Só pressão popular pode mudar relação do IPTU com valor de imóveis

 

Por Julio Tannus

 

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Postes sem conservação e iluminação financiada por moradores…e o IPTU, oh!

 

O prefeito eleito de São Paulo, João Dória Júnior, anuncia, entre outras medidas, que o valor do IPTU será aumentado de acordo com o índice de inflação.

 

Conforme a legislação vigente, os imóveis residenciais na cidade de São Paulo têm como uma das variáveis de atualização do IPTU seu valor de mercado.

 

E aqui cito meu caso como exemplo:

 

Passados 7 anos em minha nova residência no bairro de Higienópolis, me dou conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Resolvo consultar a Prefeitura de São Paulo sobre a causa do aumento tão elevado, uma vez que sou proprietário do imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, nem para venda nem para locação.

 

A explicação que consegui apurar para tal aumento é que os imóveis da região foram muito valorizados.

 

E aí me pergunto: por que um órgão público quer se beneficiar da valorização de imóveis da região?  Não seria o caso de taxar a valorização apenas no caso de venda ou aluguel do imóvel?

 

E então reclamei, sobre meu descontentamento, para o atendente da Prefeitura:

 

–“o retorno obtido com o elevado aumento do IPTU é inexistente, ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas e cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação do bairro não tem tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança e outras deficiências, como a má conservação dos postes, e quanto a iluminação observa-se que os condomínios da região a reforçam para amenizar o problema da falta de luz. ”

 

Diante do exposto, em fevereiro de 2014, resolvi entrar com um recurso na Prefeitura reivindicando providências para solucionar a disparatada situação.

 

Resultado: recurso indeferido.

 

À guisa de esclarecimento, exponho que de 2005 a 2016 o valor do IPTU do meu imóvel sofreu acréscimo de 286,26% enquanto a inflação do período foi de 88,53% (IGP-M). Assim, pretendo voltar com a minha reivindicação  aos poderes competentes pois os imóveis do meu bairro, com a crise econômica vigente, se desvalorizaram e pela lógica o valor de meu IPTU deveria ser reduzido.

 

Inconformado com a situação, nesse ano de 2016, me dirigi à Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo para que reconhecesse o problema e o solucionasse.

 

Resultado: um dos vereadores disse que só um movimento popular poderia dar fim ao impasse quanto ao valor do IPTU.

 

Assim, e tendo em vista a promessa do novo prefeito eleito de que o valor do IPTU será aumentado de acordo com o índice de inflação, proponho um movimento popular dirigido à Câmara dos Vereadores de São Paulo chamando a atenção para a relação custo-benefício absolutamente injusta, o qual poderá ser concretizado por um abaixo-assinado.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Fragmentos de (in)justiça no Brasil

 

Por Julio Tannus

 

Uma (in)justiça:

 

Há alguns dias, fui chamado, como síndico, para atender à portaria. De repente, me vejo frente a um oficial de justiça e duas viaturas da Polícia Militar. Para minha surpresa, após comprovar a identidade do oficial, leio despacho de um juiz de direito determinando a retirada de bens móveis de um de nossos condôminos.

 

Por mais incrível que possa parecer, como não havia ninguém no apartamento, foi acionado um chaveiro para possibilitar o acesso ao mesmo. Presenciei toda a situação, permanecendo envolto nesse contexto desde às 13:00 até às 23:50 horas, juntamente com o oficial de justiça, sua assistente e policiais militares. Foram retirados: geladeira, forno de micro-ondas, fogão, televisores, computadores, impressora, poltronas e sofás.

 

Fui informado que havia um débito do proprietário no valor original de R$ 15mil que, acrescidos de multa e outras variáveis, atingiu a casa dos R$ 68mil.

 

E aí me pergunto: como os bens móveis retirados, uma vez já usados por um bom tempo, podem resgatar o valor pretendido? Como ficam os inúmeros devedores nesse país afora, devedores por várias razões – por exemplo, perda de emprego – diante desse precedente?

 

Outra (in)justiça:

 

Passados sete anos em minha nova residência, dou-me conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Resolvo consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sou proprietário do imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo.

 

A explicação que consegui apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E aí me pergunto porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E então desfiei meu descontentamento para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. A vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar em outras deficiências.

 

Diante desse quadro, em fevereiro de 2014, resolvi entrar com recurso na Prefeitura.

 

Resultado: indeferido.

 

Inconformado,dirigi-me à Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo.

 

Resultado: um dos vereadores sugere que só um movimento popular poderia eventualmente solucionar essa situação.

 

Para concluir: de 2005 a 2015, o valor do IPTU do meu imóvel sofreu acréscimo de 186%. Assim, pretendo voltar com essa situação nos poderes competentes, uma vez que os imóveis no meu bairro se desvalorizaram e pela lógica meu valor de IPTU deveria ser reduzido.

 

Será que vou conseguir uma redução?

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Aumento do IPTU fez o cidadão descobrir que temos vereadores

 


Texto publicado originalmente no Site SP in foco

 

Foi a Câmara Municipal de São Paulo aprovar a proposta de reajuste no IPTU para os paulistanos descobrirem que temos vereadores nos representando. Imediatamente após a votação, tínhamos à disposição a lista dos que foram a favor e contra o aumento proposto pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Não demorou muito, as redes sociais passaram a receber, também, outra lista na qual se verificava a contradição de muitos dos vereadores que estavam no cargo na legislatura anterior. A maioria dos que votaram contra o aumento agora havia apoiado o reajuste apresentado pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD). E vice-versa: dentre aqueles que votaram a favor da ideia de Haddad muitos tinham sido contra na gestão anterior. Ou seja, votaram por conveniência partidária, sem levar em consideração o equilíbrio financeiro do Orçamento Público e as condições econômicas do cidadão paulistano.

 

Em janeiro, quando os carnês começarem a chegar na sua casa, talvez se entenda com mais clareza o peso da decisão da Câmara Municipal de São Paulo. A persistirem as contas da prefeitura, muitos moradores da periferia da Capital perceberão que o projeto de lei segurou os valores cobrados pela prefeitura e, em alguns casos, até mesmo diminuiu. Outros, porém, sentirão no bolso o alto custo da medida aprovada pelos vereadores. Independentemente da sensação provocada com o novo IPTU em mãos, minha esperança é que os paulistanos compreendam a importância e o impacto do papel dos vereadores. Assim como eles podem aumentar nossos tributos, também aprovam leis que ajudam a melhorar a qualidade de vida na cidade, sem contar que têm instrumentos para fiscalizar a administração municipal e identificar como nosso dinheiro está sendo gasto.

 

É com esta intenção que se criou, em São Paulo, o Adote um Vereador: incentivar o cidadão a fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho de um parlamentar, com o compromisso de que as informações levantadas sejam publicadas nas redes sociais (blog, Tumblr, Twitter, Facebook, Google+ e o escambau) para que este conhecimento seja compartilhado com a sociedade, construindo uma rede de cidadania. E se o conceito é de rede, deve ficar clara a intenção de que não existe um comando central nem mesmo uma visão política unitária. Cada voluntário tem o direito de expor seu pensamento de maneira livre sobre os mais diferentes temas relacionados a vida política. Cada membro é responsável por seu próprio trabalho e opinião.

 

A ideia surgiu logo após a eleição municipal de 2008 a partir de duas constatações. A primeira, que a maior parte do eleitor esquece o nome de seu candidato seis meses após a eleição. A segunda, que dois terços do eleitorado não consegue eleger seu representante na Câmara Municipal de São Paulo. Estas duas situações fazem com que o cidadão perca o interesse pela ação legislativa e entregue nas mãos dos vereadores o destino da cidade. Um erro que se repete com relação às assembleias legislativas, às câmaras Distrital e dos Deputados e ao Senado.

 

Com a rede Adote um Vereador conseguimos vitórias importantes a começar pelo engajamento dos cidadãos na política da sua cidade. Também abrimos canais de comunicação com a Câmara, membros são consultados sobre decisões a serem tomadas na Casa e as informações do Legislativo estão muito mais acessíveis do que quando iniciamos este trabalho. Dois projetos de lei sugeridos por integrantes da rede foram adotados por vereadores e transformados em leis que já estão em vigor na Capital. Porém, é preciso ampliar essa rede e expandirmos o número de vereadores fiscalizados, unindo forças com os demais grupos que acreditam no papel que o cidadão tem no desenvolvimento de sua cidade.

 

Controle os políticos, antes que eles controlem você.

 


Leia outros textos sobre São Paulo no site SP in foco

O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

 

Por Julio Tannus

 

Em um país como este, salve-se quem puder!

 

1) Após aguentar por um bom tempo uma coceira pelo corpo, resolvi dar um basta. Procurei uma médica dermatologista. Saí de seu consultório esperançoso, com receitas e exames a serem feitos. Com o passar do tempo, não obtive nenhum diagnóstico e a coceira voltou.

 

Minha caminhada continuou sempre focada na ideia de dar um fim a esse sofrimento. Consultei uma clínica especializada em alergia e o resultado foi idêntico. Imediatamente consultei outro dermatologista e o resultado foi o mesmo: minha coceira persistiu.

 

Resolvi então apelar para uma médica dermatologista especializada em acupuntura. Parecia que finalmente estava chegando ao fim do túnel. Paralelamente foi recomendado que eu fizesse alguns exames na tentativa de encontrar a origem da coceira.

 

Recorri então a um dos mais conceituados hospitais para me submeter a um raio-x e ultrassonografia do abdômen total. O laudo da ultrassonografia dizia: “Discreta alteração textural hepática, com pequena área hipoecogênica junto à bifurcação portal (a tomografia computarizada pode trazer informações adicionais). Fui recomendado a fazer a tomografia. Dirigi-me então ao mesmo hospital para fazer uma tomografia computadorizada de abdômen total. O laudo dizia: “Achados da transição tóracoabdominal: acentuado enfisema pulmonar centrolobular e parasseptal e irregularidade cortical na porção lateral do 11º. arco costal esquerdo, podendo representar fratura consolidada”.

 

A dermatologista recomendou que eu fosse de imediato a um médico pneumologista para aprofundar o diagnóstico de “acentuado enfisema pulmonar”. Recorri então a um médico do próprio hospital onde havia realizado os exames. Após a leitura das imagens da ultrassonografia e da tomografia e de um exame clínico, eis o diagnóstico do médico especialista: “O senhor não tem absolutamente nada no pulmão, o laudo está totalmente equivocado”.

 

2) O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados sete anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados.

 

E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E desfiou seu descontentamento e indignação para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente! Continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

E agora nos vemos frente à frente com um Prefeito e Câmara de Vereadores aumentando mais ainda esse maldito imposto. Um dos argumentos usados é que o valor dos condomínios nesses bairros com imóveis mais valorizados são bem mais elevados que o IPTU. Raciocínio ridículo, para não dizer totalmente idiota. Ora, se descontarmos o valor dos impostos nas despesas de condomínios, que só no caso das despesas com funcionários acresce-se cerca de 50%, o argumento cai por terra.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

IPTU: Robin Wood ou Ali Babá?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A estratificação do IPTU da cidade de São Paulo leva um toque de Robin Wood ao comparar o aumento que o imposto terá no próximo ano.

 

Dos 2,6 milhões de imóveis residenciais, 1,0 milhão ou 40% não pagarão IPTU, enquanto na outra ponta 1,0 milhão ou 40% pagarão de 18% a 26% de aumento. Na faixa central 400 mil ou 9% pagarão 9% de aumento. Na inferior 200 mil ou 6% pagarão 4% a menos.

 

Convenhamos que é uma distribuição com propósito de equilibrar as forças, colocando menos imposto no imóveis menos valorizados. Beneficiando a população mais carente.

 

Supondo que esta transferência de recursos aos imóveis mais valorizados tenha sucesso, possibilitando aos mais necessitados os serviços municipais essenciais como saúde e ensino, o sacrifício da outra ponta provavelmente valha a pena. A experiência, entretanto não conduz a esta previsão. E é o sentimento geral, sinalizado pelas reações diversas de diferentes setores.

 

As extensas manifestações contrárias proporcionais aos enormes aumentos dos imóveis felizmente ultrapassam o normal, contrariando o Prefeito Haddad, e devem provocar uma revisão no conceito. Tanto na arrecadação quanto na aplicação dos recursos daí originados.

 

Por exemplo, o imóvel residencial familiar único, não pode ser taxado em função da valorização do mercado, quando permanece como habitação. Os reajustes por sua vez devem se limitar a parâmetros do mundo financeiro, pois é daí que surgem as bases para as atualizações de salários e preços em geral. Neste caso, o reajuste médio está na absurda taxa de 17%. Ou seja, está mais para Ali Babá do que Robin Wood e os pobres da floresta.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Algumas tristezas na nossa Legislação

 

Por Julio Tannus

 

INSS

 

O cidadão recolheu por 25 anos o INSS sobre 20 salários mínimos. No início dos anos 90 o Congresso Nacional Brasileiro decreta que o valor de recolhimento para o teto deve baixar para 10 salários mínimos. Pouco tempo depois, sua secretária que pagava o carnê do INSS no banco, é orientada por um caixa do banco a corrigir o recolhimento para 3 salários mínimos. Passados 3 meses com recolhimento sobre 3 salários, o cidadão toma conhecimento do equívoco e volta a recolher sobre 10 salários mínimos. No ano de 1996 é feita a aposentadoria com base em 3 salários mínimos. No final dos anos 90, ao comentar com um amigo essa trajetória, lhe é indicado um advogado para entrar com uma ação na justiça contra o INSS. O processo, após longo período, é indeferido. Em 2011 o cidadão resolve fazer uma consulta ao INSS sobre sua aposentadoria. A gerente da agência lhe informa que ele tem uma quantia considerável para receber. Só que venceu o prazo de 10 anos e ele perdeu o direito de recebimento. Que tristeza!

 

IPTU

 

O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados 7 anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel? E desfiou seu descontentamento para o atendente da Prefeitura: O retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

ITCMD

 

O casal vive por mais de 40 anos em perfeita sintonia e harmonia. Com dois filhos e um patrimônio conseguido do trabalho profissional de ambos durante esse período. Até que uma doença grave acomete um dos membros do casal que, após um longo período de sofrimento, vem a falecer. De repente o parceiro vivo é informado sobre a necessidade de fazer um inventário. Ao que ele indaga: um inventário? Mas o nosso regime de casamento é com comunhão universal de bens, ou seja, no caso de meu falecimento os nossos bens vão automaticamente para nossos dois filhos. Ao que é informado que na legislação atual é necessário fazer o inventário. Sem alternativa, ele contrata um advogado e gasta uma quantia em dinheiro que consome toda sua poupança. Então ele pergunta: será que inventaram esse inventário só para pagarmos mais um imposto elevadíssimo, o tal do ITCMD Imposto Sobre “Causa Mortis” e Doações de Quaisquer Bens ou Direitos. Que tristeza!

 

A TRISTEZA MAIOR

 

Ninguém reclama, ninguém contesta, ninguém se manifesta! Só reproduzindo o cartaz abaixo:

 

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada. Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

IPTU ignora interesse da população

 

Por Julio Tannus

 

O IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano – estabelecido pela Prefeitura do Município de São Paulo, e de conformidade com a legislação definida pela Câmara dos Vereadores, atende somente aos interesses de órgãos públicos. Ou seja, ignora os interesses da população, a quem deveriam representar.
Ao analisarmos o que foi cobrado nos últimos oito anos no bairro de Higienópolis, zona Oeste da capital paulista, duas questões são absolutamente relevantes:

 

1) O aumento desse imposto está acima de qualquer índice econômico, conforme pode ser observado no quadro abaixo. De 2005 a 2012 o IPTU mais que dobrou de valor. A explicação que conseguimos apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E aqui levantamos a questão: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

 

O retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. E assim por diante…

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

Taboão corta IPTU pela metade por pressão popular

 

Taboão da Serra

A pressão dos moradores de Taboão da Serra fez com que o prefeito Evilásio Farias (PSB) e os vereadores aceitassem aplicar um desconto de até 50% no novo valor do IPTU e prorrogassem a data de pagamento. O recuo ocorreu após inúmeras reclamações feitas diretamente na Câmara e manifestações por e-mail de pessoas indignadas com o reajuste que ultrapassava os 400%.

A diminuição do valor do IPTU foi tomada em reunião realizada na madrugada de quinta-feira, conta o jornalista Allan dos Reis, do blog Taboão em Foco e integrante do projeto Adote um Vereador: “O prefeito vai publicar um decreto prorrogando os vencimentos e a câmara vai votar os detalhes dos descontos. Os pagamentos parcelados podem ser efetuados até o fim deste mês, dia 28. Já os pagamentos à vista vencem só no dia 8 de Março”.

Nesta sexta-feira, haverá sessão na Câmara Municipal de Taboão da Serra para aprovar as mudanças propostas. A reunião de emergência foi realizada menos de 24 horas depois de uma entrevista que o prefeito Evilásio deu ao CBN SP na qual defendia a ideia de que a revisão da Planta Genérica de Valores que ocorreu em 2009 e provocou a majoração no valor do IPTU em 2010 foi feita em nome da “justiça fiscal”.

Um dos ouvintes-internautas do CBN SP que reclamaram do aumento foi William (assim identificado no e-mail) que enviou, inclusive, fotos para mostrar como os moradores da região protestaram contra o aumento e o impaco dos temporais na cidade.

IPTU aumenta mais de 400% em Taboão da Serra

 

Protesto na Câmara Foto: Allan dos Reis/Taboão em Foco

Os moradores de Taboão da Serra estão indignados – e tem razão – com o aumento no valor do IPTU que chegou a 400%. O prefeito Evilásio Faria (PSB) da cidade vizinha de São Paulo usou do mesmo recurso da capital para reajustar o imposto: atualizar a Planta Genérica de Valores. Ou seja, fez estudo para identificar o valor de venda dos imóveis e aplicou o IPTU sobre este novo valor. A medida que Evilásio, assim como Kassab (DEM), chama de “justiça fiscal” vai causar um rombo no orçamento familiar.

Perguntei sobre isso para o prefeito, em entrevista nessa quarta-feira, mas ele não foi nada sensível à questão. Insiste que está no caminho certo e só muda de posição se o morador for até a prefeitura e provar para ele que o valor do imóvel está incorreto. Usa da burocracia para justificar a injustiça.

Por e-mail, o ouvinte-internauta Samira Silva escreveu: “Diante desta situação vemos que não foi adotado critério algum, as vias estão em péssimo estado, a coleta de lixo é de quinta categoria, enchentes constantes, não temos coleta seletiva e nem projetos”.

Paulo Maranhão também reclamou: “Revolta total no atendimento da prefeitura e (eles) não dão explicação”.

Lá na Câmara, os vereadores foram pressionados, também. E apesar de terem sido eles que aprovaram o projeto de reajuste prometem ir hoje ao prefeito para pedir mudanças nos valores cobrados da população. Ou ignoram o que aprovam ou estão jogando pra torcida.

Leia o que diz Allan dos Reis, do Blog Taboão em Foco e integrante do Adote um Vereador:

Na primeira sessão legislativa de 2010, a Câmara Municipal de Taboão da Serra foi palco de um protesto dos moradores do município contra o aumento abusivo do Imposto Predial Urbano Territorial (IPTU). Os contribuintes reclamam que o aumento supera, em muitos casos, a cifra de 500%. A prefeitura justifica que os valores estavam defasados e por isso foi atualizada com a correção da Planta Genérica de Valores (PGV), aprovada pela câmara no dia 1º de dezembro.

Agora os vereadores tentam fugir de suas responsabilidades, de terem aprovado a correção da PGV sem debates e cheios de dúvidas, e culpam os técnicos da Secretaria de Habitação pelo aumento abusivo, já que eles teriam garantido que o aumento não iria ultrapassar a cifra de 100%.

Leia o texto completo no Blog Taboão em Foco

Prefeitura diz que Nova Luz não está atrasada

 

“Houve uns probleminhas” mas não há atraso na concessão de benefícios para quem acreditou no programa Nova Luz que tem como objetivo recuperar a área do centro de São Paulo que ficou nacionalmente conhecida como Cracolândia. É o que diz o secretário-adjunto de Finanças da prefeitura Sílvio Dias em resposta a reclamação do empresário Eduardo El Kobbi que há quatro anos abriu uma agência de propaganda no local e até agora não obteve as vantagens fiscais prometidas pela administração municipal (leia e ouça a entrevista com o empresário aqui)

Sílvio Dias disse que o processo para obtenção de benefícios pela agência de publicidade Fess Kobbi se iniciou apenas em 2008, e o “probleminha” foi em relação a apresentação de notas fiscais exigidas pela prefeitura. Das 22 empresas habilitadas para se instalar no local apenas a de Eduardo El Kobbi está por lá. Uma outra empresa teria tentado as vantagens, também, mas os fiscais da prefeitura descobriram que as notas apresentadas eram de investimentos feitos em uma sede no Paraná.

O aumento de IPTU na região – outra reclamação de El Kobbi -, de acordo com o secretário, se deve a valorização que os imóveis e terrenos tiveram devido a intenção de recuperação da área.

Ouça a entrevista de Sílvio Dias, da Secretaria Municipal de Finanças