Não congestiona, faz fluir. Não desvaloriza, ao contrário, pois Moema pode se transformar em referência para todas as cidades brasileiras como “um bairro alinhado com a mobilidade urbana em favor de pessoas”, como ocorre com Londres, Paris e Nova Iorque.


Leia o post completo no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

A foto deste post é da Ciclofaixa de Moema e foi tirada por André Pasqualini do Blog O Bicicreteiro

E segue o desrespeito ao espaço público

 

Rua ocupada

Por falar em desrespeito ao espaço público, é um mistério os motivos que levam a CET e a prefeitura de São Paulo a permitirem que o dono desta mansão no bairro do Morumbi impeça o estacionamento de carros diante de sua residência. Todos os dias, o privilegiado morador de São Paulo coloca cones e fitas para delimitar o local impedindo que cidadãos comuns tenham o direito de parar seus automóveis por ali. A rua onde o desrespeito se repete é a Albertina de Oliveira Godinho, uma travessa da Oscar Americano, do lado contrário do Hospital São Luiz. Se a Companhia de Engenharia de Tráfego tiver dúvidas, basta acessar o Google Earth e verá como é possível transformar em privado o espaço que é um direito do público, pois a imagem está “eternizada” na internet, também.

Canto da Cátia: Corre, corre que o carro pega !

 

Faixa de pedestre

Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto sobre o Programa de Proteção ao Pedestre

A moça corre para alcançar o outro lado da calçada ao ver o sinal vermelho para pedestres, em faixa de segurança diante do prédio da prefeitura. A imagem é da Cátia Toffoletto que está de volta à CBN após período de férias e, logo cedo, foi cobrir o início de mais uma etapa do Programa de Proteção ao Pedestre. O comportamento dela é típico do cidadão acostumado ao desrespeito, pois sabe que assim que o sinal verde surge para os carros, seus motoristas saem em disparada ou metem a mão na buzina. A lei é clara, diria o ex-juiz de futebol: o pedestre tem preferência e os carros só podem arrancar depois que ele deixou a faixa de segurança.

A cena revela a dificuldade que a prefeitura terá para mudar a cultura que impera na capital paulista e demais centros urbanos, com as exceções de praxe. O motorista se sente o dono da rua e o pedestre age com medo. Não é para menos, morrem dois por dia na capital, realidade que se pretende mudar com o programa que funciona apenas em alguns cruzamentos do centro de São Paulo.

Desde hoje, a CET está multando o motorista que não der preferência ao pedestre, em punição que varia de R$ 85,12 a R$ 191,53. Mas apenas nos pontos identificados como mais perigosos do centro paulistano. Estes locais onde a operação é intensificada e controlada servirão de exemplo para o restante da cidade, ao menos esta é a intenção da prefeitura que, pela primeira vez em muitos anos, dedica esforço no sentido de proteger o pedestre na faixa de segurança.

A operação também pretende educar os pedestres, pedindo para que eles evitem cruzar fora da faixa, onde elas existem e estejam bem sinalizadas, lógico. Aliás, a prefeitura poderia fazer um mutirão e pintar todas as faixas de segurança na capital, ajudaria bastante.

Aos que pedem punição aos pedestres infratores, duas informações: primeiro, apesar do Código Brasileiro de Trânsito prever a punição aos pedestres, ainda não foi regulamentado como expedir a multa; segundo, pedestre não é punido com multa, mas costuma ser com a vida.

Um ótimo sinal para as bicicletas

 

Rota de Bicicleta

Foi agradável a surpresa neste fim de semana ao me deparar com esta imagem aí de cima, no Brooklin Velho, em São Paulo. Sinalização horizontal e vertical alertando motoristas de que esta via é uma rota de circulação de bicicletas. A rua é a Miguel Sutil que corre paralela a avenida Chucri Zaidan, larga suficiente para que o pedal seja feito de forma segura.

Na busca pela internet, descubro que a prefeitura paulistana promete entregar a primeira ciclorrota, nesta semana, com extensão de 15 quilômetros, ligando os parques do Cordeiro, na avenida Vicente Rao, e Severo Gomes, ao lado da avenida Santo Amaro, à avenida Jornalista Roberto Marinho. A velocidade máxima dos carros será reduzida para 30km em lugar dos 40 e 50km permitidos até agora.

Falamos sobre a iniciativa da CET recentemente aqui mesmo no Blog (leia aqui) e alertamos para a necessidade de projetos como esses serem discutidos com os ciclistas para que não se transformem em rotas perdidas. Semana passada, o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego, Marcelo Cardinale Branco, participou de seminário “Melhoramentos Cicloviários para a cidade de São Paulo”, promovido pelo Instituto CicloBR, no qual o tema foi debatido. Em virtude de minhas férias, ainda não consegui conversar com as pessoas que estiveram no encontro e, portanto, não sei dizer, agora, o quanto se avançou no tema. Prometo levantar isto para você que acompanha este blog.

Seja como for, placas chamando atenção para a circulação de bicicleta são um ótimo sinal para quem luta por uma cidade-cidadã.

Cidadania conquista rotatória em cruzamento perigoso

 



Por Marcos Paulo Dias
Ouvinte-internauta e colaborador

Lembra-se da rotatória improvisada de pneus velhos (leia aqui) ? Uma ação que partiu de moradores devido ao alto índice de acidentes no cruzamento das ruas Dr. José Ferreira Crespo e José de Aguiar, no Jardim São Vicente – São Miguel Paulista, zona leste.  Pois é, no mesmo dia que você levou ao ar (07/10/2010), o trabalho artesanal  dos moradores e comerciantes atraiu a atenção do Poder Público. O pessoal  da CET e subprefeitura tratou de dar uma passadinha no local  para  conferir. Depois de 10 dias, a rotatória oficial  foi construída.

Hoje estive lá e encontrei  Marcelo Macedo e Marcos Rogério,  comerciantes , dupla que fez parte da construção da rotatória  de pneus. Eles lembram dos acidentes que ocorriam no cruzamento e das  diversas vezes que construíram junto com os moradores rotátorias de pneus velhos – parte doados, parte comprados: “com a construção da rotatória acabaram-se os acidentes”. Um mural foi montando no comércio deles com  reportagens  que foram publicadas nos veículos de comunicação.

Foto-ouvinte: Rotatória improvisada reduz acidentes

 

 

Rotarória de pneus

Por Marcos Paulo Dias
Colaborador do Blog

Fui surpreendido ao passar no cruzamento das ruas Dr. José Ferreira Crespo e José de Aguiar no Jardim São Vicente – São Miguel Paulista, zona leste – por uma rotatória improvisada com pneus velhos, alguns comprados outros doados. A ação  partiu de moradores devido ao alto índice de acidentes ocorridos neste cruzamento e a falta de ação do  poder público.

Fui até lá  conversar com os  construtores-moradores.

Marcos Rogério disse que “no local já houve até capotamento  e vários acidentes envolvendo motos e veículos, inclusive de transporte de passageiros”. É a segunda rotatória que constróem. A primeira, a CET  retirou.

José Aurino Soares falou que está cansado de ver  tantos acidentes na porta de casa, um deles chegou  a derrubar  o portão e mostrou os sinas na árvore que também foi diversas vezes atingida.

Marcelo Macedo contou que se não fosse o “orelhão” um carro teria invadido seu comércio. Comentou, também, que a construção da rotatória de pneus reduziu o número de acidentes. O amigo dele Francisco Dias, um dos idealizadores, disse estar preocupado pela falta de sinalização e fiscalização: “é  preciso ser feito algo urgente , pois  há grande fluxo de veículos , já registraramos  vários protocolos , mas até agora não fomos  atendidos”.

Em um desses protocolos, que tenho em mãos, registrado por Marcelo Fernando Macedo (CE DAM 7855/09/10  PS 00.25.16523/10-60- REf. C5867899), a resposta é para que os moradores aguardem oportunamente os resultados da análise e um posicionamento sobre a questão. Quem assina é Enso Egídio Simoni do Departamento de Atendimento ao Munícipe – DAM.
 
No local,  é grande a  circulação de veículos e pedestres, sem contar que a menos de 50 metros existe uma escola pública.

Foto-ouvinte: Esquina da batida

 

Acidente de carro

Batidas de carros não são novidades no cotidiano dos moradores da Alameda Itu e Ministro Rocha Azevedo, nos Jardins. Em média, um por dia, calcula a ouvinte-internauta Lena Cardoso: “em alguns dais chegamos a três”, escreveu. Segundo ela, o pedido para que um sinal de trânsito fosse colocado no local não surtiu efeito até agora, pois a CET alega que não poderia fazer isto em uma ladeira. Leda, além de lembrar que em outras ladeiras da capital o semáforo está lá a organizar o trânsito, salienta que neste cruzamento as crianças que saem do Colégio Dante Alighieri “tentam atravessar por sua própria conta e risco”. O farol amarelo piscando não é suficiente para evitar os acidentes, comentou no mesmo e-mail em que enviou fotos de acidentes que ocorreram no dia 20 e 22 de setembro