Do Quiéres às redes socias

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Maria Helena, minha mulher, e eu, compramos o nosso primeiro computador faz tanto tempo que nenhum de nós conseguiu se lembrar do ano em que isso ocorreu. Talvez tenha sido em 1996. Esse tipo de informação nem o Google, que sabe quase tudo, é capaz de dar. Vá lá, lembro-me tratar-se de um Vaio. O PC estava exposto e à disposição para ser testado. Tínhamos, porém, tanta vontade de levá-lo para casa que o adquirimos sem pensar duas vezes. Naquele tempo, um computador não oferecia aos seus usuários os recursos, os programas e, claro, os avanços tecnológicos que foram surgindo com o passar dos anos. Se não me falha a memória, não se faziam presentes redes sociais de nenhuma espécie. Os “chats”, então, eram quase tudo que tínhamos para conversar com amigos ou com pessoas que nunca víramos nem sonhávamos que acabaríamos conhecendo na internet.

 

Filiamo-nos ao “chat” chamado “quiéres?”. O seu criador, o mexicano Salvador Méndez, se tornou nosso amigo íntimo. Eu lhe escrevia em português a seu pedido. Queria aprender a nossa língua. Salvador foi, tanto para Malena quanto para mim, um excelente professor de espanhol, aliás, o melhor que tive. Ela escreve o “español” melhor do que muitos hispânicos que entram nos “chats” das redes sociais. Jogo sinuca pela internet e minha preferida é a “sala Barcelona”, do site “GameDesire”, porque nessa enfrento muitos adversários de língua espanhola, com quem converso. Não sou muito chegado, no entanto, a acessar as redes sociais. Acho-as, na atualidade, evidentemente, muito importantes. Maria Helena até andou usando o meu Facebook, mas tem, agora, o seu. Eu estou nesse e no Twitter. Já assinei o Orkut (existe ainda?). Há outros, mas não me convidem para neles me cadastrar. Seja lá como for, tenho saudade do nosso primeiro PC e mesmo de sua escassa tecnologia.

 

Citei, faz pouco, no meu texto desta quinta-feira, as redes sociais. Vejo-as todas como facas de dois gumes. Há quem se utilize delas para o bem. Existem, entretanto, os que se aproveitam delas para o mal. Os exemplos desses últimos – os do mal – ficaram patentes nos ustos protestos populares em que eram exigidos mais hospitais, educação, tarifas de transporte coletivo e o fim de corrupção dos políticos. A contribuição das redes sociais, nesse sentido, deve ter alcançado quase 100%, pois até no Estados Unidos brasileiros se filiaram às manifestações. Os vândalos, os bagunceiros, os aproveitadores, aqueles que são do mal, trataram de macular as boas intenções das pessoas de bem, realizando toda sorte de tropelias, tão amplamente noticiadas pela mídia que seria ocioso as repetir. A existência dessas ralés deixou-me ainda mais revoltado porque moro em Porto Alegre há 77 anos e não sabia que, entre os seus piores representantes, muitos são daqui.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

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