Santa palmadinha

 

Por Milton Ferretti Jung

O Executivo – leia-se Governo Federal – encaminhou ao Congresso Nacional, em julho de 2010, mais um projeto capaz de gerar polêmica. Trata de assunto muito delicado e sujeito a diversas interpretações. Refere-se à proibição de que os pais castiguem seus filhos corporalmente. Não faz muito, a proposta foi debatida em audiência na Comissão Especial sobre este assunto. A previsão é de que o projeto seja votado em dezembro. Para Daniel Issler, juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça, a iniciativa é elogiável. Fez, porém, uma ressalva: ”Ninguém de bom senso irá defender que a violência seja aceitável como forma de educação. A violência não é pedagógica, mas a educação está muito longe de ser simples”. Acrescentou que são necessários ajustes. Concordo inteiramente com o que ele disse, em especial, o que está na última frase do trecho entre aspas.

Vou escrever acerca da minha experiência pessoal nesta questão, primeiro como filho, depois como pai e com o que sei do comportamento dos meus filhos em relação aos deles, que são quatro, dois em São Paulo e mais dois em Porto Alegre. Não fui, na minha infância, um carinha dos mais comportados, tanto que acabei sendo internado aos doze anos e permaneci por um período e meio num colégio distante 120 quilômetros da casa paterna. Naquele tempo, internar os filhos mal comportados era prática comum, embora aumentasse consideravelmente os gastos dos pais com a educação. Antes disso, lembro de ter recebido petelecos da minha mãe. Meu pai apenas ficava brabo. Logo, o maior castigo que sofri, foi o internato. Já no que diz respeito aos meus filhos, geralmente era a mãe deles que se encarregava dos “castigos”. Um vez, quando o Beira-Rio iria ser inaugurado, o comandante deste blog foi flagrado por mim balançando uma bandeirinha do Inter. Gremistão doente,fiquei furioso. E dei um tapa na bunda do Mílton. Nunca lhe perguntei se ainda lembra do ocorrido. Envergonho-me até hoje sempre que o incidente me vem à cabeça.

Duvido que os meus filhos tenham necessitado “castigar” os meus netos, todos muitíssimos comportados e cumpridores dos seus deveres. Não fiz por merecer, em matéria de comportamento, os filhos e os netos que tenho. Tenho certeza, por outro lado, que não fui um mau pai. A propósito de castigos corporais, escrevo para finalizar, que aos pais cabe não confundir educação com castigo violento ou humilhante. Espero que o projeto, se aprovado, não impeça santas palmadinhas e evite, isto sim, todo e qualquer exagero. É conveniente não esquecer que a educação começa em casa.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

7 comentários sobre “Santa palmadinha

  1. Caríssimo Milton pai
    Hoje pais trabalham fora, deixam filhos com estranhos, matriculam em escolas onde os alunos são considerados como clientes chegando ao absurdo de os lunos avaliarem os professores numa total inversão de valores.
    Temos o ECA e por ai vai.
    Assim vemos crianças mimadas, “cheias de vontade e de razão”, podem tudo e mais um pouco.
    ai vemos os resultados na midia:
    Matam professores, pais, avóes, irmãos, tios, amigos, colegas, etc a exemplo do garoto com dez anos que atirou na professora no ABC e se matou.
    Quando atingem a maioridade os pais, mestres, professores, chefes, parentes passam a ser seus suditos, empregados, podem tudo, encher a cara de alcool, sair pelas ruas causando seríssimos acidentes de trânsito, chegando ao absurdo de assassinar inocentes.
    Entre outros absurdos.
    Ai os pais levam-nos a carissimos psicologos, terapeutas para ver se “conseguem domar a ferinha” e mais dinheiro voando!
    Fui também um garoto peralta, criado na rua na ex periférica Vila Olimpia, grana curta pois era bairro operario, hoje faz parte dos jardins.
    Então já viu como é a criançada hoje em dia naquele bairro que foi um dia periferia e distante bairro do centro da cidade.
    A molecada na minha infancia foi criada também com um tipo de terapia, hoje nao mais aplicada e proibida!
    A TAPOTERAPIA.
    E como funcionava
    O mais interessante que “era de graça”
    Abraços
    Armando Italo

  2. Olá Miltão tudo bom? (desculpe mas acho o Miltão mais carinhoso, me perdoe se estiver errado)

    Tenho minhas restrições sobre corrigir uma criança com qualquer tipo de agressão, por mais leve que seja. Minha discussão nem é sobre a lei se é correta ou não, mas é o que eu acho mais correto e eficaz.

    Claro, sempre fui uma criança que aprontava muito, mas era por excesso de energia e raras vezes por malvadeza e sempre que isso aconteceu me arrependia muito. Quando criança cansei de tomar “corretivos” dos meus pais e foram várias vezes que apanhei sem culpa. Teve uma ocasião que chegamos de férias em casa e havia uma multa em casa e só não apanhamos porque no dia da referida infração estávamos a quilômetros de distância dali e justamente com meu pai.

    Não gosto de violência que inconscientemente passamos uma mensagem para a criança que essa é uma maneira de resolver seus problemas. Repare nas crianças quando estão brincando e resolvendo seus problemas, veja que aquelas que mais apanham acabam reproduzindo a mesma técnica usada pelos pais, já as que raramente apanham ficam sempre tentando argumentar.

    Hoje tenho um filho de 5 anos e prometi a mim que nunca iria bater na criança, mas sempre tive a preocupação de não deixá-lo liberal demais. Adotei a técnica do respeito, não só respeito demais meu filho como exijo o mesmo. Brinco demais com ele, nos divertimos juntos, dou muita atenção a ele mas sempre exigindo respeito e demonstrando meu descontentamento quando ele apronta. Sei que estou no caminho certo quando ocorreu o seguinte fato.

    Ele estava em casa brincando com minha sobrinha dois anos mais velha e minha mãe passou a repreender a menina, pedindo para ela arrumas suas tralhas e a criança fazia pouco caso, até que meu filho interveio “Vó, se a Naty não te obedecer, faz como meu pai, olha feio pra ela que ela te obedece”.

    Fiquei super orgulhoso pois sempre quis que meu filho não tivesse “medo” de mim como eu tinha com meus pais, mas sim um desejo de jamais me decepcionar.

    Há vida sem as palmadas que podem até ter funcionado na minha educação, mas garanto que muito da minha ira que me ocorre algumas vezes, vem dessa educação muito agressiva que tive em minha infância e hoje luto tanto para controlá-la.

    Abraços

    André Pasqualini

  3. Caro André,há um velho provérbio segundo o qual em cada cabeça,existe uma sentença. Vejo,os comentários acima,duas opiniões diferentes,fora a minha. Nenhuma está errada. O erros surgem por força der atitudes paternas exageradas.

  4. Quem diria… o Milton já foi colorado!

    Quem lê a Avalanche Tricolor é incapaz de imaginar uma coisa dessas…rs

    Santa palmadinha mesmo, deve estar com a marca até hoje, pelo menos a mudança de time foi radical.

    Abraços a todos e ótimo final de semana!

  5. Concordo e levei muitas santas palmadinhas e são beliscões e acredito que foram dados para minha educação . O principal é o AMOR e isto faz a diferença.
    Abraços Alegres.

  6. Você,provavelmente,não leu com atenção o texto do Mílton Jung,no qual ele relatou a sacanagem que um parente, metido a engraçadonho,aprontou,aproveitando-se da inocência infantil dele. Mílton Jung,o filho,jamais foi colorado,Aliás,graças a Deus.

  7. Prezado Milton Ferretti Jung,

    Tivemos época em que, para punir alunos faltosos, não bastavam palavras. O castigo corporal vinha de forma de palmatória ou até mesmo. Como aconteceu no meu período de escola, ajoelhar no milho. Ficar no canto da sala durante um certo tempo era das punições mais brandas.

    Com o avanço da psicologia e da psicanálise, que são relativamente recentes, valorizou-se o uso da palavra. Os professores e os pais mais esclarecidos repreendem os alunos e filhos faltosos com este instrumento poderoso e insubstituível de comunicação, que é a palavra. Uma frase dita na hora certa pode valer muito mais do que os castigos, que provocam ira, o que é contraproducente no processo educacional. Quem tem paciência para pesquisar sabe disso.

    Agora, em Portugal, mais precisamente em Leiria, parece que a escola se fixou na pré-história. Preocupadas com o barulho excessivo das crianças, as professoras passaram a usar fita durex na boca dos bagunceiros. Fez bagunça, não tem conversa: a mestra lacra a boca do infeliz por um certo tempo. E o que é pior: mandou que as crianças passassem a trazer de casa o rolinho de durex, para punir igualmente os pais, estes vítimas do prejuízo financeiro.

    Segundo uma coordenadora da escola ( nível pré-escolar, portanto crianças de menos de sete anos) o método foi aperfeiçoado no próprio estabelecimento do ensino. Depois de algumas reuniões com os seus especialistas, chegou-se à conclusão que tapar a boca é muito melhor do que bater, como se faz em outras escolas do país. Naturalmente, trata-se de uma triste e ultrapassada opção, que provocou a revolta dos pais, hoje protestando energicamente contra a violência.

    Há escolas no Brasil que ainda adotam essa forma obscura de educar. Professores que perdem a paciência com os seus alunos e os agridem, violentando o que se entende por processo educacional.

    Em minha opinião, trata-se de um caso de polícia, pura e simplesmente. Quando a escola brasileira era risonha e franca – e não foi há tanto tempo assim – os castigos corporais eram constantes. Ficar de joelhos sobre o milho ou feijão, para expiar alguma culpa, tornou-se comum, ao lado da palmatória. As diretoras à moda antiga dividiam com as professoras esse estranho prazer de agredir alunos rebeldes ou indisciplinados. Não estamos convencidos de que seja essa a melhor forma de educar. Agora, no entanto, parece que há uma crise na ciência do comportamento nas escolas brasileiras – chegam notícias de uma violência inaudita contra professores em sala de aula ou fora dela, sobretudo as de ensino médio.

    A agressão física cedeu espaço ao trabalho de convencimento verbal do educador em relação aos seus alunos.

    Chegou o momento de compreender que é preciso dar tratamento de choque à nossa educação, não apenas para resolver a violência em sala de aula entre alunos e professores a que fiz referência, mas, de um modo geral, resolver o problema do analfabetismo no país e melhorar as condições de ensino, do ponto de vista qualitativo e quantitativo, para professores e alunos.

    Abraços de quem o admira,

    Nelson Valente

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