O Brasil de Dunga jogou futebol de verdade

Direto da Cidade do Cabo

Futebol de verdade não é aquele sonhado por muitos de nós. Em que os jogadores driblam de maneira impressionante, fazem jogadas fantásticas e gols cinematográficos, que hoje em dia costumam aparecer muito mais na publicidade do que em campo. Lá dentro do gramado, a realidade é muito mais dura, é necessário dar de bico para espantar o perigo, suar a camisa para impedir que o adversário chegue até sua área, romper barreiras formadas por brutamontes para alcançar o gol, agarrar a camisa, o calção, às vezes a própria bola. Se houver possibilidade, faz-se o lance genial, o que é cada vez mais raro, haja vista o que ocorreu nas 28 partidas disputadas nesta Copa da África até o Brasil entrar em campo para enfrentar a Costa do Marfim.

Era o jogo mais difícil desta chave, alertavam os críticos. A melhor seleção do continente africano tinha ainda a presença de Drogba, considerado por alguns o melhor atacante do mundo. A marcação forte, a velocidade de todos seus jogadores e a categoria de alguns são elementos temidos por seus adversários. Além disso, o futebol da estreia brasileira, mesmo que eficiente e equilibrado, ainda gerava dúvidas.

Hoje, a seleção de Dunga mostrou que não será apenas mais uma convidada nesta Copa. É protagonista do jogo mais impressionante até aqui, pois além da dedicação necessária para encarar as estratégias defensivas e físicas impostas no futebol moderno, o Brasil mostrou talento. Foi muito além do time de abnegados do primeiro jogo.

O confronto entre Brasil e Costa do Marfim teve todos os ingredientes de um jogo de futebol. Jogadores se movimentando com rapidez e sendo acompanhados por uma troca de passe interessante como a que resultou no primeiro e terceiro gols brasileiros. Talento individual e categoria como no segundo, marcado por dois chapéus no adversário. E a sagacidade que resultou no único gol marfinês, de cabeça.

Não faltaram os elementos da dramaticidade, como a dividida de bola da qual Elano não se eximiu e pagou caro por esta decisão de coragem. Nem o confronto corporal que puniu o bom-moço Kaká, errado apenas no lance em que recebeu o primeiro cartão amarelo. Como condená-lo, porém, se o que fazia era somente participar de um jogo de futebol de verdade.

Talvez até o árbitro atrapalhado e “engraçadinho” que fez lambanças em campo capazes de ajudar e prejudicar o Brasil, tenha estado lá para contribuir com este espetáculo. Fosse ele rigoroso, o lance mais bonito da partida, provavelmente teria sido anulado. Apesar de que preferia ter visto alguém mais bem capacitado para colocar ordem na casa.

Pra completar, tivemos um personagem. Luis Fabiano com seus dois gols, um marcado pela força e precisão do chute, e outro pela esperteza e categoria ao encobrir três marcadores em espaço restrito da área. Na seca havia seis partidas, o atacante deveria estar sofrendo na sua intimidade, pois sabe que do gol depende sua subsistência. Não poderiam ter ocorrido em momento mais oportuno e de forma mais bonita. Ele é o goleador da Era Dunga com 21 gols marcados em 28 partidas.

O futebol de verdade é feito de sangue, suor e talento. A seleção brasileira nos ofereceu tudo isso na vitória de hoje e, não por acaso, está classificada antecipadamente para a próxima fase da Copa da África. Mérito de Dunga, fiel a suas ideias, confiante em seu exército de abnegados e crente de que a qualidade técnica deles levará ao título de campeão do mundo.

4 comentários sobre “O Brasil de Dunga jogou futebol de verdade

  1. Ai Milton
    Tá frio ai né?
    Aqui em SP agor as 19h 25 graus e com as vuvuzelas.
    A seleção brasileira hoje, parece que soltou a granga, jogou o que podia e o que não podia.
    Toque pra lá, toque pra cá, tabelinhas, passes de calcanhar,
    Cacá expulso sei lá porquê pelo “suposto juiz francês”, aláz, se não estou enganado, o nosso ex adversário veio de uma ilha de dominio francês.
    Chapeus, entortadas, até um “gol de jump” saiu!
    e não era basquete!
    Valeu seleção brasileira!
    E que venham os próximos que ainda gostam de afirmar que provavelmente ganharão do Brasil de tres, quatro, a zero!
    Manda noticias do Elano por favor.

    Abraços
    Armando Italo

  2. Grande Milton, Parabéns ao Brasil. Jogou bola como gente grande. Só não entendo o motivo de tanto ódio do Dunga contra a imprensa. O Dunga parece uma criança mimada que recebeu um não dos pais. Ninguém pode falar nada que ele espera a oportunidade e manda bronca nos repórteres. O Brasil ganhou tá classificado, tá na hora do Dunga relaxar e curtir um pouco essa vitória respeitando o torcedor que tá querendo ouvir coisas positivas sobre o time e como o Brasil pretende se preparar para as partidas futuras. A briga dele com a imprensa ele guarda para depois de vencer ou não a Copa e sai no ataque, mas agora toda coletiva a expressão dele muda e a raiva é visível. "Dunga, a vida é curta e temos que aproveitar os bons momentos. Não vale a pena se estressar antes do fim da Copa. Como diria Marta Suplicy, Relaxa e goza". A preocupação de toda comissão técnica era com o Kaká que estava se recuperando de uma lesão. Ora bolas, se já era 35 do segundo tempo e já havia rolado um estresse com o Kaká e o Jogador da Costa do Marfim., eu que sou leigo no futebol pensei: É melhor colocar um reserva para substituir o Kaká antes que alguém dê uma entrada mais dura no atleta como aconteceu com Eleno e Luis Fabiano. Tem banco para que? Mas não, o Kaká ficou e foi expulso. É o tipo da expulsão que poderia ser avitada se o Dunga não fosse tão teimoso. Espero que ele não fica bravo comigo. "Dunga, torço para o Hexa do Brasil, só não gosto do seu jeito marrudo e parace que sempre tem que provar que vc é competente. Joga o jogo e se diverte. De novo a defesa do Brasil ficou perdida e tomou o gol. Parece coincidência, nos dois jogos o Daniel Alves entrou e o Brasil tomou o gol. Brasil ganhando de 3 a 0 e a bola estava no meio de campo, Elano poderia ter evitado o carrinho sabendo que os atletas a C.Marfim jogam duro e entram para machucar. Graças a Deus que não foi nada sério com Elano. Um bom jogo onde teve mais acertos do que erros, mas os erros devem ser estudados e evitados nos jogos futuros. Mas o Brasil tem tudo para se dar bem, uma vez que os grandes times como França, Italia e Espanha estão fracas nessa Copa.

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