“Motorista não reconhece o outro como ser humano”, diz Roberto DaMatta

 

Acidente na Inajar de Souza

O comportamento dos motoristas brasileiros é agressivo e desrespeitoso porque somos uma sociedade que não aceita a igualdade de direitos e todos se consideram especiais. Enquanto isso, o trânsito é uma área pública onde não se pode oferecer privilégios, não é possível fazer rua pra rico e pra pobre, sinal diferenciado pra carro oficial ou comum. E isto causa mal-estar no Brasil.


Ouça a entrevista de Roberto DaMatta, ao CBN São Paulo

A análise é de um dos mais importantes antropólogos do País Roberto DaMatta que, em entrevista ao CBN São Paulo, disse que os motoristas “nem reconhecem o outro como ser humano, a menos que se envolvam em um acidente”. Do olhar dele, resultado de pesquisa realizada em Vitória, no Espírito Santo, também não escapa o pedestre: “é brasileiro, pertence ao mesmo estilo de vida do motorista e também faz a gambiarra dele”.

Para DaMatta, a grande questão é como mudar este traço cultural do País, que aparece com clareza no trânsito pois o abuso produz mortes e se transforma nesta epidemia de acidentes que estamos vivendo. “Precisamos atacar a raiz do problema, pois no fundo somos uma sociedade com resíduos aristocráticos muito fortes”.

Lembra que o brasileiro vive um paradoxo, pois “gosta de chefetes, Duques, de gente importante, o número 1 da música e do rádio, e ao mesmo tempo é uma sociedade democrática”.

Ele defende a repressão policial, com multa e carteira cassada, mas lembra que a transformação se dará apenas quando houver um pacto social capaz de criar a consciência de que a lei está aí para melhorar a nossa qualidade de vida. “Só pode educar bem se tocar no coração e na cabeça do cidadão”, ensina.

O livro “Fé Em Deus e Pé na Tábua” é resultado de pesquisa desenvolvida por DaMatta, João Gualberto Moreira Vasconcellos e Ricardo Pandolfi, encomendada pelo governo do Estado do Espírito Santo.

10 comentários sobre ““Motorista não reconhece o outro como ser humano”, diz Roberto DaMatta

  1. Prezado Milton Yung,

    O brasileiro gosta de reis e rainhas, por exemplo: Rei do futebol, Rainha dos baixinhos, Princesas e princípes. Agora, o pior dos títulos: COMENDADOR! Deus me livre. rs rs rs

    Abraços,

    Nelson Valente

  2. Prezado Milton Yung,

    A Expressão do guarda de trânsito traduziu o horror de que estava impregnado: “Perdemos um Iraque por ano em acidentes de trânsito”. De fato, o Brasil detém esse lamentável recorde, morrem 50 mil pessoas por ano em acidentes de trânsito e 350 mil ficam feridas. Há 1 milhão de acidentes anuais.
    Quando estive em Tóquio,em 2008, impressionei-me com a divulgação em paineis, colocados em pontos estratégicos, informando o número de acidentes daquele dia (até o momento). Eram dados incríveis, que serviam como alerta para os que gostam de correr em demasia.
    Pois na capital de São Paulo, que tem a metade do número de automóveis de Tóquio, morre diariamente o dobro de vítimas, o que demonstra claramente a irresponsabilidade com que se dirige em nosso país. Corre-se demais, não se usa adequadamente o cinto de segurança e há muito motorista que dirige depois de ter bebido em excesso. Os resultados de toda essa ação indesculpável são facilmente previsíveis.
    Assim, é defensável a iniciativa de estabelecer a campanha: Não dirigir quando beber.Esse é o código. Para que essa consciência se crie, no seio da nossa população. Há muita gente achando que já se ministra coisa demais, nas escolas brasileiras, mas sou favorável a esses ensinamentos. Os pais, mais uma vez, poderão ser educados por intermédio dos filhos. E aprenderão também a não dar automóveis a quem ainda não tem maturidade para isso. Em muitos casos, essa antecipação tem sido fatal.
    A mentalidade do Sul do país é muito diferente: o empresário participa mais das questões educacionais, a partir da compreensão de quem por aí se traça o caminho do desenvolvimento.
    O resultado é que existe uma forte participação comunitária em todos os projetos. As autoridades estão conscientes dos “experts” para não dizer das bestas-feras do volante que circulam pela cidade. Proposta de uma campanha de Paz no Trânsito: Não beba ao dirigir.

    Abraços,
    Nelson Valente

  3. Me faz lembrar de algumas situações engraçadas:

    Quando da duplicação da Fernão Dias, ou em algum caso de acidente em que a estrada ficava bloqueada, os carros todos ficavam parados e desligados e todos os motoristas ficavam conversando numa boa. Quando era liberada a pista eram todos deuses dentro de seus carros, esquecendo que eram humanos. Uns querendo ser melhores do que os outros, sem respeito algum. Vai entender ….

  4. Olá MIlton
    Bom dia
    Assim expressou Joseph Campbell:” _“Onde você tropeça aí estará o seu tesouro “
    O trânsito depende de todos nós – motoristas e pedestres. Entretanto, para repreender os que desrespeitam as normas de condutas e se envolvem nos acidentes, existe a Lei. Pre Na dúvida não ultrapassa, quem bebe não dirige, os sem carteiras e o menor de idade não podem conduzir veículos motorizados. Não se fala em celular ao volante, não se deve avançar sinais proibidos, cortar pela direita, não permanecer parado em frente as escolas, não buzinar em frente a hospitais, dá passagem a pedestre nas faixas de segurança, e tantos outros …Mas todos respeitam essas normas? Deveriam, pedestres e motoristas. Aprender como se vive bem e melhor, numa sociedade dita civilizada, seria ecologicamente correto. O meio ambiente agradece e a sociedade teria bons motivos para viver melhor. .
    Enfim ,tudo pela educação .Deixar que a consciencia venha despertar a razão através do coração.. Basta acreditar que a humanidade deve ser mais humano

    Luciah Rodriguez

  5. As vezes nem mesmo num acidente o motorista reconhece o outro como ser humano. Pois vivemos numa sociedade onde cada um só pensa em si mesmo. A Educação é um gesto que infelizmente está em extinção. A Educação e o respeito com o próximo vem de berço. Não existe faculdade ou MBA que ensina o ser humano a ser gentil, ético, educado e respeitoso com o próximo. Infelzmente as faculdades, MBA, Pós-gradução, e vários workishopings ensinam cada vez mais o individuo a ter sucesso a qualquer custo, tem que vencer na vida a qualquer custo, e tem que ser o melhor em tudo. E tem que ganhar destaque na vida custe o que custar. Infelizmente a Lei de Gerson ainda faz parte da vida de muita gente.

  6. A alguns anos deixei de ter automovel por opção.
    E viva a liberdade!
    Se por acaso tenho que realizar alguma viagem rápida, alugo um automovel.
    Depois só devolver para a locadora.
    Outro dia uma garota em um destes carrões da moda, que todos agora tem, parecidos com tanque alemão utilizado na segunda guerra, os panzer, a garota ao ser fechada por um taxi dirigido por um motorista idoso, passou a destratar o taxista raivosamente, discriminá-lo chamando-o de velho gagá, entre outros adjetivos.
    Acabou presa por cometer crime de discriminação e maus tratos a idosos.
    Sem direito afiança, pois existiam testeminhas.

  7. Numa batida, primeira coisa que o motorista faz e verificar se o seu carro amassou muito. Depois ele vai até o outro carro para saber se o motorista se machucou. Tem casos em que o motorista já vai pra cima do outro com violência e não quer nem saber se outro esta ferido ou não. Tenho um amigo que fala o seguinte: Se bater o seguro paga. Ou seja ele só está preocupado com o material e não com o ser humano que está num outro carro que se morrer não há seguro nenhum que vai pagar a vida de um pai de família.

  8. Certamente aspectos de nossa formação impactam no comportamento dos brasileiros na várias dimensões da vida social (como já afirmara Sérgio Buarque de Holanda). No trânsito, motoristas sempre tratam as leis como parte da “indústria da multa” (não estou negando que ela realmente não exista), sem refletir que as infrações no geral, decorrem de medidas que visavam o respeito ao outro e a vida. É só ver que onde não há radar ou algum agente fiscalizador, há sempre alguém efetuando alguma irregularidade no trânsito.

    No entanto, ao contrário do afirmado, o trânsito é sim uma área pública onde se pode oferecer privilégios, é sim possível fazer rua pra rico e rua pra pobre. Basta sair nas ruas de São Paulo para verificar isso. É visível o privilégio que é dado na cidade ao trânsito de veículos motorizados particulares, em detrimento do pedestre, do transporte público, das bicicletas etc. Um ex-presidentes da CET certa vez disse que seria possível melhorar a segurança do trânsito na cidade, mas por gerarem prejuízo ao fluxo dos carros, as medidas necessárias seriam inaplicáveis (http://is.gd/gRSI3).

    São Paulo é uma cidade de visível segregação espacial, com a maior parte da população pobre da cidade vivendo nas bordas da cidade, em suas periferias. Essas pessoas dependem, em sua maioria, do transporte público para se locomover na cidade, no geral para irem ao trabalho (localizado nas zonas centrais da cidade). Ao privilegiar o automóvel a cidade acaba sim por gerar ruas para “ricos”, as ruas deixam de ser um espaço de convivência social para tornarem-se apenas vias de fluxo de veículos, no geral, particulares.

  9. Nos dias de hoje.nas grandes cidades o automovel além de ser um bem por mim considerado improdutivo, estressante os custos para manter uma armadura dessas e altissimo sobre vários aspectos.
    e com a enorme desvantagem de desvalorizar tremendamente logo após a retirada da concessionaria.
    Só fazer as contas.
    Tô fora de automoveis.
    Mas o paulistano por morar em uma cidade onde lazer natural inexiste, não e cidade praiana, uma das alternativas de lazer, “se diverte” com automoveis.
    Honestamente, não sinto a menor falta de um.
    Muito pelo contrário.
    As pessoas, mudam de personalidade, de conduta, de atitude, de comportamento apartir do momento que entram num automovel.
    Só que, por ironia do destino, não estão cientes que estão menos seguras num deles.

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