Dona Lola

Por Fernando Gallo
Blog Miradouro

Agora que começa a passar o luto da morte do marido, companheiro da vida toda dos tempos de Barcelona, Espanha, onde nasceram, e de Córdoba, Argentina, onde foram viver, dona Lola, avó da minha amiga Soledad Miralles, começa a sair de casa novamente.

Tem buscado em um centro de convivência para aposentados, gerenciado pelo governo de Córdoba, algo que preencha o novo vazio de seus dias.

Sim, porque mesmo que a ela, como à maioria dos amigos que fez, falte dinheiro, a província não deixará que lhe falte um mínimo de dignidade para levar os dias que lhe restam.

Para isso, não paga mais do que 10 pesos mensais, algo em torno de 7 reais, e nesse centro, além da companhia, que vem espantar os fantasmas, encontra um cabeleireiro que lhe põe os ralos brancos cabelos em dia, uma manicura que lhe corta as unhas e um clínico geral que cuida para que chegue ao último suspiro com a melhor saúde de que seu organismo disponha.

Também lá, pode comprar – e tem comprado, uma vez por mês, ao menos – por 40 ou 50 pesos, pacotes de viagens para cidades da própria província, ficando às vezes um final de semana, às vezes até 4 dias fora.

– Claro, são quartos coletivos, a comida muito simples e o banheiro às vezes fica fora, e nós temos que caminhar uns 50 metros para chegar até ele. Mas é tudo limpo e organizado e ninguém reclama. Todos têm a opção de não ir, mas está sempre cheio – conta ela.

Dona Lola têm sido verdadeiramente cuidada pelos seus governantes agora que, aos 78 anos, a potência e as possibilidades vão se esvaindo, e tudo o que ela agora mais precisa é justamente disso, cuidado.

Fernando Gallo é repórter da CBN e escreve com mais quatro amigos para o Blog Miradouro. Vá até lá e conheça outros textos desta turma.

3 comentários sobre “Dona Lola

  1. Bom dida Fernando

    Em quanto isso no Brasil os nossos velhinhos, as vezes nem tão velhinhos assim, morrem nas filas do SUS, do INSS dos hospitais publicos, são abandonados pela propria familia, etc.
    Sei o que passei como filho unico com meus pais sem plano de saude.
    Belo texto e que sirva de exemplo para os nossos governantes brasileiros que só pensam neles em todos os sentidos
    Abraços
    Armando Italo

  2. armando,
    eu fiquei perplexo quando soube da história. porque é tão simples, e não custa muita coisa. um médico, uma manicura, um cabelereiro…
    por que não aqui também?
    abraço

  3. Verdadade Fernando
    E olhe que temos o Estatuto do Idoso!!!
    Mas os governantes e politicos não estão nem ai para o estatuto.
    Veja a nossa saude publica o caos a miséria que se encontra e cada dia fica pior!
    Só quem tem condições de pagar um carissimo plano de saude ou encaminhar os seus idosos para uma decente casa de repouso e assim poderem receber os cuidados dignos nescessários, pois filho não é medico.
    Abraços
    Armando Italo

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