Até a Santa Inveja foi roubada

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Muitos moradores de grandes cidades possuíam santa inveja dos que habitavam as pequenas. Viver em metrópoles tem lá suas vantagens, quem não sabe. Seria ocioso citá-las. Elas, no entanto, enfrentam, hoje em dia, alguns problemas que tendem a crescer. Um deles é o trânsito cada vez mais movimentado e, consequentemente, complicado. Até as classes menos favorecidas conseguem, hoje em dia, por força do alongamento dos prazos de pagamento, possuir veículo próprio, tanto os chamados “carros de passeio”(detesto essa expressão) quanto os usados para outras utilidades. Problema bem maior do que os motoristas enfrentam no trânsito, por pior que esse seja, diz respeito à falta de segurança. Afinal, é uma carência que, não faz muito, afetava mais os habitantes de cidades grandes. Já os moradores de cidadezinhas do interior – isso justifica o que chamei de santa inveja que temos dos interioranos – viviam tranquilos, sem medo de qualquer tipo de violência. Roubos ou furtos eram raríssimos. Assaltos a bancos, então, somente eram vistos no cinema.

 

Os – como sempre diz o Mílton – caros e raros leitores dos meus quintafeirinos textos talvez se perguntem por que digitei “possuiam santa inveja” na primeira linha do parágrafo inicial. Ocorre que a tranquilidade em que viviam, no Rio Grande do Sul, os moradores dos pequenos municípios, já não existe mais. Não sei, por exemplo, se aí em São Paulo os assaltos a bancos são tão rotineiros quanto se tornaram aqui. Estou postando estas linhas, como de hábito, numa terça-feira. É bem possível que a relação de crimes da citada espécie já seja mais ampla do que a elencada pelo jornal Zero Hora em suas edições dos dias 17 e 18 do corrente mês.

 

O primeiro do ano foi levado a cabo no dia 21 de janeiro, em Triunfo. Nesse, um policial morreu e outro foi baleado, numa ação contra o Banco do Brasil. Foram visitados também por facínoras os municípios de Ipê, Sapucaia do Sul, Santa Maria, Caxias do Sul, Canoas (duas vezes), Tapes, Dom Feliciano, Uruguaiana, Bento Gonçalves, Feliz, São Francisco de Paula, Torres, Picada Café, Tio Hugo e Nova Bassano. Algumas das cidades citadas, saliente-se, não podem mais ser consideradas pequenas. No último dessa estatística, que dispensa adjetivo – o décimo oitavo de 2012 – os bandidos utilizaram explosivos para detonar terminal de autoatendimento do Banco do Brasil, a instituição mais visada pelas quadrilhas, em Fagundes Varela.

 

A Polícia Civil e a Brigada Militar (a nossa PM),fazem das tripas coração para coibir esse tipo de crime que, muitas vezes, começa com o roubo de um carro em Porto Alegre. É fácil para os bandidos, entretanto, praticarem seus roubos, em especial, nos municípios menores, nos quais os efetivos policiais são pequenos, embora, repito, o atrevimento dos quadrilheiros não poupe, também, cidades mais populosas. Imaginei que, um dia, ao deixar de trabalhar, poderia estender até fins de março minha estada em Tramadai, praia marítima gaúcha, onde parte da família veraneia. Nessa, porém, se não há assaltantes que usam explosivos, existem gatunos oportunistas, sempre dispostos a invadir as casas de veranistas até mesmo quando esses estão presentes.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Um comentário sobre “Até a Santa Inveja foi roubada

  1. Prezado Sr Milton pai.

    O problema é que “aquela gente” se assim podemos considera-los, nossos politicos de Brasilia, não estão nem um pouco com vontade de atualizar o codigo penal e mudar radicalmetne o ECA.

    “Dimenor” mata, estupra, assalta, sequestra, trafica, pratica os mais bárbaros crimes, etc, são, veja só que termo gracioso para um bandido, são aprendidos na fundação casa que deveria ser presidio, e depois quando completarem 18 anos são soltos, voltam para as ruas com a ficha zerada, limpa como se nunca tivessem cometido crimes e voltam a comete-los novamente

    Quanto aos “dimaiores” marginais como os dimenores são beneficiados por leis exdruxulas, arcaicas.

    Quando são presos são condenados a mais de trinta anos na soma das penas, porém, se tiverem bom compprtamento, trabalharem na cadeia, etc podem ser soltos em menos de seis anos ou coisa parecida!

    E assim nós pagadores de escorchantes e abusivos imposts, taxas, etc temos que ficar confinados em nossos lares, presos com medo de sermos assaltados, sequestrados, etc

    As policias prendem os bandidos, fazem o seu serviço, mas a justiça apoiada em leis absurda, poe em liberdade.

    Se existe crime é por causa das facilidades e infinitas brechas nas leis.

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