Resultado com faixas exclusivas de ônibus causa desânimo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A CBN, há uma semana, dentro do programa de análise do primeiro ano da gestão Haddad, entrevistou o engenheiro e mestre em Engenharia de Tráfego Prof. Sergio Ejzenberg da USP, que trouxe significativos subsídios ao tema da mobilidade urbana na cidade de São Paulo. Com o objetivo de ampliar o uso do transporte coletivo, Haddad aumentou a área destinada aos ônibus através de faixas e corredores exclusivos, chegando a 290 km. Ao mérito de atacar um dos principais entraves da cidade, o desânimo do resultado, pois não houve progresso, talvez retrocesso.

 

À complexidade do problema, o Eng. Ejzenberg simplificou a solução. Segundo ele, o aumento da área de circulação dos ônibus apenas trouxe mais rapidez aos atuais passageiros, o que não resolveu a questão da mobilidade, pois não houve acréscimo na frota. A meta não é a velocidade, é a capacidade. Para aumentar a capacidade é preciso aproveitar melhor o espaço colocando de 500 a 600 veículos por hora em cada uma destas áreas reservadas, enquanto estão sendo usados apenas os mesmos 30 ônibus por hora. O ônibus chega ao destino em menos tempo, mas não sai outro a seguir. Ao ocupar mais espaço com o transporte coletivo, Haddad reduziu o espaço para os automóveis. Além de não conseguir a transferência de passageiros dos automóveis para os ônibus, piorou as condições de tráfego para os usuários do transporte privado. Fato grave, não tanto quanto ao discutível aspecto econômico, pois são as pessoas que movem valores maiores no trabalho, mas pela quantidade. Metade da população usa transporte coletivo e metade usa transporte privado.

 

E como desgraça pouca é bobagem, ainda poderemos ter a proibição dos táxis circularem pelos corredores. Já são subutilizados e poderão ficar ainda mais, enquanto os automóveis disputarão espaços cada vez mais reduzidos.

 

Esse farto e valioso material deixado pelo Eng. Ejzenberg nesta entrevista à Fabíola Cidral ainda provou que ninguém é perfeito, porque o Professor depois de apontar tantas falhas deu nota 8 ao primeiro ano da gestão Haddad.

 

Ouça aqui a entrevista que foi ao ar no CBN São Paulo:

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

8 comentários sobre “Resultado com faixas exclusivas de ônibus causa desânimo

    • Carlos,

      Já escrevi que considero importante a iniciativa de Haddad de investir na abertura de faixas exclusivas de ônibus de forma arrojada (talvez atabolhoada). Era preciso coragem para encarar esse desafio diante de uma cidade estagnada nas últimas administrações em relação a iniciativas em favor da mobilidade. Para se ter ideia, a última tomada de decisão com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito foi o milionário e controverso projeto da ampliação da Marginal Tietê, do prefeito Serra, de resultados questionáveis, como nós mesmo já discutimos neste blog. As faixas exclusivas escancararam o problema de anos sem investimento em transporte público. O maior erro, e temo que este ocorra, é acreditar que as faixas da forma como foram feitas são a solução. São apenas medidas paliativas como mostra a conclusão do professor Ejzemberg. Precisamos investir em corredores de ônibus com sistema modelo BRT Bus Rapid Transport e ampliar o serviço das empresas de ônibus. Por tudo isso, me preocupa a decisão do TCM impedindo o seguimento deste projeto.

  1. Milton, acredito que as solicitações do TCM deverão dar mais consistência aos projetos e serão atendidas pela Prefeitura.Como você sabe referem-se a pontos técnicos e financeiros.
    Uma das sugestões do Eng. Ejzemberg que me chamou atenção foi a técnica de escolher uma das 8 zonas da cidade e depois gradativamente atingir as demais. Principalmente porque ou aumento de frota é demorado, dada a grande quantidade de novos veículos a serem colocados em circulação.
    De outro lado, os táxis são peça importante dentro do aspecto de ocupar os espaços em branco dos corredores. Proibir antes de ter a frota na quantidade ideal é desperdiçar área de circulação.
    Concordo com o mérito de Haddad ao ter coragem de mexer na mobilidade, discordo apenas do 8

    Abraço.

    • Carlos,

      Já fui reticente em relação aos táxis circularem nos corredores de ônibus, mas estou cada vez mais convencido de que a liberação deve permanecer a medida que não se tem o sistema ideal oferecido ao cidadão. Portanto, cortar esta alternativa é trazer ainda mais transtorno à mobilidade urbana, neste momento.

  2. Carlos
    Passando pela Av Sumaré notei que as faixas de onibus “desenhadas” pelo Malddad do PT são sub utilizadas
    Acho que somente duas linhas de onibus utilizam tais faixas assim como acontece em outras.
    Ainda sou a favor dos taxis poderem circular nas tais faixas, pois taxi é outra opção de transporte publico também
    Ou não?

  3. O pior de tudo é estar no congestionamento e ver as faixas vazias com um ou outro ônibus passando…O Malddad tirou um monte de linhas e colocou como ponto final as estações de metrô…Estranho…Será que é pra superlotar o metrô que é da oposição???

    • Ezequiel,

      Teorias da conspiração de lado, levar os pontos finais das linhas de ônibus para as estações de metrô e estratégia em qualquer parte do mundo. Ou o sistema se integra ou nunca teremos ônibus, trens e linhas suficientes para atender à população.

  4. Fatos:

    – Desde gestões passadas o número de ônibus das linhas foi reduzido enquanto deveria ser aumentado.

    – Questiono a frequência, q é importante. Em dias calmos e sem trânsito, como véspera de Natal, os ônibus correm absurdamente (excesso de velocidade). Justifique …

    – Colocar faixa onde cabe corredor é burrice.

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