Odeio os aeroportos

 

Por Milton Ferretti Jung

Desde abril não viajava de avião. No último dia 5, convidado que fui a participar ao lado do meu filho do programa Papo Aberto, apresentado por Gabriel Chalita na TV Canção Nova, precisei ir a São Paulo, o que fiz com enorme satisfação, como lembrei no texto que postei neste blog no dia 11 do corrente, eis que o convite do Chalita me proporcionou reencontrar o ramo paulista de minha família, o Mílton, a Abigail e os netos Gregório e Lorenzo. Quando eu narrava futebol pela Guaíba de Porto Alegre, sempre que podia, evitava viajar, não por ter medo de voar, mas é que já naquele tempo detestava aeroportos. E notem que então eram raros os vôos que saíam com atrasos enervantes ou, como acontece frequentemente agora, nem decolavam. Ninguém imaginava que haveria um 11 de setembro trágico envolvendo aviões dos Estados Unidos em atentados que abalaram o mundo. O reflexo da fatídica data se faz sentir, hoje em dia, principalmente nos aeroportos.

Aqui no Brasil não tinha ainda me deparado com o que me pareceu uma certa paranóia dos agentes fiscalizadores de bagagens e passageiros em vôos domésticos, o que me chamou especial atenção. Fui e voltei à Argentina com minha mulher sem enfrentar problemas ao cruzar a fiscalização de embarque. Claro, existem regras que precisam ser obedecidas. Nos bons tempos não se fazia necessário, por exemplo, que a gente se preocupasse com a capacidade das embalagens de líquidos, que agora não podem ultrapassar 100ml, na bagagem de mão.

Tanto na minha ida como na volta, no Salgado Filho e em Congonhas, passei por experiência desagradável. Com minha bagagem de mão não houve. Já,no entanto,quando cruzei aquele portãozinho (sei lá como é o nome técnico da coisa), o apitinho soou. Não levava nada no bolso capaz de provocar o maldito som. Quase me viraram ao avesso. – Tira o cinto! – mandou um “simpático” agente. Tirei o cinto e o relógio, mas me mantive calçado. No retorno a Porto Alegre, porém, nem os sapatos pude manter nos pés. Será, pensei, que tenho cara de terrorista? Diz a resolução 168 da ANAC, entre outras coisas, que os critérios para os casos em que passageiros e bagagens devam ser submetidos à inspeção mais detalhada são definidos pela Polícia Federal. Pelo jeito, dei azar. Ou os agentes escalados para os dias em que viajei dormiram mal e resolveram me fazer dançar. É possível também que tenham gostado de me “massagear”. Nem os idosos, atualmente, merecem respeito. Cada vez mais, odeio aeroportos.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

4 comentários sobre “Odeio os aeroportos

  1. Pois é, Tio Milton! Viajar de avião (ou andar de avião, como se diz por aqui) virou um verdadeiro inferno. O turismo – uma das boas coisas da vida – que nos permite conhecer outros lugares, culturas, reviver a história, etc, cobra um pedágio caro que é o transporte aéreo. Não sei se serve de consolo, mas isto se verifica no mundo inteiro…. digo isto pois nós, brasileiros, estamos lamentavelmente acostumados à bagunça generalizada quando se fala em prestação de serviços por agentes ou concessionários de serviços públicos. E chegamos a ponto de haver um processo judicial movido pelo Ministério Público, já que interesses difusos, para definir o espaço mínimo entre os assentos das aeronaves. Ora, se é o Judiciário que vai interferir para definir isto, é porque a coisa não tem jeito mesmo. Não sei se não é como o nosso Grêmio…. está ruim e vai piorar!!!

  2. Prezado Sr Milton pai
    O caos que vivemos no Brasil deve-se a ANARC E A INFRAZERO.
    Só que vive em aeroportos e ou viveu sente na pele martirio e a via crucis que tem que enfrentar.
    Sem esquecer do péssimo serviço oferecido por algumas cias aéreas onde passageiros são tratados, despachados e transportados como gado, por causa da configuração dos assentos.
    Ser passageiro, tripulante de avião hoje em dia não é tarefa das mais fáceis.
    E viva a copa de 2014!
    Tudo pela copa!
    O resto que se exploda!

  3. Foi oportuna a lembrança dos meus caros Altair e Comandante Italo sobre o espaço miserável destinado aos passageiros de algumas aeronaves. Mesmo assim,sigogostando de aviões. Lamentavelmente,eles necessitam pousar em aeroportos.

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