Avalanche Tricolor: movidos pela paixão

 

Grêmio 0 (3) x (2) 0 Corinthians
Copa do Brasil – Arena do Grêmio

 

 

Gregório vestia uma camisa em homenagem ao estádio Olímpico, logo cedo. O Lorenzo queria saber como eu estava para essa noite, assim que cheguei em casa. Minha mulher foi dormir, disse que não tinha coração para me ver sofrendo diante da televisão, assim que a bola começou a rolar na Arena, nesta noite. Antes de dormir, os meninos me desejaram boa sorte. E o mais velho já deixou separada a camiseta para vestir amanhã, antes mesmo de saber o que iria acontecer no gramado: no azul celeste se destacam letras em branco com “Grêmio manda” rabiscado.

 

Independentemente do resultado desta noite, sei que todos compartilham comigo, cada um de seu jeito, a paixão que tenho pelo Grêmio. Nenhum deles nasceu gremista como eu. Todos cresceram e foram criados aqui em São Paulo, mas aprenderam a respeitar minha admiração pelos feitos do Imortal. Conheceram a história do tricolor pelas histórias que conto. Sabem de seus feitos pelos feitos que revelo. Mais do que torcem para o Grêmio, torcem por mim e me querem ver feliz. E se tivessem me vito ao fim da partida, eu os teria retribuído com a minha felicidade.

 

Amanhã, quando nos encontrarmos no almoço, vou dividir com eles a emoção que me tomou durante a decisão da vaga à próxima fase da Copa do Brasil, nesta noite de quarta-feira. Vou dizer que meu time jogou de forma corajosa. Foi valente durante toda a partida, não porque jogou duro (apesar de ter jogado duro, também), mas porque entendeu que era no ataque que deveria manter a bola na busca de sua conquista. E assim afastaria o risco de um revés. Marcou bem, trocou mais ou menos bem, chutou a gol quando pode e foi o único time em campo com disposição de buscar a vitória.

 

Vou dizer para eles que decidimos a vaga nos pênaltis. Que assistimos a heróis e anti-heróis protagonizando cenas de mais um grande drama do futebol. Erramos um, erramos o outro, também. Ficamos atrás no placar das cobranças. Fizemos o adversário acreditar que seria capaz de nos abater em casa. Mas não desistimos nenhum minuto de tentarmos. Fizemos gol, quase que empurrando a bola para dentro e entre as mãos do goleiro, empatamos o placar, ficamos à frente. Mas ainda não era suficiente. Dida, que já havia defendido duas vezes, precisava fazer muito mais. E fez. Na última cobrança, impediu o gol que adiaria a decisão e nos levou à próxima fase da Copa do Brasil escrevendo seu nome na história da nossa Imortalidade.

 

Meninos, ainda bem que vocês estavam dormindo. Não me viram sofrer, esbravejar, pular e gritar (em silêncio para não lhes acordar). Não viram a lágrima que correu em um dos olhos pela satisfação de mais esta conquista. Melhor mesmo é vocês ficarem com a imagem do pai responsável, que compartilha as coisas da vida, conversa do futuro e troca ideias sobre o cotidiano. Apesar de que vocês conhecem bem o pai que tem. E devem imaginar o que foi minha comemoração nesta noite.

 

O pai é tudo isso (ao menos tenta ser) e também é movido pela paixão. Por vocês, pela nossa família e pelo Grêmio, cada um em sua dimensão.

 

Em tempo: conto com vocês no programa Fim de Expediente, sexta-feira, quando vou entregar com muito prazer uma camisa do Grêmio para nosso amigo Dan Stulbach.

11 comentários sobre “Avalanche Tricolor: movidos pela paixão

  1. Esse Fim de Expediente vai ser imperdível. Lembro muito bem do Dan cantando “Embalos de Sábado à Noite” no Hora de Expediente em referência a um Corinthians 3 x 1 Grêmio ano passado. Agradeçamos ao colorado Pato e ao Dida. Vamos ter que jogar mais pra passarmos do Furacão. Parabéns por ser autêntico e expressar sua paixão pelo Imortal Tricolor ancorando na CBN. Abraços.

  2. Parabéns ao Grêmio. O Pato fez a coisa certa. Acabou com a farsa. Corinthians é um time limitado atualmente. Se passasse pelo tricolor seria na sorte.E a imprensa e torcedor se iludindo que ainda é um elenco nota mil. Bola murcha que vem jogando ultimamente no máximo um Paulistinha e olha lá. O torcedor precisa esquecer aquele time de 2012. Já era. Futebol é presente. Quem vive de passado é museu. Dá sono ver o Corinthians jogar. Sou Santista mas adoro esporte e gosto de ver outros times jogar. Adorava ver o Corinthians de Sócrates e Cia de Marcelinho Carioca e Cia. Mas hj em dia ta chato ver jogos do Corinthians. Um time que dizem milionário que fica nessa retranca e vibra com zero a zero. Ah, e tira uma foto do Dan Stulbach e posto aqui nesse post. Rsss

  3. É… fico pensando na cara do Dan amanhã!!
    Agora pela manhã amigo torcedor do Santos já mandou email “pato aqui, pato acolá” …
    Milton Jung: sem comentários.
    O meu Timão tem que se retirar de fininho…(timão????)
    beijo
    Dione.

  4. No sofrimento a paixão pelo time cresce. E é bom eliminar o time da mídia paulistana.
    É gostoso ver o Dida defender cobranças penais.
    Mas é duro ter de aguentar a narração do jogo pelos jornalistas torcedores da Band. Como podem ser tão incompetentes este pessoal da TV paga que deixam de passar um jogo destes? Exclusividade burra!

  5. Que sufoco!!!
    Torci para o Grêmio como nunca.

    É o que resta para nós, Santistas, as sobras das vagas, quem sabe. Se não é pelo G4, que seja pelo G5.

    Eles deveriam ter visto vc , Milton, ontem, pulando, vibrando e emocionado. O pai não é irresponsável por ser sentimental. Sentimentos fazem parte da nossa existência e sobrevivência. Eles sentiriam mais orgulho, isso sim.

    • Rafael,

      Que o Santos se consagre, também. Quanto a me verem alucinado, meu entusiasmo na conversa de hoje foi suficiente para eles entenderem o pai que tem.

  6. Que belo texto, Milton. Torcer pelo Grêmio é tudo isso e muito mais. Algo difícil de explicar, que só nós, gremistas, sabemos sentir. Foi difícil, como deveria ser. Está na nossa história. E da série “coincidências boas”, em 2001, ano do último título conquistado pelo Tricolor na Copa do Brasil, o adversário na semifinal também foi um paranaense, o Coritiba. Que a façanha possa se repetir com o Atlético-PR e, quem sabe, uma nova final no Maracanã contra o Flamengo, assim como foi aquele maravilhoso ano de 1997 e o gol de empate do Carlos Miguel.

    Abs

    • Bruno,

      Sobre o próximo desafio na Copa do Brasil, vamos juntar o que sobrou da batalha de ontem e tocar em frente. O Renato sem três atacantes quem sabe não nos transforma na República dos Volantes e transforma o time em um Carrossel Farroupilha, com vários jogadores se movimentando e se revezando na entrada da área?

  7. O Grêmio e o teu texto desta Avalanche Tricolor repleta de alegria,Mílton,deixaram-me emocionado. Lembrei-me,como se fosse hoje,dos jogos do nosso time, que escutamos ou vimos no televisor da nossa casa,na Saldanha Marinho,com a família reunida. Ou da vitória gremista no Mundial,assistida na casa do Edison Rzesnik,também com a presença da nossa turma. E dos jogos aos quais assistimos no Olímpico,muitos delesn na época em que eras o gandula do Ênio Andrade que levava recados para o goleiro Picasso. Nessa quarta-feira,a última defesa do Dida, na cobrança do Pato,fez não uma,mas várias lágrimas brotarem dos meus olhos. Compartilhei a nossa vitória,por meio de torpedos,com a tua irmã Jacqueline. Afinal,ela foi nossa companheira nos velhos tempos. Não posso esquecer também que Padre Reus permaneceu ao meu lado durante toda a partida.

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