Aproveito para desejar-lhe um feliz Ano Novo

 

Por Mílton Jung

 

 

Estou de volta à casa onde escrevi meu primeiro livro, na cidade americana de Ridgefield, em Connecticut, e, por coincidência, sentado, enquanto redijo este post, praticamente no mesmo espaço que ocupei naquelas férias de meio de ano, em 2004. Algumas coisas mudaram desde lá, a começar pela própria casa, ainda mais confortável, com ambientes ampliados e a cozinha deslocada mais para o fundo em uma peça redesenhada em estilo toscano. O tempo, porém, não foi suficiente para quebrar o silêncio que toma conta da vizinhança. À noite, mal se ouvem o aquecedor central estalando a madeira, o som dos pneus de carro roçando o asfalto e o murmurinho das crianças que brincam até tarde no quarto. A sensação de paz é impressionante, às vezes, assustadora para quem se acostumou com a barulheira urbana de São Paulo.

 

‘Jornalismo de Rádio’, lançado naquele mesmo ano pela Contexto, estava bem planejado quando cheguei aqui, praticamente todo material de pesquisa havia sido separado, mas era preciso acelerar a escrita para entregar no prazo da editora. Plano quase frustrado, pois o único computador da casa estava quebrado e sem previsão de conserto. Fui salvo por um palmtop que havia trazido comigo do Brasil e tinha como principal função servir de agenda eletrônica. Talvez você nem se lembre mais dessas pequenas máquinas de recursos limitados se comparados aos equipamentos eletrônicos atuais. O modelo do meu, se não me falha a memória, era o Zire 21, talvez o 31, dos primeiros da série fabricada pela PalmOne, que comprei acompanhado de um teclado dobrável, frágil e de ergonomia sofrível, mesmo porque deveria servir apenas para facilitar o registro de algumas informações, jamais foi pensado para escrever um livro. O processador de texto também não era grande coisa, mas tinha as funções básicas. O cartão de memória acoplado no palmtop foi quem me salvou de um desastre quase uma semana depois de o trabalho ter se iniciado. A máquina travou e tive de esperar a bateria descarregar para ligá-lo novamente e descobrir que apenas os textos escritos naquele dia estavam perdidos. O aparelhinho foi heróico e merecia ter sido bem guardado, mas, infelizmente, devo tê-lo passado à frente.

 

Calculo que, hoje, nesta casa, tenhamos ao menos 10 computadores, notebooks, netbooks e tablets, sem contar os telefones celulares que substituem com maestria as funções do palmtop. Vou deixar fora dessa conta, ainda, os consoles de videogame que também oferecem acesso à internet. Escrever mais um livro, tarefa que incluí nas resoluções de ano novo, não seria empecilho, se para isso eu dependesse apenas dessas traquitanas. É uma quantidade impressionante de máquinas à disposição das duas famílias que se encontram por aqui, gerando inúmeras possibilidades e acesso ilimitado às informações. Graças a esses equipamentos, o Mundo também ficou bem menor e nos permitimos estar conectados com o restante da família e amigos que ficaram no Brasil, nesta virada do ano.

 

Feliz 2014!

13 comentários sobre “Aproveito para desejar-lhe um feliz Ano Novo

  1. Nada como um belo cenário para inspirar ainda mais o bom jornalista. Com certeza o silêncio e o conforto merecido por todo o trabalho que desempenhas e vem desempenhando nestes anos. O aparelhinho heróico ainda esta a salvo e assim que nos encontrarmos faço voltar as tuas mãos como recordação do primeiro livro.
    Forte abraço e aproveita bem por ai.

    Christian Jung

    • Maria Cláudia,

      E pensar que com tudo isso em volta ainda acessamos a internet. É, como escrevi, o lado bom da conexão, pois temos a oportunidade de estarmos próximo dos amigos, enquanto aproveitamos as benesses de lugar tão distante. Aproveito para agradecer-lhe a companhia neste 2013 que se vai. Conheci parte das suas lutas e a admiro muito por isso.

  2. Já ouvi dizer que quando um bom texto baixa, a gente escreve com o que for. Sei não, pra escrever o melhor mesmo é ler. Textos e entidades ainda distingo com alguma nitidez. Pouca, confesso. Mas um livro num Palm não é para qualquer um não! Preciso ler o seu livro Milton, ele já está na fila. Boas férias pra vocês. Feliz 2014

    • Sérgio,

      Soubesse da falta deste na sua biblioteca, já teria providenciado. Estou na dívida com você. No próximo encontro, entrego-lhe em mãos. Será um prazer tê-lo como leitor, principalmente sabendo das suas “más intenções” com o jornalismo.

    • Carlos,

      Obrigado pela sua gentileza. E pela oportunidade que você nos oferece toda quarta-feira, neste blog, de compartilhar conosco seu conhecimento. Que 2014 seja bastante generoso à você e sua família.

  3. Mílton,

    mais um ano se vai, e eu sou só gratidão, mais uma vez.

    Agradeço por permitir que eu escreva livremente no teu blog, pela oportunidade de aprender com você, entra ano sai ano, e pela tua paciência quando me enredo na eletrônica.

    Escreve, escreve, que a gente só tem a ganhar.
    Aproveita a Paz e a Luz.

    Beijo,

    • Malu,

      Escrever só se for livremente. Esta arte na se faz na prisão nem de nossos conceitos. Fico muito feliz de entrarmos mais um ano juntos, neste espaço, como temos feito desde o início dos tempos (desse blog). Beijos e feliz 2014.

    • Armando Italo,

      Obrigado pela sua companhia todo este tempo. Que 2014 seja generoso a todos da sua família (e você continue com paciência para ler este blog)

  4. Somente hoje,dia 6 de janeiro,portanto com grande atraso,estou lendo o teu texto cheio de reminiscências,algumas inéditas para mim. Gostei de tomar conhecimento delas,mas ficaria bem contente se me escrevesses sobre o presente,falta da qual sempre me ressinto.

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