Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da Época São Paulo.
Sou do Rio Grande do Sul como já deve estar cansado de saber o caro e raro leitor deste blog. Os gaúchos somos bairristas, ao menos é a fama que temos desde que na Guerra dos Farrapos grupos rebelados pediam a independência do Estado Farroupilha. Mas bairrista mesmo é você, independentemente de onde tenha nascido. Tenho certeza de que se falarem mal de sua terra natal, você será o primeiro a sair em defesa do seu Estado, a despeito de reconhecer todos os problemas que existam por lá (ou por aqui). Dia desses, minha colega de Jornal da CBN Viviane Mosé comentou sobre a violência em São Paulo. Foi o que bastou para alguns paulistas mandarem mensagens desaforadas para minha caixa de correio. Como aquela moça, nascida no Espírito Santo e vivida no Rio de Janeiro, se atreve a reclamar da falta de segurança em São Paulo? Questionavam alguns, como se o assunto não fosse uma preocupação enorme dos paulistanos. Eu mesmo já ouvi desaforos deste tipo porque me meto a pedir melhorias para a capital paulista.
Hoje, em sua coluna Economia Verde, em O Globo, o jornalista Agostinho Vieira, meteu sua colher nesta disputa regional ao comparar as cidades do Rio e de São Paulo do ponto de vista da sustentabilidade. Sabia bem o risco que corria, pois já na abertura do texto lembrava que “para alguns cariocas, a melhor parte de uma viagem a São Paulo é a hora de voltar para o Rio. Já certos paulistas acham que este é um balneário decadente e caro, onde não vale mais a pena nem um fim de semana”. Vieira é craque no assunto – não do bairrismo, mas no da sustentabilidade – por isso trago algumas das comparações pertinentes que estão na edição desta quinta-feira do jornal. Acompanhe comigo:
Trânsito
SP – 11 milhões de moradores/5 milhões de carros (2,2 pessoas p/carro); 30% viajam de carro; da casa ao trabalho gastam 44min42seg em média
RJ – 6 milhões de moradores/2,6 milhões de carros (2,3 pessoas p/carro) 13% viajam de carro; da casa ao trabalho gastam 44min18seg
Metrô
SP – 74,3Km
RJ – 42km
Ciclovias
SP – 36km
RJ – 300km
Mortes no trânsito
SP – 12,1 morrem p/100 mil habitantes
RJ – 5,4 morrem p/100 mil habitantes
Poluição
SP- 38 microgramas de poluentes por metro cúbico
RJ- 64 microgramas de poluentes por metro cúbico
Emissão de gases de efeito estufa
SP- 15,7 milhões de toneladas de CO2 (2005)
RJ- 11,3 milhões de toneladas de CO2 (2005)
(neste ítem, os dados de 2011 devem mostra empate técnico)
Árvores
SP- 12,5 metros quadrados p/habitante
RJ- 56,8 metros quadrados p/habitante
Lixo
SP- 18 mil toneladas/dia
RJ- 9 mil toneladas/dia
Lixeira
SP- 1 para cada 58 habitantes
RJ- 1 para cada 213 habitantes
Reciclagem
SP – 2% do lixo gerado
RJ – 1% do lixo gerado
Fornecimento de água
SP- 100% das casas
RJ- 91% das casas
Esgoto coletado/tratado
SP- 96% das casas/54% das casas
RJ- 70% das casas/53% das casas
Uma ganha aqui, outro acolá. As duas, na maior parte dos itens, estão bem distante das recomendações internacionais. Mas, como escreveu Agostinho Vieira, “esta é uma boa e saudável disputa. Do tipo que deveríamos fazer questão de ganhar em 2016”. Todos nós, bairristas: paulistas, cariocas, gaúchos, pernambucanos …

Sou paulistano nato nascido na Vila Olimpia
Até meados da década de oitetenta ainda era possivel ,viver em São Paulo com um pouco de dignidade e respeito por parte dos nossos politicos
Atualmente São Paulo é sim uma das piores cidades do planeta para viver sobre vários aspectos
O Paulistano está sendo exterminado pela bandidagem, no transito,pela poluição, pelos desgovernos, pela falta de lazer, da luz solar natural, do caos, da péssima qualidade de vida.
Não adianta a midia, bairristas quererem tapar o sol com uma peneira se a realidade está nas portas de cada um.
Só não vê quem não quer.
Milton, muito boa a matéria.
A disputa quase sempre é positiva. Entretanto não dá para cometer erros como os de ontem em São Paulo, quando se marcou um jogo de futebol no Morumbi para às 20hs, sabendo que tinham sido vendidos 60 000 ingressos.
Na verdade o caos de ontem valeu para provar definitivamente que não dá para apoiar a mudança do horário dos jogos para tão cedo.
A sustentabilidade é tudo. Sem ela, o conforto da cidade fica minado. SP e RJ tem muito dever de casa ainda pela frente para se tornarem sustentáveis.