Por Carlos Magno Gibrail

D.O.M. é o quarto melhor restaurante do mundo. Façanha significativa para uma gastronomia jovem em comparação aos concorrentes, ícones da cozinha internacional com acervos seculares. Mérito de Atala, o combativo e criativo “Chef”, que tem apostado no país como potência cultural e econômica.
O reconhecimento internacional através dos mais variados rankings e premiações, embora discutíveis para alguns quanto a validade, são indiscutíveis quanto aos resultados mercadológicos que proporcionam. E, certamente, esta colocação obtida em Londres no The World’s 50 Best Restaurants seguirá a tendência, consolidando os “gritos, assobios e aplausos” descritos no Estadão de ontem, recebidos por Alex Atala ao subir ao palco.
Tudo indica que as marcas brasileiras começam a ganhar o desejado espaço perante o mundo civilizado em áreas até então inacessíveis. Setores diversos, produtivos e de serviços deverão usufruir desta força Brasil que ostenta um PIB entre as seis maiores potencias mundiais.
Foi assim em outras nações. O Japão foi respeitado culturalmente, pela gastronomia, pela moda, pelo cinema após o fortalecimento de sua economia. A Espanha também. A Zara é um dos exemplos, assim como a gastronomia espanhola passou a ser mais percebida e todos os demais setores culturais.
Chegou a nossa hora. O esforço que setores como o futebol, o musical, o agropecuário e marcas como H.Stern, Alpargatas e Natura tiveram que fazer para se transformar em respeitadas instituições brasileiras globalizadas poderão sinergizar o apelo Brasil de agora e preparar marcas nacionais potenciais para o desafio internacional.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung
Excelente e rápida manifestação estimulada pela premiação do D.O.M. Importante salientar que marcas de sucesso hoje (Atala incluído) são caracterizadas pelo espírito de empreendedorismo, atitudes risk-taker e sintonia com inovação, características de quem está manifestamente ocupado em “reinventar” sempre o negócio, numa época onde as mudanças são avassaladoras e sobrevive (bem) quem muda na velocidade da luz.
Roseli Stier Azambuja, um dos aspectos que chama a atenção é a introdução de produtos essencialmente brasileiros nesta gastronomia de alta qualidade, inovação e contemporaneidade.
Quanto ao fator marca é expressivo que alguém com tanta expertise no tema como você endosse e aplauda o resultado alcançado por Atala.
Vale a pena entrar no site do D.O.M. e assistir o emocionado depoimento de Alex a respeito do prêmio que acabava de receber.
Carlos Magno, interessante também é o fenômeno de “apropriação” das marcas pelo mercado. O que Atala faz por estudo e dedicação e dentro da tendência internacional de valorização gastronômica do “terroir” (ingredientes nativos etc.), outros começam a fazer por modismo (caso do Le Manjue, restaurante da Vila Nova Conceição, com sua farofa de içás). Sem falar no desespero da massa que queria a todo custo comer a comida do Atala na Virada Cultural deste último fim de semana (a famosa galinhada do Dalva e Dito, que, aliás, Atala já repetiu que não é receita sua mas de um cozinheiro de sua equipe).